About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

Aumente as chances do seu filho

12 ideias para aumentar as chances de seu filho ter um futuro acima da média:

1. Crie o hábito de questionar as convicções dele. Pergunte o porquê das coisas e o estimule a questionar da mesma forma.

2. Evite supervalorizar os erros. Caiu? Não faça estardalhaço. Encoraje-o a se levantar sozinho e continuar adiante. Não alimente o medo. Encoraje mais.

3. Falar inglês é fundamental. Eles aprendem bem rápido e não sofrerão no futuro. Quem fala inglês tem acesso a maiores oportunidades.

4. Pratique falar em público dentro de casa. Crie situações onde ele tenha que fazer alguma apresentação na presença de toda a família para conquistar o que deseja. Quer um videogame? Marque um dia para ele fazer uma apresentação dando os argumentos, mostrando porque merece esse presente. Se não for convincente, dê mais uma chance até conseguir.

5. Compaixão e empatia. Ter contato com a pobreza e criar o desejo de ajudar ao próximo. Ensinar o prazer de doar e dividir, além de evitar o consumismo. Ensine a simplicidade, a começar pelo seu exemplo.

6. Ensine o valor do dinheiro. Prêmios e multas podem ajudar no reconhecimento da gestão que ele faz de sua mesada.

7. Esporte ajuda a desenvolver o trabalho em equipe, disciplina, além de ser saudável.

8. Converse sobre o mercado, sobre as empresas, sobre bolsa de valores, sucesso, fracasso e crie referenciais a serem seguidos. Fale sobre biografias de pessoas de sucesso desde cedo.

9. Trabalhe por merecimento. Ensine desde pequeno que nada se ganha, tudo se conquista.

10. Fique de olho nas besteiras que são faladas na escola. Infelizmente, a cada dia, a escola tem se tornado um lugar menos confiável.

11. Falando em escola, se tentarem convencer você de que seu filho é doente e que ele precisa viver à base de Ritalina, porque ele é hiperativo, duvide. Em 90% dos casos, a situação é pura incompetência ou preguiça da escola, por querer padronizar todos no mesmo formato. Não mate a iniciativa e os questionamentos de seu filho por causa da mediocridade da escola. Ensine-o como lidar com esse modelo convencional sem tirar dele seu lado questionador. É só aprender a jogar o jogo da Matrix.

12. Ensine desde cedo seu filho a ter a dignidade de assumir seus erros e debilidades. Assim, a chance de ele crescer e se tornar alguém que criou o hábito de sempre tentar colocar a culpa de seus fracassos no sistema, no governo, em sua classe social, na cor de sua pele ou na sua orientação sexual será muito menor. Ensine-o desde cedo a ser protagonista e não uma vítima.

A GRANDE HERESIA DO SIMPLES

CLÁUDIO DE MOURA CASTRO – VEJA – OUTUBRO DE 2015

A GRANDE HERESIA DO SIMPLES

Em seu livro Tristes Trópicos, Lévi-Strauss (Antropólogo, professor e filósofo francês. Um emérito pesquisador da “alma brasileira”) descreve, em 1955, os seus colegas pesquisadores brasileiros: “Qualquer que fosse o campo do saber, só a teoria mais recente merecia ser considerada. (….) Nunca liam obras originais e mostravam entusiasmo permanente pelos novo pratos. (…) Partilhar uma teoria conhecida era o mesmo que usar um vestido pela segunda vez, corria-se o risco de um vexame”.

Nós, brasileiros, cultivamos essa paixão pelas navegações intergalácticas e pelo modismo. Assim, acaba tudo muito complicado, inclusive na educação. Ouso arrostar (encarar sem medo) a cultura nacional. Cometo a Grande Heresia do Simples: tento demonstrar que a educação brasileira precisa de um “feijão com arroz” benfeito, nada mirabolante, nada nos espaços siderais. Vejamos a receita que deu certo alhures (em outro lugar).

A escola precisa de metas. E que sejam poucas, claras, estáveis e compartilhadas. Se cada um rema para o seu lado, o barco fica à deriva.

A escola tem a cara do diretor, o principal responsável pela criação de um ambiente estimulante e produtivo. Daí o extremo cuidado na sua escolha. Eleição por professores não será pior que indicação política? E, uma vez escolhido, o diretor precisa de autonomia, de par com a cobrança firme do que for combinado.

Boa gestão é essencial. Nem empresas, nem paroquias, nem escolas se administram sem dominar os princípios e técnicas apropriados. Ademais, as secretarias não devem atrapalhar, criando burocracias infinitas.

O professor tem de dominar o assunto que vai ensinar e saber como dar aula. Infelizmente, as faculdades de educação acham isso irrelevante.

Prêmios e penalidades. De alguma forma, o bom desempenho do professor deve ser recompensado. E, se falhar, que venham os puxões de orelha. Por que a atividade mais crítica para o futuro de um país é uma das poucas em que prevalece a impunidade?

Ensinou a teoria ou o princípio? Então, que sejam aplicados em problemas práticos e realistas. Diz a ciência cognitiva que sem aplicar não se aprende.

Nova ideia? Então mostre sua conexão com alguma coisa que o aluno já sabe. Isso se chama “contextualizar”. Pelo menos, que não se ensine nada sem mostrar para que serve. Se o professor não sabe, como pode suceder na matemática, melhor não ensinar. É preciso ensinar menos, para os alunos aprenderem mais. O tsunami curricular impede que se aprenda o que quer que seja. Ouve-se falar de tudo, mas não se dominada nada. E como só gostamos do que entendemos, no ritmo vertiginoso em que disparam os assuntos, não é possível gostar e, portanto, aprender o que quer que seja.

Valores e cidadania se aprendem na escola tanto quanto a matéria ensinada. Só que não no currículo ou em sermões, mas na forma pela qual a escola funciona. Escola tolerante e justa ensina essas virtudes. Aprende-se pelo exemplo da própria escola e dos professores. Tão simples quanto isso.

Com bagunça na aula não se aprende. Foi o que disseram os próprios alunos, em uma pesquisa do Instituto Positivo (confirmada por outros estudos). A escola precisa enfrentar com firmeza a assombração da indisciplina.

Sem avaliação a escola faz voo cego. Nossos sistemas de avaliação são excelentes. Mas ainda são pouco usados, seja pelos professores, pela escola ou pelas secretarias. É pena.

A tecnologia pode ajudar, não há boas razões para desdenhá-la. Mostra o PISA: nas mãos dos alunos, produz bons resultados. Mas não é uma ferramenta para alavancar mudanças. Escola travada não vai mudar com computadores, tablets ou smartphones. Pior, dentro da escola, escoam-se décadas e ela continua um elefante branco, incapaz de promover avanços na qualidade. E aos pais cabe vigiar. Conforme o caso, apoiando ou cobrando.

O currículo é ler com fluência, entender o lido, escrever corretamente, usar regra de três, calcular áreas, volumes e juros simples, ler gráficos e tabelas….Só depois de dominado isso podemos ir para as guerras púnicas, derivadas e integrais, reis da França, afluentes do Amazonas e a infinidade de bichinhos do livro de biologia.

Onde está a complicação? Fazer bem o “feijão com arroz” seria uma revolução no nosso ensino. Mas, para muitos, o simples é a Grande Heresia.

       

 

Excelente texto para alunos, professores e, especialmente, pais.

A catraca vazia ou A origem de todos os males do Brasil Décio Tadeu Orlandi , Especial para Opinião Pública Domingo. Saguão de uma conhecida escola particular de Goiânia. Havia levado minha filha de dez anos para participar de um torneio interescolar de xadrez. A instrução que havia recebido era clara: início das partidas às 10 horas. Nada complicado, ou esotérico ou impossível, apenas um breve comando: início das partidas às 10 horas. Cheguei às 9h45. Às 10h05, minha filha estava sentada diante de uma cadeira vazia… A sua oponente chegou, esbaforida, quase 20 minutos depois. Ao lado dela, o pai, munido das tradicionais desculpas: distância, trânsito. Trânsito? No domingo de manhã? Não havia trânsito. Depois de que a menina se sentou diante da minha filha, como se nada houvesse, muitas outras crianças ainda chegaram, acompanhadas por seus pais e suas mesmas desculpas. Todos entravam no auditório cujas portas fechadas traziam um enorme cartaz onde se lia Não entre. Para evitar me aborrecer mais ainda com a balbúrdia, fui me sentar longe das portas. Por todo o saguão, crianças pequenas começavam a correr de um lado para outro, gritando (e atrapalhando os enxadristas, mas e daí?) sob o olhar indiferente de seus pais, e contrariando um claro aviso na parede: Não corra, evite acidentes. Enfim, saímos, minha filha e eu, só para encontrar nosso carro fechado por uma pick-up que havia estacionado na esquina, sobre a calçada. No almoço, num grande shopping, famílias corriam para segurar uma mesa (pouco importando o aviso que indicava ser preferencial), disfarçando com seus celulares enquanto pessoas com o prato na mão (algumas idosas) vagavam buscando um lugar para comer. Pedi um sanduíche sem cebola, mas elas estavam lá, pois o atendente não leu o pedido. No cinema, tive de pedir para a jovem na minha frente parar de teclar, pois a luz não me deixava ver o filme. Acabei a noite de volta a meu apartamento, subindo com um cachorro me cheirando no elevador social – expressamente proibido -, e pedindo silêncio ao meu vizinho de cima que se imagina cantor sertanejo e estava dando um show intimista à meia noite. Enquanto rolava na cama, tentando ignorar o violão desafinado, tive uma visão. Sim, tudo estava claro agora, tão claro quanto o celular da moça no cinema. Estava aí, o tempo todo, na nossa frente, no nosso dia a dia, a origem de todos os males do Brasil. A nossa própria essência como nação, nossa alma verdadeira, aquela que “olha dentro para fora”, como diria Machado de Assis. Como podia ser tão simples, afinal, e passar tão despercebido? A verdade simples e crua é que o brasileiro não é capaz de cumprir regras! Só isso. Incapacidade crônica de cumprir regras. Por isso somos o país com o maior número de leis no mundo – e, como não as cumprimos, nossos legisladores criam novas leis que por sua vez não serão cumpridas, o que vai gerar outras leis, num ciclo infinito… Posso falar por horas sobre este tema : sou professor e há 25 anos e já ouvi (é verdade que nunca tanto quanto agora) tantas desculpas esfarrapadas de alunos e também de pais para burlar as mais simples regras do cotidiano escolar. Assim como a menina de dez anos no torneio de xadrez, que aprendeu na prática com o seu pai que as regras não existem na verdade aqui, e que qualquer problema se resolve miraculosamente com uma mentira qualquer – foi o trânsito… Fui mal na prova porque não estudei – jamais! A culpa é do professor que me persegue, do bullying que sofro dos meus colegas, da escola que não me entende, da educação que é repressora, da sociedade, do destino, de Deus! Ora, meus irmãos, ponhamos as nossas mãos cheias de culpa nas nossas consciências brasileiras tão enferrujadas e admitamos: somos nós que não sabemos seguir regras simples e que transformamos esse país tão lindo em um purgatório perpétuo. O problema da violência no trânsito é que não cumprimos as regras do trânsito. Simples assim. Corrupção no governo? Normas que são burladas, tanto por quem contrata quanto por quem é contratado, diga-se de passagem. Há milhares de leis, mas não para mim. Eu ignoro, eu dou desculpas, eu passo por cima. Pode nomear o problema, meu caro leitor, e eu lhe darei a mesma causa: incapacidade crônica de cumprir regras. Duvida? A crise hídrica que vai acabar nos matando de sede vem de onde? De leis que são ignoradas – até as do bom senso, como a dona de casa que gasta centenas de metros cúbicos de agua para deixar sua calçada brilhando (ah, sim, o lixo ela empurra discretamente para o vizinho). Mas a calçada estava tão suja! Mas foi só uma vez! Mas, afinal, todo mundo faz isso, não é mesmo? Esse processo perigoso e contagioso só vem se agravando… E vai levar este país, inexoravelmente, para o caos, de onde não nos ergueremos jamais, como a alma de Poe presa à sombra do corvo, no seu poema famoso. A menos que algum milagre se opere nas mentes de nossos conterrâneos, e aquele pai, antes de sacar do bolso alguma desculpa pronta para “proteger” seu filho de alguma coisa que ele deveria ter feito e que não fez, antes disso, perceba que está oferecendo à sociedade brasileira mais um cidadão irresponsável, incapaz de assumir seus erros, que não vai nunca se adaptar a um emprego (sim, em que há regras!), e que, se por nossa infelicidade, for aprovado num concurso público qualquer não vai se especializar em desviar as verbas públicas para seu próprio cofre. Estamos morrendo nas ruas, nos carros, morrendo de fome, de raiva e de sede (sábio Caetano) simplesmente porque não ensinamos nossos filhos a cumprir as leis que regem a vida em sociedade. E lamento constatar que não estamos nem perto de começar a fazê-lo agora… Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro, mas simplesmente quiser burlar a lei? Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora – Mas por que ela faria isso?, me perguntou. Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada. (Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG. Venceu o Prêmio Casa de las Américas (Cuba) na categoria Melhor Romance, em 1994. Atualmente é coordenador pedagógico do Ensino Médio no Centro Educacional Sesc Cidadania) Observação: o desenho que ilustra este post foi retirado do site  https://catracalivre.com.br/brasil/ do excelente jornalista Gilberto Dimenstein e que recomendo a todos.

Educação Financeira – Márcia Dessen

Planejamento bem-feito para atingir seus objetivos

Márcia Dessen – Folha de São Paulo – 28/12/14

Mais um ano termina. É tempo de rever nosso propósito, nossas metas, celebrar as conquistas e pensar nas razões que nos impediram de atingir alguns dos objetivos traçados durante o ano que termina. Fica aquela sensação de que não faltou vontade e até mesmo muito esforço. O que você prometeu e não cumpriu? Já parou para pensar por quê?

Muitas vezes as metas são pouco objetivas e não indicam com clareza como serão atingidas. “Vou emagrecer”, “vou fazer mais exercício físico”, “quero me tornar uma pessoa melhor”, “vou parar de gastar dinheiro com bobagens”. Embora admiráveis, são metas pouco específicas: falta estabelecer objetivamente o que se pretende fazer, como será feito, quando se inicia o plano, quanto e quem, quando a meta envolve outras pessoas.

SONHAR

Sonhar é a parte mais simples do processo, fase de desejar, aspirar, dizer: “Eu quero, eu mereço!”. Mas, se o próximo passo não for dado, tudo não vai passar de um sonho, uma vontade que, apesar do merecimento, não se concretizou. Por que? Porque você não fez acontecer.

REALIZAR

Para realizar nossos sonhos é preciso agir. Não de qualquer jeito, achando que o universo conspira a seu favor e que o que é seu está guardado. Faça o sonho sair do papel, sair da sua cabeça, faça acontecer. E saiba que isso não será possível sem um bom planejamento.

PLANEJAR

Além de determinação, precisamos de dinheiro para realizar nossos sonhos e essa, talvez, seja uma das etapas mais difíceis do processo, uma vez que exige bom planejamento, perseverança e disciplina. Existem técnicas que podem ser adotadas para ajudar você a estabelecer um plano de ação e atingir os objetivos propostos. Ao estabelecer uma meta certifique-se de que ela seja:

Relevante: estabeleça metas que tenham significado para você e seus familiares. Se a meta for realmente importante, vocês terão motivação, força, habilidade e capacidade financeira para alcançá-la. O que os move é a importância dela em suas vidas. O melhor exemplo de meta relevante e engajadora talvez seja: “Realizar o sonho da casa própria”.

Específica: a meta dá clareza ao que se pretende e de onde virão os recursos financeiros para atingi-la: “Comprar um imóvel de R$ 700 mil, preferencialmente em região próxima ao local de trabalho. Acumular dinheiro para uma entrada de 30% do valor do imóvel e assumir financiamento bancário do restante. Utilizar o saldo de R$ 60 mil disponível no FGTS para amortizar parte da dívida”.

Temporal: defina em quanto tempo a meta deve ser atingida para que ela tenha sentido de urgência. Estabeleça data para início e término de cada objetivo. Assim, você se programa mental e operacionalmente para trabalhar em direção a ele: “Acumular, em 60 meses, o valor de R$ 210 mil, quantia suficiente para a entrada do imóvel. Para acelerar o prazo de acumulação, reduzir em 20% as despesas do orçamento doméstico e direcionar boa parte dos recursos excedentes (bônus, 13º, férias etc.) para essa poupança”.

Possível: determine metas elevadas, desafiadoras, porém possíveis de serem cumpridas. Lembre-se de que seu orçamento contempla várias metas e que uma concorre com as outras. Obtenha a concordância de todas as pessoas envolvidas, já que o esforço não será pequeno: “O dinheiro para a entrada, daqui a cinco anos, será alcançado com venda do carro e corte de despesas para gerar capacidade de poupança mensal de R$ 2.000”.

Se você avaliar que não consegue poupar essa quantia regularmente, ajuste seu planejamento aumentando o prazo para a aquisição ou reduzindo o valor do imóvel. Normalmente nosso primeiro imóvel não é do tamanho do nosso sonho, mas é o possível naquele momento. Depois do primeiro, será mais fácil planejar o segundo.

Mensurável: meça com frequência o progresso em relação ao cumprimento de cada meta. O avanço em relação ao que se deseja atingir traz motivação para continuar. Ao definir com clareza quanto e como estão sendo gastas as receitas da família, o orçamento é um grande aliado para executar essa parte do processo.

Além dele, mantenha uma planilha de controle dos investimentos feitos para acumular os recursos financeiros necessários. Escolha o investimento de acordo com o objetivo a ser atingido, respeitando o perfil de risco e horizonte de tempo em que se deseja ter o capital acumulado.

DICAS QUE VALEM DINHEIRO:

1 – Simplifique, descubra que você pode viver bem com menos

2 – Corte hábitos pouco saudáveis e despesas supérfluas

3 – Pare de fazer coisas que não ajudam a construir riqueza e bem-estar

4 – Comece a agir para transformar seus sonhos em realidade

Feliz Ano Novo!

Marcia Dessen, é sócia do BMI (Brazilian Management Institute), diretora do IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros) e autora do livro “Finanças Pessoais: o que fazer com meu dinheiro” (Trevisan Editora, 2014).

As dez profissões mais promissoras em 2015

As dez profissões mais promissoras de 2015
Guia Veja – 22 de dezembro de 2014 – On Line – Daniela Macedo

O mercado de trabalho está em constante processo de acomodação: há períodos em que uma profissão está em alta; em outros, as contratações murcham. A empresa de recrutamento e seleção Michael Page elaborou uma pesquisa de mercado para descobrir quais serão os cargos mais demandados pelas companhias em 2015.

De acordo com o atual cenário econômico brasileiro e global e as projeções dos especialistas para os próximos doze meses, os recrutadores da consultoria relacionaram os cargos que mais devem demandar profissionais no ano que vem. “Diante de uma expectativa de poucos investimentos, as empresas estarão de olho em profissionais focados na melhoria do resultado financeiro”, resume João Marco, diretor-executivo da Michael Page.

Com o aumento da demanda vem, é claro, a escalada dos salários. Confira a relação dos cargos mais promissores e prepare-se para dar um novo rumo à carreira em 2015:

GERENTE DE LOGÍSTICA

É o responsável pela cadeia logística na indústria, da armazenagem até o transporte do produto final. Em um país de dimensões continentais e assolado por altos custos de transporte, como é o caso do Brasil, esse tipo de profissional é vital para garantir o lucro da empresa.

Quem pode exercer o cargo: engenheiros, administradores e economistas

Salário: entre 14.000 e 18.000 reais

Gerente de Planejamento de Demanda

O profissional cuida do controle de produção em função da demanda, para evitar gastos excessivos com estoque ou falta de produtos no mercado.

Quem pode exercer o cargo: engenheiros e administradores

Salário: entre 12.000 e 16.000 reais

Diretor Comercial

De olho na instabilidade econônica do país, empresas de todas as áreas irão investir em um profissional capaz de elaborar as melhores estratégicas comerciais e, assim, manter ou aumentar o faturamento.

Quem pode exercer o cargo: qualquer profissional com o perfil comportamental procurado pela empresa, entre eles administradores, economistas e profissionais da área de marketing e publicidade

Salário: entre 25.000 e 35.000 reais

Gerente de Processos e Melhoria Contínua

É o responsável pela melhoria no processo operacional da empresa, com foco na eficiência nas etapas de trabalho e redução dos custos.

Quem pode exercer o cargo: engenheiros

Salário: em torno de 15.000 reais

Gerente de Controladoria

Cuida do planejamento financeiro. O controller, como é conhecido no jargão corporativo, tem papel fundamental para garantir a viabilidade da empresa, já que é quem supervisiona os seus custos.

Quem pode exercer o cargo: administradores, economistas, contadores e advogados

Salário: 18.000 a 22.000 reais

Gerente de Tesouraria

Também é responsável pelo planejamento financeiro da companhia, mas seu foco é mais voltado para as operações de crédito e cobrança na relação da empresa com os bancos.

Quem pode exercer o cargo: administradores, economistas, contadores e advogados

Salário: em torno de 20.000 reais

Gerente de Desenvolvimento Organizacional

O profissional atua no departamento de Recursos Humanos, responsável por treinamento e desenvolvimento dos funcionários.

Quem pode exercer o cargo: psicólogos e administradores

Salário: entre 20.000 e 25.000 reais

Diretor de Compliance

Cargo exclusivo do setor financeiro, o diretor de compliance é especialista em regulamentação e auditoria.

Quem pode exercer o cargo: administradores, contadores, economistas e advogados

Salário: entre 25.000 e 35.000 reais

Gerente Comercial (Mercado de Meios de Pagamento)

É o profissional contratado pelas empresas de pagamento eletrônico para captar clientes no comércio e serviços, para que eles ofereçam o meio de pagamento da empresa aos clientes.

Quem pode exercer o cargo: administradores, economistas e profissionais da área de marketing

Salário: entre 12.000 e 19.000 reais

Gerente de Orçamentos

Cargo específico do setor de construção civil, o gerente de orçamentos controla todos os gastos referentes a uma obra.

Quem pode exercer o cargo: engenheiros

Salário: entre 18.000 e 25.000 reais

 

Tecnoestresse

Marcos das Neves Tucano

         A palavra é auto-explicativa. Nossos adolescentes estão cada vez mais tecnodependentes (outro neologismo que dispensa explicações). Se antes se trancavam no quarto para mergulhar na internet, agora a levam com eles para onde vão.

         Essa avalanche de informações – e é sempre bom lembrar que informação e conhecimento são duas coisas bem diferentes -, não apenas aumenta os riscos para a segurança – preocupação número 1 dos pais – mas também afetam o desenvolvimento social e psicológico. A lista é grande: pedofilia, ciberbullying, obesidade, “sexting”, “grooming” e o já citado tecnoestresse. Antes dizíamos para os nossos filhos não falarem com estranhos na expectativa que isso os protegeria dos assédios. O que fazer hoje?

         O citado tecnoestresse, causado pelo excesso do uso de computadores, tablets e smartphones, provoca dificuldade de concentração e ansiedade, além da agressividade todas as vezes que for privado do acesso à tecnologia. Mais ou menos como os efeitos da abstinência no caso de drogas e álcool.

         Neurologista e professor da UFRJ, Eduardo Jorge, afirma que problemas neurológicos e psiquiátricos já associados ao uso excessivo de tecnologia. “Estão aumentando os casos de doenças relacionadas ao isolamento. A depressão é a que mais cresce”, diz ele.

         Uma pessoa que tenha uma leve tendência a se tornar depressiva, com o uso excessivo da tecnologia pode potencializar e apressar os sintomas. Sem este fator, talvez apenas desenvolvesse a doença no final da fase adulta ou nem isso. Com a superexposição tecnológica já pode apresenta-la na adolescência. Estes casos são cada vez mais frequentes.

         Além da depressão, o aparecimento ou potencialização do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, tem uma incidência maior em adolescentes “viciados” em computador. Alguns pais geralmente discordam, afirmando que ele não tem dificuldade de concentração pois fica horas concentrado no computador.

         Segundo ainda o Dr. Eduardo Jorge, as novas e espetaculares telas de LED, são importante fator no aumento tanto no número quanto na intensidade dos casos de enxaqueca.

         Isso sem falar nas relações pessoais. No momento da vida em que a socialização é um dos fatores mais importantes, eles estão cada vez mais afastados de uma vida social saudável trocada pelas relações virtuais, muitas vezes perigosas. Isso em um momento em que o adolescente está em fase de crescimento e seu cérebro ainda não atingiu a maturidade, não tendo, portanto, pleno controle de seus impulsos.

         Com o aparecimento dos tablets, ambientes wi-fi e smartphones e com eles a internet móvel, fica praticamente impossível para os pais algum tipo de controle efetivo. A não ser que “comprem briga” com os filhos e não os presentei com esses dispositivos ou restrinjam o uso dos mesmos. Não vai ser fácil, a primeira frase que ouvirão será um clássico de 10 entre 10 adolescentes: “os (as) meus (minhas) amigos (as) todas têm, só eu que não tenho”. O objetivo claro da frase é provocar o remorso por estar “dificultando a vida social” do (a) filho (a) quando todos os “outros pais” fazem o contrário. Não caia nessa, ao contrário, ligue para os pais das colegas e troquem ideias sobre isso. Acho que você terá uma surpresa ao ver que a grande maioria pensa ou gostaria de pensar como você.

         O pediatra americano Michael Rich, da prestigiada Universidade de Harvard, vai mais além. Segundo ele, devido a falta de intimidade com as novas mídias, os pais deixam de preparar as crianças para o mundo virtual e se tornam os principais responsáveis por esse quadro “cibercaótico”.

         “Muitas vezes os pais dão o notebook e pensam que, desde que os filhos estejam no quarto, não vão se meter em confusão, o que é um erro”, afirma Michael Rich. “Os adultos precisam se tornar aprendizes dos jovens na parte técnica para que possam ser seus professores na parte humana”, completa.

 

Fonte: Folha UOL.

        

        

 

O Fim da Torre de Babel

O Fim da Torre de Babel
Marcos das Neves

Em 2013, dirigia de Nápoles a Veneza pela A1, a principal autoestrada italiana. Parei em um posto de gasolina próximo a entrada para a cidade de Frosinone. Não falo nada de italiano, até então tinha me virado bem com o inglês. A Itália tem no turismo uma de suas principais fontes de renda e nos grandes centros e cidades turísticas todos falam mais de um idioma. Mas ali, no posto de gasolina, fiquei em dúvida.

        O frentista, um senhor rechonchudo, de macacão, boné da Agip (empresa italiana de petróleo) e flanela pendurada no bolso, veio me atender. Arrisquei.

        – Do you speak english?

        – Yes, what do you want sir? Respondeu amigavelmente.

        Enquanto Camila e os meninos iam à lanchonete, continuei conversando com ele sobre futebol e política. Seu inglês, meio macarrônico, era perfeitamente compreensível para mim, que também não sou um expert na língua.

        Existe um esforço muito grande para que todos os italianos que lidam com o público falem o inglês. Desta forma, eles conseguem se comunicar com alemães, brasileiros, espanhóis, franceses, croatas, russos, árabes ou turistas de qualquer outra nacionalidade.

        Havia um tempo que no Brasil que a língua inglesa era quase um artigo de luxo. Poucas pessoas dispunham de capital e tempo para os longos cursos.

        Hoje é impensável em praticamente qualquer área.

        A língua mundial, ou língua comercial, caracteriza-se por ser aprendida por muitos como a segunda língua e também pela distribuição geográfica. É utilizada pelas organizações internacionais e nas relações diplomáticas.

        O Árabe, o Espanhol e o Francês já tiveram seus períodos de glória, mas é o inglês que subiu ao pódio e não deve descer tão cedo.

        Começou com o Império Britânico, mas nessa época o Francês resistia bravamente. Depois da II Guerra Mundial os Estados Unidos galgaram o posto de principal protagonista mundial. Até então dependia-se de fronteiras.

        Além da política, o cinema passou a vender o American Way of Life, especialmente no ocidente, o rock surgiu forte e figuras com Elvis, Beatles e Rolling Stones tomaram conta da mídia nos anos 50 e 60.

        Nos anos 70 surgiu a onda disco e, logo depois, uma leva de artistas cantando e atuando em inglês com destaque para Michael Jackson.  

        Na literatura não é diferente. 27 escritores da língua inglesa ganharam o Prêmio Nobel, contra 13 franceses, 12 alemães, 10 espanhóis, 6 italianos, 6 suecos e 5 russos. Em português apenas um, José Saramago, em 1998.

Mas apenas o ocidente se rendia aos encantos anglo-saxônicos, em muitos países orientais havia uma barreira cultural quase intransponível. Foi quando o advento da internet jogou tudo para o alto. Desenvolvida nos Estados Unidos pulverizou fronteiras e disseminou o inglês como segunda língua nos quatro cantos do planeta.

        Some-se isso ao fato do inglês ser extremamente fácil e intuitivo. A gramática das línguas latinas (Francês, Espanhol, Italiano e Português) parecem hieróglifos perto da estrutura simplificada do idioma de Shakespeare.

        Uma dona de casa vai ao supermercado e se depara com um infinidade de palavras e produtos diet, light, power, close, open, up. Os jovens estão cada vez mais conectados com o mundo através de notebooks, smartphones ou tablets, tendo acesso a web, sites, games, Skype, Facebook, Youtube, fazendo downloads, uploads, likes para cá, likes para lá.

        Diariamente somos impactados com informações, filmes, desenhos, personagens, propagandas e vários outros conteúdos internacionais. Japoneses da Honda, suecos da Volvo, estudantes da Alemanha, turistas do China e até frentistas de um posto de estrada da Itália se comunicam em inglês.

        Um movimento inverso ao da Torre de Babel. Segundo narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre que estava construída pelos descendentes do Noé após o dilúvio. A construção teria irritado Lavé, o Deus hebraico, que decidiu então confundir-lhes as línguas para impedir o prosseguimento da empreitada. Até então os homens falavam apenas uma língua e este fato teria dado origem a todos os idiomas hoje falados na Terra.

        Algumas pessoas se irritam com o excesso anglicismo, termos em inglês para nominar palavras consagradas em português. Liquidação passa a ser Sale, apagar vira deletar e começar se diz startar. Até pouco tempo achava frescura, deveria-se sim usar cada vez mais termos assim para que, no futuro, todos passassem a falar inglês.

        Mas mudei de ideia ao conhecer Malta. Esse pequeno país, uma ilha no Mediterrâneo, a 80 km da Sicília e com apenas 400 mil habitantes, é um exemplo de civilização que resiste ao tempo. Tem mais de 5 mil anos de história, foi invadida uma dezenas de vezes pelos fenícios, gregos, romanos, árabes, italianos, espanhóis, pertenceu durante 5 séculos à Igreja Católica e, por último, virou uma colônia inglesa até conquistar sua independência em 1964.

        Incorporou em sua arquitetura e culinária elementos de todos os invasores. Todas as casas e edificações são construídas com pedras calcarias, originadas por corais, que resistem ao tempo e às invasões. A cultura maltesa também resistiu a vários milênios sob o jugo de outras civilizações.

        O motivo é simples, eles nunca deixaram de falar maltês, um idioma incompreensível, uma mistura de árabe, fenício, grego, italiano e português, que inverte os pronomes e artigos e utiliza-se de caracteres (letras) especiais o que complica mais ainda.

        Por estarem no meio das mais utilizadas rotas comerciais do mundo e pela convivência com fenícios e árabes, os malteses se tornaram hábeis comerciantes e sua incompreensível língua era uma grande vantagem já que ninguém entendia o que eles conversavam entre si durante as negociações.

        Toda criança maltesa é alfabetizada em maltês até os 10 anos de idade. Quando passa para séries seguintes, a educação passa a ser em inglês, uma herança dos três séculos de colonização britânica.

        Assim, nos dias de hoje, todos os malteses conversam entre si em maltês e com os outros em inglês. Ao longo dos milênios, eles mantiveram a língua e junto com ela sua cultura embora tenham absorvido vários aspectos de outros povos o que hoje torna a pequena e exuberante ilha em um lugar único no mundo.

        Hoje defendo o Português como um dos fatores de manutenção da identidade brasileira, mas também a imprescindibilidade do inglês para quem quer ter alguma chance de sucesso em um mercado de trabalho dinâmico, interconectado e globalizado.

        

A Vingança do Decoreba

A vingança da decoreba
HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SÃO PAULO – Esta vai deixar alguns pedagogos de cabelos em pé. Trabalho publicado EM 2011 na “Science” mostra que alunos que estudam por métodos do tipo decoreba aprendem mais do que os que utilizam outras técnicas.

O “paper”, que tem como autor principal o psicólogo Jeffrey Karpicke, da Universidade Purdue, comparou o desempenho de voluntários que estudaram um texto científico se valendo de um método que enfatiza a memória (leitura seguida de um exercício de fixação mnemônica) com o de alunos que usaram a técnica do mapa conceitual, na qual leem o texto e depois desenham diagramas relacionando os conceitos apresentados.

Desenvolvido por Joseph Novak nos anos 70, o mapa conceitual tem como pressuposto a teoria da aprendizagem significativa, segundo a qual aprender é estabelecer relações relevantes entre ideias.

Uma semana depois, os estudantes fizeram um exame para descobrir quanto haviam aprendido. O grupo da decoreba teve um índice de acertos 50% maior do que o do mapa. A grande surpresa, porém, foi que os memorizadores se saíram melhor tanto nas perguntas que envolviam a mera reprodução das ideias originais como também nas questões que exigiam que eles fizessem inferências, estabelecendo novas conexões entre os conceitos.

Um segundo experimento aprofundou um pouco mais esses achados, explorando, por exemplo, o desempenho de um mesmo estudante com os dois métodos de estudo. Em todas as situações, a decoreba apresentou melhores resultados que o mapa conceitual.

Evidentemente, ainda é cedo para generalizar as conclusões desse trabalho, que ainda precisa ser reproduzido em outros centros para ganhar nível de evidência. Mas já é certo que ele cairá como uma bomba na guerra pedagógico-ideológica que opõe os entusiastas da educação construtivista aos defensores de métodos tradicionais.

GERAÇÃO N

GERAÇÃO N

Com excessiva autoestima e falta de limites, crianças formam a “Geração N”.

Jussara Soares – Diário de São Paulo

            Vem aí a “Geração N”. provavelmente, você ainda não ouviu falar a respeito, mas pode estar convivendo com ela. Uma pesquisa realizada pelas universidades de San Diego e do Sul do Alabama aponta que o narcisismo (daí o nome de geração N) cresceu entre os jovens americanos nos últimos 15 anos. A autoestima elevada e que pode trazer problemas sociais, no entanto, também é percebida no Brasil, afirmam os especialistas.

            O estudo, liderado pelo psicólogo Jean Twenge, da Universidade de San Diego, analisou os traços da personalidade narcisista entre dezenas de milhares de universitários americanos. As características mais presentes nos entrevistados são um “infundado senso de merecimento” e “uma excessiva autoestima”.

            A pesquisa conclui que o aumento de narcisistas pode trazer problemas para a sociedade no futuro. E sugere que a última crise econômica mundial já foi resultado de decisões de alto risco, baseadas no narcisismo.

            A psicoterapeuta e consultora de imagem do núcleo de adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Mara Pusch, diz que o comportamento da “geração N” é estimulado pelos próprios pais. “Para sanarem a ausência deles, os pais começam a construir uma autoestima elevada nos filhos, baseada em muitos elogios e poucas críticas”, analisa.

            A principal consequência, segundo a psicoterapeuta da Unifesp, é a arrogância e a dificuldade de convívio social da “geração N”. “A criança e o adolescente se acha um ser superior. Só entra em uma disputa para ganhar, ou nem entra”, observa.

            Para a professora de psicologia social da PUC-SP, Ana Bock, a “geração N” é um reflexo da mudança da sociedade e dos seus valores. “O mundo está mais individualista. Hoje, todo mundo tem o seu celular, a sua televisão. As famílias têm pouca convivência”, diz.

            A “geração N”, observa a professora, são filhos de casais que mantém uma relação mais individualista e que superprotegem os filhos. “As crianças não aprendem a ceder, a conviver com frustrações. Quando adultos, quando passam por uma frustração pessoal ou afetiva, entram em depressão”, observa Ana Bock, reiterando o prejuízo para a sociedade. “São pessoas que não aprendem a olhar pela perspectiva do outro. Só sabe cuidar da própria vida”, diz.

            Pais incentivam o consumo

            O consumismo é outra característica predominante dos narcisistas. De acordo com a psicoterapeuta da Unifesp, os pais não permitem que os filhos tenham frustrações. “É como se, ao não poderem dar afeto, compram tudo para atender aos desejos dos filhos”, pontua.

            A dica para crianças e futuros adultos menos preocupados com os próprios umbigos é o equilíbrio. “Só o elogio não constrói. Só a crítica também não. Qualquer exagero é um equívoco. É preciso dosar para ensinar os filhos a lidarem com as frustrações e as realizações que vão enfrentar”, conclui.  

            

‘SÓ UM IMBECIL GOSTARIA DE FAZER O QUE NÃO CURTE’

‘SÓ UM IMBECIL GOSTARIA DE FAZER O QUE NÃO CURTE’

MARIO SERGIO CORTELLA DIZ QUE AS NOVAS GERAÇÕES PRECISAM ENTENDER QUE ENTRE A VONTADE E O SUCESSO EXISTE UM CAMINHO CHEIO DE COISAS POUCO PRAZEROSAS

revista Época negócios – inspiração para inovar

O filósofo Mario Sergio Cortella é conhecido por sua experiência na área de educação, mas parece capaz de filosofar sobre tudo. Nesta entrevista de menos de uma hora, ele foi da sala de aula à Copa, passando por tecnologia, democracia e mundo corporativo. 

Cortella é professor há 40 anos e, na juventude, tentou por três a vida no Monastério. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo, trabalhou ao lado de Paulo Freire, uma das figuras mais importantes da educação brasileira, e escreveu mais de 15 livros. Uma de suas aulas colocadas no YouTube – “Você sabe com quem está falando?” – tem quase 800 mil visualizações.

Na conversa a seguir, ele chama a atenção para um “desvio de formação” dos jovens, que não foram ensinados a batalhar pelo que desejam. Ao mesmo tempo, afirma que essa geração tem várias características que precisam ser valorizadas. Cortella também dá um alerta sobre a nossa falta de tempo para pensar sobre nós mesmos: “algumas coisas na vida é melhor começar cedo antes que seja tarde”. A dica, que ele repetiu algumas vezes durante a entrevista, é “parar, olhar e escutar”. Já fez o seu minuto de silêncio hoje?

Debate-se muito no mercado de trabalho sobre essa geração que está encarando agora seus primeiros empregos, que suas expectativas não condizem com o que o mundo corporativo tem a oferecer hoje, e que eles não se encontram.
Há duas coisas aí. Primeiro: de qual jovem estamos falando? Porque aquele que não se encontra é aquele que tem escolha. Quem não tem escolha tem que se encontrar, senão não sobrevive. A mesma coisa vale para o dilema de mulheres que não sabem se trabalham ou cuidam dos filhos. Essa é uma opção que só parte da população tem. Boa parte das mulheres ou trabalha ou morre, só isso. De maneira geral, aquela que tem o dilema é aquela que contrata outra mulher para cuidar de seus filhos, para que possa trabalhar enquanto pensa se trabalha ou cuida dos filhos.

Mas para quem tem escolha, nas grandes organizações hoje há uma dificuldade de lidar com essa geração. Porque esse jovem com menos de 30 anos tem grandes belezas e capacidades, como senso de urgência, mobilidade, instantaneidade, simultaneidade, velocidade. Mas ele não tem algumas coisas que é necessário trabalhar: paciência, noção de hierarquia e compromisso com resultado e meta. Por uma razão: essa classe média jovem tem um desvio de formação que é confundir desejos com direitos. Isto é, eu quero, portanto você tem que me dar.

É um problema de criação?
Claro, é um problema de formação dentro da família. Desse ponto de vista, uma parcela deles acha que, dentro de uma empresa, se eu sou o chefe é como se eu fosse pai ou mãe, ou seja, eu tenho que prover as condições, e isso não acontece. Portanto, retirou-se da formação de uma parcela dessa geração a ideia de esforço. Ao fazê-lo, criou-se uma condição muito malévola, que é supor que as coisas tem que ser marcadas pela ideia de prazer. E por isso há um hedonismo hoje muito forte.

Um jovem diz: eu quero fazer o que eu gosto. Eu também. Só um imbecil gostaria de fazer o que não gosta. Todo mundo gosta de fazer o que gosta. No entanto, para fazer o que gosta é preciso que dê passos não tão agradáveis no cotidiano. Eu gosto demais de dar aula, faço isso há 40 anos, mas não gosto de corrigir prova, não conheço ninguém que goste. Mas eu não posso não corrigir, porque se eu não corrijo não tenho visão do como os alunos estão aprendendo e de como eu estou ensinando. Pois bem, qualquer um sabe que para obter prazer em algo é preciso algumas coisas que não são, no caminho, satisfatórias e prazerosas. Só que essa geração atual foi criada sem esse tipo de transição entre o desejo e o fato, entre a vontade e o sucesso, o anseio e a satisfação. Tem menino de 20 anos de idade que nunca arrumou cama, lavou louça.

O que a empresa pode fazer?
Elas precisam lidar com esse percurso de modo a formar as pessoas dessa geração com compromisso, metas e prazos, mas sem perder o que ela tem de mais inovador. Isto é, não só a familiaridade com o digital, mas o senso de urgência, mobilidade, inovação. Isso é uma força vital, altamente contributiva no mundo das empresas. Não posso em um negócio não ter gente que queira viver algo que é novo. Mas também não posso aceitar que ele ache que a vida só funcione com o novo. Você pode desprezar essa geração em nome daquilo que nela é um desvio, o que seria uma tolice imensa, ou pode aproveitar o que ela tem e procurar formá-la na direção daquilo que a fará crescer.

Há outra questão latente nas empresas: elas têm abusado da tecnologia e, muitas aproveitam as novas ferramentas, para exigir que seus funcionários fiquem disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Como lidar com isso?
A tecnologia não pode ser nossa senhora, tem que ser nossa serva. Sempre que algo que é do nosso uso nos possui, isto é, domina o nosso cotidiano, esgota nosso tempo, devora nossa condição de convivência, existe algum tipo de malefício. A recusa da tecnologia é tola, a adoração da tecnologia também é. Quando a empresa exagera nesse polo obtém vantagem por tempo limitado. Ela esgota de tal maneira seus empregados que depois de um tempo eles não conseguem mais lidar com isso. As pessoas começam a não render mais, se desinteressam, vão embora.

E na vida pessoal, as pessoas percebem o quanto a tecnologia as consome?
Elas começam a perceber aos poucos porque começam a argumentar que estão sem tempo. Esse estar sem tempo é muito sério. Significa “não consigo mais ficar comigo, tenho que viver em voz alta”. Uma das coisas que colaboram para isso é a ausência de energia. De vez em quando acaba a eletricidade e as pessoas tem que olhar-se. Ou quando a pessoa está fazendo uma viagem de avião, ela tem que ficar quieta. São coisas que vão induzindo um pouco do silêncio.

Até na área de educação escolar estamos tendo que reordenar o modo como a gente acolhe as crianças de manhã. Vêm com transporte até a escola ouvindo musica alta no fone, chegam em estado de tensão. É preciso acalmá-las, não basta colocar numa sala, mandar sentar e abrir o livro na página 36. É preciso antes diminuir a luminosidade da sala, colocar uma música mais relaxante e sossegar um pouco. Porque se não acalmar há um desespero contínuo.

Como a gente coloca um pouquinho mais desse silêncio, desse tempo, em nosso dia?
Se for em relação às empresas, algumas estão criando esse tempo. Colocam na jornada de trabalho momentos de reflexão, meditação ou espaço de repouso após almoço. O que leva o funcionário a ter um rendimento e um bem-estar maior.

Quanto ao indivíduo, ou ele cria esses tempos – pare, olhe e escute – ou vai viver de maneira automática, robótica, e conseguirá em breve um estresse. O que pode gerar a adesão ao consumo exagerado de medicamentos e drogas, legais ou ilegais. Uma obsessão por tentar ficar em estado de não sobriedade. Tem uma musica antiga que diz: “não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro”. Portanto, é necessário que as pessoas criem seus tempos de recolhimento. Não de meditação e sofrimento. Mas para pensar: por que faço o que faço? Por que deixo de fazer? Por que faço do jeito que faço? Por que não faço como deveria?  Isso é meditação. É reflexão. Senão uma hora a pressão é insuportável. Algumas coisas na vida é melhor começar cedo antes que seja tarde.

E essa questão da família, da criação? Estamos no caminho certo?
Não, de maneira alguma. Vou lembrar algo óbvio: trabalho de parto não termina na maternidade. Chama trabalho porque ter alguém exige responsabilidade. Algumas pessoas escapam hoje dessa responsabilidade e querem terceirizar isso. Assim como existe personal trainer, personal stylist, agora tem personal father, personal mother. Por exemplo, você vai com uma criança ao resort e, ao invés de ficar com seu filho, entrega para a recreação. Ou vai a um buffet infantil, que é um sinal nosso de demência, e lá tem um recreador. Desde quando criança precisa de adulto para fazê-la brincar? Estamos criando gerações que nem brincar mais por si conseguem. Precisa um adulto vestido de Bozo andando pra lá e pra cá animando as crianças. Como?! Criança se anima sem adulto. A família tem que repensar isso também.

Isso não quer dizer que não seja possível equilibrar família e trabalho…
Lógico que consegue. É uma questão de escolha. Tempo é uma questão de prioridade. Quando você diz que não tem tempo pra algo é porque aquilo não é prioridade pra você. Meu dia tem 24 horas eu vou preenchê-lo do modo que eu quiser. Em relação ao filho é tranquilo. Se você não tem tempo para os filhos, espere ele cair no mundo das drogas. Ai não é uma hora por dia. Um ano, dois anos, se der tempo. Portanto, pare, olhe e escute.

Como é que você vê, com a morte do Eduardo Campos, essa mudança radical nas eleições? Qual é o efeito disso na cabeça do eleitor?
Dependerá muito de como o grupo que sucede essa candidatura vai se organizar. Eles não são um grupo homogêneo, seja do ponto de vista de intenção, seja do ponto de vista de organização. Já tiveram mudança do comando de campanha. Me alegra que foi escolhida para a coordenação da campanha a Luiza Erundina, que é uma pessoa que eu admiro, fui secretário de educação no governo dela. Mas a morte de Eduardo Campos coloca um componente emocional na eleição, que é muito forte no Brasil. Temos três grandes fontes que nos impulsionam durante as eleições:  a credibilidade, o ridículo e a comoção. E há uma comoção em relação à perda do candidato. Isso pode impulsionar, mas no quadro geral dependerá de como esse partido, no caso o PSB, com suas alianças, consegue ganhar maior unidade. Inclusive porque nos próximos 15 dias muda tudo, assim como nos últimos 15 mudou. [A entrevista foi feita no dia 22 de agosto]

Estamos vindo de um ano que foi marcado por uma Copa em que o país não pareceu muito animado…
Veja, nós somos um país que viveu uma situação esquizofrênica muito interessante antropologicamente. Fomos para esta Copa com uma certeza dupla: nosso time vai muito bem a organização vai muito mal. Aconteceu exatamente o inverso: nós conseguimos uma estrutura de organização absolutamente funcional, no padrão do que foi feito em países muito mais estruturados que o nosso, e uma seleção pior do que boa parte das seleções que disputaram a Copa.

Em 40 dias nosso sentimento mudou. Ele era um sentimento que seria de protesto a um governo que não conseguiria organizar uma Copa, ao lado de uma animação imensa com uma seleção rumo ao hexa. Mas depois do 7×1, nós não falamos mais de futebol. Não é uma questão pra nós. A nossa questão agora é a nação. A eleição, o que se faz no país. Isso foi um grande ganho. Ter sido humilhado no Mineirão produziu em nós um efeito que esquecemos o futebol e fingimos que aquilo não existiu. Estamos preocupados agora com aquilo que era a motivação original dos movimentos em junho de 2013.

Portanto, 2014 é um ano que traz grandes expectativas em relação ao debate no campo da política, de gestão nacional, discussão que foi adensada pela morte de Eduardo Campos.

E essa onda de movimentos?
Infelizmente, eles foram assassinados por uma parte dos democracidas que esquecem que democracia não é ausência de ordem, democracia é ausência de opressão. Quando os democracidas entraram com a brutalidade, a estupidez, afastaram as pessoas e produziram um dano muito forte a nossa democracia.

Eles criaram em parte das pessoas rejeição ao movimento de rua. Ficou uma imagem que, depois de um tempo, muita gente estava achando que era melhor que o aparelho policial, que tem a tarefa em uma democracia de garantir a expressão, fosse repressor. Em vez de ser uma estrutura policial garantidora – não podemos esquecer que palavra polícia e política são a mesma em termos de estrutura, polis é a comunidade e polícia é o que faz com que a comunidade viva em paz – ela passou a ser demandada por uma boa parte da sociedade para ser um órgão repressor.

Acho que gerou pânico em relação à manifestação de rua, o que é muito ruim. O país viveu em 2013 dois momentos inesquecíveis, algo que historicamente era novo. As pessoas indo para as ruas com os filhos, caminhando nas avenidas, pedindo melhorias. Isso tem uma beleza cívica. A praça, a rua, de novo como uma coisa do povo.

E o segundo momento?
A outra coisa bela foi a visita do Papa Francisco. É inacreditável que um homem que representa uma das religiões seja capaz de durante uma semana pautar o país. Não se falou de outra coisa. Um homem de mais de 70 anos de idade, representante de uma religião, sendo que religião pra uma parte dos jovens representa aquilo que é anacrônico, colocou em Copacabana mais gente do que os Rolling Stones.  E ele trouxe algo incrível que é um debate sobre humildade, sobre simplicidade, isso afetou as pessoas. Levou a repensar nossa convivência com a política, nossa convivência com gestores, nossa atração palacial, de achar que o palácio é a representação do poder. Portanto essa foi uma contribuição muito mais forte até do que outro debate que nós tivemos.

O que esperar para o Brasil dos próximos quatro anos?
Bom, a primeira coisa é que a gente não deve esperar, a gente deve fazer. Tem que ter esperança ativa. Aquela que é do verbo esperançar, não do verbo esperar. O verbo esperar é aquele que aguarda enquanto o verbo esperançar é aquele que busca, que procura, que vai atrás. Bem, o que podemos esperançar? O que a gente puder construir dentro desse tempo agora. Nós precisamos fazer com que, até o momento da eleição, haja uma discussão sobre a necessidade de se pensar a educação, que é minha área, como um projeto de nação e não de governo. É preciso que haja um compromisso, continuidade de um projeto que é nacional. O governo passa, a nação persiste.

Por outro lado, dos três principais candidatos que estão dentro do cenário hoje, os três tem algum compromisso sério com a área de educação. O governo de Fernando Henrique junto com o governo Lula e Dilma conseguiram tirar nossa educação escolar da indigência. Claro que estamos só, como diria o Churchill, no fim do começo e não no começo do fim. Mas o partido do Aécio tem uma formação nesse campo, o próprio PT tem tradição nessa área e, claro, o próprio PSB. Temos boas expectativas nesse campo. Ademais, novo Plano Nacional de Educação prevê aporte maior de recursos do PIB nessa área. Portanto seja quem for eleito vai ter que fazê-lo. Por isso, minhas expectativas são positivas. É preciso que se construa essa estrutura, mas é animador face ao que nós tivemos nos nossos 514 anos mais recentes de história.

 

Ranking das Universidades Brasileiras – 2014

Ranking das Universidades Brasileiras

Fonte: Folha de Sâo Paulo

1º           Universidade de São Paulo (USP)

2º           Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

3º           Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

4º           Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

5º           Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

6º           Universidade Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)

7º           Universidade Federal de Santa Catarina (UFCS)

8º           Universidade de Brasília (UnB)

9º           Universidade Federal do Paraná (UFPR)

10º         Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)

11º         Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

12º         Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

13º         Universidade Federal do Ceará (UFCE)

14º         Universidade Federal da Bahia (UFBA)

15º         Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

16º         Universidade Federal Fluminense (UFF)

17º         Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

18º         Pontifícia Univ. Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

19º         Universidade Federal de Viçosa (UFV)

20º         Pont. Univ. Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ)

21º         Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

22º         Universidade Federal de Goiás (UFG)

23º         Universidade Estadual de Maringá (UEM)

24º         Universidade Estadual de Londrina (UEL)

25º         Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

26º         Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

27º         Universidade Federal de Lavras (UFLA)

28º         Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

29º         Universidade Federal do Pará (UFPA)

30º         Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)

31º         Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

32º         Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

33º         Universidade Federal do Sergipe (UFS)

34º         Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
35º         Mackenzie – São Paulo

36º         Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

37º         Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

38º         Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

39º         Universidade Estadual do Ceará (UECE)

40º         Fundação Universidade Federal do ABC (UFABC)

40º         Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

42º         Pontifícia Univ. Católica de Minas Gerais (PUCMG)

43º         Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos)

44º         Universidade de Caxias do Sul (UCS)

45º         Universidade Federal do Piauí (UFPI)

46º         Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

47º         Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

48º         Universidade Católica de Brasília (UCB)

49º         Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL – MG)

50º         Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)

Outras de interesse

93º         Fundação Universidade Federal do Tocantins (UFTO)

94º         Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUCGO)

113º       Universidade Estadual de Goiás

171º       Universidade de Rio Verde (FESURV)

189º       Universidade do Tocantins (UNITINS)

 

 

Curso Superior X Mercado de Trabalho

Mercado de trabalho no Brasil para quem tem ensino superior.
Baseado na reportagem de Érica Fraga na Folha de São Paulo de 08/09/2014.

Quanto ganham os formados no Brasil.

             Segundo o Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, em 2013 o Brasil teve 48,9 milhões de trabalhadores no mercado formal, esse número inclui tanto os regidos pela CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) quanto servidores públicos com estabilidade (estatutários) e sob regime especial. Desses, 17,8% possuem ensino superior.

            Em 2011, trabalhadores com diploma universitário tinham remuneração, em média, 160% maior do que aqueles com ensino médio, segundo os dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Esse “prêmio” salarial (recompensa em termos de renda a mais por formação superior) é o segundo maior em um grupo de 34 países desenvolvidos e emergentes grandes (veja o gráfico).Prêmio por educação superior

            No entanto, segundo o Rais, quase a metade dos trabalhadores com ensino superior que atuam no mercado formal no país, ganhavam, no máximo, quatro salários mínimos em 2013 (R$ 2.712,00),

            A faixa de renda entre dois e três salários mínimos era a que agrupava a maior fatia: 16% do total.

            Apenas 5,3% dos trabalhadores com ensino superior tinham remuneração média superior a 20 salários mínimos (R$ 13.560,00).

            Entre os trabalhadores com mestrado e doutorado, o percentual dos que recebiam o teto de quatro mínimos no ano passado era de, respectivamente, 36% e 23%.

            Segundo especialistas, os dados podem refletir diferenças na qualidade dos cursos de ensino superior já que existe uma grande heterogeneidade.

            Estudos mostram que, nos últimos anos, os salários pagos em carreiras com grande número de formados caíram. É o caso de áreas como enfermagem, administração de empresas e marketing.

            Já carreiras como medicina, engenharias, economia e ciências sociais registraram aumento de salário.

            “Parece existir um efeito de mudanças de demanda e oferta no mercado, mas fatores como diferenças de qualidade de formação também podem influenciar os salários”, afirma o economista Naercio Menezes Filho, do Insper.

            Os dados do Rais, mostram ainda que a parcela de trabalhadores no mercado formal com ensino superior aumentou pouco. Entre 2007 e 2013, passou de 15,2% para 17,8%.

            Os números mostram que uma boa formação superior faz toda a diferença no mercado de trabalho, tanto na facilidade de colocação quanto na remuneração. 

8 Sintomas da Depressão

08 SINAIS DE QUE VOCÊ PODE ESTAR COM DEPRESSÃO

DOENÇA, QUE ATINGE CERCA DE 10% DOS BRASILEIROS, É CARACTERIZADA POR CONJUNTO DE SINTOMAS QUE VÃO DESDE TRISTEZA DURADOURA ATÉ PROBLEMAS PARA DORMIR.

Veja – On Line

Doença pode dificultar concentração e raciocínio, prejudicando o desempenho no trabalho e nos estudos.

A depressão afeta 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é mais prevalente entre mulheres. No Brasil, cerca de uma em cada dez pessoas sofre com o problema. Embora seja uma doença comum, a moléstia carrega estigmas que dificultam seu diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento adequado.

O primeiro deles está no fato de a depressão ser um transtorno mental. “Percebemos que o preconceito com as doenças mentais faz com que muitos pacientes, principalmente os homens, demorem a aceitar que têm o problema e a procurar um médico, atrasando o tratamento”, diz Rodrigo Martins Leite, psiquiatra e coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. 

Limite — Além do preconceito com os transtornos mentais, a dificuldade de interpretar os sintomas faz com que uma pessoa demore a procurar ajuda. Os sinais podem ser confundidos com sentimentos naturais do ser humano, como tristeza, indiferença e desânimo. Esses sentimentos passam a configurar um quadro de depressão clínica quando a variação do humor começa a afetar negativamente vários aspectos da vida do paciente — da produtividade no trabalho e nos estudos às relações com outros indivíduos, passando pela qualidade do sono e a disposição física para realizar as atividades do dia a dia.

“Muitas vezes é difícil diferenciar a tristeza comum da depressão. O humor das pessoas nunca é constante, sempre vai existir uma variação. Uma situação negativa pode desencadear tristeza, luto. Isso é diferente da depressão clínica, que é uma síndrome que vem acompanhada por outros sintomas”, explica Mara Fonseca Maranhão, psiquiatra da Unifesp e do Hospital Albert Einstein.

Definição — Os critérios atuais para diagnóstico da depressão — estipulados por entidades médicas como a OMS e a Associação Americana de Psiquiatria — determinam que, para ser detectada com a doença, uma pessoa deve apresentar ao menos cinco sintomas do transtorno. Entre eles, um deve ser obrigatoriamente o humor deprimido (tristeza, desânimo e pensamentos negativos) ou a perda de interesse por coisas que antes eram prazerosas ao paciente. Os outros sintomas podem incluir alterações no sono, no apetite ou no peso, cansaço e falta de concentração, por exemplo.

Segundo o psiquiatra Rodrigo Leite, os critérios dizem que esse conjunto de sintomas deve ser apresentado pelo paciente na maior parte do dia, todos os dias e durante pelo menos duas semanas para que seja considerado como sinais de depressão. Por isso, estar atento a sintomas como esses — e a duração deles — é importante para que uma pessoa procure um médico e saiba se precisa ser submetida a um tratamento.

Doença do corpo — As causas exatas que levam à depressão ainda não são completamente conhecidas. “Sabe-se que situações como problemas financeiros ou conjugais, desemprego e perda de um ente querido alteram estruturas cerebrais que são sensíveis a hormônios relacionados ao stress, especialmente ao cortisol. Com isso, há um desequilíbrio no cérebro que desencadeia os sintomas depressivos”, explica Leite.

Apesar disso, a depressão não é uma doença apenas do cérebro – e levar esse fato em consideração é essencial para o sucesso do tratamento. “As pessoas precisam saber que, diferentemente do que se pensava antes, a depressão não afeta apenas o cérebro, e o tratamento não depende exclusivamente de antidepressivos. Hoje, sabemos que essa é uma doença de todo o organismo”, diz Rodrigo Leite.

De acordo com o psiquiatra, cada vez mais a ciência mostra que a doença está relacionada a problemas como baixa imunidade, alterações dos batimentos cardíacos e acúmulo de placas de gordura no sangue. Ou seja, a depressão é também um fator de risco a doenças como as cardíacas, incluindo infarto e aterosclerose. “Ainda não está claro de que forma a depressão leva a essas condições, mas sabemos que a relação existe”, diz Leite.

Por esse motivo, o tratamento da depressão não deve incluir apenas antidepressivos. “Pessoas com depressão também precisam evitar hábitos como sedentarismo, tabagismo e má alimentação, que predispõem mais ainda uma pessoa a doenças cardiovasculares. Os pacientes devem saber que mudar esses hábitos é tão importante no tratamento quando os medicamentos.”

Os psiquiatras alertam que as pessoas, assim que notarem que apresentam sintomas depressivos — e que eles são duradouros —, devem consultar um médico. “O tratamento contra a depressão com antidepressivos, psicoterapia e mudanças de estilo de vida é eficaz, principalmente se for iniciado precocemente”, diz Mara Maranhão.

Oito Sintomas de depressão

 

Alteração de Humor

O principal sintoma da depressão é o humor deprimido, que pode envolver sentimentos como tristeza, indiferença e desânimo. Todos esses sentimentos são naturais do ser humano e nem sempre são sinônimo de depressão, mas, se somados a outros sintomas da doença e persistirem na maior parte do dia por ao menos duas semanas, podem configurar um quadro de depressão clínica. “O humor deprimido faz com que a pessoa passe a enxergar o mundo e a si mesma de forma negativa e infeliz. Mesmo se acontece algo de bom em sua vida, ela vai dar mais atenção ao aspecto ruim do evento. Com isso, o paciente tende a se sentir incapaz e sua autoestima diminui”, diz o psiquiatra Rodrigo Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP.

 

Desinteresse por coisas prazerosas

Perder o interesse por atividades que antes eram prazerosas é outro sintoma importante da depressão. O desinteresse pode acontecer em diferentes aspectos da vida do indivíduo, como no âmbito familiar, profissional e sexual, além de atividades de lazer, por exemplo. “O paciente também pode abrir mão de projetos por achar que eles já não valem mais o esforço, deixar de conquistar novos objetivos ou de aproveitar oportunidades que podem surgir em sua vida”, diz o psiquiatra Rodrigo Leite.

 

Problemas relacionados ao sono

Pessoas com depressão podem passar a dormir durante mais ou menos tempo do que o de costume. É comum que apresentem problemas como acordar no meio da noite e ter dificuldade para voltar a dormir ou sonolência excessiva durante a noite ou o dia

 

Mudanças no apetite

Pessoas com depressão podem apresentar uma perda ou aumento do apetite — passando a consumir muito açúcar ou carboidrato, por exemplo. Segundo o psiquiatra Rodrigo Leite, não está claro o motivo pelo qual isso acontece, mas sabe-se que, somado a outros sintomas da doença, a alteração do apetite que persiste por no mínimo duas semanas aumenta as chances de um paciente ser diagnosticado com depressão.

 

Perda ou ganho de peso

Mudanças significativas de peso podem ser uma consequência da alteração do apetite provocada pela depressão — por isso, são consideradas como um dos sintomas da doença. 

 

Falta de concentração

Em muitos casos, a depressão também pode prejudicar a capacidade de concentração, raciocínio e tomada de decisões. Com isso, o indivíduo perde o rendimento no trabalho ou nos estudos. Segundo a psiquiatra Mara Maranhão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a depressão pode impedir que o paciente trabalhe ou estude, ou então faz com que ele precise se esforçar muito para conseguir concluir determinada atividade.

 

Cansaço

Diminuição de energia, cansaço frequente e fadiga são comuns em pessoas com depressão, mesmo quando elas não realizaram esforço físico. “O indivíduo pode queixar-se, por exemplo, de que se lavar e se vestir pela manhã é algo exaustivo e pode levar o dobro do tempo habitual”, segundo o capítulo sobre depressão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), feito pela Associação Americana de Psiquiatria.

 

Pensamentos recorrentes sobre morte

Em casos mais graves, pessoas com depressão podem apresentar pensamentos recorrentes sobre morte, ideação suicida ou até tentativas de suicídio. A frequência e intensidade dessas ideias podem mudar de acordo com cada paciente. “As motivações para o suicídio podem incluir desejo de desistir diante de um obstáculo tido como insuperável ou intenso desejo de acabar com um estado emocional muito doloroso”, de acordo com o DSM-5.

 

DISCALCULIA

DISCALCULIA

discalculia é um problema causado por má formação neurológica que se manifesta como uma dificuldade no aprendizado dos números. Essa dificuldade de aprendizagem não é causada por deficiência mental, má escolarização, déficits visuais ou auditivos, e não tem nenhuma ligação com níveis de QI e inteligência.

Crianças portadoras de discalculia são incapazes de identificar sinais matemáticos, montar operações, classificar números, entender princípios de medida, seguir sequências, compreender conceitos matemáticos, relacionar o valor de moedas entre outros.

Ladislav Kosc descreveu seis tipos de discalculia: a discalculia léxica, discalculia verbal, discalculia gráfica, discalculia operacional, discalculia practognóstica e discalculia ideognóstica.

  • Discalculia léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos;
  • Discalculia verbal: dificuldades em nomear quantidades matemáticas, números, termos e símbolos;
  • Discalculia gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos;
  • Discalculia operacional: dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos;
  • Discalculia practognóstica: dificuldade na enumeração, manipulação e comparação de objetos reais ou em imagens;
  • Discalculia ideognóstica: dificuldades nas operações mentais e no entendimento de conceitos matemáticos.

Para que o professor consiga detectar a discalculia em seu aluno é imprescindível que ele esteja atento à trajetória da aprendizagem desse aluno, principalmente quando ele apresentar símbolos matemáticos malformados, demonstrar incapacidade de operar com quantidades numéricas, não reconhecer os sinais das operações, apresentar dificuldades na leitura de números e não conseguir localizar espacialmente a multiplicação e a divisão. Caso o transtorno não seja reconhecido a tempo, pode comprometer o desenvolvimento escolar da criança, que com medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem adota comportamentos inadequados, tornando-se agressiva, apática ou desinteressada.

O psicopedagogo é o profissional indicado no tratamento da discalculia, que é feito em parceria com a escola onde a criança estuda. Geralmente os professores desenvolvem atividades específicas com esse aluno, sem isolá-lo do restante da turma.

 

 

O Tablet substituirá a escrita cursiva?

Revista Língua Portuguesa

O TABLET SUBSTITUIRÁ A ESCRITA CURSIVA ?

                                                              Por Hamilton Werneck

             Não se trata de novidade de início de ano. Ao final de 2012 já era possível ler alguns artigos acerca do possível fim da escrita cursiva. O Estado de Indiana, nos Estados Unidos, dá ao professor alfabetizador a liberdade de escolher entre usar a escrita cursiva e o tablet. A Alemanha embarca no mesmo modelo.

            Se analisarmos nossa vida, constatamos que digitamos muito mais do que escrevemos e a geração que ingressa nas escolas para se alfabetizar, oriunda de creches e pré-escolas, já chega com uma mentalidade eletrônica, familiarizada com iPhones e tablets.

            Em uma conferência no ano passado (2013), foi contado que a mais recente experiência com tablets havia sido realizada no Quênia, em uma região de aldeias onde todos eram analfabetos. A empresa interessada nos resultados preparara um tablet que deveria ter a bateria carregada por meio de energia solar, um adulto da região foi ensinado a realizar tal procedimento e as crianças receberam tablets que podiam ser monitorados à distância via satélite.

            O que se sucedeu foi espantoso. Poucos minutos depois de estarem de posse dos aparelhos, quatro crianças já estavam com os computadores ligados. Elas demonstravam tal interesse em comunicar o que descobriam que sempre que uma conseguia uma proeza, muitas tablets se juntavam e não tardava para que todas realizassem a mesma tarefa. Ao término do primeiro mês de experiência, uma delas escreveu lion (leão, em inglês).

            A questão é analisr se, diante dessas constatações e de um sistema inalâmbrico (rede sem fio, o mesmo que wireless) de comunicação, o qual dispensa os controles com fio, devemos aderir à alfabetização por meio dos tablets.

            Se me perguntarem, respondo sem titubear que em breve estaremos todos, sim, aderindo à alfabetização por meio de tablets. Contudo, algumas reflexões precisam ser feitas, porque a escrita corresponde a um dos estágios mais sofisticados de evolução deste hominídeo, bípede, mamífero, vertebrado que chamamos de homem.

            Com o desenvolvimento dos neurônios pré-frontais, as conexões das pontas dos dedos aumentaram, permitindo movimentos e proezas próprias dos humanos, envolvendo a motricidade fina, ou grafomotricidade. Descobriu-se ainda que esses movimentos eram de mão dupla: os impulsos que partiam dos neurônios pré-frontais chegavam à ponta dos dedos e as várias praxias da ponta dos dedos retornavam com informações para esses mesmos neurônios. Portanto, será que estaria na hora de abandonarmos um processo que nos últimos seis mil anos impulsionou consideravelmente a evolução da nossa espécie?

            Minha resposta é afirmativa, com ressalvas. É muito importante que os professores e alunos entendam que os computadores e os tablets emitem luz, enquanto o papel reflete a luz. Portanto, ao lermos textos nos tablets ou computadores, ao escrevermos neles, teremos uma visão mais cansada, o que pode nos levar a perder detalhes da leitura. Para tanto, aconselha-se aos escritores que, mesmo usando os computadores, façam a última correção lendo em papel, pois tal prática torna a revisão mais segura.

            Não é hora de nos preocuparmos com argumentos clássicos de que os tablets poderão vir a faltar um dia. Seria o mesmo que guardar uma charrete e um cavalo para o dia em que talvez não tenhamos mais combustível.

            A questão é mais abrangente. Deve um professor usar o tablet?

            Não tenho dúvidas disso, inclusive no período de alfabetização. Mas em hipótese alguma ele deve deixar de lado a prática grafomotora, pois essa corresponde ao movimento mais sofisticado atingido pelos humanos.

            Além disso, diante do inevitável e crescente uso de ferramentas tecnológicas, atividades como pintura, escultura, desenho e o manejo de instrumentos de corda e teclado devem ser estimulados.

            Não podemos abandonar práticas que envolveram todo o nosso processo civilizatório e que culminaram na escrita.

            A partir desses pressupostos, considero que a escola deva dar atenção especial à educação artística, disciplina muitas vezes relegada a segundo plano. Vale lembrar que as artes, além de terem sido e de continuarem a ser um dos grandes pilares do desenvolvimento humano, sempre contribuíram para a comunicação do homem com seu meio e disseminação cultural. Não podemos nos esquecer de que todo produto traz em si a marca da cultura que o gerou.

            Se métodos novos forem criados, ótimo, vamos comemorar. No entanto, não podemos nos esquecer que nós, humanos, não podemos perder o domínio sobre nosso corpo, pois este representa a culminância da evolução de uma espécie – a qual, a que tudo indica, não é propriamente originária de símios, mas de um ramo paralelo e bem específico, cujo elo ainda se encontra perdido.

            Sabemos que as crianças que não constroem seus brinquedos e, por conseguinte, na realidade, não brincam, têm dificuldades em interagir com o meio. Esse viés da educação infantil deve ser bem estudado para que não haja uma desconstrução da infância, ou seja, uma espécie de imagem corporal sem corpo.

            Os tablets levam as pessoas em direção a uma realidade virtual produzida pela evolução tecnológica que acaba não necessitando do exterior para criar imagens, sons, cores ou volumes. A humanidade está diante de uma novidade. Pela primeira vez na história, podemos dispensar os objetos representados, contando que tenhamos o código eletrônico dos mesmos.

            A atenção não está mais fixada nos objetos reais, cujos nomes são escritos no papel, e sim na nova realidade computadorizada e digitalizada.

            Há, portanto, que se considerar como o universo infantil conviverá com essas situações virtuais e como será o desenvolvimento das imagens e do pensamento das crianças.

            Devemos pensar ainda nas consequências, sobretudo na primeira infância, da excessiva convivência com a virtualidade e a ausência do corpo. A criança brincava com objetos, fabricados ou não, muitas vezes encontrados no meio em que viviam. Atualmente, graças à tecnologia, ela fica na dependência dos pixels que, por sua vez, dependem do mundo digital. Ela manipula uma imagem, muda-a de lugar, faz cortes, o que é muito diferente da realidade corporal de um objeto, que pode ser uma caixa ou uma lata. Por sua vez, essas imagens, sobretudo em jogos, passam com tal rapidez diante das crianças que não há tempo para um ato contemplador. Essa realidade digital pode ser comparada à leitura dinâmica, rápida, proposta por Evelyn Wood, que se contrapõe à leitura contemplativa de uma poesia, na qual se saboreia cada palavra, cada rima, cada metáfora.

            Valeria perguntar ao leitor dinâmico se houve algum sabor naquela poesia de Carlos Drumond ou Ferreira Goulart, caso a leitura fosse rápida, muito mais preocupada em “engolir” do que com o “saborear”.

            O mesmo ocorre com o mundo virtual. Vemos, mas não tocamos com nossos dedos. Trata-se de um mundo intangível que, se demasiado, sobretudo para crianças, pode se tornar enfadonho e deixar de lado o que é memorável.

            A escrita cursiva permite essa constante manipulação dos objetos, leva as crianças a conviverem enquanto escrevem cada letra, cada palavra, enquanto traduzem, em palavras e depois com a leitura, em sons, cada coisa que é manipulada.

            Se a convivência com a virtualidade impedir que a dominante fásica da infância se realize e se instale na criança, poderíamos também antecipar outra pergunta: como será o adulto que não teve a oportunidade de viver na infância?

            Há um pensamento de Friedrich Nietzsche que sempre me chamou a atenção: “A seriedade do homem é ter reencontrado a seriedade com que brincava quando criança”. Ora, se não houve esse ato de brincar, pois ele foi prejudicado pelo excesso de virtualidade, como o adulto reencontrará a seriedade que deixou de ser aprendida na infância?

            Revisitando Konrad Lorentz e sua “Etologia”, encontramos as ideias de “estampagem” que são estabelecidas na infância. Esse “imprinting” terá influência em toda a vida dos humanos, portanto não se trata apenas de usar ou não um tablet, há muito mais que se considerar além de simplesmente aprender a escrever e as relações entre a escrita e as ferramentas facilitadoras.

            Há muito que se pensar quanto a essa questão, sobretudo se nos reportarmos ao pensamento reflexivo, considerando a evolução humana. Vitor da Fonseca, citando Sokolov e Anokhine, afirma: “O nascimento do pensamento reflexivo traduz a relação entre a mão (aspecto motor) e o cérebro (aspecto psíquico) por meio da exploração e observação visiual”. O mesmo autor, baseando-se em Piveteau, afirma que “a reflexão é a consciência da ação retardada, daí que seja possível ao homem, em termos complexos, a antecipação da ação, que exige uma imagem, que sustenta em nível do cérebro o projeto da ação que se prolongará por meio da mão”.

            Eis a razão da afirmação anterior sobre a introdução de outras práticas escolares, todas ligadas à arte, em caso de diminuição da ações grafo-motoras – no mundo virtual, o projeto da ação não se prolongará por meio da mão porque o escriba não escreve, somente digita -, e é dessa combinação interna e externa que se origina o pensamento, o qual passa pela experiência sensório-motora que o mundo virtual faz perder em grande parte.

            Há consequências já percebidas em adultos que, enquanto crianças, viveram essa ausência de corpo, passando, portanto, por um processo de desconstrução da própria infância.

            A criança diante de uma tela com a imagem de um cavalo determina uma reação sem a presença do corpo, o que leva a uma diminuição da imaginação. Essa imagem está desprovida de afeto. A consequência é a atrofia do pensar criativo.

            A capacidade de paralisação provocada pelos eletrônicos está diretamente ligada à contraposição entre o mundo das certezas e o mundo das promessas e das incertezas, contraposição esta que tem uma profunda relação com as estruturas escolares.

            Até a segunda guerra mundial terminar, em 1945, vivíamos um mundo de certezas. Tudo era definido no início do ano       como se o professor, qual profeta pedagógico, pudesse antever os acontecimentos no mês de dezembro do mesmo ano. Seguimos pela escola das promessas que, no Brasil, em plena década de 1970, impelia a todos para que estudassem com o objetivo de conseguir emprego e sustentar-se na vida. Hoje, também no Brasil, ainda encontramos educadores com a visão de uma escola das certezas, quando tudo se encaminha para a incerteza. Mas, convenhamos, quando lidamos com o mundo virtual, temos mais incertezas do que certezas e é exatamente isso que pode inibir o desenvolvimento humano do adulto – a falta de capacidade de conviver com um mundo incerto, onde a criatividade é fundamental para ultrapassar o inesperado que nos circunda.

            Quando insisto na necessidade de se conjugar o virtual com o real, é exatamente para mostrar que temos de lidar com um corpo com o qual possamos interagir. É claro que os computadores são melhores do que a televisão na formação da pessoa. Enquanto e TV produz um telespectador passivo, o computador permite e interação.

            Vitor da Fonseca, em seu livro Psicomotricidade – Filogênese, ontogênese e retrogênese – ainda insiste no fato de que “as ações manuais, correspondem ações cerebrais; às coordenações gestuais, correspondem coordenações cerebrais que equacionam um conjunto de operações practognósticas (dificuldade na enumeração, manipulação e comparação de objetos reais e imagens) que mais não são do que o diálogo entre a ação e a consciência, entre a mão e o cérebro”.

            Se os leitores estão um tanto perplexos com tantas possibilidades de novidades em sala de aula e suas consequências para a vida futura do profissional, há complicadores maiores, como o robô presencial.

           

            Caso não possa ir à aula, você manda o robô em seu lugar. Ele pode estar presente em uma sala de aula normal, no laboratório, no pátio do recreio, é educado, pede licença para fazer perguntas aos professores. Se uma pessoa estiver impossibilitada de se locomover poderá, via internet, controlar o robô, assistir a todas as aulas, interagir com os colegas, participar de trabalhos em grupo. Você não estará lá, mas o robô sim.

            Quando se trata de aprendizagem e instrução, tudo parece correr bem e funcionar e é importante estar atento ao fato de o aluno, mesmo estando em casa, poder controlar o robô que o substitui na escola.

            Não podemos deixar de pensar nessas possibilidades. Entretanto, a educação que precisamos desenvolver é uma educação onde os mestres devem, em primeiro lugar, ser especialistas em gente, depois em educação, e, em terceiro lugar, nas disciplinas que lecionam. As vantagens propiciadas pelo uso de um robô presencial, assim como de tablets, devem ser acompanhadas de perto. As escolas precisam estar preparadas para essa realidade, pois esse cenário não é mais parte de um filme de ficção cientifica. No entanto, o mais importante é a presença e, na minha ótica, essas tecnologias são uteis, devem ser assimiladas, utilizadas, porem são soluções diante da impossibilidade da presença. Esses fatos e suas soluções precisam instigar os professores para que aprendam a lidar com as novas situações em que a máquina substitui a pessoa dentro de uma sala de aula. Todavia, aprender a conviver e a ser dependente da presença da pessoa.

            Como se pode perceber, tudo está muito além da questão de se adotar o tablet dentro da sala de aula ou não. Não adotá-lo pode significar ficar defasado e ter dificuldade de interagir com crianças que já nascem dentro de um mundo eletrônico e chegam à escola esperando encontrar ali alto que seja digital, e não somente ferramentas analógicas. Adotá-lo implica cuidado para que não haja radicalismos, pois somos seres que necessitam do desenvolvimento grafomotor, seja para completar nossas ações evolutivas, seja porque todas as ações das mãos estão conjugadas com o cérebro e contribuem para o desenvolvimento cognitivo.

            Por fim, precisamos cuidar para que as crianças brinquem. Brincar é a forma mais sofisticada de aprender, sobretudo porque o corpo é real, a incerteza está presente e a criatividade é exigida.

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13 Coisas que pessoas mentalmente fortes não fazem!

13 Coisas que pessoas mentalmente fortes não fazem

Pessoas de mentalidade forte possuem hábitos saudáveis. Elas lidam com suas emoções, pensamentos e comportamentos de forma a empodera-las para o sucesso na vida. Verifique essas coisas que as pessoas mentalmente fortes não fazem para que você também possa ter uma mente forte.

1) Elas não perdem tempo sentindo pena de si mesmas

Pessoas de mentalidade forte não ficam sentindo pena de suas circunstâncias ou como os outros as trataram. Ao invés disso, elas assumem a responsabilidade por seu papel na vida e compreendem que a vida nem sempre é fácil ou justa.

2) Elas não deixam de lado seu poder

Elas não permitem que os outros as controlem, e elas não permitem alguém tenha poder sobre elas. Elas não dizem coisas como, “Meu chefe me faz sentir mal”, porque elas compreendem que elas estão no controle sobre suas emoções e elas possuem a escolha de como reagir.

3) Elas não fogem dos desafios

Pessoas mentalmente fortes não tentam evitar o desafio. Ao invés disso, elas dão boas vindas de forma positiva às mudanças e estão sempre querendo ser flexíveis. Elas compreendem que a mudança é inevitável e acreditam em suas habilidades de adaptação.

4) Elas não gastam energia com coisas que não podem controlar

Você não ouve uma pessoa mentalmente forte reclamando da mala perdida ou do trânsito. Ao invés disso, elas focam naquilo que podem controlar em suas vidas. Elas reconhecem que algumas vezes, a única coisa que podem controlar, é sua atitude.

5) Elas não se preocupam em agradar todo mundo

Pessoas mentalmente fortes reconhecem que não precisam agradar todo mundo o tempo todo. Elas não têm medo de dizer não ou falar quando é necessário. Elas buscam ser gentis e justas, mas podem lidar com outras pessoas chateadas se elas as fizeram felizes.

6) Elas não têm medo de assumir riscos calculados

Elas não assumem ricos bobos ou fáceis, mas não se importam de assumir riscos calculados. Pessoas mentalmente fortes investem tempo pesando os riscos e benefícios antes de tomar uma grande decisão, e elas estão completamente informadas dos problemas possíveis antes de tomarem ação.

7) Elas não renegam o passado

Pessoas mentalmente fortes não gastam tempo renegando o passado e querendo que as coisas fossem diferentes. Elas reconhecem o passado e podem dizer o que elas aprenderam com ele. Entretanto, elas não revivem constantemente as experiências ruins ou fantasiam sobre os dias gloriosos. Ao invés disso, elas vivem para o presente e planejam para o futuro.

8) Elas não cometem o mesmo erro várias vezes

Pessoas mentalmente fortes aceitam a responsabilidade por seu comportamento e aprendem com os erros do passado. Como resultado, elas não ficam repetindo os mesmos erros sempre. Ao invés disso, elas seguem em frente e tomam melhores decisões no futuro.

9) Elas não ficam ressentidas pelo sucesso alheio

Pessoas mentalmente fortes conseguem apreciar e celebrar o sucesso na vida de outras pessoas. Elas não ficam invejosas ou se sentem trapaceadas quando outros as superam. Ao invés disso, elas reconhecem que o sucesso é conquistado através de trabalho duro, e elas estão querendo o trabalho duro para própria chance de sucesso.

10) Elas não desistem depois da primeira falha

Pessoas mentalmente fortes não percebem uma falha como razão para desistir. Ao invés disso, elas usam o erro como uma oportunidade de crescer e melhorar. Elas querem continuar tentando até conseguirem fazer o certo.

11) Elas não temem a solidão

Pessoas mentalmente fortes conseguem tolerar a solidão e elas não temem o silêncio. Elas não têm medo de ficarem sozinhas com seus pensamentos e elas podem usar esses momentos para serem produtivas. Elas curtem sua própria companhia e não são dependentes de outros para companhia e diversão todo o tempo, mas conseguem ser felizes sozinhas.

12) Elas não acham que o mundo deve alguma coisa a elas

Particularmente na economia atual, executivos e empregados em qualquer nível estão começando a perceber que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável,  independente de sua preparação e educação. Pessoas mentalmente fortes entram no mundo preparadas para trabalhar e serem bem sucedidas por seus méritos, em cada estágio do jogo.

13) Elas não esperam resultados imediatos

Seja uma rotina de treinos, um regime nutricional ou começar um novo negócio, pessoas mentalmente fortes estão comprometidas com o longo prazo. Elas sabem muito bem não esperar por resultados imediatos. Elas dedicam suas energias e tempo em doses medidas e celebram a cada meta e aumento de sucesso ao longo do caminho. Elas possuem o “poder de permanecer”. E elas compreender que mudanças genuínas levam tempo.

Ranking da OCDE: Brasil em penúltimo!

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mantém um ranking da educação em 36 países, no qual o Brasil atualmente amarga a penúltima posição, à frente somente do México. Como critérios avaliados pela organização estão o desempenho dos alunos no PISA, a média de anos que os alunos passam na escola e a porcentagem da população que está cursando ensino superior.

Maior a nota, maior o salário!

Maior a nota, maior o salário!
O Popular – 19 de março de 2014

 

Estudo aponta que alunos que tiveram melhor desempenho conseguem remuneração mais alta.

            O maior domínio do Português e da Matemática podem gerar um acréscimo salarial para o estudante em início de carreira, no Brasil. Pesquisa inédita divulgada ontem pela Fundação Itaú Social revela uma questão sempre defendida por educadores, que é a importância do investimento e da melhor qualidade do ensino básico. O estudo constatou que quanto maior a nota obtida em exames de proficiência, realizados no fim do ensino médio, maior também é o salário da pessoa, quando ela começa a trabalhar. No caso do Português, uma nota 10% maior que a média nacional pode significar um salário de até 4,6% maior.

            A pesquisa foi feita a partir do cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), dos Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Censo Demográfico de 2000 e 2010. Por meio deles, os envolvidos no estudo, comandados pelos economistas Andréa Zaitune Curi e Naércio Aquino de Menezes Filho, acompanharam o desenvolvimento das gerações nascidas em 1977-78 e em 1987-88, levando em consideração os aspectos de todas as fases da vida até iniciar a carreira profissional – na infância (aos 4-5 anos), na fase escolar (17-18 anos) e no mercado de trabalho (23-24 anos).

            O resultado da pesquisa mostra que depois de cinco anos trabalhando, pessoas de uma mesma geração, mas de desempenho escolares destoantes, tendem a ter salários diferentes cujos valores se divergem e tem relação com o desempenho escolar de cada um. Quem estudou mais e teve notas melhores, conseguiu um salário melhor. Em 2005, a nota média do brasileiro obtida no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi 283,8, em Matemática, e 268,3 em Português. Cinco anos depois, em 2010, o salário médio desse estudantes foi de R$ 1.155,80. A pesquisa verificou que quem obteve uma nota 10% maior em Matemática recebia em torno de R$ 53,20 a mais que a média e, no caso de Português, R$ 57,80 a mais.

            Dados e informações de todos os estados foram levados em consideração para se chegar ao resultado da pesquisa. Com o panorama nacional em mãos, Naércio Menezes, que, além de economista é coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e consultor da Fundação Itaú Social, avalia que a desigualdade e as diferenças salariais existentes no Brasil podem ser explicadas pelas notas obtidas pelos jovens no ensino médio. “Do ponto de vista das políticas públicas, trata-se de um sinal claro de que todo o esforço possível é necessário para tentar aumentar o aprendizado das crianças, pois ele resulta em diferenças de produtividade que perduram por todo o ciclo de vida”, expõe.

            A presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás, Ester Carvalho, comemorou a inciativa da pesquisa e , apesar de lamentar os resultados obtidos, ela argumenta que eles serão importantes para expor aos gestores públicos uma obviedade sempre defendida pelos educadores. “Agora temos o respaldo científico. Temos números para mostrar isso”, diz. A mesma opinião é compartilhada pela gerente de Educação da Fundação Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, que acredita que a pesquisa vai adensar o debate sobre a possibilidade de uma educação pública de qualidade ser capaz de reduzir as desigualdades sociais.

            “Esse estudo mostra evidências de que não basta ficar na escola: a qualidade do que se aprende nela faz muita diferença no mercado de trabalho”, avalia Patrícia.

 

Entrevista – Ester Carvalho

“Ela trouxe o óbvio, mas o óbvio com caráter científico”

A presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Ester Carvalho, comemora a iniciativa da pesquisa, por ela ter materializado em dados uma sensação sempre difundida pelos educadores e revela que Goiás precisa de mais investimentos.

A realidade diagnosticada pela pesquisa é uma verdade?

Para nós, educadores, o que a pesquisa revelou é até uma obviedade, porque é o que enfrentamos diariamente, tentando reverter. A capacidade de redigir e de realizar as operações básicas de matemática é considerada o mínimo que uma pessoa pode fazer, mas, no mercado de trabalho e na realidade brasileira, infelizmente, isso é um diferencial. A pesquisa para nós foi fabulosa. Ela trouxe o óbvio, mas o óbvio com caráter científico e com o poder de convencimento de uma pesquisa. Isso vai servir em favor das nossas reinvindicações.

Como está, na sua avaliação, a disposição política em resolver essa questão?

No fundo, a gente percebe esse impacto negativo no mercado de trabalho em virtude da má qualidade do ensino. E isso é o que a política brasileira devia ter se atentado há muito tempo. Eu gostaria de acreditar que para o político, isso também sempre foi óbvio, e temos visto mostras de uma maior preocupação com isso. Talvez, fruto de uma demanda e pressão social que cada vez mais se acentua.

Qual o contexto da Educação Básica no Estado?

Olha, não foge muito do panorama brasileiro. Temos problemas muito sérios na formação de crianças e adolescentes. Algumas escolas são boas, mas em outras percebemos que o básico ainda é dado à duras penas. Eu sei que o governo tem feito muito investimento estrutural, mas, por outro lado, o profissional ainda sobre com questões de valorização, como acontece em todo o País. Goiás ainda carece de investimento, principalmente no ensino infantil, que é o grande sustentáculo da Educação. A sedução do ensino se dá no ensino básico e não no ensino médio.

4 universidades brasileiras entre as 50 melhores do mundo

4 universidades brasileiras entre as 50 melhores do mundo.
Estado de São Paulo – 26 de fevereiro de 2014

Um ranking internacional de ensino superior aponta quatro universidades brasileiras entre as 50 melhores do mundo em oito áreas do conhecimento – entre 30 citadas. O QS Quacquarelli Symonds University Rankings – organização internacional de pesquisa em educação – foi divulgado por áreas nesta terça-feira, 26, e mostra duas estaduais de São Paulo em destaque entre as instituições brasileiras: a Universidade de São Paulo (USP) e de Campinas (Unicamp). Mas nenhuma brasileira conseguiu figurar entre as “top 10”.

Os rankings tomam por base índices de citações de pesquisas, além de estudos de reputação. A área em que as brasileiras vão melhor é a classificada como Agricultura e Silvicultura. A Unicamp ficou como a 22.ª melhor do mundo na área, seguida por USP (27.ª) e Universidade Estadual Paulista (Unesp, 50.ª). A Unicamp ainda lidera entre as brasileiras nas áreas de Filosofia (42.ª) e História (34.ª). Na área de História, a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aparece em 42.ª no mundo.

A USP é a instituição brasileira que mais se destaca nas áreas avaliadas pelo QS. A estadual paulista, que completa 80 anos em 2014, está entre as 50 melhores do mundo em oito áreas e teve o melhor desempenho entre todas as brasileiras em 20 disciplinas. A Unicamp está no topo do País em oito disciplinas.

A 27.ª posição da USP em Agricultura e Silvicultura é a melhor colocação da universidade entre as 30 áreas, seguida de Matemática (39.ª no mundo), Geografia (42.ª), Estatística e Investigação Operacional (45.ª), Comunicação e Mídia (46.ª), Farmácia e Farmacologia (48.ª) e História (50.ª).

No total, 22 instituições brasileiras estão no “top 200” mundialmente em pelo menos uma das 30 disciplinas avaliadas no ranking. A instituição brasileira particular mais bem colocada é a Fundação Getúlio Vargas (FGV), listada entre as 100 melhores do mundo nas áreas de Contabilidade e Finanças e em Economia. Nesta última, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) é listada na faixa entre 101 e 150.

No ranking mundial, a instituição com melhor desempenho foi a Universidade Harvard, que ficou em primeiro lugar em 11 das 30 disciplinas, duas a mais que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Especialistas em pesquisa e ensino superior têm apontado a necessidade de melhorar a relevância da ciência brasileira, um dos quesitos avaliados nos rankings internacionais. No último levantamento da Times Higher Education (THE), a universidade perdeu posições em relação ao ano anterior – saiu do 158.º lugar, em 2012, para a faixa entre o 226.º e o 250.º lugares em 2013.

Bagunça Tóxica

Bagunça Tóxica

Cláudio de Moura Castro – Revista Veja – 8 de janeiro de 2014

 

         A serem divulgados os resultados das primeiras provas do ENEM, um grande grupo educacional encomendou uma pesquisa com os alunos das dez melhores escolas do Brasil. Pois não é que eram todas muito parecidas? Chamava a atenção o fato de serem muito rígidas na disciplina. Ou seja, nada de bagunça. E entre as instituições públicas, com sua disciplina severa, os colégios militares têm ótimo desempenho.

         Viajando por outras terras, consideremos a França, a Alemanha e a Inglaterra. De lá vieram as mais abundantes colheitas de artistas, filósofos, cientistas, empresários e estadistas. Historicamente, suas escolas sempre foram extraordinariamente rígidas, chegando até a uma varadinhas aqui e uma reguadas acolá.

         Em maio de 1968, os universitários parisienses se rebelaram contra o atraso da universidade, promovendo um evento de espantosa visibilidade mundial. Barricadas na rua, paralelepípedos voando pelos ares, choques retumbantes com a policia! Ecoava o slogan mais poderoso: “É proibido proibir”.

         As consequências de Maio de 68 varreram o mundo e remoldaram a alma da escola. Muitos manifestantes viraram professores, sentindo-se pouco confortáveis com sua autoridade. A epidemia do “Proibido proibir” contaminou a América Latina.

         Em um dos seus primeiros discursos, depois de presidente, Sarkozy chama a atenção para a lastimável erosão da autoridade do professor, com suas raízes em 68. O filósofo Luc Ferry, em entrevistas, também rememora a queda da disciplina escolar, resultante de professores inapetentes por manter a ordem na sala de aula. Antes de tudo, porque erodiram as regras de disciplina, claras e compartilhadas. Mas, segundo ele, o pêndulo volta, com as escolas francesas recobrando sua capacidade de controlar a baderna.

         Não é preciso muito esforço para verificar a onipresença dos problemas de indisciplina nas nossas escolas. Nem falamos de alunos agredindo professores. Há uma incapacidade generalizada dos professores em impedir a bagunça nas aulas, sobretudo nas escolas públicas.

         No caso brasileiro, a alma penada de Maio de 68 parece muito presente, embora possa haver outros fatores contribuindo para as dificuldades de manter a disciplina. Aula chata? Quem sabe, a disseminação de uma caricatura da psicanálise, com seus pavores de que uma disciplina rígida vá frustrar ou traumatizar os alunos? Ou uma esquerda que confunde autoridade com autoritarismo? Ou um DNA tropical e insubmisso?

         Mas que consequências teria essa incapacidade da escola para manter o ordem? O professor James Ito-Adler fez para o Positivo uma pesquisa etnográfica – entrevistando uma amostra de alunos. Nela surge uma descoberta surpreendente. Quando perguntou aos alunos o que mais atrapalhava o seu aprendizado, a resposta foi enfática: a bagunça dos outros! São os próprios estudantes que clamam por uma disciplina careta. Não é o lamento de professor saudosista. Ou seja, os próprios alunos admitem que conversas e turbulência na sala de aula atrapalham os estudos. Resultados espúrios? Não parece, pois pesquisas nos Estados Unidos e na França sugerem o mesmo. A bagunça é tóxica.

         A ideia de que a escola não pode tolher a liberdade dos alunos é falsa. Embora possamos conduzir a discussão de forma mais sofisticada, vale a pena repetir o principio de que a minha liberdade acaba onde começa a lesar a liberdade de outrem. No caso, a liberdade dos colegas para estudar e aprender.

         Obrigar o aluno a ficar quieto, quando está com vontade de falar e saracotear? Ficará traumatizado pela imposição de uma regra autoritária que não tolhe suas manifestações espontâneas? Isso não acontece com os alunos das melhores escolas nem nos países mais pródigos em gente criativa e produtiva.

         A solução começa na cabeça dos professores e diretores. No caso, professores, no plural. Não basta convencer um. Se todos entenderem que bagunça em sala de aula é inaceitável, mudará o clima da escola. As escolas católicas de Boston recebem alunos de regiões turbulentas e problemáticas. Mas, com olímpica tranquilidade, mantêm um clima de disciplina rígida. Afirma-se que isso explica o desempenho superior de seus alunos.

         Temos que nos livrar da bagunça tóxica. 

Cresce abuso na prescrição de drogas para deficit de atenção

Cláudia Collucci – Folha de São Paulo – 12/12/2013

“Um desastre nacional de proporções gigantescas”. Foi como o psicólogo Keith Conners, professor emérito da Universidade de Duke, definiu o crescente aumento do diagnóstico do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) em crianças nos EUA.

Conners não é nenhum ativista anti-indústria farmacêutica. Pelo contrário. Ele passou os últimos 50 anos lutando para legitimar o déficit de atenção e a hiperatividade como um problema neurológico real.

Por isso sua declaração, feita em um encontro com psiquiatras em Washington, repercutiu bastante nos EUA e foi mote para uma ampla reportagem no “The New York Times” no último domingo.

Dados recentes do Centro para Controle e Prevenção de Doenças mostram que 15% das crianças americanas em idade escolar já têm diagnóstico de TDHA. Historicamente, estima-se que o déficit de atenção clássico atinja 5% das crianças.

O número de escolares medicados com drogas como Ritalina, Adderall e Concerta passou de 600 mil (em 1990) para 3,5 milhões (2012). A desordem ocupa agora o segundo diagnóstico mais frequente feito em crianças, só perde para a asma.

“Os números fazem parecer uma epidemia. Bem, não é. É um absurdo”, disse Conners, no encontro. “A prescrição de medicamentos está em níveis sem precedentes e injustificáveis.”

Segundo ele, poucas pessoas contestam o TDAH clássico, uma desordem legítima que impede o sucesso na escola, no trabalho e vida pessoal. A medicação, nesses casos, aliviaria a impulsividade grave e incapacidade de concentração.

Mas mesmo defensores do uso da medicação, como Conners, dizem que muitas crianças com “sintomas escassos” de TDHA têm recebido o diagnóstico e a medicação.

O crescimento das prescrições de estimulantes nesses últimos 20 anos coincidiu com uma grande campanha de marketing (muito bem-sucedida, aliás) das farmacêuticas para divulgar a síndrome e promover as pílulas entre médicos, educadores e pais.

As ações de marketing na TV e em revistas populares têm incluído comportamentos infantis relativamente normais, como desatenção, descuido e impaciência, entre os sintomas da desordem.

Um anúncio de 2009 do medicamento Intuniv (Shire), por exemplo, mostrava uma criança tirando uma fantasia peluda de monstro. “Há um grande garoto lá dentro”, dizia o texto.

Muitas vezes, porém, os benefícios relatados da medicação são exagerados, e os riscos, subestimados. Várias empresas já foram autuadas pelo FDA por publicidade enganosa.

SUPER-HERÓIS

As farmacêuticas agora tentam falar diretamente aos jovens, segundo a reportagem. A Shire, líder no mercado de estimulantes, recentemente subsidiou 50 mil exemplares de uma revista em quadrinhos que tenta desmistificar o TDHA usando super-heróis que passam mensagens como “os medicamentos podem tornar-lhe mais fácil prestar atenção e controlar seu comportamento”.

Médicos pagos pelas empresas farmacêuticas também têm publicado pesquisas e apresentações que incentivam diagnósticos mais frequentes e colocam em descrédito as preocupações crescentes sobre o excesso de diagnóstico.

Muitos especialistas retratam os medicamentos como benignos _”mais seguros do que a aspirina”, dizem alguns_mesmo sabendo que eles podem causar efeitos colaterais significativos e que estejam regulados na mesma classe de opioides como a morfina por causa de seu potencial para abuso e dependência.

Ao mesmo tempo, grupos de defesa de pacientes, majoritariamente financiados pela indústria, tentam fazer com que o governo federal afrouxe a regulação de estimulantes, tornando o acesso a eles mais fácil.

Os lucros da indústria farmacêutica com esses medicamentos foram quase US$ 9 bilhões em 2012, mais de cinco vezes em relação a uma década atrás, segundo relatório da IMS Health.

OUTRO LADO

Em entrevista ao “NYT”, Tom Casola, vice-presidente da Shire e que supervisiona a divisão de TDAH, disse que a empresa tem como objetivo proporcionar um tratamento eficaz para as pessoas com a doença, e que os médicos são os responsáveis pela avaliação e prescrição adequadas.

Sobre os anúncios agressivos e vetados pela FDA, ele informou que todos os materiais que entram em conflito com as orientações da agência foram substituídos.

Um porta-voz da Janssen Pharmaceuticals, que fabrica do Concerta, disse em e-mail endereçado ao jornal: “Ao longo dos anos, nós trabalhamos com os médicos, pais e grupos de defesa para ajudar a educar os profissionais de saúde e cuidadores sobre o diagnóstico e tratamento do TDAH, incluindo o uso seguro e eficaz do medicação.”

Bullying – Francisco Daudt

Ver uma criança crescer é como assistir a história da espécie em câmera rápida. Depois de um tempo, ela se põe de pé, começa a falar e agir como o troglodita que um dia fomos (fomos?): não tem os polimentos da civilização, não é hipócrita, demonstra seus sentimentos sem máscaras, tem raiva, bate, morde, chora, é possessiva, ciumenta, come com as mãos e estranha quem não é da sua tribo (a família).

Até hoje, entre tribos de caçadores-coletores da Papua Nova Guiné, se dois estranhos se encontram numa trilha, começam a desfiar seus parentes um para o outro, na tentativa de encontrarem algum em comum. Se não encontram, partem para uma luta de morte: o estranho é o inimigo.

Mas está chegando o momento histórico em que o troglodita se aproxima da Cidade-Estado, criada há 10.000 anos no crescente fértil da mesopotâmia, onde a espécie, por ter domesticado plantas e animais (inventando a agricultura e a pecuária), não precisa caçar nem coletar, não precisa ser nômade, pode se estabelecer num só lugar onde estranhos convivam, e até cooperem, em vez de lutar. Este lugar, para a nossa criança, é a escola.

O choque cultural é inevitável. Lembro que uma paciente propagandeava as vantagens da escola para sua filha, onde ela iria encontrar “amiguinhos” para brincar. “E então?” perguntou à filha, que voltava de seu primeiro dia escolar. “Mãe, os ‘amiguinhos’ mordem! Os ‘amiguinhos’ batem!”

E os “amiguinhos” se estranham, pela aparência diferente. É assim que começa o bullying. Apelidos, agressões, lei do mais forte, alunos que atacam professores em bando, professores que molestam alunos, que incentivam maus tratos (quando o nome muda para “assédio moral”, base para processo na Justiça, algo a ser resolvido fora da escola).
Sabemos disso, mas, por que isso vem se tornando mais problemático?

Tenho uma hipótese histórica. Quando a Cidade-Estado foi inventada, a principal mudança civilizatória na vida do troglodita foi que, para conviver com estranhos, teve que abrir mão de fazer justiça por si mesmo, e a violência se tornou monopólio do Estado.

Ele estabelecia leis a serem cumpridas, e punições para seus transgressores, sob o comando da Autoridade máxima, (o Tirano, um título, não um xingamento). Não existe, portanto, civilização sem lei, sem direitos e deveres, sem punição para os transgressores, sobretudo, não existe civilização sem “Autoridade”.

Sabemos intuitivamente disso, quando dizemos que pais bananas produzem filhos trogloditas. A democracia, ao tomar horror do tirano, muitas vezes confunde autoridade com autoritarismo, e assim, deixa de exercê-la. Resulta em um pudor e uma leniência com a aplicação da lei, que tolera a existência de “black blocs”, invasores de propriedade alheia, depredadores de bens públicos e particulares… e bullying.

A escola precisa ensinar civilização. Precisa de ter autoridade clara, leis claras, punições correspondentes executadas. É uma oportunidade de ensinar que a democracia não pode ser banana, caso contrário se perderá, e a tirania retornará.

Francisco Daudt, psicanalista e médico, é autor de “Onde Foi Que Eu Acertei?”, entre outros livros. 

Falta de atenção virou síndrome! Solução? Remédio tarja preta!

Geração Ritalina
Reportagem trip.com.br

Falta de atenção virou doença. O nome? TDAH. A suposta solução? Um remédio tarja preta. 

Falta de atenção e foco virou doença. O nome? Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. A suposta solução? O remédio tarja preta, do qual o Brasil é o segundo maior consumidor do mundo. Psiquiatras culpam o cérebro; outros, a sociedade. Nosso repórter ouviu os dois lados e passou uma semana sob o efeito da “droga da obediência”

“Bom, é o seguinte: você tem sinais de déficit de atenção e de ansiedade. Vou te prescrever um medicamento”, sentenciou o psiquiatra. O gravador escondido no bolso marcava exatos 23 min de consulta – tempo suficiente para ele me diagnosticar com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) e escorregar pela mesa uma receita para três caixas de Ritalina. Não precisei mentir nem exagerar nada. Em resumo, relatei que vez ou outra tenho dificuldade para me concentrar em coisas que não me interessam, que prazos podem ser um problema e que faz tempo que não leio um livro até o fim. O que foi? Se identificou com alguma coisa?

Não se preocupe. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação Americana de Psiquiatria, cerca de 4% dos adultos e de 5% a 8 % de crianças e adolescentes de todo o mundo sofrem de TDAH, “uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade”, atigamente chamada apenas de DDA (déficit de atenção). Em uma sala de aula com 40 crianças, por exemplo, estima-se que pelo menos dois sejam portadores. E cada vez mais o destino delas é o mesmo que o meu: o consultório de um psiquiatra.

Grande parte da psiquiatria vê o TDAH como uma doença neurobiológica, causada por um desequilíbrio químico no cérebro, tal qual a depressão. O diagnóstico é feito a partir de entrevistas, isto é, não há exames que detectem a doença. Seus “defensores”, por assim dizer, afirmam existir mais de 10 mil estudos relatando seus sintomas, os primeiros datando dos anos 1700.

Todavia, isso são hipóteses, teorias. Muitos profissionais, especialmente de outros ramos da medicina, questionam a causa, o diagnóstico, o tratamento com remédios e a utilização do transtorno como justificativa para desempenhos fracos na escola. Alguns, mais radicais, duvidam até da própria existência do TDAH.

Muitos profissionais questionam a causa, o diagnóstico, o tratamento com remédios e a utilização do transtorno como justificativa para desempenhos fracos na escolar 

Mesmo assim, resolvi seguir as recomendações do meu médico. Durante uma semana, vivi sob o efeito do remédio tarja preta (leia o diário no fim do texto), apelidado por seus críticos de “droga da obediência”. Nem a Novartis, laboratório fabricante, nem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (anvisa) revelam os números de vendas. Mas previsões do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) dizem que, em tese, nos últimos 11 anos, elas galoparam cerca de 3.200%. O número coloca o Brasil como o segundo maior consumidor de Ritalina do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

A pesquisa não contempla o mercado negro, que, ao que parece, é bem movimentado. Bastou meia hora no Google para encontrar diversos anúncios de gente oferecendo o remédio “off label” (sem receita). Por telefone, acordei de encontrar um vendedor em uma estação de metrô na manhã do dia seguinte. Chegando lá, um motoboy me entregou em mãos um envelope pardo e pediu que eu conferisse o conteúdo: Ritalina 10 mg, 20 comprimidos, lacrada e dentro da validade. Valor: R$ 80. Nas farmácias, sai em média por um quarto do preço. Relativamente barata, fácil de conseguir e teoricamente segura, a “Rita” vem sendo usada também por estudantes e baladeiros que querem bombar a energia e espantar o sono. A moda teria surgido em clubs e colleges norte-americanos.

O efeito de cada drágea de cloridrato de metilfenidato, nome verdadeiro da Ritalina, dura em média quatro horas. Assim como outras “inas” – a cocaína, a cafeína e as anfetaminas –, ela é considerada um psicoestimulante. Seu mecanismo de ação ainda não foi completamente elucidado. Mas acredita-se que ela aumenta a produção e o reaproveitamento da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores associados às sensações de prazer, excitação e ao estado de alerta do sistema nervoso. A bula alerta para a dependência física ou psíquica, além de elencar uma série de reações adversas como nervosismo, dificuldade em adormecer, diminuição no apetite, dor de cabeça, palpitações, boca seca e alterações cutâneas.

No FDA, órgão governamental dos Estados Unidos responsável por controlar alimentos e medicamentos, há 186 registros de óbito citando o uso prolongado do metilfenidato. Um dos nomes é o do jovem Matthew Smith – falecido aos 14 anos, metade deles fazendo uso da substância. Seus pais fundaram o Ritalindeath.com com a missão de “prover informações sobre a verdade oculta do TDAH e das drogas usadas em seu tratamento”.

 

Laboratórios é que bancam

O site da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) é o primeiro que aparece quando se faz uma busca virtual sobre TDAH. Nele há o cadastro de médicos do país todo especialistas no assunto, onde encontrei o contato do psiquiatra que me atendeu. A associação, fundada pelo doutor Paulo Mattos e um paciente em 1999, também realiza eventos para divulgar a causa e oferece cursos de treinamento para professores.

A entidade é patrocinada pelos laboratórios que fabricam, segundo o site, “os remédios de primeira linha para o tratamento de TDAH”. São eles: Novartis, produtora da Ritalina e da Ritalina LA (mesma substância, mas com dosagens mais altas); Janssen Cilag, do sugestivo Concerta; e Shire, do recém-lançado Vevanse. “Ninguém recebe salário, exceto a secretária. Por isso precisamos de incentivos privados. Não há conflito de interesse, desde que, claro, você apresente a situação para as outras pessoas”, explica o doutor Paulo Mattos.

No ano passado, a Novartis e a ABDA promoveram em parceria o concurso “Atenção Professor”, com o objetivo de “ajudar os educadores a conhecer e lidar melhor com o TDAH”. Ganhavam as três escolas que apresentassem as melhores propostas de inclusão de portadores na sala de aula. Como prêmio, R$ 7 mil em dinheiro e uma garrafa de champanhe. Recentemente, um projeto de lei institucionalizando o diagnóstico e o tratamento de TDAH nas escolas foi aprovado no Senado, restando apenas três comissões para que a aprovação se repita na câmara dos deputados.

Nenhum medicamento no mundo daria conta da complexidade que é o processo de atenção e aprendizado de uma criança

“Ciência não se discute”

A psicóloga Iane Kestelman, atual presidente da ABDA, descobriu a organização quando seu filho, “sumariamente reprovado em todas as matérias na escola”, foi diagnosticado com o transtorno. “Nossa vida mudou, e para melhor. Meu filho iniciou o tratamento e passou na melhor faculdade de economia do país. Ele toma remédio há 12 anos e não virou nenhum robô, como dizem por aí”, ela conta, a voz embargada do outro lado do telefone. Orgulhosa do caso de sucesso na família, ela relativiza a epidemia do TDAH e o boom nas vendas da Ritalina: “É um bom sinal. Significa que estamos cumprindo nosso papel, que mais gente está conhecendo a doença e o tratamento adequado”.

De acordo com uma pesquisa recente realizada por USP, Unicamp e Albert Einstein College of Medicine quase 75% dos jovens brasileiros que utilizam Ritalina ou similares não foram diagnosticados corretamente. Iane e doutor Paulo Mattos, porém, furtam-se a discutir uma possível fragilidade e/ou subjetividade no diagnóstico da doença. “Achamos isso ofensivo, inclusive. Ciência não se discute. Ela não está preocupada se você concorda com ela ou não”, diz a psicóloga. “Isso é um pseudodebate. Quem duvida da existência do TDAH nunca publicou nenhum artigo sobre o assunto, não tem qualificação. Você não vai chamar um pajé para discutir com um neurocientista”, engrossa o coro seu colega.

“TDAH não existe”

Marilene Proença não é um pajé. É psicóloga, integrante do Instituto de Psicologia da USP, e opõe-se à razão de ser da ABDA. “TDAH não existe. O que existe são crianças diferentes, com formas de aprender diferentes. Algumas são mais focadas, outras mais dispersas. Não existe um padrão de aprendizado”, ela postula. Para Marilene, a solução não cabe em um comprimido branco de pouco mais de 1 cm de diâmetro: “Nenhum medicamento no mundo daria conta da complexidade que é o processo de atenção e aprendizado de uma criança. Ele envolve afetividade, desejo, representações que a criança cria”.

Para os pais aflitos, que não sabem o que fazer com seu filhos travessos, ela acena um caminho, antes que eles decidam passar a bola para um psiquiatra: “A primeira coisa é ouvir a sua criança. O que ela tem a dizer sobre a escola? Os amigos a tratam bem? O professor escuta ela? Mudar para uma escola que entenda melhor a criança também deve ser levado em consideração”.

O problema não estaria na cabeça das pessoas, mas na sociedade. É o que acredita Maria Aparecida Moyses, pediatra e professora da Unicamp: “Se tem tanta gente deprimida ou desatenta, temos que entender que elas estão sendo produzidas pelo modo que a gente vive. Nunca se tomou tanto remédio e nunca houve tantas pessoas doentes. Isso não pode estar certo. O que eles fazem é uma biologia de um corpo morto, de um cérebro sem vida, sem afeto, isolado do meio em que vive”.

Atendendo em um centro de saúde público em Campinas, ela diz já ter presenciado casos de jovens viciados no metilfenidato, que clamavam pela sua dose diária durante as férias, quando normalmente a posologia é suspendida. Pergunto então se ela daria Ritalina para um filho seu. “Sou contra”, ela retruca. “Ficar parado é, na verdade, uma reação adversa dos estimulantes. Focar atenção é sinal de toxicidade, não é efeito terapêutico.” Mas então o que você daria para ele? “Ritalina nem pensar. Daria… Rita Lee.”

Doente, eu?

Pela primeira vez na vida, nosso repórter visitou um psiquiatra. A razão: averiguar o surto nos diagnósticos de TDAH. Para sua surpresa, deixou o consultório com uma receita para três caixas de Ritalina 10 mg. Na dúvida, resolveu acatar o doutor – mesmo que apenas por uma semana

Quarta-feira
Tomo o primeiro comprimido às 10h30. Meia hora depois, sinto um anestesiamento sutil, como se uma película me separasse do entorno. Enquanto preparo a quentinha que levarei para almoçar, meu pai fala sobre uma passeata pró-Amazônia. Tenho que parar mais de uma vez para entendê-lo, como se não conseguisse fazer duas coisas ao mesmo tempo. Sinto uma pressão na cabeça. Assim que ponho os pés na rua, percebo que esqueci a quentinha. A caminhada do ponto de ônibus até a redação, coisa de 5 min, me dá uma sede surreal. Ninguém nota nada de diferente em mim.

Quinta-feira
Acordei várias vezes durante a noite, algo incomum para mim. Sonhei que estava na escola e que entregava uma prova de matemática em branco. Desperto com uma espinha na testa e uma enxaqueca fortíssima, que dura até a hora em que tomo o comprimido do dia. Não percebo nenhum upgrade na atenção, mas meus editores se espantam quando entrego um texto de duas páginas ainda no meio do dia – nenhum recorde, mas sem dúvida um episódio inédito na minha carreira. Relendo- o, porém, não gosto tanto do resultado. Não lembro da última vez que bocejei, mesmo sem tomar um gole de café há dois dias.

Sexta-feira
Hoje o negócio bateu de verdade. Sinto o maxilar travado. Estou ansioso. E a pressão na cabeça voltou. Tomar banho, esperar o elevador, pegar o ônibus e demais atos corriqueiros parecem mais enfadonhos que o normal. Estranhamente, fico doido para chegar à redação e trabalhar. Meu chefe diz que estou com uma cara estranha. De fato sinto os músculos da face meio paralisados, as expressões limitadas. Fico abespinhado sempre que algo ou alguém me interrompe. Sinto-me mais concentrado, mas percebo que só consigo focar uma coisa por vez.

Sábado e domingo
Como o doutor disse que o medicamento só deveria ser ingerido quando a atenção fosse exigida e que ele não combina muito com os prazeres mundanos da vida, resolvo suspender o uso pelos dois dias.

Segunda-feira
Estou introspectivo. Sinto os mesmos efeitos colaterais de antes – pressão na cabeça, ansiedade, irritação –, porém mais fortes e acompanhados de uma sudorese nas mãos. O pensamento embaralhou, passo o dia todo escrevendo e deletando na mesma proporção. No fim do expediente, um saldo mísero de um parágrafo. Não sinto fome na hora do almoço – outro episódio inédito. Me forço a comer uma torta de frango, que deixo pela metade. Fico preocupado.

Terça-feira
Por conta do rendimento pífio de ontem, estou atrasado para escrever esta matéria. Dado o revertério do dia anterior, decido não arriscar e ficar clean por hoje. Doeu, mas consegui parir o texto. Concluo que, no meu caso, nada melhor do que um prazo e um editor à espreita para acertar o foco e fazer o que deve ser feito.

Gato por lebre, óleo por azeite!

De 19 marcas de azeite extravirgem testadas, quatro sequer podem ser consideradas azeite.

A Proteste – Associação de Consumidores testou 19 marcas de azeite extravirgem e constatou que quatro (Figueira da Foz, Tradição, Quinta d’Aldeia e Vila Real) não podem nem ser consideradas azeites, e sim uma mistura de óleos refinados.

Menos da metade dos produtos avaliados, apenas oito, apresentam qualidade de extravirgem. São eles: Olivas do Sul, Carrefour, Cardeal, Cocinero, Andorinha, La Violetera, Vila Flor, Qualitá.

Os outros sete (Borges, Carbonell, Beirão, Gallo, La Espanhola, Pramesa e Serrata) são apenas virgens. Dos quatro testes que a entidade já realizou com esse produto, este foi o com o maior número de fraudes contra o consumidor.

As propriedades antioxidantes do azeite de oliva são o principal atrativo do produto, devido ao efeito benéfico à saúde. Mas para que o azeite mantenha suas características, é importante que ele não seja misturado a outras substâncias. Os quatro produtos declassificados pela entidade são, na verdade, uma mistura de óleos refinados, com adição de outros óleos e gorduras. Em diversos parâmetros de análise, essas marcas apresentaram valores que não estão de acordo com a legislação vigente. Os testes realizados indicaram que os produtos não só apresentam falta de qualidade, como também apontaram a adição de óleos de sementes de oleaginosas, o que caracteriza a fraude.

Outros sete não chegam a cometer fraude como esses, mas também não podem ser vendidos como extravirgens. A entidade ressalta que o consumidor paga mais caro, acreditando estar comprando o melhor tipo de azeite e leva para casa um produto de qualidade inferior.

É considerado fraude o produto vendido fora das especificações estabelecidas por lei. Para as análises, foram considerados parâmetros físico-químicos para detectar possíveis adulterações: espectrofotometria (presença de óleos refinados); quantidade de ceras, estigmastadieno, eritrodiol e uvaol (adição de óleos obtidos por extração com solventes); composição em ácidos graxos e esteróis (adição e identificação de outros óleos e gorduras); isômeros transoleicos, translinoleicos, translinolênicos e ECN42 (adição de outras gorduras vegetais).

A entidade vai notificar o Ministério Público, a Anvisa e o Ministério da Agricultura, exigindo fiscalização mais eficiente. Nos três testes anteriores foram detectados problemas. Em 2002, foram avaliados os virgens tradicionais e foi encontrada fraude. Em 2007, a situação se repetiu com os extravirgens. Em 2009, uma marca que dizia ser extravirgem não correspondia à classificação. Para a Proteste, isso demonstra que os fabricantes ainda não são alvos da fiscalização necessária.

A reportagem procurou os quatro fabricantes dos óleos desclassificados. A importadora do óleo Quinta d’Aldeia não possuía porta-voz imediatamente disponível para comentar o assunto. As outras três marcas não tiveram representantes localizados.

(FONTE: O Globo)

Menino Maluquinho – Rosely Sayão

Menino Maluquinho

Rosely Sayão – Folha de São Paulo – Novembro de 2013

A mãe de um garoto de nove anos pediu que eu a ouvisse a respeito das dúvidas que ela tem, no momento, sobre como conduzir algumas questões do filho. A história dela vai nos ajudar a refletir sobre como a lógica médica tem transformado nossas vidas e, principalmente, a vida dos mais novos.

O garoto é inteligente e, na escola, produz bem. Suas notas são altas mesmo sem estudar nada em casa ou fazer as lições que a professora envia. A mãe quer que ele estude, faz o possível para que ele faça as lições, mas toda a paciência dela desaparece em minutos e eles terminam, invariavelmente, brigando quando ela se dispõe a acompanhar as tarefas do filho, pressionada que é pela sociedade para que haja assim.

É que o garoto não para e nem presta atenção em nada: fica pulando de uma coisa para outra e, por isso, a tarefa que poderia fazer em minutos se arrasta pelo dia todo. E é assim que ele se comporta na escola. A mãe já foi chamada várias vezes pela professora e coordenadora por causa do comportamento agitado e ruidoso do filho. Da última vez, a escola sugeriu que ela o levasse a um médico, e ela atendeu. Saiu do consultório com um diagnóstico do filho e uma receita nas mãos.

Ficou transtornada porque nunca considerou a possibilidade de o filho ter problemas médicos e foi à casa da mãe para desabafar. E ouviu o que a deixou agoniada. A mãe lhe disse que ela, quando criança, era igual ao filho. Também foi uma criança muito ativa e barulhenta e que deu muito trabalho mas, naquela época, não se costumava pensar que isso era sinal de alguma doença.

Essa mulher é uma executiva de sucesso, disputada no mercado de trabalho e, segundo ela, uma de suas características profissionais que a impulsionou é justamente conseguir fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. “Um traço meu, que meu filho parece ter herdado, nele é doença?”, perguntou ela.

Pois é: em outras épocas, crianças assim eram celebradas e não diagnosticadas. Quem leu “O Menino Maluquinho” deve lembrar-se de como Ziraldo o descreveu: “…Ele tinha o olho maior do que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés, umas pernas enormes (que davam para abraçar o mundo)…”.

De lá para cá, cada vez mais as crianças deixam de ser consideradas “crianças impossíveis” por causa de seu comportamento, como era visto o Menino Maluquinho, e passam a ser crianças doentes, portadoras de síndromes dos mais variados tipos e que precisam de tratamento.

O que antes não era considerado problema médico –insônia, tristeza, angústia etc.– agora são doenças, transtornos, distúrbios, síndromes. A essa maneira de pensar é que chamamos de “Medicalização da Vida”, e no mundo todo há movimentos que resistem a esse estilo. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um dia –11 de novembro– dedicado à luta contra a Medicalização da Educação e da Vida.

Por que a Educação está em destaque? Porque nunca antes vimos tantas crianças diagnosticadas e tratadas, seja por “problemas de aprendizagem” como por características de comportamento.

É bom lembrar que o comportamento das crianças está em sintonia com o mundo em que nasceram, e que a aprendizagem humana é um campo muito complexo e diverso. Diagnósticos e tratamentos têm lidado com muito simplismo tais questões.

Que voltemos a ter mais crianças impossíveis (que, com seu comportamento, alegram a casa, como o Menino Maluquinho) do que crianças consideradas doentes

Caráter se aprende na escola (Revista Época)

CARÁTER SE APRENDE NA ESCOLA

Revista Época – Outubro/2013 

Pesquisas comprovam que traço de personalidade são decisivos para o sucesso na educação e no trabalho. Agora, as escolas se preparam para ensiná-los e avalia-los.

                  Priscila Gil, uma jovem de olhar confiante e tranquilo, tinha apenas 6 anos quando passou pelo que considera a maior frustração de sua vida. No 1º Ano do Ensino Fundamental, quando deveria ser alfabetizada, ela não aprendeu a ler e escrever como seus coleguinhas. Repetiu de ano. Estudava em um colégio particular num bairro de classe média em São Paulo, perto de casa. “Lembro até hoje a vergonha que senti. Saí da escola depois de saber a má notícia e fui chorar na rua, sentada na calçada. Não me conformava”, diz ela. Seu pai também não se conformou com o diagnóstico da escola para justificar o fracasso da filha: dislexia. Foi procurar ajuda em outro colégio, o Vértice, um dos mais puxados do país, que a acolheu. Com ajuda de uma professora, Priscila trabalhou duro e, em um mês, já lia e escrevia. Perfeitamente? Não. As dificuldades e os embaraços causados pela alfabetização desastrosa acompanharam Priscila pelo resto daquele ano e por todos os outros, até o ensino médio. Nunca foi boa aluna de português. No resto, ia melhor. Seu rendimento, no geral, ficava entre 55% e 65%. “Minha vida de estudante era assim: estudava para tirar 10, mas conseguia 6. Muitas vezes fiquei abaixo da média e tive de me recuperar”, diz.

                  Tirar nota 6 na prova pode ser suficiente para muitos. Outros podem não achar bom, mas se conformam. Para Priscila, que desde pequena queria ser médica, sempre foi uma frustração. A maioria desistiria. Ela sempre voltava para os livros para tentar entender o que errara, para fazer melhor da próxima vez.

                  Aprendeu a organizar seus estudos e desenvolveu uma disciplina difícil de encontrar em alunos de qualquer idade. Raramente faltava às aulas. Em classe, não era de conversar. Virou frequentadora assídua dos plantões de dúvidas. Depois de passar o dia na escola, chegava em casa e estudava mais uma ou duas horas. Perdeu as contas de quantas vezes deixou de sair com as amigas ou viajar no final de semana para estudar. “Eu tinha duas opções: me entregar à tristeza e me conformar toda a vez que tirava uma nota ruim, ou batalhar para conseguir realizar meu sonho de ser médica”.

                  Quem resume bem a escolha de Priscila é o diretor do Vértice, Adilson Garcia: “A garota é uma guerreira”. Ela nunca mais repetiu de ano. Nem sequer pegou recuperação. Passou no vestibular e está no último ano de medicina. Faz estágio num grande hospital de São Paulo, das 6 às 16 horas, e ainda tem um período de estudos à noite, em casa. As amigas vão visita-la no hospital. No final do ano, Priscilla prestará nova prova para residência em anestesia. É a segunda modalidade mais concorrida, com 70 candidatos por vaga (só perde para dermatologia e empata com radiologia). Pergunto a ela se acha que conseguirá. “´É claro que sim! Se é a anestesia que quero, então é anestesia que vou fazer”.

                  O que levou Priscilla para a faculdade de medicina? Que habilidades dessa jovem de 24 anos a colocaram a um passo de realizar o sonho de sua vida? Pais, professores e escolas estão atrás do segredo do sucesso dos alunos há tempos. Nas últimas duas décadas, acreditou-se que bastava ser inteligente e aprender a fazer cálculos, interpretar textos e gráficos, relacionar fatos e analisa-los criticamente. Os vestibulares e as avaliações de desempenho cobram isso. Há um novo movimento de estudos de educadores, psicólogos e economistas que começa a olhar para o sucesso (e o fracasso) dos alunos de outro jeito. Sim, um bom colégio e notas acima da média credenciaram Priscilla a fazer um dos cursos mais difíceis da universidade. Mas ela teria conseguido chegar lá se não tivesse sido disciplinada? Sem a garra de perseguir sua meta? Se tivesse cedido ao medo de errar e de fracassar? Se tivesse desistido diante dos obstáculos?

                  A resposta é não. Há evidências cada vez mais fortes de que certos traços de caráter e personalidade, como persistência e autocontrole, são tão determinantes para a vida estudantil e profissional quanto saber português e matemática. São fatores que também ajudam a melhorar as notas dos alunos. Essa nova visão de educação pode mudar a forma como as famílias orientam os jovens e escolhem as escolas. Além de importantes, esses traços podem ser ensinados e desenvolvidos em sala de aula, com as aulas de física, biologia e todas as demais.

                  Há vários jargões científicos para definir essas habilidades. Na psicologia, elas são estudadas como “traços de personalidade” ou “de caráter”. Os que economistas estudam educação as chamam de “habilidades não cognitivas”. Os educadores, de “características socioemocionais”. No mercado de trabalho viraram “habilidades do século XXI”. Por trás desses rótulos, está um grupo de fatores entre eles personalidade, atitudes, comportamentos e crenças dos alunos, que não podem ser medidos pelos testes de Q.I. ou pelas avaliações educacionais tradicionais. É o jeitão da pessoa. Não há uma lista definitiva desses fatores, mas eles podem ser agrupados assim:

O caráter que leva ao sucesso

Esses traços de personalidade importam tanto quanto a inteligência para se dar bem na escola e na vida.

Perseverança

É o que mais influencia na nota do aluno e no desempenho da faculdade. Está relacionada a diversos outros atributos, como ser esforçado, concentrado e resiliente. Os perseverantes não desistem de uma meta como passar numa faculdade difícil, apesar dos obstáculos, distrações e imprevistos. São organizados, planejam seus estudos e não têm preguiça.

Autocontrole

É o principal atributo daqueles que conseguem resistir aos impulsos (de sair com os amigos ou perder tempo no Facebook em vez de estudar). As pesquisas comprovam que controlar os impulsos na infância e na adolescência traz ganhos na vida adulta. Na escola, o autocontrole forma atitudes como não faltar às aulas, participar das atividades propostas em classe, fazer a lição de casa. Num estudo da Universidade de Chicago, a falta de autocontrole explicou 61% dos fracassos num grupo de alunos acompanhados do 9º ano até o ensino médio.

Extroversão

É a característica de quem não fica só no campo das ideias e consegue realizar objetivos. Um aluno pode estar motivado para fazer um trabalho (sua nota final para passar de ano pode depender disso), mas não ter capacidade de concretizá-lo. Os efeitos da extroversão nas notas dos alunos são difíceis de captar. Sabe-se que os profissionais com esse atributo bem desenvolvido tendem a ganhar mais. Os psicólogos especializados nesse tipo de comportamento trabalham em grandes empresas, recrutando gente extrovertida.

Protagonismo

Diz respeito às crenças do aluno a respeito do seu desempenho. “Minhas habilidades e competências podem ser melhoradas com meu esforço”; “sou capaz de fazer isso”. Os alunos se tornam responsáveis por suas conquistas. É o oposto de quem acredita que uma ou outra matéria não é para ele, que se dar bem na escola depende de sorte ou de habilidades inatas. O que acontece em sala de aula tem forte influência sobre essas crenças. Há um longo histórico de pesquisas comprovando que elas podem ser estimuladas.

Curiosidade

A vantagem desse atributo é que pessoas curiosas tendem a ser abertas a novas experiências e a assumir riscos – habilidade valorizada no mercado de trabalho. Com essa disposição de enfrentar o novo, o aluno acaba desenvolvendo outra característica fundamental na escola: não ter medo de errar. Os curiosos lidam melhor com o fracasso. É a segunda característica pessoal que mais influencia positivamente nas notas (depois da perseverança). As pesquisas mostram que jovens curiosos têm menos chance de largar a faculdade e o trabalho.

Trabalho em equipe

Pessoas com essas características agem e trabalham de forma cooperativa, sem egoísmo ou centralização de decisões. São tolerantes com os colegas e os professores. Sabem ouvi-los e admitem quando estão errados. Esse traço de personalidade traz a vantagem de ajudar a enxergar o mesmo problema de formas diferentes. Isso aumenta o desempenho do aluno, especialmente no ensino fundamental. A dificuldade para trabalhar em equipe está ligada à delinquência juvenil e à criminalidade.

PERSEVERANÇA

AUTOCONTROLE

EXTROVERSÃO

PROTAGONISMO

CURIOSIDADE

COOPERAÇÃO (Trabalho em equipe)

                  A lista acima foi montada pelo Instituto Ayrton Senna (IAS), entidade que há dois anos trabalha em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo principal índice de qualidade na educação internacional, o Pisa. Juntos criaram uma prova para medir tais habilidades. Ela foi aplicada em larga escala pela primeira vez no mundo em 55 mil estudantes na rede pública de ensino do Rio de Janeiro, no início de outubro. “Teremos um time de especialistas internacionais para analisar os resultados”, diz Tatiana Filgueiras, responsável pela área de avaliação do IAS. A prova será usada pela OCDE para avaliar os estudantes de outros países. “Todo mundo sabe que fazer conta e interpretar textos é importante”, afirma Koji Miyamoto, diretor do Centro de Inovação em Educação da OCDE. “Mas, sem essas características, não há como garantir que os alunos de hoje tenham sucesso no futuro”.

                  Vestibulares e avaliações de sistemas de ensino, no Brasil e no mundo, medem a capacidade intelectual do aluno. Suas notas são usadas como critério quase exclusivo para definir quem é bom. Isso fortaleceu a ideia de que o aluno bem preparado para a faculdade e para a carreira é aquele que acumulou mais conhecimento. Mas cresce uma sensação incômoda entre educadores e nos responsáveis pela contratação de jovens recém-formados: falta alguma coisa, mesmo naqueles alunos preparados intelectualmente. “Eles chegam no mercado de trabalho sem algumas características cruciais, como capacidade de assumir riscos, terminar uma tarefa, conseguir concretizar uma ideia”, afirma Mariciane Gemin, presidente da Asap, empresa especializada em recrutar jovens profissionais e trainees para grandes empresas.

                  Esse tipo de lacuna na formação do jovem pode comprometer a continuidade dos estudos, não importa quão inteligente ele seja. Fundado em 1999, o Ismart é um instituto que recruta bons alunos da rede pública e financia seus estudos em escolas particulares de algo nível, até a faculdade. Para selecionar esses bolsistas, avaliam sua capacidade intelectual. “Percebemos que apenas isso não bastava para manter o aluno no programa”, afirma Maria Amélia Sallum, presidente do Ismart. O programa de estudos é puxado. Se o aluno não tem motivação e não consegue superar situações complicadas, a desistência é quase certa. “Na prova de seleção, passamos a avaliar tambpem o potencial dos candidatos para desenvolver essas características”, diz Inês Boaventura, psicóloga responsável pela seleção do Ismart. Uma equipe ajuda a desenvolver as boas características de personalidade entre os aprovados. Juliana Miranda, de 18 anos, foi selecionada quando estava no 8º ano. Era boa aluna, mas não tinha o hábito de estudar em casa. “Não precisava, conseguia ir bem só acompanhando as aulas”, diz. Sua rotina mudou drasticamente com o programa. Pela manhã assistia a aulas no Colégio Santo Américo, um dos mais concorridos de São Paulo, para eliminar a defasagem de aprendizado antes de entrar no ensino médio. À tarde, ia à escola regular, perto de sua casa, no bairro do Capão Redondo, periferia de São Paulo (a uma hora e meia de ônibus do Santo Américo). Como passou a ser cobrada mais do que estava acostumada, Juliana começou a estudar em casa, à noite. Quando entrou para o ensino médio, no Santo Américo, suas notas sofreram um baque. Ela estava habituada a fazer provas com consulta e com professores menos exigentes. “Consegui recuperar mas isso exigiu de mim um esforço a que eu não estava acostumada”. Nos seis anos como bolsista, Juliana poderia ter desistido 1 milhão de vezes. Foi adiante e está no primeiro ano na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

                  Os atributos do caráter de Juliana que a ajudaram a chegar à faculdade são universais. Pesquisas fornecem evidências de sua influência. A mais famosa delas, do economista americano James Heckman, Prêmio Nobel em 2000, envolveu alunos de uma escola de ensino médio. Havia três grupos: os que ficaram na escola até o final e se formaram; os que abandonaram a escola mas fizeram um curso para recuperar defasagens e conseguiram passar na prova de equivalência do colégio e ganhar um diploma; e aqueles que abandonaram e não se formaram. Todos foram acompanhados até a vida adulta. Heckman descobriu que, apesar de os alunos dos dois primeiros grupos terem um diploma na mão, os adultos que fizeram a prova de equivalência – e não frequentaram a escola – ganhavam menos e estavam mais desempregados. A conclusão é que, dentro da escola, aconteceu alguma coisa que não tem nada a ver com capacidade intelectual de conseguir um diploma. Os alunos que frequentaram aprenderam algo mais.

                  A descoberta de Heckman não é só o ponto de partida para as pesquisas que relacionam as tais “habilidades não cognitivas” ao desempenho. Mas também para a ideia cada vez mais comum de que personalidade pode ser aprendida na sala de aula. “O aprendizado acontece com a costura de fatores cognitivos e outros fatores: como nos sentimos, quais nossas crenças, o que nos motiva, como interagimos com outras pessoas”, afirma Camille Farrington, da faculdade de educação da Universidade de Chigago e pesquisadora de escolas públicas do Estado para aproximar as pesquisas acadêmicas da sala de aula. Camille e seus colegas foram olhar as pesquisas mais recentes sobre o assunto e montaram um modelo de como esses fatores podem ser moldados em sala de aula. Concluíram que isso acontece de três formas. Primeiro alguns fatores podem ser explicitamente ensinados. Os estudantes podem aprender estratégias de como administrar seu tempo e organizar o trabalho escolar. Um segundo jeito é o professor estabelecer expectativas claras sobre o que ele espera do aluno, acompanhar de perto a tarefa cumprida e ajudar sempre que houver necessidade. Terceiro, os professores podem criar ambientes em que o aluno se sinta capaz de aprender e acredite que é capaz. “Se tiverem esse tipo de comportamento em relação aos estudos e esse tipo de mentalidade, os alunos podem aprender como se comportar de forma perseverantes e resiliente”, afirma Camille.

                  Foi na escola que Adriano Lima, de 24 anos, aprendeu a encarar de forma diferente sua jornada acadêmica. Filho de pais que não estudaram e morador de uma das regiões mais pobres da periferia de São Paulo, ele poderia ter se entregado, como a maioria de seus colegas de classe, ao preconceito segundo o qual não importa o esforço que faça, sua origem o impediria de ir adiante. Sua escola, no Jardim Ângela, participava de um programa do IAS. Foi proposto um projeto: Adriano e alguns colegas reformariam a área verde da escola. Fazer parte de algo, trabalhar em equipe aos poucos transformaram o jeito tímido e desconfiado de Adriano. Não demorou para ele passar a ser visto como líder do grupo. Foi escolhido para representar o projeto em encontros estaduais e nacionais, onde orientava os outros estudantes do programa. “Quando percebi que passei a ser exemplo para meninos mais novos do que eu, minha percepção do que sou capaz mudou”, diz. Adriano quis fazer faculdade e se formou em administração. Quis fazer pós-graduação e está acabando o curso este ano. Quis trabalhar em uma grande empresa de seguros, onde fizera estágio quando mais jovem. Foi contratado como analista. Ele está onde planejou estar. De sua turma da escola, cerca de 40 colegas, apenas cinco entraram na faculdade. Ele e mais uma amiga fizeram pós-graduação.

                  Casos como o de Adriano são isolados. Boas escolas e bons professores sabem há décadas que esses traços de personalidade ajudam a formar jovens mais competentes e felizes. O desafio atual é organizar esse tipo de ensino. A escola estadual de ensino médio Chico Anysio, no Rio de Janeiro, é pioneira nisso. Criada neste ano, atende alunos do 1º ano do ensino médio em tempo integral. Uma vez por ano, os professores avaliam os alunos nas seguintes habilidades: energia, garra, autocontrole, otimismo, gratidão, inteligência social e curiosidade. Quando estive lá, em setembro, vi a professora de química sentada com um grupo de alunos no pátio, conversando sobre dificuldades na hora de estudar. Uma das estudantes não conseguir chegar em casa, depois de passar o dia na escola (a saída é às 17 horas) e mais três horas dentro de um trem, e fazer a lição. Estava cansada demais. Orientada pela professora, traçou um plano: adiantar a lição de casa na escola. Se deu certo ou não, elas descobririam na semana seguinte e, se fosse o caso, pensariam em uma nova estratégia.

                  Há algumas ressalvas a essa abordagem. Primeiro, educadores se preocupam se países como o Brasil, onde as escolas públicas não conseguem nem ensinar português e matemática, têm condições de cobrar o que os professores também ensinem os bons traços de personalidade. “É ingênuo acreditar que uma prova trará evidências científicas”, diz Tereza Rego, da faculdade de educação de São Paulo. Mas compreender o poder dessas habilidades pode dar instrumentos para melhorar o ensino nas escolas particulares e públicas. E talvez até melhorar as notas de português e matemática. Como comprova o exemplo dos bons alunos, ninguém tira nota alta sem ter curiosidade, protagonismo e persistência. 

O Amor por um Fio

                                                                                  Marcos das Neves

 José Antônio Melo era desenhista técnico, arquitetônico e de construção civil. Era mestre em plantas, cortes, fachadas e projetos. Seu escritório, onde empregava vários outros desenhistas mais jovens, vivia lotado de arquitetos e engenheiros que dependiam da sua arte para materializar seus rabiscos e cálculos em obras primas de papel vegetal. Toninho, como era conhecido, era meticuloso. No traço, na escala, nos desenhos das plantas que ornavam os jardins de celulose. Abrir, com fleuma e cerimônia, uma prancha desenhada por ele era meio caminho andado para o cliente aprovar o projeto. Muitas eram emolduradas e colocadas nas paredes das imobiliárias no centro da cidade. Lindas, tecnicamente perfeitas. O risco da caneta inglesa parecia um fio de ônix, nunca soube se era impressão minha ou se eles realmente brilhavam. Mas a caneta, que sempre voltava liturgicamente para seu estojo de madeira, essa sim brilhava.

Muitas vezes passei em seu escritório/ateliê na Rua 120, no Setor Sul, próximo à Marginal Botafogo. Como éramos contemporâneos da Escola Técnica Federal de Goiás e, por incrível que pareça, ambos torcedores do Goiânia, sempre havia assunto. Naquela época eles, os assuntos, tinham começo, meio e fim. Como na música do Roupa Nova. Sem contar que a bela Claudinha morava na casa em frente. E por falar nisso, como havia meninas bonitas na pequena pracinha da Rua 120 com a 116!!!! Não era para menos que eu e vários amigos não saíamos de lá nos finais de tarde. Dali até o escritório de desenho era um pulo, ou dois, dependendo do tamanho da perna.

 Fumante inveterado e apreciador de uma boa pinga, Toninho nunca dispensava uma dose no final do expediente. Ela vinha da cidade de Orizona, era dourada e trazia, além da própria “marvada”, histórias e fama em suas garrafas brancas com rolha de sabugo de milho. Uma raridade. Às vezes tomava também no meio da manhã, na hora do almoço, no lanche e, é claro, no final do expediente. Justificava que seu traço só era perfeito se estivesse ligeiramente leve (ele, não o traço, que precisava ser firme). Quando hoje alguém descreve os efeitos do remédio psiquiátrico da moda, como o Prozac, me lembro de Toninho.

Hoje pareceriam politicamente incorretos, mas na época ninguém reclamava de seus olhos perifericamente vermelhos. É verdade que atrasava a entrega do serviço algumas vezes, mas seu traço era impecável, a escala perfeita e os desenhos das plantas sublimes. Ninguém reclamava também do cheiro forte de seu Hollywood com filtro, não raramente filavam um. Filar cigarro era algo tão natural quanto comprar jabuticaba por litro na calçada da Avenida Goiás ou fazer um frete de carroça na Avenida Paranaíba. Éramos politicamente incorretos e não nos dávamos conta disso.

Muitas vezes fiquei pensando se Toninho não era um pintor frustrado, um grande artista escondido no desenhista técnico. Mas seu amor e admiração por suas próprias pranchas eram tanto que minha imaginação entrava em contradição comigo mesmo. Já naquela época eu acabava vencendo minha imaginação. Era besta e não me dava conta disso.

 Por alguns anos a vida se interpôs entre meu caminho e minhas visitas à Rua 120. Foram vários anos, acho que 10 ou mais. Um dia, passando por lá, perguntei o que havia acontecido com o escritório de desenho. Não existia mais, no lugar uma imobiliária com portas de blindex fumê. Alguns vizinhos, surpreendentemente eram os mesmos. Das meninas da pracinha nem sinal. Aliás, desconfio que aquela senhora um pouco acima do peso, trazendo uma sacola de supermercado em uma mão e o celular na outra era uma delas. Acho que aquela que tinha cabelos curtos e pernas torneadas, talvez. Cíntia? Não me lembro. Se fosse a Claudinha reconheceria.  A pracinha agora era propriedade dos lavadores de carro. É o progresso, fazer o quê né?

Toninho, disseram os vizinhos, com problemas de saúde, havia fechado o escritório e abandonado a profissão. Completaram ainda que haviam ouvido falar que ele, desgostoso, morrera anos antes, vítima de alguma coisa no fígado, ou no pulmão, ou no coração, não souberam informar. Um comentário final acompanhado de uma expressão de lamento:

– “Ele bebia demais, você sabia não?”.

Disse que não, que nunca soube. Que, para mim, aquela história era mais folclore. Não resisti em defender meu amigo, como se isso fizesse alguma diferença.

 Semanas depois encontro um amigo arquiteto, casado e pai de três filhos. Pergunto sobre Toninho, sabia que ele sabia, era um dos habitués da Rua 120, mas não da pracinha. Ele confirma o falecimento. Ainda acrescenta que, nos últimos anos, havia ficado desgostoso com a queda da procura por seus serviços. Chegou a trabalhar sozinho para diminuir as despesas, mas, mesmo assim, as encomendas minguaram, chegando a quase zero. Contou ainda que as poucas vezes que foi lá e encontrou o local fechado, os vizinhos (sempre eles) relatavam que Toninho ficava sentado em frente a sua mesa de trabalho, cigarro em uma mão e aquela aparentemente inofensiva miniatura de copo americano na outra. O rádio ligado em programas de esportes o tempo todo. Olhava para porta por onde arquitetos e engenheiros já não entravam mais e, para colaborar, os comentaristas e repórteres já não falavam mais do Goiânia. Como ele, o time havia caído para a segunda divisão.

      – Finalmente a bebida o derrotou – pensei em voz alta.

     – Nada disso – retrucou o arquiteto amigo.

 Não, não havia sido o álcool, mesmo ébrio ele desenhava muito bem (aliás, desenhava melhor quando estava leve); o motivo, disse ele, foi um programa de computador chamado AutoCAD. Com o AutoCAD qualquer pateta, por uma ninharia e em poucos minutos, fazia uma prancha de arquitetura. Com perfeição no traço, na escala e até nos jardins de celulose, em duas dimensões, como ele fazia, ou então até mesmo no impensável formato tridimensional. CAD significa Computer aided design, ou seja, desenho auxiliado por computador. Concorrência desleal. Não deu mais para Toninho. Assim como o acendedor de lampiões, o alfaiate e o engenheiro calculista, ele, com sua arte, havia se tornado obsoleto.

 Dias depois vi uma prancha exposta em uma ala de um shopping em construção, me aproximei, olhei o risco, só me interessava o risco. Era meio azulado, se fosse a parede que representava cairia com um sopro, nem sinal do fio de ônix. Assim como Toninho, o Goiânia e a romântica Rua 120, o brilho negro do traço já fazia parte de um passado que, provavelmente, apenas eu conhecia da forma como imaginava. Os momentos e as lembranças são intransferíveis na sua essência, mas ainda podemos revivê-los ao conta-los e ficar na expectativa de que algum fragmento seja imaginado como realmente foi. 

Atividades físicas evitam osteoporose, tristeza e cardiopatias.

Veja online de 25 de março de 2013

Crianças que fazem exercícios regularmente têm melhor saúde óssea na velhice

De acordo com pesquisadores, praticar atividades físicas na infância provoca aumento da massa óssea, o que ajuda a evitar fraturas na terceira idade

Praticar atividades físicas regularmente desde a infância pode ajudar a reduzir o risco de fraturas ao atingir idade avançada. É o que mostra um estudo feito por pesquisadores do Hospital Universitário de Skåne, na Suécia, e apresentado neste sábado em um encontro da Sociedade Americana de Ortopedia para Medicina Esportiva (AOSSM).

De acordo com Bjorn Rosengren, principal autor do estudo, essa relação entre exercícios na infância e diminuição do risco de fraturas ocorre devido ao aumento do pico de massa óssea (quantidade máxima de massa óssea que um indivíduo acumula desde o nascimento até a maturidade do esqueleto, antes do início da perda associada ao envelhecimento), que ocorre em crianças que praticam exercícios regularmente.

Estudo – Os pesquisadores conduziram por seis anos um estudo populacional com 362 meninas e 446 meninos entre sete e nove anos de idade em Malmö, na Suécia. As crianças participantes do estudo tiveram 40 minutos diários de educação física na escola, enquanto no grupo de controle, 780 meninas e 807 meninos praticavam apenas uma hora semanal de exercícios. A incidência de fraturas e o desenvolvimento ósseo de todos os participantes foram acompanhados anualmente e, ao final do período de estudo, o risco de fraturas era similar nos dois grupos, mas a densidade óssea da coluna vertebral era mais elevada nas crianças que praticaram mais exercícios.

A equipe também realizou um estudo retrospectivo, comparando 709 homens ex-atletas com idade média de 69 anos e 1.368 homens no grupo de controle, com idade média de 70 anos. Os resultados mostraram que a densidade óssea dos ex-atletas sofreu uma redução mínima na idade avançada, em comparação com o grupo de controle.

“Nosso estudo destaca mais um motivo pelo qual crianças precisam praticar atividades físicas regularmente para melhorar sua saúde, tanto no presente quanto no futuro”, afirma Rosengren.

 

Praticar mais atividade física aumenta a felicidade, diz estudo

Segundo pesquisadores americanos, pessoas que se comprometem a exercitar-se relatam maior satisfação com a vida no mesmo dia

Praticar mais atividade física do que o costume pode influenciar de forma positiva o quão satisfeita uma pessoa se sente com sua vida. Essa conclusão, que faz parte de uma pesquisa da Universidade de Penn State, nos Estados Unidos, reforça a ideia de que exercitar-se é um hábito cujos benefícios excedem a saúde física, e é fundamental também para o bem-estar psicológico. O estudo foi publicado nesta semana na revista médica Health Psychology.

Participaram da pesquisa 253 pessoas de 18 a 25 anos. Segundo os autores, os indivíduos dessa faixa-etária são aqueles cujos relatos sobre satisfação com fatores como trabalho, família e vida social são os mais instáveis. “Nessa idade há uma série de mudanças ocorrendo, pois essas pessoas estão saindo de casa, mudando de trabalho ou cursando uma universidade. Então, a satisfação com a vida pode despencar de uma hora para a outra”, diz Jaclyn Maher, que coordenou o estudo.

Os participantes da pesquisa foram orientados a escrever, durante um período que variou de oito a 14 dias, um diário no qual relatavam como se sentiam em relação a vários aspectos da vida (profissional, pessoal, autoestima e etc) e também informavam sobre a quantidade de atividade física que praticavam a cada dia. Além disso, quando o estudo começou, a equipe traçou as características da personalidade de cada um.

Os resultados mostraram que a quantidade de atividade física com a qual uma pessoa se compromete a fazer em um determinado dia influencia diretamente no quão satisfeita ela se sente com a vida naquele momento. Ou seja, quanto mais alguém se exercita, mais feliz relata se sentir. Além disso, o estudo descobriu que aqueles que já costumam praticar exercícios frequentemente, quando aumentam a quantidade de atividade em um dia, também relatam maior contentamento.

 

Atividade física pode evitar insuficiência cardíaca em idosos

Pesquisa identificou um risco menor da doença entre aqueles que se exercitavam com maior frequência

Exercitar-se é um hábito que pode ajudar a prevenir uma série de complicações de saúde. No entanto, a prática nem sempre precisa ser seguida durante toda a vida — embora isso seja o ideal — para que esse efeito positivo ocorra. Um novo estudo feito na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, concluiu que pessoas maiores do que 65 anos de idade que praticam alguma atividade física têm menos chances de sofrer de insuficiência cardíaca, uma condição que é mais comum entre idosos. Segundo os autores desse estudo, exercícios de intensidade moderada, como caminhada rápida, por exemplo, já são suficientes para produzir o efeito positivo. As conclusões foram publicadas na edição desta semana do periódico Journal of the American College of Cardiology.

Os pesquisadores selecionaram 2.933 pessoas com mais de 65 anos que não tinham insuficiência cardíaca e mediram os seus níveis de dois marcadores biológicos (marcadores são substâncias medidas para detectar alguma doença ou desequilíbrio no organismo) para a condição. Foram eles a troponina T, uma proteína envolvida no processo de contração muscular, e o peptídeo natiurético tipo-B, molécula liberada pelas células cardíacas. Uma grande quantidade dessas substâncias no organismo indica um maior risco de insuficiência cardíaca. Os níveis de atividade física que cada participante praticava também foram avaliados.

Os resultados indicaram uma relação inversa entre os níveis de atividade física que um participante realizava e os níveis desses dois marcadores biológicos em seu organismo. Ou seja, aqueles que se exercitavam com mais frequência apresentavam menores níveis de ambas as substâncias e, portanto, um menor risco de insuficiência cardíaca. Segundo o estudo, os indivíduos mais fisicamente ativos eram 70% menos suscetíveis a ter altos níveis de troponina T e 50% menos propensos a ter altos níveis do peptídeo natiurético tipo-B. “Nossas descobertas levantam a possibilidade de que os níveis de marcadores biológicos associados à insuficiência cardíaca podem ser alterados com a adoção de um estilo de vida saudável mesmo em idades mais avançadas”, escreveram os autores no artigo.

O efeito benéfico dos exercícios em idosos tem sido demonstrado por vários estudos. Uma pesquisa americana publicada recentemente, por exemplo, mostrou que uma pequena quantidade de exercícios físicos regulares pode proteger idosos de perdas de memória que acontecem subitamente após uma infecção, doença ou lesão na velhice. Além disso, segundo indicou um trabalho sueco, pessoas com mais de 75 anos, mesmo aquelas que sofrem de alguma doença crônica, podem viver até cinco anos a mais se adotarem hábitos saudáveis — entre eles, atividades físicas, inclusive as realizadas nos momentos de lazer.

 

Saiba mais

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
Pode acontecer em decorrência de qualquer doença que afete diretamente o coração. Acontece quando o coração bombeia o sangue de maneira ineficaz, não conseguindo satisfazer a necessidade do organismo, reduzindo o fluxo sanguíneo do corpo ou a uma congestão de sangue nas veias e nos pulmões. A insuficiência faz com que os músculos dos braços e das pernas se cansem mais rapidamente, os rins trabalhem menos e a pressão arterial fique baixa. A função do coração é bombear o sangue para o corpo e, depois, tirar o sangue das veias. Quando o coração bombeia menos sangue do que o normal, há uma fração de ejeção reduzida. Quando o coração enfrenta dificuldades em receber o sangue novamente, trata-se de uma fração de ejeção preservada, ou insuficiência cardíaca com dificuldade de enchimento do coração. Embora possa acometer pessoas de todas as idades, é mais comum em idosos.

 

Desserviço à educação

Desserviço à educação
Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo – 09 de março de 2013 

SÃO PAULO – A mais fantástica tecnologia humana não é o computador nem o velcro, mas a escrita. Se um pensador antigo como Platão podia vê-la com desconfiança, por imaginar que destruiria a capacidade de memorização, hoje, 2.400 anos depois, sabemos que não é assim.

Não apenas não existiria civilização, se não dispuséssemos de uma forma de registro perene das ideias, como ainda há indícios de que a alfabetização modifica fisicamente o cérebro, criando rotas de comunicação entre diferentes regiões do córtex e ampliando a memória verbal, como mostra Stanislas Dehaene em seu “Os Neurônios da Leitura”.

O processo de alfabetização tem início já nos meses finais da gravidez, quando o feto vai se familiarizando com os ritmos e sons da língua materna, e só se encerra na adolescência, quando emerge um leitor tão experiente que mal presta atenção nas letras, processando-as em blocos e quase “adivinhando” o sentido das palavras. Entre os 5 e os 6 anos de idade, porém, ocorre uma fase crítica que precisa ser aproveitada. As crianças, que até então apenas memorizavam o formato de palavras especiais, como seus nomes, começam a perceber que a escrita alfabética envolve um jogo de sons. Está surgindo o que os especialistas chamam de consciência fonológica.

Embora os construtivistas não gostem, este é o momento em que o código alfabético precisa ser ensinado explicitamente, já que o processo de percepção dos fonemas não é automático nem natural. Deixar de fazê-lo atrasa e pode até comprometer a alfabetização, em especial a das crianças mais pobres, que já saem em desvantagem por terem sido menos estimuladas para a leitura.

Nesse contexto, a Câmara, com apoio do governo, prestou um desserviço à educação, ao rejeitar uma emenda à MP 586, que reduzia de 8 para 6 anos a idade ideal para as escolas alfabetizarem a garotada. Detalhe: a mudança só valeria em 2017.

A mão que aciona o cérebro

A mão ativa o cérebro
A palavra escrita no papel está ameaçada de extinção pelo computador – e isso pode não ser bom para o ensino
Texto: Luis Guilherme Barrucho – Veja – Educar para Crescer

O momento em que o homem começou a expressar-se por meio da escrita, gravando caracteres em tabletas de argila há cerca de 5 000 anos, marca o fim da pré-história e a pedra fundamental das civilizações tal como as conhecemos hoje. Mas a maneira como desde então a humanidade vem perpetuando sua memória e transmitindo conhecimento de uma geração para outra pode virar peça de museu. Na semana passada, uma decisão tomada nos Estados Unidos veio reforçar essa ideia que tanto atormenta os (cada vez mais raros) entusiastas do lápis e do papel. Em ato inédito, o governo do estado de Indiana desobrigou as escolas de ensinar a escrita cursiva (aquela em que as letras são emendadas umas nas outras) e recomendou que elas passassem a dedicar-se mais à digitação em teclados de computador – decisão que deve ser acompanhada por outros quarenta estados seguidores do mesmo currículo. Oficializa-se com isso algo que, na prática, já se percebe de forma acentuada, inclusive no Brasil. Diz a VEJA o especialista americano Mark Warschauer, professor da Universidade da Califórnia: “Ter destreza no computador tornou-se um bem infinitamente mais valioso do que produzir uma boa letra”.

Ninguém de bom-senso discorda disso. Um conjunto recente de pesquisas na área da neurociência, no entanto, sugere uma reflexão acerca dos efeitos devastadores do computador sobre a tradição da escrita em papel. Por meio da observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se de forma bastante clara que a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativamente mais intensa que a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas na memória (o córtex pré-frontal), o que tem conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias. Está provado também que o ato de escrever desencadeia ligações entre os neurônios naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual das palavras, contribuindo assim para a fluidez na leitura. Com a digitação, essa área fica inativa. “Pelas habilidades que requer, o exercício da escrita manual é mais sofisticado, por isso põe o cérebro para trabalhar com mais vigor”, explica a neurocientista Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano. Isso só vem reforçar a complexidade do problema sobre o qual as escolas estão hoje debruçadas.

Na Antiguidade, os egípcios tinham nas letras um objeto sagrado, inventado pelos deuses. Sinônimo de status, a caligrafia irretocável foi por séculos na China um pré-requisito para ingressar na prestigiada carreira pública. No Brasil, a caligrafia constava entre as habilidades avaliadas nos exames de admissão do antigo ginásio até a década de 70, e era ensinada com esmero na sala de aula. O hábito da escrita vem caindo em desuso à medida que o computador – cujo primeiro chip foi traçado pelo americano Gordon Moore de posse de um velho lápis – se dissemina. Até aqui, foi a palavra eternizada em papel (ou pedra, pergaminho, papiro) que se encarregou de registrar a história da humanidade, não raro em garranchos deixados por seus protagonistas (veja ao lado). O computador traz uma nova dimensão à aquisição de conhecimento e à interação entre as gerações que chegam aos bancos escolares. Para elas, escrever a mão corre o risco de se tornar apenas mais um registro do passado guardado em arquivo digital.

TDAH – Uma luz. Artigo de Suzana Herculano-Houzel

29/01/2013

Um déficit legítimo de atenção – Suzana Herculano-Houzel

Sim, há quem seja preguiçoso, desinteressado ou desorganizado, com mau desempenho nos estudos e no trabalho, seja por falta de oportunidade ou de orientação, dificuldades variadas da vida, estresse, ou até falta de caráter mesmo. Mas há crianças –e adultos– que parecem ser assim por carregarem em seu cérebro uma dificuldade intrínseca em fazer o que, para todos os outros, é apenas normal: se concentrar em uma tarefa de cada vez, ignorando distrações ao redor.

Essas são as pessoas que sofrem de uma legítima síndrome de deficit de atenção. São de 0,5 a 5% da população, dependendo dos critérios diagnósticos empregados.

De maneiras ainda não completamente compreendidas, o transtorno envolve uma deficiência de dopamina, um dos moduladores que regula nossa capacidade de considerar um evento importante, dedicar a ele nossa atenção e nos empenhar em seu processamento.

Não é surpresa, portanto, que essas pessoas sejam facilmente distraídas, sucumbindo a qualquer novidade que passar pela frente em vez de se concentrar no trabalho ou dever de casa.

Por causa dessa dificuldade de sustentar a atenção, ler um texto até o fim é uma tarefa que pode durar horas e se tornar desmotivante, levando a desinteresse e uma aparência de preguiça, dificuldade de memória e de aprendizado.

Pior ainda, para a criança que sofre desse deficit, é a falta de informação dos pais, que reclamam de um comportamento que não depende de escolha da criança. Retorno negativo, na forma de comentários do tipo “você é preguiçoso” ou “você não está se esforçando”, só fazem criar uma autoimagem mais negativa, daquelas que se tornam profecias autorrealizáveis.

Por sorte, existe tratamento. Terapia puramente comportamental ajuda, ensinando a criança a ter disciplina e escolher ambientes mais favoráveis a ela. Muitas vezes, contudo, o melhor tratamento inclui remédios, com estimulantes como o metilfenidato e anfetaminas.

E aqui está outro problema causado por falta de informação. Para muitas dessas crianças –e adultos, pois o deficit de atenção é para o resto da vida–, o remédio é o passaporte para a vida “normal” que os outros conhecem, em que ler um parágrafo é tarefa trivial e provas levam uma hora, não três. No entanto, pais demais relutam em tratar seus filhos com estimulantes.

É uma relutância compreensível, mas desinformada. Por quê? No próximo artigo eu explico.

 

12/02/2013 

Estimulantes para tratar deficit de atenção – Suzana Herculano-Houzel,

Escrevi aqui que o déficit de atenção é um transtorno real, que afeta, em graus variados, de 0,5% a 5% das pessoas, dependendo dos critérios de diagnóstico (no Reino Unido, onde os critérios são mais estritos, a incidência parece mínima; nos EUA, onde o diagnóstico é mais liberal, a incidência parece duas vezes maior).

Como tantos transtornos, o deficit de atenção também é para o resto da vida e, portanto, não tem cura, apenas tratamento. Se soa ruim, eu diria que (1) o tratamento existe (não é ótimo?) e (2) ele é tão eficaz que muita gente por aí quer usá-lo sem ter necessidade. Trata-se de metilfenidato ou anfetamina –e é aqui que vários pais cruzam os braços e começam a suspeitar do médico que quer dar estimulantes para seus filhos.

O primeiro impulso de resistência é compreensível. Afinal, estimulantes são drogas pró-dopaminérgicas como a cocaína, que estimulam não só o córtex pré-frontal, tão importante para a atenção, como também o sistema de recompensa –daí seu potencial de dar “barato” e, assim, levar ao vício. Mas não é isso que o tratamento faz.

Como o transtorno vem de uma necessidade de dopamina, doses baixas de metilfenidato ou anfetamina apenas trazem o cérebro de volta ao nível normal de funcionamento. É nesse momento que os pacientes descrevem uma sensação “mágica” de tranquilidade, como se o mundo finalmente parasse de pular ao seu redor. Ler um texto até o fim é subitamente trivial, sem dez pensamentos competindo com cada palavra. Fazer uma prova torna-se possível.

Mais importante, contudo, é que há diferença entre esses estimulantes e drogas como a cocaína, que faz com que o efeito “recreativo” dos estimulantes seja muito menor.

Ingeridos em comprimidos ou absorvidos pela pele, metilfenidato e anfetamina agem aos poucos e levam uma boa dezena de minutos para surtir seus efeitos, tanto sobre a atenção quanto sobre a motivação. Sem o coice dopaminérgico propiciado, em comparação, pela inalação de cocaína, a chance de esses estimulantes de ação lenta darem “barato” é mínima. E, sem barato, não há vício.

Aos pais hesitantes, portanto: se há uma necessidade real –e o diagnóstico precisa ser muito bem-feito–, tratar seus filhos com estimulantes não é viciá-los, e sim dar-lhes a oportunidade de uma vida normal.

 

Suzana Herculano-Houzel, carioca, é neurocientista treinada nos Estados Unidos, França e Alemanha, e professora da UFRJ. Escreve às terças, a cada duas semanas, na versão impressa de “Equilíbrio”.

As 10 melhores carreiras no segmento de esporte – O Globo

As 10 melhores carreiras no segmento de esporte

  • Psicólogo, coordenador de eventos e fisioterapeuta são profissões que começam a ganhar força no mundo esportivo – O Globo  

RIO – Ainda que seus sonhos de se tornar um famoso jogador de futebol ou um astro de qualquer outro esporte estejam longe de tornar-se realidade, uma carreira neste segmento ainda é possível, indica novo relatório do site de carreiras CareerCast.com. A lista foi preparada tendo como base o mercado de trabalho nos Estados Unidos, mas em tempos de preparativos para a Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas aqui no Brasil, é bom ficar de olho na ampla gama de oportunidades de carreira que surgem no mundo esportivo, nas mais diversas áreas de atuação.

Segundo o relatório do CareerCast.com, algumas profissões são mais atrativas aos olhos do público, tais como locutores e comentaristas de rádio e TV ou técnicos. Há ainda os estatísticos do esporte, profissional bastante comum no mundo do atletismo, e fisioterapeutas, cujo trabalho se desenrola nos bastidores. Entre as carreiras que começam a ser reconhecidas no meio, segundo o CareerCast.com, estão coordenadores de evento e executivos de conta de publicidade.

“Ajudar a gerenciar um evento tão monumental como um Super Bowl, World Series ou uma Copa do Mundo, ou até mesmo uma pequena reunião de esportes, requer habilidades únicas, e é aí que entram os coordenadores de eventos. Seus esforços muitas vezes passam despercebidos, mas são cruciais para o sucesso da maioria dos eventos esportivos”, afirma Tony Lee, editor do CareerCast.com.

Psicologia do esporte é outra área não muito badalada quando se pensa em uma carreira neste segmento, mas que começa a aparecer. Segundo Lee, para quem está interessado em seguir esta profissão, o melhor caminho é um mestrado ou um doutorado.

Se você gosta de esportes, mas não tem as habilidades necessárias para se tornar um atleta profissional, confira as 10 melhores opções de carreiras desportivas, segundo o relatório do CareerCast.com.

Técnico/Treinador (salário médio de US$ 28.340/ano)*

Coordenador de eventos (salário médio de US$ 45.260/ano)

Fisioterapeuta (US$ 76.310/ano)

Gerente de relações públicas (US$ 57.550/ano)

Fotojornalista (US$ 29.130/ano)

Estatístico (US$ 72.830/ano)

Locutor/comentarista de rádio ou TV (US$ 36.000/ano)

Executivo de conta em publicidade (US$ 45.350/ano)

Psicólogo esportivo (US$ 68.640/ano – este é o salário médio para psicólogo geral)

Agente (US$ 64.790/ano)

* Salários médios anuais pagos nos Estados Unidos

 

Sucesso e fracasso

Pessoas de sucesso
1. Elogiam os outros
2. Têm senso de gratidão
3. Dão crédito às vitórias dos outros
4. Leem todos os dias
5. Conversam sobre ideias
6. Compartilham informações e dados
7. Exalam alegria
8. Abraçam a mudança
9. Mantém uma lista atualizada de projetos
10. Perdoam as pessoas
11. Aceitam as responsabilidades de suas falhas
12. Mantém um diário
13. Desejam o sucesso dos outros
14. Mantém uma lista do como devem ser
15. Estabelecem metas e desenvolvem planos de vida
16. Continuam a aprender
17. Operam a partir de uma perspectiva de transformação
Pessoas que fracassam
1. Criticam os outros
2. Têm um senso de direitos adquiridos
3. Tomam para si os méritos da vitória dos outros
4. Veem TV todos os dias
5. Têm medo de mudanças
6. Fazem tarefas sem experiência ou conhecimento
7. Conversam sobre pessoas
8. Não compartilham informações e dados
9. Exalam descontentamento
10. Guardam rancor
11. Culpam os outros por suas faltas
12. Dizem que mantém um diário mas na verdade não
13. Pensam que sabem tudo
14. Operam a partir de uma perspectiva transacional
15. Secretamente desejam que os outros fracassem
16. Nãos sabem o que querem ser
17. Nunca estabelecem metas

Quilos a mais aumentam longevidade!

Quilos a mais, mas não obesidade, aumentam a longevidade

Veja On-line

Revisão concluiu que pessoas com sobrepeso têm menos chance de morte por qualquer causa do que aquelas com peso normal ou obesidade.

Apresentar alguns quilos a mais na balança não necessariamente significa uma saúde pior, indicou um novo trabalho publicado nesta quarta-feira no periódico The Journal of the American Medical Association (JAMA). Após revisarem quase 100 estudos sobre a relação entre índice de massa corporal (IMC) e mortalidade, pesquisadores americanos concluíram que, de maneira geral, pessoas com sobrepeso (IMC de 25 a 30) vivem mais do que aquelas que têm peso normal (IMC de 18.5 a 25) ou que são obesas (IMC maior do que 30).

A pesquisa, feita por especialistas do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, o CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, cruzou os dados de 97 estudos que, ao todo, envolveram 2,8 milhões de indivíduos de diversas regiões do mundo. Segundo os resultados, pessoas com sobrepeso apresentaram um risco 6% menor de morrer por qualquer causa em comparação com os participantes que tinham peso normal. Essas chances, por outro lado, são 18% maiores entre indivíduos obesos, independentemente do grau do problema.

Porém, quando os autores olharam apenas para as pessoas com obesidade grau 1 (IMC entre 30 e 35), eles não observaram um risco maior de morte em comparação com aquelas de peso normal. A maior probabilidade de morte foi encontrada entre participantes com obesidade de graus 2 ou 3 (IMC maior do que 35), que apresentaram um risco 29% maior de morrer por qualquer causa em comparação com pessoas de peso normal.

Para os pesquisadores, esses resultados fornecem novas perspectivas sobre a relação entre peso corporal e fatores de risco para a saúde. No entanto, as conclusões devem ser interpretadas com algumas ressalvas, já que o estudo levou em consideração apenas o IMC dos participantes, e não outras medidas de saúde relacionadas ao peso, como hipertensão e diabetes, por exemplo. “Nós não estamos tentando estipular alguma recomendação, mas sim mostrar que o excesso de peso nem sempre é tão letal quanto imaginamos”, afirmaram os autores.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Association of All-Cause Mortality With Overweight and Obesity Using Standard Body Mass Index Categories
Onde foi divulgada: The Journal of the American Medical Association (JAMA)
Quem fez: Katherine Flegal, Brian Kit, Heather Orpana e Barry Graubard
Instituição: Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC)
Dados de amostragem: 2,8 milhões de pessoas
Resultado: Em comparação com pessoas de peso normal, o risco de morte é 6% menor entre indivíduos com sobrepeso e 29% maior entre aqueles que têm obesidade grau 2 ou 3. No entanto, a probabilidade não se altera em relação a pessoas com obesidade grau 1.

Papai Noel foi criado pela Coca-Cola? Saiba as origens do Natal.

PAPAI NOEL FOI CRIADO PELA COCA-COLA? SAIBA AS ORIGENS DO NATAL.
Portal Terra On-Line 

Papai-Noel, árvore, ceia e presentes. Chega a época do Natal e começamos a ver tudo isso em todo o lugar (e de vez em quando ouvimos falar de um tal de Cristo). Mas qual é a origem de todos esses símbolos? E da festa – quando e por que surgiu a comemoração do Natal? Segundo Pedro Paulo Funari, professor de história e arqueologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a origem da comemoração e seus símbolos são muito mais pagãos que cristãos.

Por que 25 de dezembro?
Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. “É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza”, diz o professor.

Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquisador, no final do mesmo século, como a Igreja ganha poder, ela passa a perseguir os pagãos que comemoravam a festa da forma original.

Troca de presentes
Segundo Funari, a troca de presentes é um ato comum a todos os povos, independente do capitalismo, por exemplo, ou de religião. Esse ato, desse ponto de vista, é muito mais ligado ao reforço de laços sociais entre as pessoas. No cristianismo, a troca foi associada simbolicamente aos reis magos, que teriam dado presentes de Jesus – em alguns países, como na Espanha, é comum dar presentes apenas no Dia de Reis.

Contudo, durante o século XX, a festa foi perdendo muitas de suas características religiosas (mas não todas) e hoje se apresenta de forma muito mais comercial. “Desvencilhou-se bastante da imagem original (religiosa) para que pessoas, países e povos não cristãos, como os japoneses, também sejam incentivados a ter troca de presentes nesse período”, diz Funari, que lembra que muitas pessoas que não são religiosas e até ateus participam de festas de Natal.

“Na propaganda dos presentes em si, não aparece o Cristo, o Jesus. Aparece lá ‘compre uma TV moderna’, ‘compre um aparelho celular’. Na propaganda desses produtos não aparece essa caracterização religiosa. (…) Sabendo-se que as pessoas têm como princípio o estreitamento de vínculos sociais em geral e dentro da família em especial, o capitalismo explorou isso, digamos assim, ao extremo.”

Originalmente, afirma o pesquisador, a troca de presentes não estava ligada à tradição do Natal, pelo menos não à festa original. “A troca de presentes na escala moderna é uma invenção do capitalismo.”

Ceia
A comida de Natal, por outro lado, era comum nas primeiras festas. Na ceia natalina era comum a carne assada porque esses pratos eram considerados mais sofisticados, mais caros, e serviam melhor para uma situação especial. O porco, assim como o peixe, era uma das carnes mais comuns.

O peru foi introduzido apenas no século XVI. A ave é originária das Américas e se popularizou rapidamente na elite da Europa quando foi levada ao continente. Por ser mais caro, o peru virou a carne das grandes ocasiões.

Papai-Noel
Funari afirma que o homem chamado Nicolau que viveu na Antiguidade e que virou santo não tem nada a ver com o Papai-Noel, apesar de muitas versões dizerem isso. A figura tem origem em tradições germânicas e nórdicas. O protestantismo, que buscava um simbolismo diferente da comemoração católica – que enfatizava a figura do presépio – utilizou o personagem.

Já a imagem que conhecemos do Papai-Noel tem uma origem muito mais comercial. A figura de um velhinho com roupa vermelha e branca foi criada e difundida pela publicidade da Coca-Cola no século XIX. “A gente pode dizer que o Papai-Noel como a figura que a gente conhece é uma invenção da Coca-Cola e dos meios de comunicação de massa”, diz o pesquisador. O papel da mídia, afirma Funari, foi difundir essa imagem. O cinema e outros meios trouxeram a imagem criada pelos publicitários ao Brasil.

“Se você for olhar os jornais brasileiros do início do século XX, no período do Natal, você encontrará referências ao presépio(…) não se fala em Papai-Noel”, diz o pesquisador, que lembra que nos dias atuais o presépio praticamente sumiu dos meios de comunicação.

O pinheiro
A origem do pinheiro é bem parecida: era uma figura germânica e nórdica que foi absorvida pelo protestantismo. Aqui, a decoração chegou com influência principalmente do cinema – apesar de não ter tido um patrocínio de peso, como teve Papai-Noel. Para o pesquisador, os símbolos atuais do Natal foram tão importados quanto o Halloween, do qual muita gente reclama.

A Mágica da Excelência

A Mágica da Excelência
 
Revista Veja – 19 de dezembro de 2012
Reportagem de Nathália Butti.

A rede de escolas criadas pelo americano Mike Feinberg é um enfático exemplo de como crianças pobres podem ir longe quando estão imersas em ambientes dominados por bons mestres e onde a meritocracia é levada às últimas consequências.

            Poucos na área da educação são capazes de reunir plateias tão entusiasmadas como o americano Mike Feinberg, 44 anos – um especialista em relações internacionais cuja opinião sobre o ensino é ouvida com atenção por autoridades dos mais diversos matizes e nacionalidades. Feinberg está à frente de uma das mais bem-sucedidas experiências recentes na sala de aula, as KIPP Schools – conjunto de mais de uma centena de escolas de período integral fincadas em áreas pobres de 20 estados americanos. A administração com um misto de dinheiro público e privado (mas com verbas semelhantes às outras), elas mostram como é possível forjar a excelência mesmo em ambientes tão desprovidos de estímulos. Em recente passagem pelo Brasil, onde falou a especialistas no Instituto Fernand Braudel, em São Paulo, Mike concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

A escola é responsável Muitos profissionais do ensino caem na tentação de empurrar a culpa dos fracassos para as famílias alegando que elas não dão aos filhos os incentivos mais básicos. Mas não é realista esperar grande protagonismo de pais que, frequentemente, não têm tempo nem repertório intelectual para fazer mais do que já fazem. No lugar de terceirizar responsabilidades, esses educadores devem encará-las: se o aluno não evolui, eles precisam responder por isso. E um ambiente menos favorável não pode servir de álibi para a incompetência.

A lição do esforço A maioria das crianças pode se tornar eficiente em qualquer atividade à qual dedique tempo e esforço. Se o objetivo é virar um ás do videogame, então devem se esmerar no videogame. Agora, se a meta é alcançar um patamar elevado em leitura e matemática, não há outro caminho se não ler, ler e ler e resolver exercícios. A prática é fundamental. Não acredito que em um turno escolar curto demais seja possível lidar com a complexidade de tantas áreas de conhecimento. Acaba ficando tudo muito raso. Essa é uma clara desvantagem do Brasil em relação aos países mais desenvolvidos, onde as crianças passam até o dobro do tempo em sala de aula.

Quem merece avança O igualitarismo nas escolas pode soar simpático, mas tem o efeito perverso de não estimular ninguém a desprender-se da média. O esforço e o mérito do aluno não devem ser escamoteados, mas, sim, enfatizados, para que ele e os outros saibam que esse é o caminho acertado. Os professores que fazem sua classe progredir também merecem ser destacados, recebendo não só mais dinheiro, mas ainda, e principalmente, mais responsabilidades e desafios.

Uma visão empresarial Quando os pais vão escolher a escola dos filhos, no lugar de priorizar uma infraestrutura vistosa, deveriam, isso sim, saber quem é o diretor e como ele age em prol do ensino. O diretor precisa ser, em certo sentido, como o gestor de uma empresa. Ele deve incentivar os quadros mais talentosos e ter pulso para se livrar dos menos eficazes. Demissão ainda é um tabu no meio educacional, mas os bons diretores, mesmo quando esbarram na burocracia do ensino público, encontram brechas para retirar de cena os que não funcionam.

O corporativismo contra a igualdade Os sindicatos erram quando saem em defesa dos maus profissionais e não do bom ensino. Acho curioso que existam mecanismos para impedir que os médicos e advogados ruins atuem, mas não haja blindagem alguma contra os maus professores que difundem uma educação de baixo nível. Esse pendor corporativista é um incômodo obstáculo à qualidade.

Diversidade de cabeças Venho do Tech for America, programa que coloca talentos de todas as áreas para dar aulas. Essa diversidade faz um enorme bem à escola. Eu mesmo não me especializei em educação, mas a sensação de que é possível impactar tanta gente foi tão arrebatadora que nunca mais deixei esse meio. Sempre me perguntam: “Qual é a fórmula mágica da KIPP Schools?”. A resposta é tão simples que parece pueril. De um lado, reúno professores que dominam seu conteúdo e ensinam de forma apaixonada; de outro, mantenho alunos imersos na escola em tempo integral. Em países como África do Sul, México e Índia já existem escolas que se baseiam nesses mesmos pilares, com sucesso. Por que não no Brasil?

 

 

KKK!

Antonio Prata – Folha de São Paulo – 12/12/2012

Ontem assisti ao documentário “O Riso dos Outros” (migre.me/cdrYR), de Pedro Arantes, para o qual dei um depoimento. Se o menciono aqui não é para puxar brasa para a minha sardinha (até porque a televisão não é brasa mais propícia à minha desengonçada sardinha), mas pela qualidade do filme e por seu tema, tão pertinente: as intrincadas relações entre humor, liberdade e preconceito.

O documentário mostra desde defensores de minorias até comediantes abertamente racistas. Após ouvir alguns do segundo time, me convenci de que o grande problema do “politicamente correto” não é a suposta ameaça à liberdade de expressão, mas o fato de que aqueles que até ontem eram tidos apenas como grosseiros ou ignorantes agora ostentarem o “label cool” de “politicamente incorretos”.

O humor é um brinquedo ambíguo. Quando rimos de nossas fraquezas, admitimos defeitos que, sem essa bem-vinda anestesia, seríamos incapazes de encarar. Desarmando-nos, o riso nos irmana com o próximo –afinal, somos todos companheiros nesta barca furada.

Rir do mais fraco é o contrário. Nesse caso, o riso serve para camuflar nossas fraquezas, apontando-as (ou inventando-as) nos outros. É como dizer: sou tão inseguro da minha masculinidade que ataco as mulheres e os gays. Temo tanto meus defeitos que crio monstros feitos só deles: os negros, os nordestinos, os árabes, os judeus etc.

Não é que haja assuntos proibidos para o humor: pode-se fazer piada com religião, cor, gênero. A questão, como diz Hugo Possolo no filme, é de que lado da piada você se coloca.
Woody Allen, num stand up do início da carreira, dizia que a vida de seus avós na Polônia era tão horrorosa que, quando Hitler invadiu o
país, eles pensaram: “Bom, quem sabe agora as coisas não vão melhorar um pouquinho?”. Woody Allen estava rindo do sofrimento? Sim, mas não dos sofredores. A tirada aponta para os opressores, os antissemitas.

Exemplo análogo é um esquete do Porta dos Fundos (migre.me/c7m1U) sobre a primeira reunião da Ku Klux Klan. O organizador (Fábio Porchat) descobre, logo no início, que todos os presentes embaixo das batas e dos chapéus são negros. Reclama com seu assistente (Gregório Duvivier), que afirma ter chamado o pessoal que trabalha em sua casa. Apavorado, Porchat diz que a reunião na verdade é para formar uma banda de blues e puxa um coro de “Oh, Happy Day”, sem nenhum sucesso.

O esquete (muito mais engraçado do que essa esquemática descrição) tira sarro dos negros? Não, ri dos organizadores da KKK, a quem pinta como dois playboys sem noção, ri do preconceito racial, das desigualdades sociais que ele cria e de seus estereótipos.

Às vezes, vendo os arautos da ignorância se arvorando a paladinos da liberdade, fico pessimista. Mas ao assistir aos vídeos de novos humoristas como Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet e ao ouvir, no documentário, os depoimentos de Laerte, Hugo Possolo, Marianna Armellini, Arnaldo Branco, Fernando Caruso, André Dahmer, Lola Aronovich e Jean Wyllys, me volta a esperança: ao que parece, tem muita gente talentosa que acha mais legal esculhambar o racista embaixo do lençol do que o enforcado balançando na árvore.

antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata

Novos exercícios abdominais tem poucas repetições e menos flexões da coluna.

Novos treinos para os abdominais têm poucas repetições e menos flexões da coluna – IARA BIDERMAN – DE SÃO PAULO

O verão é a deixa para que academias anunciem novidades e atalhos no caminho até um corpo sarado. Desta vez, o mercado de fitness fala em “quebra de paradigmas” no exercíAs novas orientações para os treinos de abdome incluem menos repetições que as usadas nos exercícios tradicionais, estabilização da postura e ginástica funcional (que trabalha vários grupos musculares ao mesmo tempo, em movimentos similares aos das atividades cotidianas).cio abdominal.

Funcionam, mas não podem ser chamadas de “novas orientações”, afirma o fisiologista Turíbio Leite de Barros, professor da Unifesp: “Os benefícios de um treino que trabalha tanto os músculos abdominais quanto os lombares são consenso na comunidade científica”, diz.

O que é apresentado como um novo jeito de malhar essa área do corpo incorpora elementos do pilates e da ioga (como aquelas “sucções” da barriga) para tentar ganhar eficácia e reduzir o risco de lesões na lombar.

Uma aula tradicional de abdominais, de 30 minutos, é baseada em flexões da coluna e exige em média 200 repetições. “A coluna foi feita para aguentar um número limitado de flexões. Flexionar o tronco 500 vezes a mais por semana desgasta a articulação e acaba machucando”, diz Eduardo Neto, diretor técnico da rede Bodytech.

No lugar dos antigos exercícios, a estratégia é usar bases instáveis (como bolas), que fazem a pessoa acionar os vários grupos musculares responsáveis pela postura: abdominais superficiais e profundos, glúteos e músculos da região lombar, segundo o educador físico Luciano D’Elia, de São Paulo.

“Fortalecer os músculos mais profundos ajuda a sustentar os órgãos, e aquela barriguinha saltada some”, diz a educadora física Juliana Romantini, da Cia. Athletica.

O efeito é questionado pelo fisioterapeuta carioca Leonardo Machado. “Os músculos abdominais precisam mais de flexibilidade do que de força. Contração demais comprime os órgãos e dificulta o trânsito intestinal, o que deixa a barriga inchada.”

“Novo paradigma” mesmo, na visão dele, seria ficar longe do visual “tanquinho” (abdome hipertrofiado) para ganhar uma barriga saudável de uma forma mais relaxada.

Revista “Forbes” aponta graduações mais promissoras!

A revista americana Forbes publicou nesta semana uma lista com 15 das graduações mais promissoras em termos de salários e oportunidades de emprego. O levantamento, feito pela empresa PayScale, leva em conta as projeções do mercado de trabalho americano até 2020. “Com o aumento do preço das mensalidades das faculdades e com as rápidas mudanças no mercado de trabalho, a formação superior é mais importante que nunca”, diz a matéria.

Confira o ranking completo:

1- Engenharia biomédica
2- Bioquímica
3- Ciência da computação
4- Engenharia de software
5- Engenharia ambiental
6- Engenharia civil
7- Geologia
8- Sistema de gerenciamento de informação
9- Engenharia de petróleo
10- Matemática aplicada
11- Matemática
12- Gerenciamento de construção
13- Finanças
14- Física
15- Estatística