Austrália x Brasil

Brasil x Austrália 
Marcos das Neves Tucano – 19/01/2012

                 Ouvi Gilberto Dimenstein na CBN nesta quinta pela manhã falando a respeito de um estudo australiano sobre QI (quociente de inteligência). Um pool de universidades daquele país fez uma pesquisa extremamente abrangente e séria no sentido de identificar os fatores que levariam uma pessoa a ser mais ou menos inteligente na vida adulta.

                Foram 60 anos ininterruptos de pesquisas.  O primeiro grupo era formado por crianças de 10 anos de idade que foram observados, medidos e testados até os 70. O estudo continua com novos grupos sendo finalizados a cada ano. Sabidamente dois fatores influenciam na capacidade cognitiva e, por consequência, na inteligência da
pessoa. Entenda-se por inteligência a capacidade de resolver problemas, na
qualidade de suas escolhas que proporcionam equilíbrio na vida familiar, social
e em vários outros aspectos. Que um desses fatores é a genética não é novidade.
Nossos genes influenciam tanto na cognição quanto na facilidade de perder peso
ou ter ou não determinadas doenças. O outro é o ambiente, o que também é mais
do que sabido. Neste, a importância maior vai para a criação, depois vem a
escola e as as relações sociais. Entre os fatores mais decisivos está o fato
dos pais terem curso superior e/ou o hábito da leitura.

A grande novidade estava no peso de cada um desses fatores. Segundo a pesquisa, a genética influencia apenas em 40% enquanto o ambiente é responsável por 60%. Famílias que valorizam o conhecimento e boas escolas não apenas preparam os novos cidadãos, mas influenciam decididamente no desenvolvimento de suas inteligências.

Um pequeno exemplo disso é Isadora Bittar e Pedro Mendonça. Este mês, ela ficou em 1ª lugar em Engenharia e ele em 2º em Medicina na UFG nas vagas oferecidas pelo Sisu que utiliza a nota do Enem. Uma característica comum a ambos é o hábito da leitura. Pessoalmente, emprestei três livros para Isadora o ano passado e sei que ela leu outros tantos, uma média de dois por mês.

Nossos filhos lêem muito pouco. Não adianta culpar a televisão ou a internet, dá para ler, acessar o facebook e ver seus programas prediletos. Se existe um grande culpado é a falta de disciplina do brasileiro em geral. Um dos aspectos mais evidentes é o pouco apreço pela pontualidade e pelo trabalho. Instituímos, como se isso fosse algo normal, os  famigerados minutos de tolerância e os seguidos feriados prolongados. Isso não admissível. Chegar fora do horário é atraso e não trabalhar em dia que não é feriado é preguiça. Ponto final. São por esses “inocentes” hábitos que patinamos desde 1500 enquanto a Austrália, com seus pouco mais de 200 anos de história, é um dos mais avançados países do mundo em todos os sentidos.

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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