About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

Ciência sem Fronteiras abre inscrições para bolsas

Universitários podem realizar parte da graduação no Brasil, parte no exterior

Veja Online

Foram abertas nesta terça-feira as inscrições para o programa Ciência sem Fronteiras (CsF), do governo federal, que concede bolsas de estudos em cursos de ensino superior. Os candidatos podem pleteiar o benefício na modalidade “sanduíche”, em que parte da graduação é realizada no exterior, para os seguintes países: Austrália, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Holanda, Hungria, Itália, Japão, Noruega, Portugal e Suécia. Os interessados têm até o dia 14 de janeiro para preencher um formulário no site do programa

Para concorrer, é preciso ser brasileiro, estar matriculado em um curso de nível superior em uma das áreas prioritárias do programa, haver cumprido entre 20% e 90% do currículo do curso e se comprometer, após a conclusão da graduação, a permanecer no Brasil por um período equivalente ao dobro da duração do curso no exterior.

A nova chamada do CsF impede a participação de estudantes de mais de 20 cursos, em sua maioria da área de humanas. Publicidade, artes plásticas, cinema e jornalismo, além de graduações na área de saúde, como enfermagem e fisioterapia, foram excluídas da lista. Apesar do programa ter como foco a área tecnológica, estudantes de humanas conseguiam se candidatar em uma área chamada indústria criativa. Mais de 1.000 estudantes forma selecionados dessa forma. 

Indignados, três estudantes, que representam mais de 2.000 universitários, entraram com ações judiciais contra o veto. Foram acionadas as Procuradorias da República no Ceará, Alagoas e no Distrito Federal.

Segundo o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, que ingressou na segunda-feira com uma ação na Justiça Federal, a retificação nessa segunda chamada deveria ser feita com base em um novo edital. “O Ministério da Educação vai ser autuado nesta terça-feira e terá até sexta-feira para prestar esclarecimentos”, informou. 

Já Jorge Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), um dos órgãos responsáveis pelo CsF, afirma que a medida é “irreversível”. “Cada chamada é um edital novo. Não teríamos a quem informar previamente”, diz. 

Os estudantes dos cursos vetados contestam. Eles argumentam que o edital é apenas um, mas com dois cronograma de inscrições, nos meses de agosto e novembro. “Esperamos uma nova posição do governo”, afirma a estudante de fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP) Takae Kitabake, que conta ter gasto 1.800 reais com curso de inglês e certificação no idioma para ter mais chances de conseguir a bolsa. 

A estudante de publicidade da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Jéssica de Brito é outra que está decepcionada. “Senti que o meu curso foi absolutamente desrespeitado”, diz. Os estudantes lançaram um abaixo-assinado que será entregue à Capes. Até segunda-feira, o documento reunia quase 3.000 assinaturas.  

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação

O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.

A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.
Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.

Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.

Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.

Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.
Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.
Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.

“A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos”.

No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.
Cultura e impactos econômicos

Tidas como “super potências” da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul dominam o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.
Alemanha, Estados Unidos e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.
O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.

Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de “Curva do Aprendizado”.

Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira “cultura” nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo.
Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.
Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.

Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um “valor moral” concedido à educação muito parecido.

O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.
Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais. 

Lapsos de memória não é coisa de velho (apenas).

Esquecer a chave da porta da casa onde mora no local de trabalho, perder o celular, não lembrar o nome de uma pessoa ou o telefone da residência, guardar um documento importante num determinado lugar e depois não recordar, sofrer “um branco” durante uma prova e abandonar o guarda-chuva. Certamente você já deve ter passado por uma dessas situações e pensado: será que estou ficando maluco ou com demência?

Calma. Você certamente não está biruta nem doente. Essas ações são típicas de um lapso de memória, provocado por uma falha na sinapse, que é a estrutura do cérebro que transmite a passagem da informação de um neurônio para outro e pode acontecer com qualquer pessoa. O problema é desencadeado quando a comunicação entre os neurônios é modificada ou bloqueada, causando, assim, as falhas que às vezes acomete a memória.

“Todo mundo tem um esquecimento, mesmo as crianças, quando deixam para trás a lancheira da escola e os adolescentes, ao não lembrarem da matéria escolar na hora do vestibular. Os lapsos de memória, normalmente, estão relacionados a fatores, como stress, ansiedade, déficit de atenção, uso de determinados medicamentos, má alimentação e alcoolismo. São cerca de 100 causas que prejudicam seu bom funcionamento, mas as citadas acima são as principais”, esclarece Ivan Hideyo Okamoto, neurologista e coordenador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo o especialista, a preocupação é quando o lapso se torna frequente e atrapalha o cotidiano da pessoa. “Quando a dona de casa confere a lista de compras várias vezes, a pessoa esquece frequentemente de pagar uma conta no dia do vencimento, a cozinheira larga a panela com leite ou feijão no fogo e o patrão paga o salário da empregada duas vezes no mesmo mês é preciso ficar alerta, pois, aí sim, pode ser indício de uma doença. Tendo este indivíduo mais de 60 anos de idade, é preciso prestar mais atenção às suas atitudes, porque repetindo-se muitas vezes o esquecimento, é conveniente encaminhá-lo a um médico, pois, neste caso, pode ser um sinal de início da demência”, alerta o neurologista.

No caso da comprovação de Alzheimer, o tratamento para estabilizar o avanço da doença deve começar o quanto antes. “Há medicações que atrasam o desenvolvimento da enfermidade, possibilitando um aumento de sobrevida do paciente em até 15 anos (a)pós a descoberta do mal. Quando detectada precocemente, é possível monitorar a doença e preservar as funções do paciente por mais tempo”, revela o especialista.

Excluindo-se o Alzheimer, as causas do esquecimento devem ser combatidas. “No caso de stress, recomenda-se tirar férias ou praticar ações que diminuam ou eliminem o problema. Sendo os lapsos de memória motivados por medicamentos, o paciente deve relatar a situação ao médico que prescreveu o remédio para que sejam tomadas providências quanto à troca ou mudança da medicação”, esclarece o Dr. Ivan Hideyo Okamoto. 

 

O Fim do Mundo já aconteceu!!!!

No ano 525 d.C., o Papa João 1º pediu a Denis, o Exíguo (baixinho mesmo) para elaborar o calendário a partir do nascimento de Cristo e assim dar início ao calendário cristão que passou a ser seguido desde então.

Haviam passado cinco séculos e os dados naquela época as fontes de pesquisas não eram tão disponíveis e nem tão precisas. Mesmo assim, do alto dos seus 1.50 mt, Denis errou apenas por seis anos. Ou seja, desde então, o os anos são contados faltando essa meia dúzia.

O atual Papa Bento XVI, Cardeal Joseph Ratzinger,  no terceiro volume da biografia de Cristo que escreve mesmo antes de ser o Sumo Pontífice da Igreja Católica, reconhece que este erro realmente existiu mas que, nem por isso, o calendário deverá ser mudado.

Tudo bem, estamos em 2018 embora continuaremos dizendo que o ano é 2012. Até aí tudo bem, exceto pelo fato de que os Maias, obviamente, não seguiam o calendário cristão. Exatamente por isso não cometeram o mesmo erro. Sendo assim, pelo calendário maia, o ano de 2012 foi, para nós, 2006. Então, naquele ano, o mundo acabou e nós não nos demos conta disso. Pensando bem, os sinais foram claros: foi em 2006 que com Ronaldinho, Ronaldão, Kaká e Adriano perdemos a Copa do Mundo. Foi também naquele ano que reelegemos Lula. Pronto, o mundo realmente acabou em 2006, só não vê quem não quer. 

Luz acesa atrapalha o sono.

Exposição irregular à luz pode desencadear depressão, diz estudo

Pesquisa com animais mostra que a claridade tem efeito no humor e na cognição, mesmo quando se dorme o suficiente

Mariana Lenharo – O Estado de S.Paulo

Expor-se continuamente à claridade durante a noite pode levar à depressão e afetar as funções cognitivas. Isso ocorre mesmo em situações em que o sono permanece inalterado. A exposição irregular à luz faz com que as células fotossensíveis dos olhos estimulem o sistema límbico do cérebro, responsável por emoções, memória e aprendizado, quando a região deveria estar em repouso

A descoberta, feita pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, foi publicada hoje na revista Nature. Para chegar ao resultado, pesquisadores expuseram um grupo de camundongos a um ciclo contínuo de 3h30 de claridade e 3h30 de escuridão. Já o grupo controle foi submetido ao ciclo claro/escuro natural: 12 horas de luz acessa e 12 horas de luz apagada.
Em seguida, os animais foram submetidos a vários testes capazes de revelar sinais de depressão. A conclusão foi que aqueles que receberam a exposição irregular tiveram alterações no humor, comportando-se de forma depressiva, e no processo de aprendizado.

Estudos anteriores já tinham relacionado alterações do sono e mudanças no ritmo circadiano – ciclo de 24 horas que determina as atividades do organismo – ao surgimento da depressão. A novidade é descobrir que a exposição irregular à luz, por si só, é diretamente responsável por esse efeito deletério, mesmo quando as horas de sono são as mesmas.

O biólogo Samer Hattar, principal autor do estudo, afirma que os humanos têm na retina o mesmo tipo de célula que os camundongos: as células ganglionares intrinsecamente fotossensíveis, que reagem à presença de luz mesmo em períodos de sono. Por isso, os resultados sugerem que humanos podem reagir da mesma forma que camundongos nesse tipo de situação.

“Queremos entender o que acontece com pessoas que trabalham em turnos alternativos ou são expostas a dias curtos, nos países nórdicos, por exemplo”, diz Hattar. A mesma lógica seria aplicável a pessoas que trabalham no computador ou iPad e são expostas a situações de muita claridade à noite em casa.

Para o biólogo Mario Pedrazzoli Neto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH), a descoberta é relevante e pode chamar a atenção do público e das agências de saúde para o fato de que o ciclo claro/escuro é mais importante do que se pensava para a saúde humana. “Portanto, a exposição incomum a esse ciclo, como o trabalho noturno, o adolescente que entra cedo na escola e o horário de verão podem ter consequências inesperadas à saúde.” Ele acrescenta que é preciso criar políticas públicas que protejam os indivíduos dessa exposição deletéria.

Os resultados podem levar ao desenvolvimento de novos tratamentos. De acordo com Pedrazzoli, a aplicação ainda é incipiente, mas já existem tentativas de tratar casos específicos de depressão com luzes extremamente brilhantes em determinadas horas do dia que têm apresentado resultados razoáveis.

Segundo a biomédica Camila Hirotsu, doutoranda do Instituto do Sono, uma estratégia possível seria usar essas células da retina como alvo para bloquear sua ação e inibir toda a cadeia que leva à depressão. Ela ressalta, no entanto, que os casos de depressão costumam estar relacionados a múltiplos fatores, além da questão da luz.

 

Alimente sua memória

 O que colocamos no prato exerce grande influência a curto e a longo prazo no processo de aprendizado e memorização. Estudantes que estão prestes a entrar na maratona dos vestibulares podem ter na alimentação uma poderosa aliada. Saiba como:

1- Priorize o café da manhã,  o benefício já começa cedo pela manhã, ao garantir nutrientes importantes para a capacidade cerebral.  Inclua sempre um cereal integral como aveia em flocos, quinua, amaranto, pães integrais, que oferecem as vitaminas do complexo B capaz de melhorar a função cognitiva. Os carboidratos integrais de modo geral ajudam a manter a glicemia (açúcar no sangue) controlada, e a glicose é a principal fonte de energia do cérebro

2- Inclua ovo mexido, omelete ou panqueca no desjejum. O ovo é rico em colina,  precursora da síntese de acetilcolina, um neurotransmissor associado com a função cognitiva e memória. O ovo deve estar presente principalmente no jantar da véspera da prova e no café da manhã antes de sair de casa

3-  Alimentação fracionada – de 3 em 3 horas – ajuda a manter a glicemia (açúcar no sangue) dentro da normalidade, favorecendo a circulação e “alimentação do cérebro”

4-  Opções para incluir nos lanches intermediários (manhã ou tarde)

– Frutas frescas (melão, melancia, manga, uva, goiaba, mamão)
– Frutas oleaginosas (castanhas, nozes, avelã, macadâmia), são ricas em zinco, um mineral que contribui contra a aceleração do envelhecimento do cérebro
– Ovo de codorna temperado com azeite  ou partido dentro de um sanduíche. O ovo de codorna também é fonte de colina
– Sementes de abóbora ou girassol: são boas fontes de magnésio, que ajuda a controlar a ansiedade, tão característica nessa fase

5- Entre as refeições e antes de estudar tome uma xícara de chá verde. As catequinas presentes no chá  têm forte ação antioxidante e  propriedades que atuam no sistema nervoso central. O efeito benéfico na memória pode ser também atribuído à cafeína presente no chá, que ajuda a melhorar a concentração e atenção, contribuindo com o  aprendizado e registro de informações. No dia da prova leve o chá verde gelado numa garrafinha

6- Outra opção: chá mate batido com um pouco de açúcar, gelo e limão. Além do efeito da cafeína, o limão é fonte de vitamina C, que ajuda a combater a fadiga e o cansaço, além de hidratar e refrescar nos dias quentes

7- Evite refeições volumosas. O excesso de alimento reduz a capacidade de concentração porque grande parte da circulação sanguínea volta-se ao trato digestivo, reduzindo a oxigenação cerebral. Por isso, refeições leves são mais indicadas às vésperas de provas, com alimentos de fácil digestão (frutas, legumes, verduras, carnes grelhadas, cereais integrais)

8- Evitar alimentos calmantes (maça, alface, maracujá, camomila, erva cidreira, melissa) antes de concentrar-se nos estudos. Esses alimentos são mais indicados antes de dormir, já que relaxam e induzem ao sono

9- Aumente o consumo de peixes, principalmente aqueles que são fontes de ômega 3 (salmão, cavala, arenque, salmão, atum e a sardinha). A presença de ômega 3  na dieta  favorece o aprendizado e memorização

10-  Precisamos lembrar que o cérebro  tem grande quantidade de gorduras. Os ácidos graxos poli-insaturados regulam a energia na região cerebral e são componentes da estrutura das células nervosas e da bainha de mielina, que auxilia na rapidez com que as informações são transmitidas de uma célula para a outra.  Assim, as gorduras boas são importantes: azeite de oliva, abacate, frutas oleaginosas e o óleo de canola e a linhaça (óleo ou semente)

11- Temperos como alecrim e cúrcuma (açafrão da terra) também trazem benefícios. O alecrim ajuda a melhorar a disposição e estado de alerta, e o açafrão protege os neurônios. Pode-se temperar com o açafrão legumes e frango, como também colocar na finalização do arroz e na elaboração de molhos. O alecrim dá um sabor especial no ovo mexido ou no omelete

12- Aqui vai uma boa notícia:  chocolate meio amargo (50- 70% de cacau) é uma excelente opção. Sem exagero, claro. Uma unidade pequena, aproximadamente 30 gramas já é suficiente.  O cacau melhora a função cognitiva. Pode-se também colocar o cacau em pó em vitaminas, sucos e salpicar nas frutas ou cereais.

Escolas não devem adotar tablet só porque é moda

Escolas não devem adotar tablet só porque é moda, conclui debate

Folha de São Paulo – 10 de outubro de 2012

O tablet não deve ser usado por escolas só porque “é moda”. Para que o aparelho entre em sala de aula, é preciso antes desenvolver um projeto pedagógico para seu uso e preparar o professor.

Essa foi uma das sugestões do debate “Tablet na Infância – Educação e Entretenimento”, realizado anteontem, no Teatro Folha, em São Paulo. O encontro, promovido pela “Folhinha”, teve parceria do Instituto Ayrton Senna e foi acompanhado por 190 pessoas, a maioria professores e pais. Durou quase três horas e foi caloroso, com embate entre ideias opostas e manifestação da plateia.

“Se a escola pede tablet no material escolar, o ideal é que tenha um plano pedagógico. Se não sabe como será usado, recomendo que o pai não compre. E mais: eu tiraria meu filho de uma escola assim”, disse Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, ONG que trabalha com segurança na internet.

Outro alerta é que o tablet não tenha acesso 3G e funcione pela rede da escola, o que possibilita um maior controle da navegação do aluno.

O conflito de opiniões entre a psicóloga Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, e Valdemar W. Setzer, professor do departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, mobilizou a plateia.

Setzer foi o único debatedor radicalmente contra o uso de aparelhos eletrônicos e da internet na educação infantil. “Spam existe porque adultos são inocentes e caem. Agora, imagine criança!”, exclamou ele. “Elas são ingênuas e estão sendo usadas para testar tecnologias”, disse.

Para Setzer, as crianças devem ser incentivadas a brincar com produtos não eletrônicos. Jotta discordou do professor em diversas ocasiões -e chegou a ser interpelada por uma espectadora, que defendeu Setzer. “As crianças dão conta de desenhar no tablet, no papel, de conversar com as pessoas ao vivo e no mundo virtual. Se os adultos conseguem educar essas crianças é outro ponto. O descontrole que a gente vê é do adulto”, afirmou Jotta.

Mas todos concordaram em um ponto: a participação ativa dos educadores no desenvolvimento das crianças. “Pais e professores têm que estar perto das crianças. Eu me preocupo mais com isso do que com o uso de tablet e internet”, disse Adriana Martinelli, coordenadora da área de tecnologia e educação do Instituto Ayrton Senna.
Convidada à discussão, a psicóloga Rosely Sayão, colunista da Folha, não pôde comparecer.

O debate foi mediado pela editora da “Folhinha”, Laura Mattos, e pelo editor do caderno “Tec”, Leonardo Cruz.

 

Dever de casa e tarefa da escola

Dever de casa e tarefa da escola
Rosely Sayão – Folha de São Paulo de 09 de outubro de 2012.

Professor particular, professor tutor, tia, avó que foi professora, horas obrigatórias de estudo etc. etc. etc.
Pai e mãe que chegam do trabalho e, em vez de se dedicarem ao relacionamento com o filho, vão estudar junto com ele. No início, com paciência para explicar tudo nos mínimos detalhes. Pouco tempo depois, sem paciência alguma e, não raramente, chegando aos gritos com o filho.

Tudo isso porque estamos chegando ao final do ano letivo e muitas crianças, por causa das notas, estão a perigo tanto do ponto de vista da escola quanto do ponto de vista dos pais.
Alguns pais me disseram que irão fazer o filho –e falo de crianças com menos de 11 anos– estudar todos os dias com professores particulares para “recuperar” toda a matéria dada desde o início do ano. Só assim, me disseram, o filho conseguirá aprender a matéria apresentada agora, já no último bimestre.

Tenho pena dessas crianças. Em primeiro lugar, porque pais e escolas pensam que o processo de aquisição de conhecimento é igual ao de escalar um morro: antes de chegar ao topo seria preciso dar muitos passos.
Não: já sabemos há muito tempo que o conhecimento não exige pré-requisitos, ou seja, não é preciso aprender determinados temas para chegar a outros.

Essa ideia está ultrapassada, tanto quanto nossa organização escolar seriada que agrupa os alunos por idade.
Como diz Ken Robinson, autor inglês que trata da criatividade e da inovação em educação, a data de fabricação das crianças não é o que as agrupa quando se trata de aprendizagem do conhecimento. São seus ritmos e modos de aprendizagem.

Em nosso país, o mantra de que os pais zelosos devem acompanhar os estudos dos filhos não é questionado, tampouco problematizado.
Ponto para a nossa ideologia escolar, que consegue, desse modo, delegar aos pais tarefas que são da instituição de ensino. E como tem escola reclamando que os pais delegam a elas suas responsabilidades, não é?

O fato é que com a família em transição e a escola congelada seria preciso rediscutir as funções de ambas e, inclusive, criar as bases do que poderíamos chamar de “parceria escola-família”.
O que os pais podem fazer para ajudar o filho que precisa reagir em sua vida escolar? Eles podem, por exemplo, ajudá-lo a entender que conhecimento exige esforço.

Uma ótima atitude a se tomar é organizar o dia do filho para que ele tenha horários de estudo –entre outras coisas– e um local para fazer isso longe das tentações que costumam ser estimulantes para ele.
Insistir para que o filho “grude a bunda na cadeira” até conseguir estudar e focar sua atenção é outra atitude favorável que complementa a primeira.

Nem a escola ensina isso. Basta o estudante experimentar alguma dificuldade que ele pede para ir ao banheiro, tomar água etc. E a escola permite, ou seja, não ensina que aquela dificuldade pode ser superada com esforço e concentração.

Conversar com o filho a respeito da matéria que ele estuda, fazer perguntas que a escola não faz, ajudar o filho a fazer relações entre o tema e a vida ou mostrar a ele algumas dessas relações também incentivam bastante a criança a entender o que é que ela estuda, afinal.

Sim, os pais podem, como nós acabamos de ver, ajudar o filho em sua vida escolar, mas não como se fossem eles os professores. Podem ajudar como pais, que nem sequer precisam saber o conteúdo das lições.

Se não fosse assim, como é que tantas pessoas com pais analfabetos conseguiriam estudar?

Os pais devem ajudar ensinando a atitude diante do estudo. Simples assim. Mas é algo tão difícil de realizar quanto simples.

 

Como se livrar do vício em Internet

Como lutar contra o vício em Internet e retomar o controle de sua atenção

5 Dicas para abandonar o vício em internet e voltar a controlar sua atenção.

Quantas horas por dia você passa respondendo e-mails, checando o Facebook, enviando e lendo Tweets, navegando sem destino por seus sites favoritos e comprando coisas desnecessárias? Quanto tempo, em outras palavras, você passa online, fazendo coisas que não acrescentam muito à sua vida ou à de qualquer outra pessoa? Até demais, imagino.
Isso me passou pela cabeça num domingo, quando acordei, liguei meu laptop e comecei a ler o New York Times. Uma hora e meia depois, eu ainda estava indo de favorito em favorito, vagamente consciente de que haviam outras coisas que eu gostaria de fazer naquele dia, e nada do que eu estava fazendo me nutria tanto. Ainda assim, permaneci colado àquela tela de computador — como um passarinho de boca aberta, esperando ansiosamente para ser alimentado por sua mamãe-passarinha.
“Existem poucas coisas já imaginadas, fumadas ou injetadas que possuam um efeito tão viciante em nosso cérebro quanto a tecnologia”, diz Kelly McGonigal, psicóloga de Stanford, em seu maravilhoso livro The Willpower Instinct.
“O ato definitivo da era da Internet”, ela acrescenta, “é uma metáfora perfeita para a promessa de recompensa. Nós procuramos. E procuramos. E procuramos um pouco mais… clicando no mouse… buscando aquela recompensa ilusória de que uma hora nos sentiremos satisfeitos”.
Ou, como disse o vencedor do Prêmio Nobel Herbert Simon, lá em 1978: “A riqueza de informação cria pobreza de atenção”. E retenção. Absorver bits e bytes de informação é como colocar água em um copo cheio — nesse caso, nossa memória limitada.
Um crescente grupo de pesquisa sugere que até 95% de nossos comportamentos acontecem no piloto automático, por hábito ou em reação à uma demanda ou estímulo externo. Passamos uma quantidade absurda de tempo procurando pela próxima fonte de gratificação instantânea, ao invés de buscar objetivos mais desafiadores que nos agreguem um maior valor a longo prazo e nos dêem mais satisfação.
O negócio aqui não é juntar forças para dizer “não”. Cada vez que negamos intencionalmente algo que desejamos, nós esvaziamos nosso já limitado reservatório de vontade e disciplina. Quando foi a última vez que você resistiu ao sedutor “plim” de um e-mail recebido?
Então como resistir a este impulso Pavloviano? E como, por sua vez, retomar o controle de sua atenção, para que você possa usá-la para fins mais valiosos?
Algumas sugestões:
1. Não caia em tentação. Ao contrário, escolha conscientemente a hora de desligar todos a tecnologia em sua volta. A melhor hora é no começo do dia, quando você possui mais energia. Especificamente, esta é a melhor hora para realizar tarefas importantes e desafiadoras, sem interrupção, de 30 a 90 minutos.
2. Carregue um caderno consigo nos dias úteis. Anote todas as ideias que tiver o mais rápido possível — não só para garantir que você vai lembrar delas mais tarde, mas também para desocupar espaço em sua memória para o que vier em seguida. Você também pode anotar essas ideias em um bloquinho ou no seu smart phone.
3. Entre reuniões e tarefas, reserve um tempo para respirar profundamente. — inspire pelo nariz em três tempos, expire pela boca em seis. Em menos de um minuto, você vai limpar sua corrente sanguínea do cortisol, um hormônio de estresse. Com isso, vai se sentir mais calmo e mais apto a prestar atenção.
4. Tire uma soneca de 15 a 20 minutos entre 13h e 16h. — principalmente nos dias em que você não conseguiu dormir direito e se sente meio arrastado. Mesmo um pequeno cochilo pode melhorar em muito a sua atenção e produtividade pelas próximas horas. (Assumimos, claro, que você consiga fazer isso em acordo com o seu chefe. Explique para ele que isso pode melhorar sua produtividade.)
5. Determine e coloque em sua agenda momentos específicos para refletir criativamente e/ou estrategicamente. Saia da sua mesa e dê uma volta fora do escritório, ou encontre um lugar confortável e relaxante para ficar. Deixe seu telefone longe. A ideia aqui é dar um descanso para o lado esquerdo do seu cérebro. Você saberá que está fazendo a coisa certa quando perder a noção do tempo.

Jovens estudam humanas, mas mercado pede exatas

Reportagem de O Popular – 30 de setembro de 2012. 

Jovens estudam humanas, mas mercado pede exatas

Estudo mostra que Medicina, graduados em academias militares, Engenharia Civil e Odontologia estão no topo da remuneração entre todas as formações universitárias.

Rio – As profissões das áreas exatas e técnicas estão com demanda alta no Brasil, segundo estudo baseado nos Censos de 2000 e 2010, realizado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Centro de Politicas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) da Universidade de São Paulo (USP).

                  Por outro lado, o aumento da oferta de profissionais acima da demanda do mercado fez com que os salários caíssem entre 2000 e 2010 em profissões não ligadas às áreas técnicas, como Administração, Comunicação e Jornalismo, e Marketing e Publicidade, com quedas de respectivamente 17.8%, 14.1% e 7.4%.

No topo da remuneração entre todas as formações universitárias em 2010, estavam Medicina, graduados em academias militares, Engenharia Civil e Odontologia, com salários mensais médios de respectivamente R$ 6.952, R$ 6.359, R$ 4.855 e R$ 4.854. Há mais demanda na área de exatas, mas a oferta está crescendo mais rápido na área de humanas±, comenta Menezes.

                  O trabalho leva em conta um amplo conjunto de informações sobre os 10,6 milhões de brasileiros de 18 a 60 anos que detinham diplomas universitários em 2010 (e os 5,4 milhões de na mesma situação em 2000). O estudo foi feito por encomenda da BRAiN BRASIL, uma associação de bancos, BM&F, Federação dos Bancos Brasileiros (Fenabran) e outra entidades, que tem como o objetivo transformar o Brasil num polo internacional de investimentos e negócios.

                  A pesquisa partiu de um aparente paradoxo. Apesar de se constatar no Brasil um apagão de mão de obra qualificada, o salario real médio de quem tem o ensino médio completo caiu de R$ 1.378 em 2000 para R$ 1.317 em 2010. Da mesma forma, os diplomados no curso superior viram seu rendimento médio cair de R$ 4.317 em 2000 para R$ 4.060 em 2010. Se o ganho médio de quem tem o ensino médio ou universitário caiu, é sinal de que a demanda por qualificações recuou – o que aparentemente contradiz a o fenômeno de apagão de mão de obra.

                  O estudo detalhado de mais de 40 tipos de formação universitária, porem, explica a contradição. Na verdade, ha algumas profissões de grau universitário extremamente demandadas, nas quais a oferta de mão de obra cresceu insuficientemente de 2000 a 2010.  “São as profissões que o País está pedindo”, diz.

                  É o caso, por exemplo, de Engenharia Civil. Havia 141,8 mil engenheiros civis no Brasil em 2000, o número cresceu apenas para 146,7 mil em 2010. Dessa forma, a proporção de engenheiros civis no total da população com diploma universitário caiu de 2,7% para 1,45% no período. A alta da demanda fica claro na evolução salarial no período, com elevação de 20,6%. Em 2000, na média, um engenheiro civil ganhava 211% a mais do que os trabalhadores apenas com o ensino médio completo. Em 2010, essa vantagem subiu para 266%.
O que diz o estudo              
Profissões em alta: Medicina, cursos em academias militares, Engenharia e Odontologia.              

Profissões em baixa: Administração, Comunicação e Jornalismo e Marketing e Publicidade. 

  • O estudo detalha mais de 40 tipos de formação universitária. Mostra que a escassez de mão de obra disponível no Brasil ficou evidente nos últimos anos e inverteu a lógica que durou décadas: agora, o poder de barganha dos trabalhadores é maior e são as empresas que vão atrás deles.

Medicina está no topo de rendimento do país.

                  São Paulo – Um fenômeno muito parecido ocorreu com a Medicina, que está no topo de rendimento, e também tem a menor taxa de desemprego entre as profissões (excentuando-se os militares), de apenas 0,62% em 2010.

                  O número de médicos cresceu pouco no Brasil entre 2000 e 2010, saindo de 207 mil para 225 mil. Com isso, sua proporção no total da população diplomada caiu de 4,04% para 2,23%. Já o salario deu um salto de 18,13%.

                  Administração – Algumas profissões fora da área técnica, porém, tiveram aumento de oferta com queda de salario – isso significa que o sistema universitário produziu mais profissionais desse tipo do que o País estava precisando.

                  Em Administração, por exemplo, houve um salto de 594 mil para 1.473 milhão. A profissão passou de 11,6% do total de diplomados para 14,6% entre 2000 e 2010. A oferta tornou-se excessiva, como fica claro pelo recuo de 17,8% na remuneração.

                  Em hotelaria, alimentação e turismo, o contingente de diplomados quase quintuplicou, fazendo com que a remuneração caísse 22,6%, para R$ 2.585, em 2010.

                  Impacto nos salários – Algumas profissões rentáveis também tiveram um salto tão forte na oferta de novos profissionais entre 2000 e 2010 que acabaram sofrendo impacto na remuneração. O número de atuários no País aumentou seis vezes em 10 anos, de 2,1 mil para 12,5 mil.

                  A profissão é bem remunerada, sendo a sexta no ranking, com ganho médio mensal de R$ 4.723 em 2010. Ainda assim, a remuneração média caiu 11,5% desde 2000 (Agência Estado).

                  Engenharia em terceiro no ranking

São Paulo – Engenharia Civil esta em terceiro lugar no ranking de rendimentos (entre mais de 40 profissoes) que faz parte do detalhado estudo sobre o mercado profissional no Brasil, com base nos Censos de 2000 e 2010, realizado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Insper.

Segundo a pesquisa, um engenheiro civil ganhava em média R$ 4.855 em 2010. Professores e pedagogos ganhavam R$ 2.390, só perdendo para os filósofos.

Filosofia –  Outras profissões sofreram queda tanto de oferta quanto de demanda (medida pelo salário), como Filosofia. Em 2000, havia 29 mil pessoas de 18 a 60 formadas em Filosofia, número que caiu para 24.9 mil em 2010. Mesmo com menos oferta, os salários caíram 14,6%, para R$ 2.390. Aliás, é a menor remuneração entre todas as profissões que exigem diploma universitário.

Outra característica da Filosofia é ser o grau universitário em que uma menor proporção das pessoas diplomadas trabalha na própria área de formação, com apenas 3,9% em 2010. Em contraste, 79,9% dos médicos trabalham com medicina.

                  “O problema é menos que há poucas pessoas com formação universitária no Brasil, e mais que essas formações estão muito mal distribuídas”, diz André Sacconato, economista da BRAiN. Ele nota que é mais barato abrir cursos universitários em áreas não técnicas.            

Onde estão os nossos engenheiros?

Onde estão nossos engenheiros?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

            Dada a necessidade premente de investimentos na infraestrutura, o governo Dilma decidiu conceder à iniciativa privada os principais aeroportos brasileiros, e, em seguida, estradas de rodagem e ferrovias.

            Não há garantia de que os serviços passem a ser executados com mais eficiência. O mais provável é que custarão mais caro, porque as empresas terão condições de transferir para os usuários seus ineficiências e garantir seus lucros.

            Por que, então, a presidente Dilma tomou essa decisão? Não foi porque faltem recursos financeiros ao Estado, já que caberá ao BNDES financiar grande parte dos investimentos. Nem porque acredite na “verdade” de que a iniciativa privada é sempre mais eficiente.

            Não obstante, foi uma decisão correta, porque falta capacidade de formulação e gestão de projetos ao governo federal. Ou, em outras palavras, porque faltam engenheiros no Estado Brasileiro.

            Há advogados e economistas de sobra, mas faltam dramaticamente engenheiros. Enquanto ais de 80% da alta burocracia chinesa é formada de engenheiros, no Brasil não devem somar nem 10%.

            Ora, se há uma profissão que é fundamental para o desenvolvimento, tanto no setor privado quanto no governo, é a engenharia. Nos setores que o mercado não tem capacidade de coordenar são necessários planos de investimentos, e, em seguida, engenheiros que formulem os projetos de investimento e depois se encarreguem da execução.

            Mas isso foi esquecido no Brasil. Nos anos neoliberais do capitalismo não havia necessidade de engenheiros. Contava-se que os investimentos acontecessem por obra e graça do mercado. Bastava privatizar tudo, e aguardar.

            A crise da engenharia brasileira começou na grande crise financeira da dívida externa dos anos 1980. No início dos anos 1990, no governo Collor, o desmonte do setor de engenharia do Estado acelerou-se. Dizia-se então que estava havendo o desmonte de todo o governo federal, mas não foi bem assim.

            Há quatro setores no governo: jurídico, econômico, social e de engenharia. Ninguém tem força para desmontar os dois primeiros; seria possível desmontar o setor social, mas, com a transição democrática e a Constituição de 1998, ele passara a ser prioritário. Restava o setor de engenharia – foi esse o setor que se desmontou enquanto se privatizavam as empresas.

            Quando fui ministro da Administração Federal (1995-98) isso não estava claro para mim como está  hoje. Eu tinha uma intuição do problema e, por isso, planejei realizar concursos parciais para a carreira de gestões públicos que seriam destinados a engenheiros na medida em que as questões seriam de engenharia, mas acabei não levando a cabo o projeto.

            Quando o governo Lula formulou o PAC, reconheceu que os setores monopolistas necessitavam de planejamento, mas não tratou de equipar o Estado para que os projetos fossem realizados. Agora o problema está claro. Fortalecer a engenharia brasileira nos três níveis do Estado é prioridade.

            A criação da empresa estatal de logística é um passo nessa direção. O Brasil e seu Estado precisam de engenheiros. De muitos. Vamos tratar de formá-los e prestigiá-los.

Acordar ou despertar?

Acordar ou despertar?
Marcos das Neves

            Felizmente, tem-se discutido muito educação no Brasil nos últimos anos. Mas, curiosamente, ainda não vi ninguém tocar em um ponto que não depende de grandes investimentos, apenas de boa vontade e logística. Trata-se do horário de início das aulas. Com 37 anos ensinando, já me acostumei a ver alunos sonolentos nas primeiras aulas, mas não havia me atentado que o prejuízo era ainda maior do que parecia.

            Em países com excelência no ensino, como Finlândia, Canadá, Estados Unidos, Coréia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha e tantos outros, as aulas geralmente iniciam entre 8h e 8h30. Pesquisas realizadas por conceituadas universidades americanas, israelenses, australiana, japonesas, alemãs e várias outras – que não vou citar para economizar espaço – atestam a importância do sono para crianças e adolescentes.

            Que era importante, todos nós já sabíamos, o que surpreende é o tamanho dessa importância. Não apenas para o desempenho acadêmico, mas também no aspecto emocional e em fenômenos que se julgava não ter nenhuma relação com o número de horas dormidas, como por exemplo, a onda mundial de obesidade, a depressão juvenil e o aumento dos casos de transtornos de déficit de atenção.

            A falta de sono prejudica a capacidade do organismo de retirar glicose da corrente sanguínea, prejudicando, em especial, o córtex pré-frontal. Dentre outras, ele é o responsável pela chamada função executiva e o encadeamento de ideias para atingir um objetivo. Portanto, pessoas cansadas têm dificuldade de controlar seus impulsos e seus objetivos abstratos, como estudar. Sem contar que é durante o sono que o aprendizado do dia anterior se consolida. Quanto mais se aprende durante o dia, maior a necessidade de dormir à noite.

            A Dra. Eve Van Cauter, PHD. e professora da Universidade de Chicaco, é especialista no tratamento de insônia. Ela descobriu o “fio de meada neuroendócrina” que relaciona o sono à obesidade. A falta de sono aumenta o hormônio grelina, que sinaliza a fome e inibe a leptina, que, por sua vez, inibe o apetite. Eleva também o cortisol, que é lipogênico, ou seja, estimula o organismo a produzir gordura. Até o hormônio do crescimento, secretado à noite e fundamental para a quebra de gordura, é afetado. É irônico constatar que a mais sedentária das atividades combate a obesidade.

            Segundo diversas pesquisas, uma hora de sono a mais pela manhã, proporciona um ganho cognitivo de até dois anos de estudo. É um absurdo que não se discuta isso no Brasil com a seriedade que merece. Fala-se muito em escola em período integral, novas grades curriculares e valorização dos professores. Tudo muito importante, mas a simples mudança do horário de início das aulas significaria um ganho cognitivo muito mais significativo.

            Um bom exemplo prático é a próspera cidade de Edina, em Minesota/EUA. Nela, há cinco anos, o horário das High Schools (ensino médio) passou de 7h30 para 8h30. Um ano depois, as notas do SAT (equivalente ao Enem) de matemática e gramática dos alunos da cidade saltaram de 683/605 para 739/761, um considerável ganho de 8% em matemática e 25% em gramática. A única diferença foi uma hora de sono a mais.

            Além disso, poderemos começar a combater o velho e prejudicial hábito do brasileiro de transformar o almoço na principal refeição do dia. Ora bolas, em um país tropical, isso é, no mínimo, um paradoxo embora arraigado em nossa cultura. O café da manhã e o jantar deveriam ser as principais refeições, ficando o almoço para um lanche reforçado. Acordamos depois de 8 horas em jejum e engolimos, quando dá tempo, café com pão e manteiga. Depois saímos para enfrentar a fase mais produtiva do dia.

            Causaria transtornos? Claro que sim. O primeiro deles seria, com mais tempo, reforçar o café da manhã e transformar o almoço em um lanche e retornar para casa entre às 16h e 17h39. Transtorno? Em um país tropical, isso me parece bom senso. E os ganhos? O primeiro seria no trânsito de nossas grandes cidades e o segundo, além dos já citados, o aumento de cinco para sete horas/aula diárias (olha o ensino em tempo integral aí).

            Já ouvi dezenas de argumentos contra este novo horário, todos atendendo os interesses dos adultos e listando problemas causados pela incompetência deles próprios, como segurança e transporte urbano. Nunca ouvi nenhum levando em consideração a aprendizagem e a qualidade de vida de nossas crianças e adolescentes. Eles continuam sendo acordados todos os dias quando deveriam, de maneira saudável, despertar. Tudo isso para atender aos interesses, e pela já citada incompetência, de nós adultos. Se dá certo no resto do mundo, com serviços e comércio se adaptando , por que motivo não daria aqui? Aliás, bancos e shoppings já sabem disso faz tempo.

Ps: Como, pela Lei de Murphy, nada está tão ruim que não possa piorar, vem aí o famigerado horário de verão.

O novo ensino médio!

NÚMEROS DO IDEB ASSUSTAM MINISTRO – Marcos das Neves Tucano

            Segundo Aloisio Mercadante, os números do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) estão “estáveis”. Puro eufemismo do Ministro da Educação. Os números estão estagnados, o que em Educação significa claro retrocesso.

            Menos mal, pelo menos já sabemos que está assim e temos números para provar. Mercadante se assustou e quer soluções imediatas, e isso também não existe em Educação. Um bom exemplo é o Enem, anunciado como o “coveiro” dos vestibulares há seis anos até agora não conseguiu sei intento.

            A proposta é positiva, o modelo a ser adotado é o próprio Enem. As atuais 13 disciplinas serão distribuídas em apenas 4 áreas (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagem e Matemática).

            Pela proposta, os alunos de escolas públicas e privadas não terão mais aulas de Biologia, Física e Química, e sim de Ciências da Natureza. Geografia, História, Sociologia e Filosofia serão substituídas por aulas de Ciências Humanas. Inglês, Artes, Espanhol, Língua Portuguesa e até Educação Física darão lugar a Linguagem, Códigos e suas tecnologias. Apenas a Matemática reinará solitária (veja o quadro).

            O grande problema será a implantação. Ainda não temos cursos de licenciatura com este formato. Ou seja, a impressão que dá é que o governo vai começar a casa pelo telhado.

            No entanto, na essência, a proposta é muito positiva. Nenhum aluno termina o ensino médio dominando todos os conteúdos. A grade curricular é por demais extensa e complexa. Conteúdos de biologia, por exemplo, que não são vistos nem em cursos superiores de ciências biológicas, são cobrados no ensino médio. Um total despropósito. “Hoje o aluno sai sabendo nada de tudo”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva da ONG Todos pela Educação, “não há dúvida de que a atual organização do currículo afeta a qualidade do ensino médio”, completa Priscila.

            Outro grande problema serão os professores e seus sindicatos. Mais uma vez Priscila Cruz, que por não ser ligada a nenhum órgão pública, vai direto ao ponto: “o problema é que o currículo fragmentado funciona como uma reserva de mercado para os professores. Vai haver muita resistência contra essa mudança”.

            Para o doutor em educação Celso Ferreti, “é positivo criar uma abordagem interdisciplinar. O aluno deve saber, por exemplo, quais a aplicabilidades do raio laser e que foi uma tecnologia inicialmente desenvolvida para guerra. Ou seja, são conhecimentos de física, de matemática e de história, hoje ministrados separadamente”.

            No entanto, qualquer integração, vai exigir uma profunda reorganização dos colégios. O mesmo não acontece com o material didático. A exemplo do que já acontece com o Enem, é fácil para um editora reorganizar seu material, especialmente se tiver que suprimir e não acrescentar conteúdo. Mas na escola não é assim.

            Em um primeiro momento, antes que as universidades possam formar novos profissionais,  entendo que os professores terão de se organizar em grupos, preparar aulas em conjunto. Não poderão mais ganhar apenas por aula dada.

            Cada vez mais o Enem será o farol e o modelo dessa mudança. O ministro Aloizio Mercadante falou sobre isso à Folha de São Paulo.

            Como melhorar o ensino médio?

            Aloizio Mercadante: a primeira providência é a substituição da Prova Brasil pelo Enem. Hoje o ensino médio é avaliado por uma amostra da Prova Brasil, com 70 mil alunos. O Enem tem 1,5 milhão de inscritos entre os concluintes do ensino médio.

            O exame vai ter ainda mais importância com a política de cotas das universidades federais (deve ser a forma de seleção dos beneficiados). As escolas públicas serão cobradas por quantos alunos aprovaram nessas universidades.

            O aluno vai deixar de ter alguma matéria com a reforma curricular?

            Mercadante: Não. O Enem é estruturado em quatro campos de conhecimento, que concentras as matérias. E será a partir deles que queremos organizar o currículo das escolas. E Enem será o organizador do ensino médio, pois já seleciona para o Prouni, o Fies……..

            Todas essas mudanças visam, exclusivamente, o ensino público, as escolas particulares terão de se adaptar. É uma busca pela qualidade e os eventuais equívocos devem ser considerados como percalços naturais de qualquer processo de mudança.

            Algo semelhante foi sugerido em 2009, o governo mandaria verbas extras para as escolas que alterassem seus currículos. O projeto, porém, era de caráter experimental. Não se tem notícias dos resultados alcançados.

            O grande nó será tornar as aulas multidisciplinares com professores formados em disciplinas específicas.

            As mudanças não são apenas bem vindas, mas necessárias. Mas os resultados exigirão a manutenção dessa política educacional pelos quatro ou cinco governos.          Se com o atual modelo, que funciona há décadas, ainda não temos professores suficientes – nem em quantidade e nem em qualidade – imaginem começando do zero a formação desses profissionais?

            Mas o primeiro passo tem de ser dado. Não temos saída. O pior a ser feito seria continuar investindo em um modal comprovadamente ineficaz.

Fonte: Folha de São Paulo de 16/08/2012

 

A função primordial da Escola.

            Priscila Cruz (foto), diretora executiva do “Todos pela Educação” e Aloizio Mercadante, Ministro da Educação, estiveram nesta noite de quarta (15/08) no GloboNews com Alexandre Garcia. Informações preciosas, opiniões embasadas e números alvissareiros.

            Ainda estamos longe, léguas, do ideal na educação brasileira, mas é inegável que estamos avançando. Ambos foram incisivos na prioridade absoluta do ensino da Língua Portuguesa e da Matemática, disciplinas fundamentais na inserção do cidadão em todos os sentidos, seja no mercado de trabalho ou na própria sociedade que o cerca. 

            Dentro deste contexto, os debatedores criticaram o que chamaram de “transformação da escola em campo de projetos pilotos”. Antes mesmo da escola cumprir sua missão básica, infla-se a grade curricular com capoeira, matemática financeira, filosofia, música, arte, empreendedorismo e tantos outros.

            Realmente, ninguém discute a importância de todos esses conteúdos, mas, discute-se sim, se é a combalida escola que terá responsabilidade de ensiná-los.  

Melancia: um santo remédio!!!

É leve, antioxidante e diurética, e fornece água e minerais essenciais para o correcto funcionamento do seu organismo.

Juntamente com o melão, é a rainha das frutas de Verão. Para além de ser muito refrescante (cerca de 90% da sua polpa é constituída por água), não engorda e tem imensas propriedades saudáveis, sendo rica em vitaminas (A, C e B) e minerais (cálcio, fósforo e ferro). 

O elevado conteúdo de licopeno faz da melancia uma arma muito poderosa contra problemas cardiovasculares e contra os radicais livres, substâncias nocivas que aceleram o envelhecimento das células, fazendo com que a pele perca firmeza e elasticidade.

Mas não é tudo. O seu poder antioxidante está ainda associado à redução do risco de alguns tipos de cancêr, em particular do pâncreas, pulmão, cólon e próstata (as suas sementes também ajudam a preservar a saúde da próstata, aconselha-se os homens a beber batida com as sementes).

É um diurético excelente, uma vez que reduz a retenção de líquidos. Também tem propriedades depurativas porque ajuda a eliminar substâncias residuais através da urina. É indicada para pessoas que sofram de cálculos renais, ácido úrico elevado ou hipertensão.

Tem um efeito calmante sobre a mente e as emoções. Para potenciar esta acção, é aconselhável ingerir o suco, separando as sementes, que são oleosas e nutritivas. Junto com cerejas é um bom aliado para a pele e um método natural para combater o stress.

As marcas amarelas na casca garante que a fruta foi colhida na época certa. As que apresentam manchas brancas ou esverdeados terão o gusto prejudicado. Ao comprar, segure-a com uma mão e bata com a outra, o som oco vai lhe garantir que esteja Madura.Inteira, pode ser conservada por um mês, depois de partida deve ser guardada na geladeira a 7º C. Temperaturas inferiores a está podem estragar a polpa.

É importante saber ainda que a melancia pode ajudar a combater a disfunção erectile. De acordo com o Fruit and Vegetable Improvement Center da Universidade da Universidade do Texas (EUA), a melancia possui um fitonutriente designado citrulina (depois de ingerido é convertido em arginina) que estimula a produção de ácido nítrico, promovendo um efeito de relaxamento dos vasos sanguíneos (o que também é útil no tratamento de problemas cardiovasculares) e facilitando, por conseguinte, a erecção.

Cada 100 g possui
Calorias: 24
Hidratos de carbono: 5,5 g
Fósforo: 5 mg
Cálcio: 10 mg
Potássio: 100 mg
Vitamina A: 50 ug
Magnésio: 12 mg 

Quando o esporte não é saúde

            Marcos das Neves Tucano

           As olimpíadas tomam conta de todos os noticiários. Apesar de ser uma disputa mais entre atletas e federações, a imprensa gosta de fazer parecer uma disputa entre nações. E alguns governos se aproveitam disso e investem pesado nos atletas como forma de propaganda política. Geralmente regimes autoritários.
          Felizmente, nações comprometidas com a qualidade de vida de seus cidadãoes, investem alto e com seriedade no esporte escolar e universitário. Esses países, é claro, possuem atletas de alto nível em todos os esportes, mas as Olimpíadas e as medalhas são uma consequência. Os investimentos no esporte são, antes de tudo, uma política do sistema educacional.

            Mas qual o impacto de medalhas olímpicas no dia a dia do cidadão comum? Uma boa comparação é confrontar o quadro de medalhas com lista que tem como base o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) – que é o que interessa – . O IDH leva em consideração, dentre outros fatores, a riqueza, expectativa de vida, mortalidade infantil, educação e alfabetização.

            Vejamos os 15 primeiros colocados até agora  (Quinta – 09 de agosto às 23:10) nas Olimpíadas de Londres. Pela ordem: Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Rússia, Coréia do Sul, Alemanha, França, Hungria, Itália, Austrália, Cazaquistão, Japão, Holanda, Irã e Coréia do Norte. Ficamos nos 15 primeiros.

            Vejamso agora os 15 primeiros colocados na lista do IDH divulgada pela ONU no final de 2011: Noruega, Austrália, Países Baixos (Holanda e Bélgica), Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá, Irlanda, Liechtenstein, Alemanha, Suécia, Suíça, Japão, Hong Kong, Islândia e Coréia do Sul.

            Dos 15 melhores IDH’s do mundo, 6 estão entre os 15 melhores também nas Olimpíadas: Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Holanda e Coréia do Sul.

            Agora vejamos á classificação dos outros países olímpicos na lista do IDH: China (101º), Grã-Bretanha (28º), Rússia (66º), França (20º), Hungria (38º), Itália (24º), Cazaquistão (68º), Irã (88º) e Coréia do Norte (não avaliado mas estimado entre 120º e 140º).

            Como podemos ver, uma verdadeira discrepância em países onde não há democracia estabelecida (China, Rússia, Cazaquistão e Coréia do Norte). Conclusão: ser uma potência esportiva, para esses países, tem muito pouco a ver com a qualidade de vida de seu povo – que é o que realmente interessa – e muito mais com propaganda política para consumo interno e externo. A China, por exemplo, submete seus futuros atletas, crianças ainda, a verdadeiras sessões de torturas (foto).

            E o Brasil, como está? No quadro de medalhas estamos na 26º posição, já na lista de IDH………84º, logo atrás do Peru, República Dominicana, Santa Lúcia e Equador. Uma lógica perversa já que na economia, na extensão territorial e população, estamos entre os sete maiores do mundo. É vergonhoso ocupar apenas o 84º  no IDH. Vexame maior só mesmo da China, já citado, e da Índia, que aparece em 48º em Londres e 134º no Índice de Desenvolvimento Humano. Esses dois países, junto com a Rússia, coincidentemente, são nossos companheiros no grupo denominado BRIC. Triste. 

Para ver toda a lista do IDH:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_Índice_de_Desenvolvimento_Humano

Ensinar a aprender

ENSINAR A APRENDER
Testos extraídos do livro “Superdicas para Ensinar a Aprender” da Editora Saraiva.

Aprender sempre foi o caminho da evolução humana

César Romão

                Toda descoberta transformadora vem com o aprendizado, como o entendimento de determinados assuntos e comportamentos. Aprender sempre foi e será a missão das pessoas. Quando não estamos preparados para aprender, não estamos preparados para viver.

                O aprendizado nos oferece uma visão ampliada sobre determinados assuntos, permite termos uma noção privilegiada de nossas escolhas e decisões. Até mesmo o silêncio nos leva a aprender algo – sempre existe algo a conhecer, algo a ser descoberto. Somos um eterno mistério que somente por meio do aprendizado pode ser percorrido e vivenciado de maneira positiva.

                A voz do universo sempre deseja que algo seja mostrado, para incentivar a nossa vontade de crescer. A voz do universo é um eterno sinal de aprendizado, mas é necessário que nossos olhos e coração permitam que ela ecoe em nossa vida. Sempre existe um aprendizado, até mesmo quando não estamos aprendendo nada.

                Por todo o passado da humanidade, os grandes momentos de evolução sempre foram aqueles em que as pessoas faziam descobertas. No futuro não será diferente. Somos movidos pelo conhecimento para onde nossos sonhos nos levam.

                Reflita sobre isso, pensando neste exemplo: quando o programa Power Point chegou ao mundo, fui fazer um curso para utilizá-lo em minhas apresentações. Ao meu lado, estudava o Sr. Carvalho, com 75 anos. Perguntei a ele a razão de estar lá fazendo aquele curso. Ele respondeu:

                “Logo, logo meus netos estarão dominando esta máquina. Gosto muito de brincar com eles e não quero que pensem que seu avô é ultrapassado. Eles são muito importantes para mim e, mesmo no exercício do amor, precisamos desenvolver competências para melhorar o convívio…”.

 

Os humildes também sabem ensinar

César Romão

                Meu primeiro contato com o público ocorreu quando eu tinha onze anos e fui ler um trecho do Evangelho no púlpito da igreja numa missa de domingo. A participação dos pais é fundamental num momento como esse.

                Num domingo desses, acompanhei um de meus filhos à missa. Ele estava na época de concluir a Primeira Comunhão e, com outras crianças, fazia a leitura de um trecho do Evangelho. Após a leitura, houve uma canção de louvor, interpretada pelo coral da igreja. Enquanto todos tentavam acompanhar a letra, um rapaz aparentando deficiência começou a cantar muito mais alto que qualquer pessoa da igreja ou do coral. Ele gritava com fervor intenso, mas estava completamente fora do ritmo de toda a igreja.

                A canção continuava, e as pessoas começaram a espiar para os lados procurando quem emitia o cantarolar fora do ritmo e, certamente, causa desconforto a muita gente ali. O rapaz estava no banco ao meu lado, e eu podia sentir o amor em sua expressão de fé. Mas as pessoas estavam incomodadas, e uma delas, da fileira à minha frente, disse: “Alguém aí pode fazer esse jovem parar de cantar ou retirá-lo da igreja?”.

                Então meu filho menor perguntou: “Papai, o senhor acha que ele está cantando mal?”.

                “Não, meu filho, preste atenção…. Ele é o único que sabe a letra da canção. A maioria das pessoas na igreja apenas balbucia a letra, mas esse jovem sabe a letra direitinho. E é o único que está cantando com amor, da menor maneira que aprendeu. As outras pessoas estão aqui com a mente, ele está com o coração. Se Cristo tiver de escolher alguém desta missa para cantar no Céu, hoje, com certeza será esse jovem trovador”.

 

Para tudo o que se aprende há uma razão.

César Romão

                Certa vez, cansado de fazer trabalhos escolares praticamente sozinho e colocar o nome de colegas que em nada contribuíram, meu filho mais velho me disse que não era justo auxiliar e encobrir alguns colegas de seu grupo e que, daquela vez, os nomes deles não constariam. “O que acha pai?”. Perguntou-me.

                “Bem, filho, não vejo dessa maneira. Tudo o que você aprendeu executando sozinho esse trabalho pode lhe ser muito útil no futuro e talvez faça muita falta aos seus colegas. Para você, nada mudará excluindo o nome deles da lista. Você já fez tudo mesmo….Insira o nome deles. Esse aprendizado, embora não compartilhado com os colegas, agora é seu, é uma bagagem que, lá na frente, vai lhe servir. Vamos lembrar de seus colegas daqui a alguns anos, e veremos como eles estarão e como você estará”.

                O tempo passou, meu filho está cursando os últimos meses na melhor faculdade de Arquitetura do Brasil, e seus colegas ainda não conseguiram entrar na faculdade que gostariam de cursar.

                Aprender é o que importa. Manter esse aprendizado é consagrar nosso caminho diante do que realmente queremos da vida. Somos construídos pela maneira com que conduzimos nossa vida, e conduzimos nossa vida com aquilo que aprendemos. Às vezes, não damos importância para coisas simples que temos a oportunidade de aprender, mas, um dia, podemos precisar de um simples minuto de aprendizado para nos inspirar em anos de existência.

                Aprender é como experiência de vida, uma experiência de conhecimento e pode se tornar uma experiência existencial se a pessoa conseguir ensinar o que aprendeu, expandindo essa possibilidade de realização a outras pessoas.

 

Aprender abre o caminho para ensinar.

César Romão

                Em uma das viagens que costumo fazer com meus filhos, estávamos em Manaus, no Hotel Ariaú Towers – referência mundial em hotéis de selva, fundado pelo visionário Rita Bernardino, um amigo especial. Lá, existem algumas atividades em que a natureza é o tom. Numa delas, estávamos numa aldeia, com outros hóspedes, conhecendo um pouco da vida local, até que um dos membros da comunidade pediu licença para mostrar seu animal de estimação: uma cobra não venenosa. Mas cobra é cobra para algumas pessoas.

                Uma mulher pediu para segurá-la, e o rapaz passou a cobra às mãos dela. Num repente, a mulher se apavorou e jogou a cobra para cima, fazendo-a cair no meio da turma. Foi um corre-corre. Em meio à cena histérica de algumas pessoas, meu filho mais novo entrou na roda, pegou a cobra como se tivesse uma intimidades de anos com a bichana, segurou-a pela cabeça e enrolou-a em seu braço, levando-a de volta ao dono.

                A turma ficou impressionada, e começou a me perguntar como ensinei isso ao garoto. Respondi que estava tão impressionado quanto eles, pois nunca havia ensinado meu filho a segurar cobras ou a ser um “Jim das Selvas”.

                Perguntei a ele como havia aprendido. Ele respondeu: “Pai, esqueceu que todos os dias assisto ao Animal Planet? Foi lá que aprendi. E não é só isso, também sei segurar filhote de jacaré…” À noite, quando fomos focar jacaré, ele provou isso diante do mesmo público perplexo. Virou o caçador da classe de sua escola quando levou as fotos e ensinou os amigos a fazer o mesmo. Até as professoras adoraram a aula.

                A todo o momento, nos dias de hoje, as crianças podem aprender algo. A todo o momento nos dias de hoje, nós podemos aprender algo. A melhor de maneira de manter esse aprendizado é encontrar uma forma de ensiná-lo, dividi-lo com outras pessoas.

 

Ensina quem sabe, aprende quem quer

César Romão

                É comum as pessoas saberem o que realmente desejam conquistar em suas vidas. Também é comum notar que essas mesmas pessoas desperdiçam oportunidades de aprender a colocar em prática os caminhos que levam às conquistas que pretendem.

                Muita gente me procura dizendo que gostaria de escrever um livro ou de se tornar palestrante, mas poucas realmente seguirão esses caminhos. Quando revelo o que é necessário aprender para atuar nessas áreas, a maioria diz: “Mas precisa mesmo de tudo isso?”.

                Querer aprender é a primeira competência que qualquer pessoa deve desenvolver para conquistar seu caminho – eis aí o verdadeiro comprometimento com a escolha de vida que tenha feito.

                Tantos professores se empenham ao máximo em suas aulas, e tantos alunos se empenham ao mínimo, nas mesmas aulas. Todo professor hoje, para vencer esse desafio, tem de se tornar interessante para os seus alunos. Eles precisam ver na figura do professor mais do que uma fonte de informações para passarem de ano: precisam ver uma fonte inspiradora para os seus ideais, uma ferramenta para a realização de seus sonhos. Saber ensinar não é acreditar que a pessoa que ouviu aprendeu.

                Os alunos da nova geração precisam sentir que até a sombra de um professor pode lhes causar emoção de aprender. Professores inesquecíveis não são aqueles que cobram demais seus alunos, mas aqueles que inspiram demais seus alunos, que mostram a eles seus verdadeiros potenciais como pessoas, inserem em seus ensinamentos as matérias amor, felicidade, sucesso, caráter e fé num mundo melhor.

                A mão que embala ao ensinar e a mente que aceita o aprender escrevem o destino de uma nação e controem pessoas melhores a cada momento.

 

Aprendendo a desaprender

César Souza

                Todo mundo sabe que é preciso aprender coisas novas a fim de garantir, no futuro, uma carreira de sucesso – e é mesmo. Mas você já se perguntou o que de fato precisa aprender? Nem sempre é o que parece mais obvio. Acredite: em certos momentos da vida, o melhor a fazer é aprender a….desaprender! Você precisa deletar (isso mesmo, deletar) conhecimentos, atitudes e hábitos se deseja abrir espaço para o novo. Temos muito que desaprender. Mas não se trata somente de conceitos e técnicas – é até mais fácil esquecê-los. O mais difícil é desaprender crenças e posturas que, por terem sido úteis no passado, teimam em prevalecer e acabam atrapalhando o aprendizado do novo.

                Desaprendendo crenças ultrapassadas, como “cada macaco no seu galho” e o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. São dogmas da nossa cultura autoritária e centralizadora que aprisionam nossa energia criativa.

                Desaprendendo a viver com medo. Tome mais iniciativa, seja mais criativo e proativo. Não se acomode numa possível zona de conforto. Lembre-se de que o questionamento é a base do crescimento.

                Desaprenda a se impressionar com os discursos. Aprenda mais pelo exemplo que pelos discursos carismáticos e sem conteúdo.

                Desaprenda a se posicionar como especialista. A era do expert está chegando ao fim. O futuro pertence mais aos multicompetentes do que aos especializados em técnicas.

                Aprender a desaprender é o segredo daqueles que se autodesenvolvem de forma mais rápida. Ouse desaprender conhecimentos, habilidades e atitudes que não mais lhe serão úteis. Você não só aprenderá o que é novo, mas contribuirá para gerar o novo.

 

Aprenda além da sala de aula

César Souza

                O aprendizado não se restringe ao que acontece entre as paredes da escola. Ele passou a ser on-line 24 horas por dia, todos os dias da semana. Grande parte do seu aprendizado pode se dar muito além da sala de aula. Ocorre no dia a dia, em casa, nas ruas, na vizinhança, no cinema, no clube, no lazer, nos momentos de leitura e reflexão. Em qualquer lugar e a qualquer hora.

                Não fique esperando que a escola e os professores lhe ofereçam tudo o que precisa aprender. Assuma a responsabilidade pelo seu próprio aprendizado. O papel do educador é disponibilizar opções e ensiná-lo a pensar, não oferecer um “prato feito” para o seu desenvolvimento.

                Na sala de aula, o máximo que pode ser oferecido são ferramentas que o ajudem a refletir sobre sua própria circunstancia e a buscar alternativas para muda-la. Os profissionais bem-sucedidos não são ricos no domínio de técnicas aprendidas na escola, mas no intangível, decorrente de um modelo mental perceptivo, analítico, inventivo e transformador da realidade em que vivem.

                Você pode, por exemplo, aprender muito sobre liderança tanto assistindo a alguns filmes ou a um bom seriado de televisão quanto frequentando um curso formal sobre o tema. Pode, também, aprende sobre o comportamento de um líder assistindo a um jogo de futebol ou a uma partida da seleção de vôlei orientada pelo técnico Bernardinho. Ou mesmo lendo uma boa biografia sobre um artista e, depois, visitando uma exposição sobre sua obra em um museu.

                Ser competente não é sinônimo de ter um acúmulo de conhecimentos, mas de ter capacidade de aprender, a cada dia, a partir de sua própria experiência. Essa é uma das poucas competências duráveis em um mundo no qual conhecimentos específicos se transformam, com muita rapidez, em informações perecíveis.

 

Aprender a juntar o “injuntável”

César Souza

                Uma das habilidades que diferenciam as pessoas de sucesso é unir fatos e informações aparentemente desconexos e dar-lhe sentido, criando o novo.

                Em um momento de descontração, o saudoso comandante Rolim, fundador da TAM, contou-me como nasceu o tapete vermelho que virou símbolo da companhia. Sorrindo, ele disse textualmente: “Juntei o ‘injuntável’!”. A ideia surgiu a partir da sugestão de um funcionário da limpeza dos aviões: nos dia de chuva, colocar um capacho do lado de fora das aeronaves para que os passageiros pudessem antes de embarcar, limpar os seus sapatos molhados, que sujavam de lama ao andarem na pista dos aeroportos. Pretendia, assim, economizar tempo para as decolagens, que atavam atrasando muito nos dias chuvosos.

                Rolem criou algo inusitado ao associar essa sugestão, que visava obter mais eficiência operacional, com outra ideia que cultivava havia algum tempo: a intenção de encantar seus passageiros. Passou a recebe-los como celebridades, com tapete vermelho estendido à porta das aeronaves, e não apenas com um capacho cinza ou marron, como seria mais natural.

                A lição de Rolim tem sido útil a muitas pessoas que, a partir da associação de coisas que não fazem aparente sentido entre si, aprendem o que não é ensinado nos livros. Mentes treinadas na arte de associar ideias conseguem dar sentido a elas. Isso exige disciplina, curiosidade, interesse, ousadia e senso de oportunidade, características dos que aprendem de forma contínua.

                A capacidade de integrar o que parece disperso e de “juntar o injuntável” constitui a inteligência diferenciadora dos eternos aprendizes.

 

Aprenda o que não precisa estar sempre certo

César Souza

                A ditadura do “estar sempre certo” é um enorme empecilho ao aprendizado. Aprisiona nossa criatividade.

                Um colega da empresa em que trabalhei, engenheiro de formação e excelente profissional, tentou aprender inglês durante quatro anos, inclusive com aulas particulares diárias no escritório. Mesmo assim, nunca conseguiu manter uma conversação sequenciada nas reuniões de negócios, nas quais entrava mudo e saía calado. Era visível o seu sofrimento, e um suplício para seus colegas presenciar seu transtorno.

                Já desconfiava de que ele, um perfeccionista e tanto, não falava porque não sabia se estava certo na construção das frases e na pronuncia das palavras do idioma de Shakespeare.

                Às vezes eu chegava a imaginar – e acho que até “ouvia” – as maquinações do cérebro dele, processando as palavras como se fossem uma fórmula matemática. Tentei ajuda-lo diversas vezes, convencê-lo a se expressar, a arriscar. Argumentava que as crianças aprendem a falar outros idiomas mais fácil e rapidamente que os adultos exatamente porque não se autocensuram e, mesmo errando, falam, corrigem, acertam. Não adiantou muito, mas eu cumpria meu papel de sempre estimular o amigo.

                Não precisamos estar sempre certos. Não estou sugerindo que você, leitor, erre muito, nem que erre sempre. Mas aprenda que não precisa estar sempre certo. Nem no aprendizado de idiomas estrangeiros, nem em outras circunstâncias da vida. Quando nos livramos desse mandato absurdo, perdemos o medo de errar e ousamos experimentar uma hipótese diferente, abrimos nossas mentes e corações para aprender algo, às vezes, inesperado. Só assim criamos o novo.

                Você já pensou quantas oportunidades de aprendizado perdeu por não se permitir errar?

 

Site OK

 

Aprenda ensinando os colegas

César Souza

                Em toda sala de aula, sempre existem dois tipo de alunos: os que gostam de fazer apresentações e os que preferem atuar nos bastidores, executando os trabalhos, sem ter de aparecer na frene dos colegas.

                Esses últimos – que, de certa forma, se “escondem” – nem sempre percebem a enorme oportunidade de aprende que estão desperdiçando. Ao ter de se preparar para fazer uma apresentação, você pode aprender muitas coisas.

  • Aprender muito mais sobre o conteúdo do      trabalho, pois terá de ir fundo no assunto. Quando a gente vai para a      linha de frente, sempre se prepara melhor para não ser surpreendido.
  • Aprender a falar bem, a se apresentar      em público e a preparar material de apoio, imagens etc., o que certamente      será muito útil na sua vida profissional futura.
  • Aprender a debater com os outros, a      ouvir, a contra-argumentar e a complementar nossos dados com os dos      outros, alguns até mais bem informados.
  • Aprender a compatibilizar nossas ideias      com as dos outros membros da equipe, a escolher prioridades e a lidar com      eventuais divergência.

 

E, quando tudo parece terminado, temos de aprender a transformar o que transmitimos em algo útil, preparando um resumo ou sugerindo tópicos para futuros trabalhos.

A grande verdade é que quem se prepara para ensinar acaba aprendendo mais do que os que são alvo do ensino. Não desperdice as oportunidades de, pelo menos de vez em quando, engrossar o time dos que vão para a linha de frente e se tornam relatores dos trabalhos de grupo nas escolas. A disciplina que o ato de ensinar exige é uma competência desejável, qualquer que seja a profissão que você venha a escolher.

 

Seja curioso

Leila Navarro

                Recomendar a alguém que seja curioso parece chover no molhado, pois todo mundo já nasce curioso – e muito. Basta observar uma criança pequena: tudo ela quer ver, pegar, pôr na boca, saber para que serve.

                Mas, se no começo da vida tudo nos atrai a atenção, conforme crescemos ficamos mais e mais seletivos: passamos a ser curiosos especialmente por aquilo que tem a ver com nossos interesses e preferências. Se praticamos um esporte, por exemplo, temos curiosidade em aprender novas técnicas, conhecer os truques dos grandes atletas ou ficar por dentro dos resultados das competições. Somos curiosos para saber o que acontecerá no próximo capítulo do seriado ao qual assistimos, ouvir o novo disco do grupo musical que curtimos, saber o que a pessoa que paqueramos fará no final de semana e por aí vai.

                Agora, se a curiosidade é algo que a gente tem de sobra, que não gasta nem acaba, por que não a direcionar também para os estudos? Não se contente com o que o professor fala em sala de aula – procure entender os porquês das coisas, faça perguntas e ele, questione e discuta o que é ensinado. Vá além dos ensinamentos de seus livros, explore na internet os temas que está estudando, veja o que dizem outras fontes. Vá além até mesmo do que o seu curso ensina e procure saber o que os amigos de cursos mais adiantados e de outras escolas estão aprendendo.

                É bem verdade que nem toda informação que você coletar dessa maneira servirá para alguma coisa, mas, se uma ou outra servir, terá valido a pena!

                De repente, você descobre algo que fará diferença em seu desempenho escolar ou mesmo em seu futuro profissional. Há uma imensidão de conhecimentos disponíveis neste mundo, mas é você quem tem de ir atrás deles. Usa sua criatividade.

 

 

Valorize a diversidade

Leila Navarro

                O estudante não vive sem uma turma, aquele grupo de colegas com quem tem afinidades nos pontos de vista, interesses ou estilo de vida. Isso é natural e saudável, pois todo ser humano tem necessidade de se identificar com outras pessoas e se sentir parte de algo. O risco, aqui, é exagerar no apego à turma e relacionar-se apenas com quem pensa igual, veste igual ou mora no mesmo quarteirão. Hoje em dia, é preciso conviver bem com quem é diferente, saber relacionar-se com a diversidade.

                Nas escolas, assim como nas empresas, clubes e outros espaços sociais, sempre encontramos pessoas diferentes de nós. Diferentes na cor da pele, nacionalidade, religião, modo de vida, orientação sexual, condição econômica e financeira, opção politica, paixão futebolística, jeito de vestir…… se você não se aproxima de pessoas diferentes por achar que elas “não tem nada a ver” ou por algum tipo de preconceito não sabe o que está perdendo. Pessoas diferentes têm muito a aprender uma com as outras ao compartilhar suas culturas, costumes, valores, opiniões e conhecimentos.

                O relacionamento com alguém diferente nos revela um mundo diferente, e isso é extremamente enriquecedor. Proporciona aprendizados preciosos, como a tolerância, o respeito à individualidade alheia, a capacidade de enxergar o que as pessoas têm de melhor e a habilidade de relacionar-se. Essas são qualidades importantes para o nosso desenvolvimento humano e profissional. No mundo globalizado, é comum lidar com gente de diversas nacionalidades, trabalhar em outros países e desenvolver projetos ao lado de pessoas que mal conhecemos.

                Percebe como é importante valorizar a diversidade? Comece, agora mesmo, a ver o “diferente” com outros olhos e você perceberá o quanto isso é enriquecedor. 

       

 Ensine o que sabe

Leila Navarro

                Quando somos estudantes, naturalmente nos colocamos na posição de quem nada sabe e está na escola para aprender. Até concluirmos o curso na escola e pegarmos o diploma, não nos sentimos prontos para colocar em prática o conhecimento que recebemos. Mas será mesmo que não estamos aptos a fazer nada com isso? Penso que existe, sim, algo que você pode fazer com o que já sabe….. Você pode ensinar alguém, por que não?

                Assim como existe quem sabe mais do que você, existe, também, quem sabe menos. Talvez você possa ensinar a matéria em que tem mais facilidade para aquele colega que não está conseguindo acompanhar a classe. Dependendo da sua idade e de seu estagio nos estudos, poderia ser professor particular ou, quem sabe, voluntário em uma ONG que auxilie pessoas carentes. Pense em algo que você poderia ensinar. Inglês para iniciantes, Matemática para alunos do ensino fundamental, informática para idosos, futebol, trabalhos manuais? Veja as opções que você tem e mãos à obra!

                Eu mesmo, quando não tinha nem 18 anos, fui voluntário em um programa de alfabetização de adultos e digo por experiência própria: ensinar é muito gratificante!  Contribuir para o desenvolvimento de outra pessoa fortalece a nossa autoestima, faz a gente se sentir útil e atuante. É algo que proporciona o desenvolvimento da responsabilidade, do compromisso e da qualidade, tao importantes para a futura vida profissional. Também reforça o conhecimento que já temos e, muitas vezes, nos obriga a pesquisar o que ainda não sabemos para oferecer mais a quem ensinamos.

                No fim das contas, percebemos que ensinar e aprender são faces da mesma coisa: a construção do conhecimento. E conhecimento é algo que se dá e se recebe o tempo todo – na escola, no trabalho, na vida.

 

Aprender a pensar

Leila Navarro

A escola ensina um conjunto de procedimentos, fatos, conceitos e regras, coisas que já vêm prontas para você assimilar. Mas isso não é o bastante para o seu desenvolvimento. Você precisa aprende a pensar, usando sete tipos de pensamento:

  • O      pensamento dedutivo, em que você parte de premissas gerais e aceitas como      verdadeiras e chega a uma conclusão sobre um fato específico.
  • O      pensamento indutivo, em que parte de uma situação especifica para chegar a      conclusões gerais.
  • O      pensamento analítico, em que analisa separadamente as partes que formam um      todo.
  • O pensamento      sintético, em que forma um todo a partir da reunião de suas partes.
  • O      pensamento sistêmico, em que estabelece as relações entre as partes de um      todo.
  • O      pensamento crítico, por meio do qual questiona os fatos.
  • O      pensamento criativo, com o qual produz ideias para desenvolver algo novo.

 

                Se você não usá-los de modo integrado, sua capacidade de pensar não se desenvolve plenamente. Para viver as situações mais cotidianas, talvez baste fazer deduções logicas, generalizar fatos, entender o todo a partir das partes ou as partes a partir do todo. Mas, para compreender a realidade, discernir o que serve e o que não serve para você ser capaz de transformá-la, você precisa saber pensar criticamente, estabelecer relações entre fatos e usar criatividade.

                Para desenvolver sua capacidade de pensar, cultive o hábito de trocar ideias com os outros, pois isso o coloca diante de percepções diferentes da realidade. Não perca a chance de participar de debates e discussões, ouvindo os outros e expressando suas opiniões. Procure fazer um curso de Filosofia ou pelo menos ler livros sobre o assunto. Filosofia ensina a pensar! Acredite, isso é muito importante para o seu desenvolvimento.

 

 

 

….E repense o que aprendeu

Leila Navarro

                Tão importante quanto aprender a pensar é repensar ou reciclar o que você aprendeu e, assim, não ficar com a mente ocupada por ideias que não servem para nada….

                Isso me faz lembrar a parábola do mestre que chamou o discípulo para a cerimônia do chá. Depois de preparar cuidadosamente a bebida, o mestre começou a despejá-la em uma xícara. Só que, em vez de suspende a chaleira quando a xícara estava cheia, ele continuou despejando o chá, que transbordou e começou a se espalhar pelo chão. O discípulo exclamou: “Mestre, o chá está transbordando. E o mestre, com seu jeito zen, só respondeu: “A xícara de chá é como a mente. Só podemos enchê-la se ela estiver vazia”.

                Moral da história: precisamos abrir espaço para novos conhecimentos, novas ideias e percepções. Precisamos partir do princípio de que todo conhecimento envelhece, toda ideia “caduca”, é preciso sempre atualizar e reciclar o que sabemos.

                Outra interpretação dessa parábola sugere que sejamos capazes de esvaziar a mente de vez em quando, o que se consegue fazer com a meditação. Criar momentos de completo silêncio mental é uma prática que relaxa, equilibra, acalma – faz bem até para o corpo. Não é difícil fazer isso e há muitos lugares onde você pode aprender. Por que não sugerir à direção de sua escola que dê um curso de meditação aos alunos? A ideia será muito bem-vinda, já que a meditação deixa todo mundo mais calmo e com maior capacidade de concentração.

                Ao praticar a reciclagem de ideias e a meditação, você estará preservando a ecologia da usa mente. Isso mesmo, ecologia, um conceito que tem a ver com renovação constante, crescimento e equilíbrio. Se na natureza nada prospera num ambiente estagnado e entulhado, poderia a sua vida prosperar se você não renovasse sua mente? Isso dá o que pensar……

 

Para os alunos

 

Como expor um trabalho em sala de aula

Reinaldo Polito

                Para fazer a apresentação de um trabalho escolar, siga essas dicas:

  • Fale em      voz alta o suficiente para que todos ouçam, principalmente quem estiver no      fundo da sala.
  • Não      fale muito rápido nem muito devagar.
  • Alterne      o volume da voz e a velocidade da fala para que o ritmo seja interessante.     
  • Fique posicionado      de maneira elegante, distribuindo o peso do corpo sobre as duas pernas.
  • Não      fique parado na frente da classe, mas também não se movimente se não tiver      motivo.
  • Evite      ficar com os braços nas costas ou cruzados na frente do corpo. Também não      é conveniente ficar com as mãos nos bolsos ou esfrega-las nervosamente.      Mesmo se você não estiver à vontade, não revele essa insegurança aos      ouvintes.
  • Mantenha      o semblante arejado e simpático e olhe para todos os colegas da sala.
  • Fale      com a maior naturalidade possível, como se estivesse conversando com os      amigos de maneira animada.
  • Fale      sempre com entusiasmo.
  • Elimine      sons e ruídos desnecessários, como “né?”, “tá?”, “hummm”, “hããã”.
  • Faça      uma rápida introdução comentando a importância do tema que irá expor.
  • Conclua      sua apresentação com uma reflexão sobre o tema, ou falando da sua      satisfação em ter pesquisado sobre o assunto, ou incentivando os ouvintes      a se aprofundarem mais na matéria.
  • Use      anotações de consulte-as sem receio, mas não se escravize por elas.
  • Se usar      recursos visuais, como Power Point ou retroprojetor, ensaie bastante para      ter certeza de que seguirá a sequência correta. Nesse caso, chegue mais      cedo para se certificar que os aparelhos estão funcionando da maneira      desejada.

 

                Siga essas orientações, tire um belíssimo dez e receba os cumprimentos dos colegas e do professor. Boa sorte!.

 

 

 

 

Com treinar a apresentação do trabalho escolar

Reinaldo Polito

                Ao se preparar para a apresentação de um trabalho escolar ou de um projeto, tenha em mente que pensar sobre um assunto é uma coisa, escrever sobre ele é outra, e apresenta-lo oralmente é outra muito diferente.

                O vocabulário, a pausa, o ritmo e o estilo são distintos, quando falamos e quando escrevemos. Para escrever, por exemplo, usamos a pontuação gramatical; já para falar usamos as pausas expressivas, que nem sempre coincidem com aquelas usadas na comunicação escrita.

                Portanto, se você resolver falar diante dos colegas d classe da forma como preparou o material escrito, provavelmente se sentirá inseguro e parecerá artificial. É quase certo, também, que se sentirá desconfortável se tentar reproduzir, palavra por palavra, o que escreveu, pois, se decorar o seu trabalho e esquecer uma palavra importante na ligação de duas ideias, poderá jogar por terra o resultado da sua apresentação.

                A melhor maneira de preparar a apresentação oral é conversar bastante com os colegas de grupo, com as pessoas da família ou com os amigos sobre a matéria que você deverá expor. Se você não tiver ninguém com quem possa conversar, procure um local onde consiga ficar à vontade e fale em voz alta sobre o assunto, como se estivesse conversando com um grupo de pessoas.

                Se, para ter mais segurança, deseja expor o assunto como o escreveu, uma boa tática é primeiro falar e, depois, escrever da maneira como falou. Assim sua apresentação será mais natural.

                Esse recurso de falar antes o que você deverá expor diante dos colegas e do professor o deixará mais confiante e desenvolto. Quando fizer a apresentação diante da classe, estará familiarizado com as informações e com a maneira espontânea de comunicar a matéria.

 

Aprenda a aprender

Carlos Alberto Júlio

                Em casa, no trabalho, nas viagens de férias e nas horas de lazer, são inúmeros os momentos que, se bem aproveitados, podem resultar em conhecimentos para vida. Basta ligar suas antenas e realmente prestar atenção no que está à sua frente. É o “aprendizado de oportunidade”.

                A chance de aprender pode estar numa revista lida na sala de espera de um medico, num velho desenho animado da TV, no último filme em cartaz no cinema, num livro infantil, num chat de internet, na simples observação das ruas, numa conversa agradável.

                Para aprender a aprender, você deve descobrir seus próprios mecanismos de aprendizado. Você aprende melhor com o que lê ou com o que escuta? Tem de passar o conhecimento para outra pessoa para absorvê-lo de fato? Precisa organizar as ideias por escrito para tirar suas conclusões? Prefere vivenciá-las? Qualquer que seja seu ponto forte, explore-o.

                De modo simplificado, podemos dizer que a mente humana funciona mais ou menos como uma caixa-preta, onde estão registradas todas as suas experiências de vida, mesmo aquelas nas quais você não tem consciência de possuir. Quando uma ação lhe é direcionada, você apresenta uma reação condicionada por esses registros.

                Por que um jogador de futebol, quando leva uma entrada mais dura, parte para cima do adversário, enquanto outro apenas se levanta e volta para o jogo? Uma explicação possível é que o primeiro teve boas  experiências com brigas e o segundo levou uma surra na última vez que se meteu em encrenca.

                Os antecedentes de cada pessoa determinam a sua reação. Tente descobrir como você aprende melhor e crie a sua própria metodologia. Afinal, sabemos que o aprendizado é uma base sólida para o sucesso. Aproveite toda e qualquer oportunidade para aprender. Comece prestando atenção no mundo que está a sua volta.

 

Planeje seu futuro

Carlos Alberto Júlio

                Atualmente, todas as empresas falam em estratégia. Você também deve estar se perguntando: afinal, o que é estratégia? É o caminho para você alcançar o seu objetivo o mais rápido possível. Você precisa apenas pensar grande, começar pequeno e crescer rápido. Pensar grande, começar pequeno e crescer rápido?

                Traduzindo: pensar grande é estabelecer o objetivo; começar pequeno significa caminhar no ritmo que a situação atual permite; e crescer é o fruto da execução da estratégia.

                Quando o assunto é estratégia, o que vale no mundo dos negócios vale para as pessoas. No futuro, o que você quer para si, para sua família, para sua carreira? Afinal, todo o mundo tem desejos e necessidades.

                Mas pode acontecer de a pessoa não se dar conta deles. Sem essa consciência, a direção tomada não faz a menor diferença e, pior, talvez seja a direção errada. Mais do que isso, devemos criar um compromisso claro com tais objetivos. Foco, disciplina e organização constituem a chave para chegar mais rápido aos objetivos desejados.

                Lembre-se: você não tem a obrigação de ter todas as competências de um grande estrategista. Comece maximizando os seus pontos fracos e potencializando os seus pontos fortes.

 

Permita-se errar

Carlos Alberto Júlio

                Quem não erra não aprende. Quem não aprende não vive. Portanto, quando tiver pressa, ande devagar, e a resposta virá com mais rapidez.

                Crescemos ouvindo que “errar é humano”. Mas tirar nota baixa na prova merece castigo. É claro que não nascemos sabendo tudo, senhores da verdade. Mas é fato que cometemos muito mais erros, em nosso dia a dia, por falta de atenção ou por estresse mental do que por ignorância.

                Também é verdade que a pressa é inimiga da perfeição. É impressionante como, a cada dia, o tempo parece nos consumir mais rapidamente. Fazemos as coisas com velocidade cada vez maior, o que torna a quantidade dos nossos desacertos diretamente proporcional a nossa pressa.

                Muitas vezes acertamos, e tomamos por fase esses sucessos para, diariamente, desafiarmos nossos limites. É a nossa tendência de agir sem pensar o que nos faz cometer erros quando começamos a reagir sob pressão. Criar uma infinidade de justificativas para nossas ações é mais fácil que assumirmos prontamente os nossos erros. Afinal, o maior obstáculo para quebrar essa barreira está dentro de nós mesmos.

                Acredite ou não: é mais fácil construir uma relacao de credibilidade, tanto nas empresas quanto na vida pessoal, assumindo uma falha cometida do que tentando justifica-la. As pessoas raramente esperam ou estão preparadas para uma atitude de responsabilidade espontânea, na qual assumimos nossos erros, reconhecemos e pedimos desculpas com humildade e cabeça erguida para enfrentar o que a vida nos reserva e absorver o aprendizado assimilado.

 

Reinvente a sua carreira

Carlos Alberto Júlio

                Para se ter uma carreira profissional de sucesso, é fundamental, hoje, o aprendizado contínuo. Antigamente, numa época em que havia grande oferta de trabalho, os empregos eram mantidos pela obediência. Hoje, tem emprego garantido aquele que renova suas competências específicas, se adapta à metamorfose permanente do setor produtivo e providencia novas bases de conhecimento para o desenvolvimento da carreira. Não basta você ser bom naquilo que faz – é importante mostrar que esses talentos e habilidades serão úteis nos meses seguintes, nos anos seguintes e em novas e diferentes conjunturas.

                Atualmente, o que se vê é um cenário com urgência e velocidade, que nos cobra mudanças nos parâmetros, nas atitudes e nas metas. O mercado tem apostado nos profissionais que se mostram dispostos a aprender e a colocar em prática seus novos conhecimentos. Essa competição acirrada entre as empresas exige profissionais que se requalifiquem rapidamente, com ou sem a tutela dos seus chefes. É aí que vem a importância da reinvenção da carreira. Dessa forma, a educação formal, escolar, consiste num ponto de partida para o processo contínuo de atualização.

                Os indivíduos bem capacitados tendem a tirar melhor proveito do treinamento profissional. Logicamente, o período de aprendizagem é importantíssimo, pois serve de alicerce para sustentar todo o enorme edifício do conhecimento. A competição está no plano das pessoas, e seus talentos são considerados o grande ativo das companhias.

 

Use o conhecimento para melhorar a sua vida

Carlos Alberto Júlio

                Existem quatro estágios ou níveis de aprendizagem: ignorância, consciência, arrogância e sabedoria. O primeiro é aquele em que eu não sei, e não sei que não sei. Pense na criança que ainda não sabe andar. Sentada no chão ela observa que os adultos a sua volta se levantam sem esforço e saem caminhando. Como ela não tem consciência de que não sabe andar, tenta se levantar e, ao fazê-lo, cai. É inconscientemente ignorante.

                Ao tentar várias vezes, sem sucesso, ela começa a perceber que aquele ato, que parece tão fácil aos adultos, não é do seu domínio. Nesse momento, começa a entrar no segundo estágio, o da consciência de sua ignorância. Esse é o passo mais importante no processo de aprendizagem – quando assumimos que não sabemos, nos abrimos para aprender. A criança começa a se escorar nos sofás, mesas e móveis da cada para ficar de pé e dar seus primeiros passos rumo ao equilíbrio. Agarra-se às nossas pernas e caminha junto, de mãos dadas.

                De repente, como num passe de mágica, a criança se percebe andando sem ajuda. Fica orgulhosa e mostra a todos sua proeza, pois, agora sabe que sabe. Esse é o estágio mais perigoso do aprendizado. Ao supervalorizar o que sabemos, somos levados à soberba e à arrogância, não compartilhamos o que aprendemos, nos sentimos superiores e corremos o risco de parar de aprender, o que nos levará de volta ao estágio da ignorância, já que o saber não renovado é perecível.

                Finalmente, a criança tem o seu ato de andar algo cotidiano, rotineiro. Ela acaba de atingir o quarto estágio: sabe, mas não tema menor importância o fato de que ela sabe. É o conhecimento aplicado à vida. É a sabedoria: quando todo o conhecimento é aplicado para melhorar a vida.

                Faça como as crianças: aplique os conhecimentos e melhore sua vida com sabedoria.

 

Ensinando a aprender

Dulce Magalhães

                Aprender é um estado, muito mais que uma condição ou capacidade. Pessoas comuns são capazes de coisas extraordinárias diante das circunstâncias especiais. Aprender é a capacidade que o ser humano tem de assimilar, introjetar, produzir e reproduzir conteúdos novos.

                Esses conteúdos são os elementos que formam percepção, intenção, interpretação e decisão – as quatro modalidades de construção da realidade. Quando aprendemos, estamos alterando nossos conteúdos, que afetam nossas habilidades e, consequentemente, produzem uma nova realidade.

                Aprender é mudar o mundo. É viver, ver, sentir e fazer algo novo, numa nova perspectiva, como nunca foi feito ou sentido antes. Qualquer coisa diferente disse pode ser conhecimento, informação, formação ou até mesmo desenvolvimento, mas não é aprendizagem. Aprendizagem é viver outra realidade. Se a nossa realidade não está se modificando, é porque não estamos aprendendo.

                Estudar não é o mesmo que aprender, pois nem sempre o estudo gera uma nova perspectiva, uma ampliação de consciência ou conteúdos significativos que possam realmente modificar nossa realidade. “Mais vale aquilo que a gente aprende do que aquilo que nos ensinam” – esse é um antigo ditado, que nos oferece uma reflexão sobre o valor de aprender versus a experiência de estudar.

                Se o estudo não gerar aprendizagem, pouco ou nada servirá para a vida. Seja qual for o propósito do estudo, conhecer os processos que modelam a aprendizagem é essencial para a conquista dos sonhos e a realização dos nossos objetivos.

                Nos textos a seguir vamos refletir sobre as cinco qualidades de um aprendiz e ver como elas permitem que qualquer assunto ganhe novos significados e tenham um impacto relevante na construção das novas realidades que tanto desejamos.

               

 

               

01 – Ausência de preconceito

                                               Dulce Magalhães

                O preconceito é uma limitação que construímos desde a infância, a partir de nosso processo de formação. A palavra “formação” significa “colocar em forma”, ou seja, dar forma, oferecer uma forma de ver o mundo. Essas formas que recebemos desde muito cedo são chamadas pela ciência de paradigmas.

                Os paradigmas não são feitos para enxergarmos melhor, mas para distorcer a realidade e ajustá-la à nossa limitada capacidade de compreensão. Vemos a realidade a partir dessas lentes, às quais damos o nome de crenças.

                Assim, o que acreditamos ser verdade não é a verdade absoluta, mas nosso jeito de ver a verdade. Quando nos damos conta disso, estamos aptos a aprender, pois podemos vencer os limites dos preconceitos e ver a vida através das lentes alheias, ouvir outros pontos de vista, nos abrir para experimentar a realidade.

                O preconceito é uma visão imatura da realidade. É a lente básica que usamos para enxergar a vida, mas que própria vida trata de atualizar, num processo ao qual damos o nome de maturidade. Quanto mais avançados no amadurecimento de nossos pensamentos, processos, vivências e experiências, mais livres ficamos de nossos preconceitos. Quanto mais nos libertamos dos limites estreitos de nossos preconceitos, mais a aprendizagem floresce em nosso espírito.

                Mesmo desconhecendo um assunto, se o definimos como aborrecido, esse preconceito nos impedirá de desfrutar daquele conteúdo. Aprender demanda livre pensar.

                Lembre-se de quanto maior a liberdade de pensar – a ausência de preconceitos – maior a capacidade de aprender. Identifique seus preconceitos e liberte-se deles. Você será capaz de aprender mais rápido, melhor e mais facilmente.

 

02 – Abertura

Dulce Magalhães

                A abertura é a capacidade de se permitir aprender o novo, a inteira disponibilidade para mudança. Isso só se torna possível quando abrimos um espaço de dúvida sobre o que conhecemos como “verdade”. O espaço das certezas é fechado, limitado pela possibilidade do “já conhecido”. A dúvida conduz para novos e venturosos horizontes. Duvidar é a arte de abrir-se para novas experiências.

                Sem a abertura – primeira chave para acessar a aprendizagem -, não temos sequer a capacidade de ver a nova oportunidade, conteúdo ou situação. Ficamos cegos para tudo o que bloqueamos com possibilidade. Aprender depende de desconfiar que haja outras formas, outras explicações, outros caminhos.

                A abertura depende exclusivamente da dúvida, da incerteza, da indefinição, de todas essas qualidades consideradas negativas por muita gente. Esse estado de ausência de certezas tem utilidade e gera possibilidades. É a condição básica, o passo inicial para adentrarmos no vasto campo da aprendizagem.

                Se você tem dificuldade com determinado tema ou conteúdo, duvide até mesmo dessa dificuldade. Experimente. Duvide que alguma coisa é chata ou desinteressante. Deixe seu cérebro, que é flexível, plástico, moldável e superinteligente, escolher outras possibilidades, mais favoráveis para o seu processo de aprendizagem.

                Lembre-se de que o primeiro passo é duvidar. Essa abertura é tudo o que o seu sistema precisa para que você possa avançar em direção à aprendizagem.

 

03 – Interesse

Dulce Magalhães

                A partir da dúvida podemos desenvolver o interesse. Tentar descobrir que outras possibilidades estão disponíveis sobre determinado assunto. Abrir-se é o primeiro passo, mas o passo seguinte é caminhar em direção ao objetivo, interessar-se por aprender, conhecer, viver aquele tema ou assunto.

                O interesse é o elemento que nos liga ao conhecimento e nos oferece o amplo leque das possibilidades palpitantes. Tudo está em pulsação, em compasso de espera, vibrando por nossa atenção. O interesse é a atenção capturada, que nos liga à nova realidade e nos permite ver, perceber, observar.

                Aqui, tratamos do mapa cerebral e percemos que o interesse é o direcionamento de nossa atenção para as possibilidades daquele tema. Em outras palavras, ao colocarmos atenção sobre algo, nosso cérebro rastreia um bilhão de possibilidades por segundo para encontrar algo interessante, envolvente, divertido, esclarecedor etc.

                Assim, nosso interesse passa a ser uma forma de gerenciar o sistema para que a experiência da aprendizagem seja uma divertida aventura, e não mais uma tarefa enfadonha e difícil.

                Interessar-se pelo tema em pauta é o segundo passo na seara da aprendizagem. o interesse mobilica todo o complexo e sofisticado sistema cerebral para que sejamos capazes de encontrar respostas, possibilidades e oportunidades.

                Nós nos tornamos aquilo para que voltamos nosso olhar. Para mudar de mundo, é preciso mudar de olhar. Colocar nossa atenção em novas direções é uma significativa mudança e faz parte do precioso processo de criação de novas realidades que a aprendizagem produz.

 

                Lembre-se de que a segunda chave para a aprendizagem é o interesse. A partir do momento que você abre para o novo e coloca sua atenção nessa direção, a mágica de aprender começa a acontecer em sua vida.

 

04 – Curiosidade

Dulce Magalhães

                A qualidade da curiosidade não é muito estimulada em nossa sociedade, mas é essencial na aprendizagem. Não fosse a curiosidade de homens e mulheres que formularam perguntar inéditas acerca de antigas e conhecidas realidades, o mundo não alcançaria alguns resultados fantásticos que temos hoje.

                A curiosidade é a arte de formular perguntas, especialmente as mais esquisitas, as obvias, as simples e as mais interessantes de todas: as perguntas que nos remetem ao “por que não?”.

                Uma coisa pode ser de um jeito, mas por que não pode se de outra forma também? Por que não fazer diferente? Ou mais? Ou menos? E se eu não mudar? E se fizer o contrário? E se deixar de fazer? Enfim, a curiosidade nos conduz pelos caminhos da aprendizagem como um mestre experiente e sensível. Ela ativa a nossa capacidade de explorar, investigar a realidade e adquirir novas perspectivas acerca do que já se conhece ou, ainda, encontrar coisas inteiramente novas.

                O curioso é chamado de xereta, intruso, bicão, como se a curiosidade fosse um mal, e fazer perguntas, uma chateação. Porém, respeitando os limites da privacidade do outro, a curiosidade é a qualidade que mais oferece condições de conhecer e, consequentemente, de aprender. É ela que nos coloca diante de dados e informações novos e nos permite enxergar o que não estávamos vendo.

                Curioso é aquele que pergunta, explora novos horizontes, investiga realidades e se propor a conhecer o desconhecido. Dizem que a curiosidade matou o gato, mas, muito antes disso, ele pôde conhecer o mundo.

                Lembre-se de que a curiosidade é a terceira chave para a aprendizagem e é a arte de formular perguntas para ser capaz de conhecer e compreender o novo, o diferente, o aparentemente difícil. As perguntas sempre levarão a respostas que nos colocam em novas aprendizagens.

 

05 – Ausência de julgamento

                Dulce Magalhães

                Tiramos conclusões demais sobre coisas, pessoas, circunstâncias e situações. Olhamos e já julgamos se é bom ou ruim, feio ou bonito, certo ou errado. Escolhemos uma hipótese e rejeitamos a outra. Nesse instante, diminuímos nossa capacidade de apreciar a realidade em toda a sua inteireza.

                Quanto mais rapidamente julgamos e concluímos, mais eliminamos possibilidades de aprendizagem. abrir mão de tirar conclusões é uma forma sábia de experimentar a realidade.

                No começo, não é muito fácil deixar de julgar. Mas, com certa prática e alguma disciplina, deixamos essa mania e podemos nos aproximar dos conteúdos com muito mais abertura, interesse, curiosidade e sem preconceitos que costumam nortear os julgamentos.

                Bons cientistas, filósofos, aprendizes geniais tiram poucas conclusões, evitam o julgamento e não confiam apenas no que já conhecem. Antes de concluir, investigam. Antes de julgar, exploram, experimentam, perguntam.

                Depois de algumas aulas, podemos concluir, por exemplo, que a Matemática é uma matéria difícil e chata. Ao julgarmos e concluirmos isso, não estamos limitando a Matemática – que continuará evoluindo, apesar de nossa dificuldade. Nossa conclusão limita nosso próprio progresso nesta área.

                Lembre-se de que o julgamento é uma forma limitada de rotular a realidade. Quanto menos conclusões, mais oportunidades e facetas da realidade somos capazes de enxergar.

                Aprender é a maior aventura humana, pois muda o mapa interior, ampliando a visão, flexibilizando a percepção, rompendo fronteiras e transpondo limites. O grande aprendiz não é aquele que habita o mundo, mas aquele que permite que o mundo o habite.

 

O outro lado

Max Gehringer

                Como a história tem cansado de demonstrar por meio dos séculos, a humanidade sempre esteve repleta de certezas. Muitas delas – provavelmente, a maioria delas – acabaram desmentidas por acontecimentos posteriores ou pelas descobertas da ciência.

                Durante um milênio, os sábios acreditaram que o Sol girava em torno da Terra e que nosso humilde planetinha era o centro do Universo. Até o Papa tinha certeza disso. E quem discordava dessa verdade dogmática era queimado numa fogueira. Do mesmo modo, muitas gerações de médicos acreditaram que drenar vários litros de sangue de um corpo anêmico era melhor maneira de curar um doente.

                Agarrar-se a uma certeza pessoal, ignorando ou desprezando os fatos que possam conduzir a outras conclusões, pode significar a perda de uma oportunidade de lapidar os próprios conhecimentos. Esse é o sentido da expressão: “quebrar paradigmas”: nada pode ser considerado definitivo.

                Sempre é reconfortante ouvir pessoas que pensam da mesma maneira que nós. Mas aprendizado, via de regra, consiste em ouvir as opiniões das pessoas que pensam diferentemente de nós. Elas vão nos fornecer argumentos para que possamos pesar, comparar, discutir e, finalmente, confirmar ou retificar nossas certezas.

                Quem lê um livro ou um artigo fica conhecendo o ponto de vista de um autor. Quem lê vários autores percebe que quase nunca existe uma total e perfeita concordância entre eles. Não raramente, bons autores oferecem opiniões contraditórias sobre um mesmo tema. O conhecimento consiste em avaliar todas as opiniões possíveis, sem preconceitos ou pré-julgamentos, e extrair dessa salada as nossas próprias opiniões. Ensinar não é impor certezas. É gerar dúvidas.

 

Simpatia é fundamental

Max Gehringer

                Muita gente tem receio de falar em público. E nem precisa ser uma plateia de centenas de pessoas – pode ser um grupo de uma dúzia de ouvintes.

                O pavor de enfrentar uma reação negativa começa na noite anterior, mal dormida. Passa pela ansiedade, que vai ficando maior à medida que o momento se aproxima. Quando, finalmente, a hora chega, a boca está seca, as mãos geladas, e a cabeça latejando.

                Tudo isso compõe o chamado “medo irracional” – porque, pensando bem, não há motivo para tanto. Na maioria dos casos, o apresentador vai falar sobre um assunto que ele domina, em sua própria língua e para uma plateia não hostil.

                Seria bem pior fazer uma apresentação sobre física quântica, em árabe, para um grupo de ucranianos.

                Eu fiz um curso sobre falar em público. Éramos doze participantes. Recebemos um capítulo de um livro sobre touradas e tínhamos de resumi-lo em cinco minutos. Um dos apresentadores deu uma incrível demonstração de memorização, praticamente repetindo cada detalhe do capítulo. Outro se enrolou todo, misturou tourada com futebol e fugiu completamente do assunto.

                Terminadas as apresentações, o professor pediu que escolhêssemos uma apresentação mais fiel ao livro. Ganhou a do apresentador-computador. Então ele pediu que escolhêssemos qual das doze apresentações gostaríamos de ouvir de novo. Surpreendentemente, ganhou a do apresentador enrolado. Por um motivo simples: nós tínhamos gostado mais dele.

                Esse é o segredo. Nos primeiros trinta segundos, a plateia decide se gosta ou não do apresentador. Se gostar, ele pode tossir, espirrar, gaguejar e, ainda assim, será apreciado e aplaudido. Se a plateia não gostar, cada minuto parecerá uma eternidade. Será mais ou menos como trocar o pneu do carro, mas com o carro andando.

 

 

A técnica do mínimo

Max Gehringer

                Existe uma estatística baseada mais no bom senso do que na técnica: a regrinha dos 5%. Segundo essa regra, de tudo que nós escutamos, vemos, falamos, lemos ou escrevemos, apenas 5% realmente interessam. O resto é descartável.

                Da mesma forma, de cada 100 estagiários contratados por empresas, somente 5 chegarão a cargos de chefia. De cada 100 pequenos negócios abertos, somente 5 se transformação no sucesso que o dono sonhava. De cada 100 bons alunos, somente 5 repetirão na vida profissional o bom desempenho que tiveram na escola.

                A mesma regra vale para o trabalho. Se nós passamos 40 horas por semana em uma empresa, durante apenas 5% desse tempo – ou duas horas – estaremos fazendo alguma coisa pela qual poderemos ser lembrados no futuro. As outras 38 horas são gastas em tarefas de rotina ou em bate-papos inúteis.

                Essa lição da importância dos 5% eu devo ao meu saudoso professor Wantuil. No primeiro dia de aula, o professor Wantuil adentrava a classe, sentava-se à mesa e ficava em silêncio, enquanto os alunos – naquela tradicional rebeldia da juventude – ignoravam sua presença e ficavam falando alto e fazendo algazarra. Alguns minutos depois, o professor Wantuil se levantava, na maior tranquilidade, e dizia: “95% de vocês não vão chegar a lugar algum na vida. Serão fracassados que ficarão reclamando que o mundo não é justo. Logo, eu não tenho nada a ensinar para vocês. Continuem com a bagunça. Se quiserem faltar às aulas, não tem problema, eu dou presença. Eu estou interessado em dar aula apenas para aqueles 5% que serão um sucesso”. E a classe imediatamente ficava em silêncio, porque todo mundo se considerava dentro dos 5%.

                A lição funcionou perfeitamente, no caso do professor Wantuil. Eu devo ter tido uns 100 professores na vida, e ele é um dos 5 de quem eu me lembro.

 

Respeito, admiração e reverência

Max Gehringer

                Existem três degraus de reconhecimento profissional: o respeito, a admiração e a reverência. O respeito vem do conhecimento, e a admiração vem da capacidade de transformar o conhecimentos em resultados. Um professor é respeitado pelo que aprendeu, mas é admirado pela habilidade de ensinar. Um executivo é respeitado por seu currículo, mas é admirado pela capacidade de obter lucros.

                O último degrau dessa escala é a reverência. Uma pessoa é reverenciada quando ela parece saber tanto que ninguém se atreve a contradizer o que ela diz ou faz.

                Numa empresa em que trabalhei, eu presenciei um caso exemplar de reverência. Tivemos uma reunião com um profissional considerado um dos maiores especialistas do mundo em legumes. Durante a apresentação, a mesa de reunião parecia uma feira livre, com cestas cheias de legumes. E os apresentadores ali, se esforçando para impressionar o especialista, mostrando gráficos de plantio, de adubação, de precipitação pluviométrica…..Números que não acabavam mais.

                Foi quando o especialista pegou uma cenoura de uma cesta. Ele tirou o canivete do bolso e cortou a cenoura no sentido da longitude, em vez de cortá-la em rodelas. Ninguém vira aquilo antes. O especialista olhou as duas longas metades da cenoura, sorriu e guardou o canivete, sem dizer nada.

                Imediatamente, alguns dos presentes foram buscar facas para repetir o inusitado corte. Começaram a perceber, na estrutura da cenoura, detalhes que nunca tinham percebido. O murmúrio geral foi aumentado, até que alguém parou a reunião e pediu ao especialista que relatasse o que um corte longitudinal na cenoura poderia revelar. Ele respondeu: “Nada. Eu só estava testando a lâmina do meu canivete novo”.

                Reverência é isso. Não é tanto o que uma pessoa sabe, mas o que as ouras pessoas imaginam que ela saiba.

 

Grandes conclusões

Max Gehringer

                Num seminário sobre técnicas de avaliação dedutiva, o professor afirmou que, a partir de uma pergunta simples, era possível descobrir qualquer coisa sobre uma pessoa. E deu um exemplo prático, convidando um dos participantes a subir no palco.

                Ele perguntou ao participantes: “Você tem um gato?”. O participante respondeu que não. “Se você não tem”, começou o professor, “é por um dos três motivos: ou você não gosta de animais, ou não tem espaço, ou não poderia cuidar do gato. Como você está bem-vestido, deve morar em um local confortável: portanto o problema de espaço não existe, correto? Como você me parece uma pessoa sensível, também não deve ter nada contra gatos. Logo, você não tem gato porque não pode cuidar dele. Eu diria que isso acontece porque você é solteiro e mora sozinho. Mesmo morando sozinho, você teria tempo, à noite, para cuidar de um gato, mas prefere gastá-lo em outra coisas mais interessantes, correto? Navegar na internet, por exemplo. Mas você tem um tipo atlético. Eu diria que você passa duas noites em baladas. E, como usa uma aliança, eu diria que você tem uma namorada”. Após tomar um fôlego estratégico, o professor concluiu: “Portanto, meu caro jovem, você é heterossexual”.

                Então, dirigindo-se à plateia, o professor disse: “Como vocês podem ver, a partir de uma simples pergunta sobre um animal de estimação é possível descobrir qualquer coisa sobre uma pessoa, até mesmo sua orientação sexual”. A plateia aplaudiu longamente.

                Em seguida, o professor chamou outro voluntário e pediu que ele tentasse a técnica de avaliação dedutiva. O próprio professor responderia às perguntas. O voluntário perguntou: “Professor, o senhor tem um gato?”. O professor respondeu sim. O voluntário emendou: “Portanto, meu caro professor, o senhor é homossexual”.

 

 

O segredo é se valorizar

Daniel Godri

                O grande problema do brasileiro é a autoestima. Precisamos melhorar nesse aspecto.

                Outro dia, li um artigo que afirmava que o brasileiro tem problemas de autoestima desde a mais tenra idade. Lembram-se das canções de ninar que nos embalavam? “Boi, boi, oboi / Boi da cara preta / Pega esse menino / Que tem medo de careta”, ou “Nana, neném / Que a cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi trabalhar”. Se um foi pra roça, e a outra foi trabalhar, a criança está abandonada! São canções que nos colocam para baixo.

                A gente precisa ter autoestima. É algo que me ajudou muito, em minha vida, espero que ajude você e que você repasse isso para outras pessoas. Por exemplo, compare uma nota de 100 reais com uma de 2 reais. São muito parecidas. Eu sempre imaginei que a nota de 100 reais fosse maior – mas não, elas têm as mesmas dimensões. Eu imaginava que a de 100 reais fosse feita com papel mais nobre – mas não, o papel é o mesmo usado na nota de 2 reais. Imaginava que a gráfica que fizesse a nota de 100 reais fosse uma gráfica especial – mas não, é a mesma gráfica que faz a de 2 reais. A pessoa que assinou a nota de 100 reais é a mesma que assinou a de 2 reais.

                Mas por que uma vale tanto e outra vale tão pouco? Porque isso foi convencionado. Na nota de 2 reais, está grafado o número 2, e a gente aceita. Se estivesse grafado o número 100, aceitaríamos do mesmo jeito. Percebe? Você precisa entender o valor que você tem. Quanto você chega à sala de aula, que valor os professores e os colegas veem em você? Quando você chega a uma sala de reunião, que valor os colegas de trabalho veem em você? Quanto você chega a sua casa, que valor sua família vê em você? Quando você pede um aumento salarial, que valor o seu chefe vê em você? O segredo é se valorizar.

 

A perseverança faz a diferença

Daniel Godri

                Eu sou um antiexemplo de aluno. Sempre fui muito burrinho para aprender. Ia à escola por causa do lanche. Parei de estudar no ensino médio e, depois, fiz supletivo. Entrei tarde na faculdade, depois de casado, para cursar Administração. Passei no vestibular muito mais por sorte do que por conhecimento.

                Na faculdade, tive um professor de 82 anos, padre, que dava um curso sobre como cristianizar o administrador. Era um show de aula, na qual usava recursos teatrais. Eu me inspirei nele.

                Depois de fazer pós-graduação em Marketing, fiquei dois anos como professor voluntário, em uma universidade particular de Curitiba. Eu falava para todos os professores, mesmo de outras áreas: “Meu amigo, eu sou o Daniel Godri, me formei em Administração e me especializei em Marketing. Se precisar de um substituto, estou aqui”.

                Todas as noites ficava de plantão na faculdade. Sabia que, o dia em que um professor tivesse qualquer problema, ele ligaria para a escola e perguntaria: “Tem alguém aí para me substituir?”. Eu estaria lá. Eu entrava na sala, numa aula de Finanças, por exemplo, e dizia: “Pessoal, eu sou de Marketing. O professor de vocês não pôde vir. O que ele está ensinando para vocês?”. Eles respondiam e, como não entendia nada de Finanças, eu bolava um teatro, uma explicação prática daquele conhecimento.

                Deu certo, e comecei a dar aulas. Os alunos pediam que eu fosse à empresa dos pais deles para falar sobre algum assunto. Eu ia de graça naquelas empresas de três, quatro funcionários. Eles nem desligavam as máquinas – ficavam trabalhando e me ouvindo. Fui treinando, e hoje estou aqui. Conto essa história para lhes mostrar que, se você é novo, está começando a dar aulas, não tem muita experiência, não se preocupe. Você só precisa ter garra, força de vontade, perseverança. Isso faz a diferença.

 

Ensinar é um ato de doação

Daniel Godri

                Há uma história muito legal circulando pela internet. Ela nos ensina muito sobre o que é ser professor.

                Um aluno do ensino fundamental estava na sala, durante a aula, e sentiu vontade de fazer xixi. Mas ele tina vergonha de pedir às professora para sair. O tempo foi passando, ele foi ficando apertado e acabou fazendo nas calças.

                Suas calças ficaram molhadas. Ele percebeu que, embaixo da carteira dele. Se formou uma poça. O menino se sentia envergonhado e pensava: “Meu Deus, todo mundo vai rir de mim. Eles vão tirar sarro de mim pra sempre. O que eu vou fazer?”

                No meio dessa situação, sem ninguém perceber o que acontecia, a professora vinha caminhando entre as carteiras, explicando a matéria e carregando o vasinho de água onde costumava colocar flores. Ela foi em direção a ele, fingiu que tropeçou e derrubou aquela água toda em cima do menino: “Puxa, desculpa, molhou você?”.

                Ele saiu da sala para se enxugar agradecendo a vida inteira pela atitude da professora. Ela o salvara de uma situação muito vexatória, muito vergonhosa. Não fosse por isso, seria gozado, pelo resto da vida, sempre que encontrasse os coleguinhas.

                No fim da aula, todo mundo saiu. Alguns comentavam: “Mas que professora desastrada! Burrinha, né? Não tem talento!”. Depois que a aula acabou, ele ainda ficou na sala e, chorando, disse: “A senhora me salvou a vida”. Ela respondeu”Eu sei disso. Um dia, eu também fiz xixi nas calças”. Ensinar também é doação e sacrifício.

 

Queremos uma nova educação ou vamos informatizar a velha?

Waldez Luiz Ludwig

                Há mais de 20 anos participo das discussões sobre o uso da informática na educação. As tecnologias evoluíram muito deste então, e a discussão continua travada. Estamos perdendo muito tempo.

                Pasmem, ainda há professores que são contra o uso do computador no ensino fundamental e que proíbem os próprios filhos de assistir à televisão. A intitulada “Síndrome da merenda” sobrevive há mais de duas décadas. “Eu não vou colocar computador na minha escola porque nós não temos dinheiro nem para a merenda. Está faltando giz, e querem implantar esse ‘negócio’ de informática”.

                Não sou contra a merenda ou o giz, mas substituir uma coisa pela oura nem pensar! Dica: use a abuse do computador. Nos processos pedagógicos, ele é uma ferramenta eficaz de aprendizagem e só perde para um ótimo professor. Explore suas características de disponibilidade e de interatividade, não encontradas em nenhuma outra ferramenta, e – o mais importante – utilize-o como instrumento de democratização do acesso à informação.

                Não seja tímido. Quanto mais lentas forem as iniciativas nas escolas públicas, maior será o fosso de qualidade entre elas e o ensino privado, agravando as diferenças sociais já tão dramáticas. Nossas crianças de classe média têm computador em casa. Nossas crianças pobres só terçai essa chance se o computador mais moderno estiver na escola mais pobre.

                Não resista! Mais uma vez, o conservadorismo vem de dois lados: por um lado, a ignorância e, por outro, o reacionismo. A informática é uma ciência aplicada que pode revolucionar a educação, como vem fazendo nos ambientes não educacionais, mas pode, também, servir para manter as coisas como estão, perpetuando o caos. Queremos uma nova educação ou vamos informatizar a velha?

 

Você e a reinvenção da educação

Waldez Luiz Ludwig

                A instituição da nova era é um ambiente educacional. As empresas modernas se parecem cada vez mais com as boas escolas, algumas indústrias, já construíram mais salas de aula do que área fabril, e os processos de aprendizagem são aqueles com investimento máximo em capital e inovação tecnológica. A sede de uma empresa – que, antes, se chamava matriz ou mesmo quartel-general, agora, sintomaticamente, chama-se “campus”.

                Infelizmente, a maioria das nossas escolas se parece com velhas fábricas, a produzir, numa linha de montagem em série, produtos, perdão, alunos – inadequados para um mercado de trabalho novo e transformado. Assim, a educação corporativa substitui, a um alto custo, uma das funções que seria do sistema formal de ensino, mesmo porque a transformação do atual sistema é muito lenta, para não dizer paquidérmica.

                Dica: se reinvente para reinventar a educação. Não fique aí esperando, achando que essa revolução tão necessária virá das luminares de algum guru, dos órgãos públicos competentes ou de um centro acadêmico de pesquisa. Infelizmente, hoje não há espaço, dada a urgência da questão, para o surgimento de um só Piaget, Darcy ou Paulo Freire. Essa revolução terá de vir de todos, indivíduos ou grupos, comunidades e organizações, de milhares de tribos que conspirem por uma transformação urgente.

                Coloque o tema em discussão na reunião de pais e mestres, na reunião do condomínio, no futebol de sábado, no cabelereiro, no botequim e decida o que você pode fazer por essa causa, que, além de nobre, é questão de sobrevivência. Comprometa-se e participe.

 

Qualidade na educação ou educação de qualidade?

Waldez Luiz Ludwig

                O buraco aí é fundo. Primeira dificuldade: comparar os processos educacionais com os processos produtivos convencionais e, pior, aplicar métodos que são muito úteis numa indústria de parafusos, mas que não servem para as nossas salas de aula. Parafuso, por exemplo, não chora. Parafuso estragado a gente devolve ou joga fora. Não dá para fazer o mesmo com um menino que foi “mal” educado.

                Segunda dificuldade: como avaliar a qualidade do processo? Prova, provinha, provão? Grau de satisfação dos alunos, grau de satisfação dos pais? Lembra aquele seu professor muito chato a quem hoje você agradece por ter aparecido na sua vida? Naquele momento, ele não tinha “qualidade” e, hoje, você a reconhece. Parafuso se avalia na hora, mas a qualidade da educação, às vezes, é avaliada como excelente ou péssima uma geração depois.

                O principal requisito da qualidade, para a maioria dos pais, é o rigor disciplinar – tarefa deles, mas que teimam em terceirizar para a escola. O requisito da qualidade, para a maioria dos alunos, é justamente o contrário: a liberdade. Ainda por cima, temos o mercado de trabalho, que quer outra coisa.

                Afinal, quem são os clientes do processo? E o maior dilema: fazer pequenas melhorias ou transformar as bases da velha educação? Há tantas outras dificuldades….Por isso mesmo, esse tema é tão apaixonante.

                Quando os professores me perguntam: “Afinal, o que você acha que é qualidade na educação?”, eu respondo com uma dica: “Professor, para os pais, finja que você é rigoroso. Para alunos, finja que permite total liberdade. Mas faça o que tem que ser feito, mestre. Saia na frente. Prepare os nossos meninos não para este mundo, não para o nosso mundo, mas para um mundo novo: o deles”.

 

A profissão do futuro: professor.

Waldez Luiz Ludwig

                Todo mundo quer saber: quais as profissões de maior futuro? Assim, no plural, eu sinceramente não sei – só consigo visualizar uma. A carreira do futuro é a de professor, que, não por acaso, também é uma das mais antigas profissões do mundo. Acompanhe a dica.

                Se o crescimento vem da agregação de conhecimento, e se este só é gerado na mente humana, então os processos de aprendizagem passam a ser preponderantes no novo mercado, e a profissão que facilita a eficácia desses processos está com tudo e não está prosa. É o educador.

                Mas sempre tem um “mas”: não falo do velho professor, que aprendemos a ver como o tirano das informações e do qual temos mais medo do que admiração. O futuro pertence aos novos mestres. Não há mais vagas para professores que só sabem ensinar, que são a autoridade dentro da sala de aula e, principalmente, que se orgulham de sua severidade. “Comigo é difícil passar”, ou “É raro alguém tirar dez comigo”.

                Profissão de futuro, sim, mas para aquele professor que mais escuta do que fala, mais aprende do que ensina. Para o que devolve as questões dos alunos com novos e maiores desafios, conhece bem a sua clientela e não discrimina talentos, nem os nivela, por baixo ou por cima – ele os trata individualmente.

                Educador do bom faz com que as pessoas se apaixonem pelo ato de aprender, faz com que saibamos aprender por nós mesmos e nos diverte, em vez de nos punir. Professor bom está à frente do nosso tempo, é mais ousado que os alunos e não se envergonha da sua profissão, do salário que recebe e de dizer “não sei”.

 

Quem pode nos ensinar?

Waldez Luiz Ludwig

                Professor, se você quer ter alguma chance de antever como será o futuro, aí vai uma dica: sugiro observar e aprender com os mais jovens. Os mais jovens estão sempre certos em relação ao futuro, e os mais velhos geralmente erram em suas previsões. Os mais jovens têm mais condições de perceber e de se adaptar às mudanças.

                Devemos ouvir e respeitar as opiniões dos que nasceram depois do furacão da civilização digital. Eles são capazes de sinalizar uma vida melhor no novo milênio, e o ensinamento mais útil que esses nossos pequenos gurus nos têm proporcionado talvez seja a sua relação diferente com o mundo material.

                Como nasceram e vivem no meio de bits e bytes, o que nós chamamos de patrimônio físico tem outra importância para eles.

                Explica-se, dessa forma, por que não cuidam dos seus pertences como nós, da minha geração, cuidamos. Os brinquedos, por exemplo, têm alguma utilidade por poucos dias, e não importa a qualidade de um tecido, mas sim a ideia que a marca da camiseta transmite. O teclado de computador e uma lata de refrigerante são consideramos bens de mesma importância, e tratam o mouse como se fosse um rato – justificam dizendo que ele é mais barato que uma pizza. É bem de consumo. São “consumeristas” e não “patrimonialistas”, como nós somos.

                Se pensarmos bem, eles têm razão. Porque nós, os mais velhos, não temos um bom motivo para nos orgulharmos muito do mundo que criamos a não ser o fato de termos gerado os instrumentos para que eles façam a transformação desse mundo velho em um mundo melhor.

 

 

A tríade da estratégia para aprender

Eugenio Mussak

                Estudar é um ato voluntário. Depende de uma decisão pessoal e de uma mente receptiva ao aprendizado. Como tudo na vida, você precisa definir o que deseja e se organizar para conseguir. A isso damos o nome de pensamento estratégico, que possui três partes principais

  • 1 – Objetivo: Se você não tiver      objetivo claro em sua mente, dificilmente se empenhará por aprender de      verdade. Defina as prioridades de sua vida – entre elas, a de preparar-se      para o futuro – e não se deixe desviar do rumo. Lembre-se do trapezista,      que não tira os olhos da plataforma, no final da corda. Se ele olhar para      baixo, cairá. É assim que funciona a mente humana.
  • 2 – Disciplina. Trata-se da mãe das      virtudes. A disciplina para estudar cria uma mente disponível para      aprender. Estudar todos os dias, ainda que apenas um pouquinho, cria um      hábito saudável, que você levará para o resto da vida. Se assim for, você      sempre estará entre os melhores.
  • 3 – Talento – Acredite, você tem talento      para estudar e para aprender. Todas as pessoas têm talento para aprender,      mas isso não depende de inspiração, e sim de transpiração. Portanto, mãos      à obra. Defina firmemente o objetivo de aprender e prepare-se para passar      de ano ou no vestibular. Crie o hábito de estudar e vá em frente. Você      estará exercitando seu maravilhoso talento par aprender e será o dono de      seu destino.

 

Tríade da organização para aprender

Eugenio Mussak

                Apesar de sermos estudantes a vida inteira (quem deixa de ser para de aprender e começa a andar para trás), há um período, de alguns anos, em que somos principalmente estudantes. É quando, apesar de fazermos outras coisas, estudar é nossa atividade principal. É quando dividimos nosso tempo em três categorias.

  • 1 – A aula. Você passa cerca de um      terço do seu dia no colégio, assistindo às aulas, dedicando seu precioso      tempo a aprender. Quanto mais concentrado você estiver, mais aproveitará      esse tempo e as aulas e maior será sua chance de sucesso nas empreitadas      futuras. Não esqueça que o tempo não volta. Aproveita bem a aula.
  • 2 – O estudo em casa. Não pense que      apenas assistir aulas será o suficiente. Você pode até passar de ano, mas      aprender de verdade, consolidar os conhecimentos e aumentar a base de compreensão      dependem de você dedicar algum tempo para estudar em casa. Ninguém passa      no vestibular, por exemplo, apenas assistindo às aulas. Se não dedicar ao      menos a metade do número de aula para o estudo em casa, dificilmente      passará no vestibular, pelo menos nas boas universidades.
  • 3 – A vida social. Nesta categoria está      fudo o que você faz além de estudar, e que é igualmente importante. O trabalho,      as amizades, a diversão, a leitura de informação, o esporte, a família. Você      é um estudante, mas continua sendo uma pessoa completa, com vários      interesses. O estudo é sua atividade principal, mas não deve aliená-lo do      resto da vida – aliás, o estudo serve para preparar você para viver melhor      todas as coisas que a vida tem para lhe oferecer.

 

10 tecnologias que estão revolucionando a educação

10 tecnologias que revolucionarão a educação

            Os especialistas são unânimes em afirmar que a tecnologia aplicada à educação é o caninho para salas de aula em todo mundo. Em alguns países ela já está presente no ensino de diversas disciplinas. No Brasil ainda engatinha. Quando se toca no assunto, a primeira imagem que se tem são dos tablets nas mãos dos alunos. Essa ideia assombra os professores mais conservadores. Abaixo 10 tecnologias disponíveis e baratas que podem ser imediatamente utilizadas na maioria das escolas brasileiras.

1 – Videogames – Os consoles PlayStation 3 e Xbox 360 são compatíveis com sensores e possuem conexão à internet. Eles permitem também fazer videoconferência e acessar o conteúdo de parceiros comerciais. O ponto forte destes dispositivos é o uso dos ambientes didáticos virtuais que permitem rápidas decisões.

2 – Sensores – Além do Kinect, da Microsoft, a Nike comercializa a pulseira FuelBand, que permite acompanhar o histórico de atividades e rastrear os praticantes de atividades físicas. De acordo com o especialista, os profissionais da área de saúde podem usufruir desta tecnologia para estimular alunos e pacientes.

3 – GPS – O dispositivo de posição global ajuda no ensino da geografia e disciplinas como dinâmica populacional ao informar as referências de latitude, longitude e altitude. Eles também mensuram alterações físicas no ambiente e podem ser usados em atividades correlacionadas com ciência. Hoje, há carros, telefones e relógios com receptores embutidos.

4 – Circuitos abertos – O Arduino possui enfoque nos estudantes e permite compreender a eletrônica e o funcionamento de máquinas. Além disso, atrai curiosos que desejam criar os seus próprios circuitos usando uma biblioteca pública de comandos.

5 – Tablets – Além dos videogames, os tablets serão cada vez mais usados durante as rotinas escolares. Estes dispositivos agregam conteúdos interativos às aulas e substituem livros didáticos e vídeos. As tarefas de campo, seminários e visitas técnicas também podem usufruir desta tecnologia.

6 – Cloud services – Os serviços na nuvem facilitam a sincronia de trabalhos em equipe e a organização de repositórios coletivos. Hoje, é possível criar contas em serviços de hospedagem de arquivos e pacotes de escritório, por exemplo, e acompanhar o andamento de projetos de qualquer computador ou tablet com acesso à web.

7 – Fim dos espaços concretos e aulas cronometradas – Hoje, os sites Coursera, Academicearth e Einztein permitem lecionar a partir de qualquer região com acesso à internet assuntos sobre ciências da computação, genoma e ciência das máquinas. “Sua universidade está em greve? Continue estudando em rede”, este sistema de ensino ajuda a acompanhar o aluno individualmente, esclarecer e monitorar as dúvidas e criar avaliações. Há também os grupos de estudos Inovadores ESPM, LibraryThing e PaperBackSwap. Geralmente, estes sites contam com bibliotecas virtuais com documentários, vídeos e apostilas.

8 – Simulador – Esta tecnologia pode ajudar na compreensão de situações complexas e dinâmicas que poderia levar dias com cálculos humanos. Os simuladores também ajudam a compreender os relacionamentos pessoais, intervenções cirúrgicas e administração de empresas ou cidades.

9 – Robôs – Na Coréia do Sul, os alunos de algumas escolas lidam com um robô durante as aulas. Na área de saúde, estas máquinas conseguem simular sintomas e ajudam médicos durante treinamentos. Há também o software chamado Robo Ticot, um projeto europeu que, de acordo com os desenvolvedores, possui grande facilidade em interagir com as pessoas e pode ser usado em áreas educacionais, governamentais e empresariais.

10 – Personalização –Tecnologias lançadas recentemente permitem gerar bases de dados complexas, analisar métricas e criar sistemas de recomendação. Estes serviços podem ser usados para auxiliar programas de ensino individualizado com base no histórico e necessidades do aluno.

 

Carreiras em ascensão

Carreiras em ascensão

Crise financeira, expansão das mídias sociais, realinhamento do cenário socioeconômico: as profundas mudanças dos últimos cinco anos têm um forte componente de instabilidade – mas, por outro lado, contribuíram para a abertura de novos campos de atuação no mundo corporativo.

            A consultoria de recrutamento Michael Page elaborou um estudo global que ajuda e entender como o mercado de trabalho vem se adaptando a esses chacoalhões. Realizada em cinco países (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e Brasil), a pesquisa destaca as atividades que nasceram para suprir as necessidades em um mercado em constante transformação. “São profissões muito especializadas, que atendem a demandas atuais e futuras. A perspectiva para os próximos anos, portanto, é de ampliação no campo de trabalho desses cargos” diz Paulo Pontes, presidente da Michael Page no Brasil. Conheça os sete novos profissionais que, de acordo com a patê brasileira da pesquisa, se destacam na empresas atualmente.

Gerente de treinamento do varejo

O que faz: treina os funcionários de cada ponto de venda da empresa. Antes, o costume era que a empresa adotasse um treinamento-padrão para todos os funcionários que lidam com o público; hoje, considera-se mais produtivo contar com profissionais que elaboram programas específicos conforme as características dos consumidores locais.

Formação:  administração de empresas, recursos humanos e psicologia.

Quem contrata: empresas do setor de varejo.

Salário: 8000 a 12000 reais.

Gerente de identidade visual

O que faz: em redes varejistas, é encarregado de talhar cada ponto de venda ao perfil do público que o frequenta. Ele define, por exemplo, a linha de produtos que deve ganhar destaque em determinada loja, a maneira como seus vendedores devem abordar a freguesia e as ações promocionais mais proveitosas. Deve, enfim, cunhar uma identidade para a loja ao mesmo tempo em que cuida para que ele não se sobreponha à imagem da marca nem entre em choque com ela.

Formação: publicidade e propaganda, marketing e administração, com experiência em varejo.

Quem contrata: empresas do setor de varejo, em especial do segmento de luxo.

Salário: 8000 a 12000 reais.

Gerente de comunidade

O que faz: atua diretamente na comunicação com o consumidor por meio de redes sociais, blogs e fóruns on-line. É responsável, por exemplo, por impedir que as reclamações sobre um produto ou serviço de sua empresa divulgadas no twitter ou facebook se transformem em virais negativos na internet.

Formação: marketing e publicidade e propaganda.

Quem contrata: empresas de comunicação e empresas que atuam nas redes sociais.

Salário médio: 7000 a 10000 reais

Gestor de reestruturação

O que faz: nos bancos, gerencia a carteira de clientes endividados, que abrange as empresas em dificuldades decorrentes, principalmente, da crise econômica de 2008. Embora grande parte dos gestores de reestruturação atue no setor bancário, há profissionais também dentro das companhias, com a missão de colocar a situação financeira de empresa nos eixos.

Formação: gestão e administração de empresas, economia e engenharia, com pós-graduação em finanças e experiência comprovada em áreas de risco de crédito.

Quem contrata: instituições financeiras e empresas de grande porte do setor privado.

Salário médio: 14000 a 24000 reais.

Gerente de projetos

O que faz: joga no meio de campo entre o departamento de TI e as demais áreas da empresa. Por um lado, ele leva as necessidades dos diferentes departamentos da companhia aos técnicos de sistemas de informação. No caminho inverso, aponta aos funcionários as limitações dos recursos de TI. Como ele dialoga com grupos que, muitas vezes, não se entendem – tecniquês e juridiquês, por exemplo, são dois idiomas distintos -, a capacidade de comunicação é a sua principal característica.

Formação: engenharia e informática.

Quem contrata: médias e grandes empresas de todos os segmentos.

Salário médio: 12000 a 2000 reais.

Gerente de relações governamentais

O que faz: é o interlocutor da empresa junto a órgãos governamentais e agências reguladoras, como Anatel e Aneel. Sua área de atuação é vasta: inclui desde questões legais até assuntos socioambientais. Por isso, o cargo exige um profissional que tenha grande capacidade de comunicação e, ao mesmo tempo, muito conhecimento e aptidão para os meandros da burocracia – uma combinação difícil, que, quando preenchida com eficiência, por levar aos mais altos salários entre aquele oferecidos por essas novas profissões.

Formação: comunicação, direito, administração de empresas, relações internacionais ou ciências sociais, de acordo com a área de atuação da empresa.

Quem contrata: empresas de grande porte, principalmente aquelas sob a supervisão de órgãos reguladores.

Salário médio: 12000 a 45000 reais.

Gerente de marketing on-line

O que faz: elabora a estratégia de marketing de uma empresa nas mídias sociais, como Twitter e Facebook, de acordo com o público especifico que se quer atingir e a rede social que se deve utilizar. Na Europa e nos Estados Unidos, os profissionais desse ramo já contam com experiência de até dez anos no currículo. No Brasil, o marketing on-line só agora começa e se expandir – daí a carência de profissionais experientes nessa área.

Formação: publicidade, propaganda e marketing.

Quem contrata: agências de comunicação e empresas que atuam nas redes sociais.

Salário médio: 8000 a 15000 reais.

Por que escrever?

O parto da escrita

Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo – 1º de junho de 2012

            No caderno “Equilíbrio” da última terça, Rosely Sayão veio em socorro de uma professora cujos alunos em fase de alfabetização se recusam a escrever manualmente. De acordo com os diabretes, fazê-lo seria uma inutilidade, já que o teclado hoje é onipresente.

            A colunista defende a escrita manual e, mas especificamente, a letra cursiva, afirmando que sua preservação é uma questão de cidadania, já que existem muitas pessoas que não tem acesso à tecnologia.

            Em grandes linhas, concordo com a psicóloga, mas tenho uma ou duas coisinhas a acrescentar. Rabiscar caracteres a mão – pode ser em letra de forma; eu não colocaria tanta ênfase na cursiva – parece ser um elemento importante para que as crianças dominem o código alfabético.

            O problema é que, ao contrário da linguagem falada, que é um item de fábrica do ser humano (não há bando que não disponha de um idioma), a escrita, com seus 5.500 anos, é uma invenção relativamente moderna e rara. Não surgiu mais do que três ou quatro vezes ao longo da história.

            Nossas mentes, forjadas para uma existência pré-história, não lidam tão bem com esse código. Trabalhos de neurocientistas como Maryanne Wolf e Stanislas Dehaene mostram que o ato de ler implica reprogramar o cérebro, integrando, com a criação de conexões neuronais, estruturas especializadas em percepção visual, processamento léxico e fonológico e cognição. Essas novas sinapses permitem que áreas tão diversas sejam cooptadas para trabalhar com harmonia e rapidez, nos dando a falsa impressão que ler é natural.

            Outra neurocientista, Karin Harman James, sustenta que a escrita manual, o desenhar letras, ao acrescentar uma dimensão motora a essa sinfonia, contribui para catalisar o aprendizado e fixar melhor os elementos da escrita na memória.

            A pergunta não é se jovens precisam escrever à mão, mas a partir de que idade podem deixar de fazê-lo.

Nova Iorque e novas regras nas redes sociais.

NY estabelece normas para professores nas redes sociais
Mestres não poderão interagir com alunos por meio de contas pessoais

O Departamento de Educação da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, publicou nesta semana um guia de orientação a professores nas redes sociais, chamado Social Media Guidelines. Pelo documento, os docentes não podem se comunicar com os alunos em blogs e sites como Facebook, Twitter, YouTube, Google+ e Flickr.

Leia também:
Veja o Social Media Guidelines na íntegra
Harvard e MIT anunciam cursos on-line gratuitos

Caso queiram utilizar sites de relacionamento para fins pedagógicos, devem criar um perfil profissional. A conta deve ser desvinculada do perfil pessoal, inclusive com uso de e-mail alternativo. Qualquer pedido de amizade por parte de alunos na conta pessoal deve ser rejeitado.

Para interagir on-line com estudantes é preciso ainda obter autorização da escola – que deve manter uma lista com as contas de todos os profissionais. O Social Media Guidelines estabelece que as escolas orientem os pais sobre quais atividades os estudantes serão convidados a participar e por que, além de instruí-los a procurar a instituição de ensino caso tenham dúvidas ou reclamações.

O Departamento de Educação diz que o objetivo do guia é assegurar que as redes sociais sejam utilizadas por professores de forma “segura e responsável”. “As redes devem ser como uma sala de aula. Os mesmos padrões esperados no ambiente profissional devem ser também adotados nos sites”, diz o guia.

Outro ponto ressaltado é que os educadores não devem esperar qualquer tipo de privacidade em suas contas profissionais. Isso porque o Departamento de Educação irá monitorá-las para “para proteger a comunidade escolar”.

 

Uma coisa de cada vez!!! A volta dos monotaskings.

FAÇA
UMA COISA DE CADA VEZ

Não dá pra ser multitarefa. Muita gente já descobriu isso. Conheça as pessoas que conseguiram se concentrar em uma atividade por vez, diminuíram a angustia e ganharam tempo para curtir a vida.

 Você começa a escrever um e-mail de trabalho, mas é interrompido pelo toque do
celular. Atende à ligação e, quando desliga, vê avisos de mensagens na telinha.
Abre uma delas mas, antes mesmo de responder, um colega chama você para
terminar uma conversa que começaram ontem… e assim você vai pulando de uma
tarefa para outra. Ao final do dia, o desconforto de ter começado muitas
coisas, concluído algumas e produzido bem menos do que gostaria. Vem a angustia
de que sobrou muita coisa para o dia seguinte – e pouco tempo para aproveitar a
vida.

        Esse comportamento, comum no multitarefa (multitasking), estilo dos que desempenham várias tarefas ao mesmo tempo (não confundir com o polivalente), começa aos poucos a ceder espaço a um estilo oposto: o monotarefa (monotasking). Ou seja: concentrar em uma coisa de cada vez com a intenção de fazer tudo bem feito, de preferência passando algum tempo longe das distrações da internet. “É uma contra-tendência, uma antítese ao excesso de informação e estímulos que vivemos”, diz Linda Stone. Para essa ex-executiva da Apple e da Microsoft e hoje uma das maiores estudiosas da atenção humana hoje, estamos deixando a era da Atenção Parcial Contínua (CPA, em inglês), em que prestamos um pouco de atenção a várias coisas o tempo inteiro, para entrar na era do unifoco, em que de fato nos concentramos nos que
estamos fazendo no momento. “Tudo que é escasso se torna valioso. A nova
escassez é ter tempo para pensar e se concentrar”, afirma Henry Manson, chefe
de pesquisa da agência de tendências de consumo Trendwaching, uma das maiores
do mundo. “Vivemos uma aceleração do tempo, tudo tem que ser rápido, imediato.
Mas não se pode ter inovação sem períodos de reflexão e preguiça”, diz a
filósofa Olgária Matos, professora da USP.

            O analista de sistemas Fabiano Morais,d e 40 anos, de Brasília, é um representante dessa tendência. Fabiano é obrigado a passar horas e horas à frente do computador por conta do seu trabalho – ele desenvolve sistemas para a Web. E entende bem o significado da palavra dispersão: “É aquela fissura de saber quem te mencionou no Twitter ou fez um post novo no Facebook”. Como empreendia seus próprios projetos e trabalhava em casa, o empresário não sabia mais o que era horário de expediente, final de semana ou feriados. Mas reagiu a essa falta de limites, e criou espaço para folgas e diversão. “Quis comandar o ritmo da minha vida”, diz. Um exemplo: Fabiano passou a fechar o e-mail e sites tentadores enquanto executa uma tarefa. Virou adepto da yoga e de meditação para aumentar seu foco no presente.

        Quando percebeu que os resultados eram positivos, acabou criando um projeto próprio em torno do tema: o Moov, um serviço na Web que permite compartilhar listas de tarefas, contatos e históricos de relacionamento entre uma equipe. Fabiano coordena ainda 15 pessoas em uma empresa de tecnologia da informação e aplica em grupo os benefícios do que aprendeu. “As noites e finais de semana, agora, se transformaram em tempo livre ao lado da família”.

 FIM DAS DISTRAÇÕES

         Computadores, smartphones, tablets e aplicativos trouxeram a ideia de que a tecnologia poderia facilitar nossa vida e nos tornar mais eficientes. Assim, as empresas adotaram o pensamento de que, quanto mais cosas um profissional fizesse ao mesmo tempo, melhores seriam seus resultados. Nas entrevistas de emprego, o lance era ser multitasker. “Isso vem de companhias que tentam obter o máximo de produtividade das pessoas nas horas de trabalho. Se você conseguisse fazer 2, 3 coisas ao mesmo tempo, isso não significaria um melhor uso do seu tempo?” diz o escritor americano Leo Babauta, autor do livro Foco: Um Manifesto da Simplicidade na Era da Distração (sem tradução para o português) “Isso não passa de um mito”.

            A ciência já provou o que Babauta diz: nosso cérebro não é multitask. Quando tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo só nos tornamos mais lentos e aumentamos a chance de erros. Mesmo com a capacidade de armazenar 50 mil vezes mais dados do que todo otexto que há na gigantesca e famosa Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, a mente humana é programada para processar uma informação por vez. “Somente depois de concluir uma tarefa é que passamos para a seguinte”, afirma o pesquisador do Centro de Neurociências Cognitivas e Integrativas da Universidade de Vanderbilt, nos EUA, René Marois. Isso provavelmente ocorre porque as mesmas partes do cérebro são usadas em conjunto no processamento de diferentes dados – elas não aguentariam a sobrecarga de trabalho.

            Quando achamos que estamos no modo multitarefa, na verdade, estamos apenas trocando de uma atividade para outra – e perdendo tempo com isso. “Quando você para de escrever um documento para checar um e-mail, leva alguns minutos para voltar a se concentrar no documento depois”, afirma Marois. Em um levantamento recente feito pela empresa americana de pesquisa Harmoni.e com cerca de 1.500 trabalhadores nos EUA e Reino Unido, um terço dos entrevistados confessou ser interrompido pelo menos a cada 15 minutos. Depois de cada interrupção, levam até mais de 20 minutos para recuperar o foco.

 POUCO A POUCO

        Uma estratégia que vem sendo usada por quem decidiu a se concentrar mais é dividir o trabalho em vários períodos de tempo, sempre curtos. Depois de cada um deles, breves intervalos de descanso. Esta é a lógica do método Pomodoro, criado pelo italiano Francesco Cirillo, ainda nos anos 80. Enquanto estava na faculdade, cansado de passar horas estudando e não aprender nada, pois sempre se distraía, Cirillo olhou
para um timer de cozinha em formato de tomate (em italiano, pomodoro) e decidiu usá-lo com cronômetro. O reloginho marcava um ciclo de 30 minutos, que ele dividiu em 25
de concentração e 5 de descanso para levantar, tomar água, folhear uma revista,
olhar pela janela. 
           Esses 5 minutinhos finais são vistos como o maior trunfo do método pelo engenheiro de software Marcelo Eden, 26 anos, do Recife. “Você recupera o foco. Durante o intervalo, às vezes, aparece  a resposta para algo que eu estava quebrando a cabeça.” O desenvolvedor de Web Guilherme Reis, 21 anos, de Goiânia, também adepto do tomatinho, acredita que ele seja ótimo para quando você está sem motivação, justamente por estipular folgas entre a produção. “Quando estou no gás, posso ficar horas trabalhando em algo. Do contrário, é bom ter um tempinho livre como recompensa”.  

Em
vez de controlar nosso tempo, a chave é gerenciar nossa atenção. Em vez de
seguir uma lista de obrigações chatas, priorizar o que é importante
emocionalmente. Isso nos faz trabalhar com motivação.

 

GERENCIAR ATENÇÃO 
            Listar o que é importante – e desempenhar cada item até o fim – é um mandamento comum nos métodos de gestão de tempo. Mas essas listas ficam mais eficientes e contribuem para um trabalho de maior qualidade quando consideram o que nos motiva – e não apenas uma série de obrigações chatas que nó nos desestimulam. “Isso acontece quando nos restringimos a controlar nosso tempo enquanto, na verdade, deveríamos gerenciar nossa atenção”, diz Linta Stone. Sob essa ótica, o que deve ser feito e, principalmente, o que não deve ser feito, se baseia em nossas
emoções e intenções. Esse gerenciamento emocional do tempo também aparece na
proposta de um método criado por Leo Babauta, o Zen To Done. Ele se resume a
algo bem simples: priorizar o que é relevante, focar no presente, e desempenhar até o fim. Ao definir essas prioridades, Babauta recomenda que entrem tarefas
ligadas a objetivos maiores na vida, àquilo que você quer fazer, não somente ao
que deveria ou precisa
.

            Restringir-se a check lists e prazos só aumenta a sensação de sufoco e angústia tão comuns em nosso tempo. “Nem sempre dá para aplicar tudo isso na prática, mas ter como meta já ajuda bastante”, diz Augusto Campos, 37 anos, de
Florianópolis, que trabalha com planejamento e gestão estratégica em uma grande
empresa. “Às vezes preciso dizer não para algumas interrupções e solicitações”,
afirma Augusto, que melhorou seus resultados e diminuiu os prazos, além de
evitar que tarefas do trabalho invadissem seu tempo livre. Linda Stone diz ser
mais eficiente quando segue o que chama de “Jornada Emocional”: “Quais são as
tarefas que realmente quero fazer e por que as prefiro? É assim que escolho com
o que vou me comprometer naquele momento”.

            Para participar ativamente das 5 empresas em que é sócio, o empreendedor João Paulo Cavalcanti, 28 anos, de São Paulo, divide seu tempo em momentos de imersão em cada projeto. “Conseguir entrar nos diferentes ritmos de cada atividade e dedicar-se a elas amplifica a capacidade de realizar. Ser monotasker (monotarefa) é a única maneira de ser múltiplo”, afirma João, que tem uma Start-up de internet, é vice-presidente de uma agência de tendências e participa de mais outras 3 empresas na área de pesquisa e tecnologia. João dedica entre uma e duas horas a cada atividade (projeto, reunião ou tarefa). Mas isso não significa que ele se preocupe com extensas listas de afazeres. Apenas coloca seu foco de maneira integral naquilo que acha mais importante. “Muitas pessoas reclamam que eu não respondo a e-mails ou mensagens. Mas eu respondo àquilo que é crucial, que fará diferença de fato”, afirma. João usa um aplicativo de gerenciamento, o Things, no iPhone, para ajuda-lo a listar as prioridades. E também um software, o Mindmeister, em que faz um mapa mental de suas ideias e,
assim, consegue definir o que realmente vale sua atenção. Para ele, isso é
suficiente. Mas reconhece: “Uma boa secretária é um salto quântico na vida de
um monotasker”.

 PRESSÃO MULTITASKER

            Em seus estudos sobre foco, Linda Stone dividiu as últimas décadas no que ela chama de Eras de Atencao, que mudam a cada 20 anos. Em 1965 teve início a era do multitask simples. “No intuito de se fazer o máximo possível, inventamos as tecnologias e processos”, diz. Com o surgimento da Web, levamos essa ânsia de sermos múltiplos ao limite. “A motivação passou de ‘eficiência’ para ‘não perder nada’, o que nos empurrou para atender a todas as ligações , responder a todos os e-mails”, diz Linda. “A superabundância de ferramentas e gadgets provocou uma sobrecarga digital”,
afirma David Lavenda, diretor de marketing da empresa de pesquisa Harmoni.e. Em
seu recente levantamento, 85% dos entrevistados afirmaram acessar o e-mail
profissional nos finais de semana e quase metade segue conectada quando já está
na cama.

     O empreendedor Guilherme Komel, 37 anos, que presta serviços na área de internet no Vale do Silício, na Califórnia, o centro mundial da tecnologia, acredita que ser bom de negócios é entregar resultados. “Se a sua tarefa é responder a e-mails 24 horas por dia, 7 dias por semana, não ficar com seu blackberry sempre ligado parece coisa ruim”, diz Komel, que já viveu tempos em que acordava de madrugada para checar mensagens no celular. “Até que um dia senti que esses aparelhos eram controles remotos da gente”, diz. Hoje, Komel escolhe um lugar quieto para trabalhar,
longe das distrações do MSN ou, como ele mesmo diz, de conversa fiada. “Sou
monotasker, porque prefiro bons resultados e rapidamente”.

          Não é fácil desligar-se quando a expectativa, das pessoas e das empresas, é que se faça tudo ao mesmo tempo e se aceitem tranquilamente as interrupções. “Competência e desempenho são questionados, como se o fato de preferirmos desempenhar uma tarefa de cada vez nos tornasse menos capazes”, diz a administradora Patrícia Martins, 29 anos, do Rio de Janeiro, que trabalha em uma petrolífera. Patrícia é focada por natureza. Até 3 meses atrás, sequer tinha conta no Facebook. “As pessoas me olhavam como se eu fosse um ET quando dizia isso”.

       No trabalho, Patrícia faz listas diárias de afazeres e mantém uma regra de ouro: jamais iniciar tarefas que não estão listadas. Se não estão é porque não são importantes naquele momento. “foi a maneira que encontrei de me adaptar às exigências de uma vida corrida. Sinto alívio enorme quando termino uma tarefa”, diz. Santana Dordot, 35 anos, diretor de negócios e planejamento de uma agência de comunicação online, em Belo Horizonte, também sente que ao fazer uma coisa de cada vez, tira uma preocupação da mente. “A ansiedade baixa e o trabalho flui mais leve e com mais foco”, afirma. A sensação de missão cumprida finalmente chega logo, algo cada vez mais raro em nossos dias.

PROCRASTINAÇÃO

       Quando estamos sem foco, de fato, tendemos a adiar cada vez mais o que quer que seja. “A procrastinação faz parte desse tédio”, afirma Olgária Matos. “Tanto faz adiar uma coisa ou não. Não tem mais sentido fazer agora ou depois. O tempo é preenchido com coisas vazias”, diz. A sensação do nada no fim do dia, então, não é descabida, mas uma consequência esperada: de fato, grande parte do que se fez não era significativo. 
O diretor de marketing digital João Vargas, 26 anos, do Rio de Janeiro, nunca viu graça nas famosas jornadas noturnas das agências de publicidade. Trabalhando 5 anos em uma, cansou de passar noites regadas a café e coca-cola fazendo o que poderia ter sido feito ao longo do dia. “Às vezes eu trabalhava das 7h à meia-noite e parecia que nada tinha sido feito”. Quando se tornou sócio de uma empresa de marketing online,
João decidiu mudar as coisas. Começou a selecionar suas tarefas por ordem de
importância e a executá-las com concentração máxima. Para organizar o dia a dia
ele usa um software criado por sua própria companhia, que monitora não somente
as atividades dele, como de todos os funcionários. “Posso saber, em tempo real,
o que cada um está fazendo e acompanhar sua lista de produtividade”, afirma. O
resultado é que os funcionários podem jogar pôquer e videogame na empresa.
“Justamente porque eles conseguem se planejar”, diz João. Depois da mudança,
ele passou a chegar no trabalho as 10h todos os dias. Ganhar tempo para curtir
a vida, de fato, é uma das melhores consequências de aprender a colocar a
atenção em  uma coisa por vez.

 SÓ O QUE IMPORTA

            Quando era sócia de uma agência de design gráfico, a analista de marketing Alexandra Garrido, 38 anos, de São Paulo, corria de uma reunião para outra. Ao chegar em casa, a vida seguia agitada: o marido trabalha no ramo de bares e restaurantes, o que fazia com que o casal tivesse que sair bastante à noite. Quase não sobrava tempo para as duas filhas, hoje com 4 e 6 anos. “Minha vida era uma loucura”, diz. Para fazer atividade física, precisa se levantar às 5h da matina. “Eu não às aulas de natação das meninas, não buscava na escola, não almoçava junto para ensinar a
cortar o bife”.

     Foi então que Alessandra resolveu mudar radicalmente. Vendeu sua parte na empresa e tirou um ano sabático, em que se dedicou a alguns cursos livres e à companhia das filhas. Passados 12 meses, ela voltou à labuta. Abriu outra empresa, agora de pesquisas de mercado. A grande diferença é que desta vez não tem sede nem telefone fixo. Cada sócio tem seu celular e faz seu horário de acordo com suas prioridades. Com a flexibilidade, ela consegue passar mais tempo com as meninas e investir mais atenção na hora em que está trabalhando, já que não fica pensando no que poderia ou deveria estar fazendo. “Primeiro dei uma freada e, depois, outra
velocidade à minha vida. Acaba sendo um carro que consegue andar rápido ou
devagar, mas não mais no automático”.

       Histórias assim expressam uma mudança de perspectiva. Antes, algumas dessas pessoas olhavam para uma vida superagitada e pensavam no quanto poderiam ganhar com isso. Agora, pensam no que perdem ao viver dessa maneira. “Consideramos mais profundamente o que tem valor para nós e daí surgem novos comportamentos”, diz Linda. Por exemplo, o monotasking. Para a professora de semiótica da USP e pesquisadora do Observatório de Tendências do Ipsos, Clotilde Perez, essa busca pelo foco surge no cruzamento de duas tendências maiores. Uma é nossa necessidade atual de bem estar. A outra é a de se aproveitar o que as tecnologias têm de melhor, mas sem abrir mão de curtir seu próprio canto. “A sensação de querer dominar o mundo ficou para trás. Estamos menos ambiciosos”, afirma. O que as pessoas buscam
nessa perspectiva, é viver em uma espécie de microcosmo conectado. “Querem
criar ovelhas na Irlanda, mas acessando a internet no iPad”, diz Clotilde.

            Quando Fabiano, Alessandra e João decidiram se concentrar em uma coisa de cada vez, além de produzir mais e melhor, parte da intenção era ter mais tempo para viver tudo o que se passa em seu próprio universo. O que, nesse mundo superestimulante, é um desafio e
tanto, mas que pode ser alcançado passo a passo. Uma coisa por vez. O carioca
João Vargas diz que está quase lá. “Não falta muito, ainda vou conseguir. E o meu cachorro, o Shoku, vai adorar”.

RITUAIS DE FOCO

                O que fazer para se manter na linha ao longo do dia. Com dicas do escritor Leo Babauta.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

  1. Tenha uma manhã tranquila. Não use a internet logo depois de
    acordar – ligue o computador apenas se for para escrever um texto enquanto toma um café ou chá. Medite, caminhe ou simplesmente faça nada. Só descanse a mente.
  2. Liste as tarefas. Não comece o trabalho olhando e-mail e redes sociais. Faça uma lista de atividade diárias, mas apenas com as 3 tarefas mais importantes. Comece a execução pela primeira e só pare quando estiver 100% feita.
  3. Limpe o ambiente. Tire os papéis e jornais acumulados de sua mesa de trabalho. Lave aquela xicara de chá suja.
  4. Retome o foco. A cada uma ou duas horas feche sites e aplicativos, ande um pouco e, então, volte à lista de prioridades e realize a próxima tarefa antes de se conectar e checar e-mails.
  5. Desconecte-se. Escolha um horário do dia para ficar sem ver e-mails e atender a ligações. Avise às pessoas sobre isso.
  6. Finalize o dia. Reflita sobre o que foi feito, o que pode ser feito e melhorado e no que precisa se focar no dia seguinte. Descanse.

 RODADAS DE TOMATE

                Saiba como funciona o método Pomodoro, que se baseia em curtos períodos de alta concentração com breves descansos no meio, e tem cada vez mais adeptos.

Você vai precisar Um cronômetro ou timer de cozinha. Que tenha ciclos de 30 minutos. Um Pomodoro contém 25 minutos de concentração e 5 de descanso.

Uma folha para o seu inventário de atividades. Registro de coisas que você tem  ue fazer, sem data definida.

Uma folha de afazeres do dia. Toda manhã, você irá selecionar do inventário as
atividades para aquela data. Liste-as em ordem de prioridade e coloque quantos
Pomodoros irá gastar para cada dia. Crie uma seção de “Atividades Urgentes e
Não Planejadas” para tarefas inesperadas.

Uma folha de registro. Com data e descrição das atividades. Conforme forem completadas, registre o número de Pomodoros que foram necessários. Isso vai ajuda-lo a saber quantos Pomodoros você leva para fazer uma determinada tarefa.

Comece os Pomodoros

– São 25 minutos de puro trabalho. Eles não podem ser interrompidos. Não existe meio Pomodoro. Nem um quarto. Se tiver que atender um telefonema, cancele o Pomodoro e recomece um novo na sequência.

Ao final de 25 minutos dê um intervalo de 5. Mesmo que esteja empolgado com o trabalho. O intervalo permite à mente assimilar o que foi feito. Na hora do descanso,
levante, beba água, caminhe pela sala. Não faça nada que demande esforço
mental. Se tiver vários e-mails para responder, tire um Pomodoro para isso.

A cada 4 Pomodoros faça um intervalo de 15 a 30 minutos.

– Trabalhe Pomodoro após Pomodoro. Conforme as atividades forem completadas, risque-as da lista.

E não use em seu tempo livre. Para o lazer não virar dever.

 Revista Galileu

               

14 VERDADES e MENTIRAS sobre o ENEM

14 VERDADES E MENTIRAS SOBRE O ENEM

 1.      Quando não se sabe a resposta, é melhor deixar em brando. MENTIRA

Ao contrário de alguns métodos de avaliação, você não perde pontos se errar a pergunta. Se não souber, chute! A folha de resposta é corrigida por um computador, por isso, deixando em branco, ela é automaticamente considerada errada.

 2.   Questões podem ter valores diferentes. VERDADE

No Enem, as questões têm valores diferentes. Mas o número de pontos de cada uma não é divulgado. Por isso, alguém que acertou o mesmo número de questões do colega pode ter uma nota diferente.

 3.       A nota do Enem pode prejudicar você na hora de ingressar na faculdade. Se achar que ela é muito baixa, não inclua no processo de seleção. MENTIRA.

Algumas universidades combinam a nota do Enem com o resultado do vestibular. É aconselhável sempre informar a nota do Enem durante o processo de seleção, se a instituição permitir. Se a nota do Enem for baixa o suficiente para prejudicar o vestibulando, ela é desconsiderada em algumas instituições.

 4.      Estuda-se para o Enem como se estuda para o vestibular. VERDADE.

O melhor método para se preparar para as provas do Enem é refazendo as questões das provas anteriores para treinar a capacidade de interpretação (algo que exige paciência) e testar seus conhecimentos. Estar sempre atualizado com os acontecimentos e fatos atuais é muito importante. Lembre-se: não basta apenas saber o conteúdo, é necessário conhecer a linguagem da prova. Quanto mais prática a leitura, melhor.

 5.       Não é preciso escolher a instituição e o curso antes de se inscrever no Enem. VERDADE.

Faça o Enem e leve a sério todas as provas, inclusive a redação. O Enem é a forma de você ter vantagens na hora da seleção para o vestibular, por isso mande bem mesmo. Depois que você tiver o resultado da sua nota, é hora de começar a escolher a
universidade. Passada a régua no Enem, mais livre você está de escolher a
faculdade que quiser.

 6. O Enem tem leituras obrigatórias. MENTIRA

Não. Quem tem são só os vestibulares.  

 7.       Preocupe-se apenas em estudar o que vai cair na prova. MENTIRA.

Estude todos os conteúdos! Muitas vezes, uma pergunta sobre determinado assunto se utiliza de outros temas para ser contextualizado. Às vezes, é preciso de conhecimentos a mais para poder resolver uma questão.

 8.       Se a universidade não exigir as cinco provas do Enem em seu processo de seleção de intgresso, não é necessário fazê-las. MENTIRA.

Se a universidade dos seus sonhos não exige o Enem como um dos requisitos para a seleção, muita calma. Você pode precisar do Enem para outras oportunidades, como para garantir uma bolsa de estudos.

9.       O aluno deve fazer a prova no ano em que está formando. MENTIRA.

Não é obrigatório fazer no ano em que se forma, mas é recomendável. Se o aluno optar por adiar a entrada na universidade, pode adiar o Enem. Mas o ideal é fazer no mesmo ano do fim do colégio.

 10.    O Enem substitui o vestibular em algumas universidades. VERDADE.

O Enem substituiu na íntegra o vestibular de algumas universidades. Em algumas instituições, é preciso ter feito as duas provas. A verdade é que cada universidade tem um critério. Informe-se.

 11.    A inscrição para o Enem só pode ser feita online. VERDADE.

Você pode se inscrever e saber mais informações sobre a prova no mec.gov.br.

 12.    Há limite para quantas vezes um aluno pode fazer o Enem. MENTIRA.

Você pode fazer a prova quantas vezes quiser. As instituições sempre contabilizam a nota da última edição, mas isso pode mudar: logo o aluno poderá utilizar a melhor nota e não a última.

 13.    Não há diferença entre o novo e o antigo Enem. MENTIRA.

A versão atual tem objetivo classificar os estudantes por desempenho e ser um instrumento de concurso. As provas anteriores a 2008 tinham o objetivo de diagnosticar a qualidade do Ensino Médio no Brasil e fornecer dados de pesquisa para sustentar
possíveis mudanças no currículo.

 14.    Há diferenças do atual Enem para o vestibular tradicional. VERDADE.

A abrangência, a linguagem e o conteúdo pragmático são diferentes. Enquanto o vestibular é específico para uma instituição, o Enem é um credenciador para o aluno
ingressar em muitas faculdades pelo Brasil afora. Enquanto cada vestibular tem
sua linguagem própria, o Enem tem uma linguagem interdisciplinar, foca em interpretação de textos relacionados ao dia a dia.

Matéria publicada na Revista Galileu.

 

 

 

 

O dilema das aulas particulares.

O DILEMA DAS AULAS PARTICULARES

GUIA
VEJA – Abril – 2012

O baixo rendimento de um aluno ao longo do ano costuma levar a família a uma
corrida contra o tempo: para que ele não perca o ano letivo, sobrecarrega-se o
filho com aulas particulares no quarto bimestre.

            A atitude, porém, é reprovada pelos especialistas em educação. Além da pressão psicológica e do cansaço físico que acarretam, as aulas particulares podem enfraquecer o compromisso da escola com o ensino. “Não mais do que 3% a 7% das crianças apresentam alguma dificuldade real de aprendizado – decorrente, por exemplo, de problemas de visão ou audição, dislexia ou algum tipo de comprometimento neurológico”, diz Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Fora desse universo restrito, cabe ao time pedagógico da escola atender de forma eficaz os alunos com diferentes ritmos de aprendizado, elaborando estratégias de ensino diversificadas e oferecendo plantões ou aulas de reforço. A seguir especialistas comentam os pontos que devem ser avaliados quando as notas vêm baixas.

 

Participação dos pais

O primeiro passo para entender porque seu filho está indo mal é acompanhar de
muito perto a vida escolar dele. Oferecer um espaço tranquilo para que ele
estude, supervisionar seus boletins, conferir sua lição de casa e anotações
feitas em aula, nos cadernos – além de ouvir com atenção o que ele tem a dizer
sobre a escola e os professores -, são deveres dos pais. O objetivo não é
pressionar o aluno a se destacar dos colegas nem fazer a lição de casa por ele:
é dar amparo para que ele progrida por seus próprios esforços. É uma boa ideia
também estimular o interesse pelas matérias nos horários de laer, comprando
livros ou visitando exposições. Finalmente, é fundamental que os pais conversem
regularmente com os professores, para conhecer em profundidade o método do
colégio e o comportamento do filho no ambiente escolar. “O sucesso do aluno
depende da parceria dos pais com a equipe pedagógica”, diz Rui Alves, diretor
de ensino do Colégio pH, no Rio de Janeiro.

 

Empenho do aluno

É preciso avaliar – e reconhecer – quando é a própria criança ou adolescente quem
criar barreiras para o aprendizado, ao negligenciar o que é dito em sala de
aula, ignorar as lições de casa e recursar-se a participar de atividades
organizadas pelo colégio. Escassez de anotações ou informações incorretas no
caderno são sinais de desorganização e desatenção. “Na maioria das vezes, é a
falta de disciplina do aluno o motivo de seu baixo rendimento”, diz Adilson
Garcia, diretor do Colégio Vértice, em São Paulo. A saída, aí, é estabelecer
uma disciplina para a criança e acompanhá-la passo a passo, todos os dias, até
que ela tenha se tornado uma segunda natureza. Vai dar um trabalho danado, mas
vale a pena. A lição fica para a vida toda.

 

Metodologia de ensino da escola

A explicação para o desânimo do aluno pode estar no método da escola. Se em casa
a criança usa o computador ou o tablete, joga games e tem acesso a internet, é
natural que se sinta entediada quando a obrigam a passar horas copiando frases
da lousa. “A metodologia deve ser compatível com a realidade do aluno. Uma
criança cercada de tecnologia precisa de dinamismo para motivá-la”, diz Silvia
Cotello, da USP. Ou seja: não adianta, por exemplo, tentar compensar o ambiente
liberal de casa escolhendo uma escola rigorosa e conservadora. O único
resultado será tornar a criança infeliz e desconfortável. A especialista lembra
ainda que irmãos podem não se adaptar a mesma instituição de ensino. “Muitas
vezes, a escola que é boa para um filho é ruim para o outro”. Nesses casos, em
vez de tentar mudar o filho, pode ser mais produtivo mudar de colégio.

 

Dificuldade em habilidades básicas

A criança até parece levar jeito para o raciocínio matemático – mas, na hora de
resolver a lição, não sabe nem por onde começar. O problema talvez não esteja
na matemática, mas sim no português: é o enunciado da questão que ela não
entende. Nesses casos em que a dificuldade de aprendizado não está associada ao
conteúdo da matéria, é claro que as aulas de reforço daquela disciplina não vão
adiantar nada. Se os professores da criança não se tocaram desse fato comum da
vida, é sinal de que eles é que não estão prestando atenção na sula. Converse,
cobre, insista e encoraje: reforços bem direcionados em geral bastam para pôr
tudo de volta nos trilhos. “Os professores e pedagogos têm de ser capacitados
para identificar dificuldades com habilidades básicas como leitura e
interpretação de texto ou compreensão das sentenças matemáticas”, explica Neide
Noffs, coordenadora do curso de psicopedagogia da Pontifícia Universidade
Católica (PUC) de São Paulo.

 

Defasagem de conteúdo

            Segundo os especialistas, trata-se de única situação em que as aulas particulares são benéficas. A defasagem acontece principalmente quando a criança muda de escola e passa a frequentar uma instituição mais exigente, ou quando se afasta por período longo, por doença ou outro problema familiar. Nesse caso, as aulas de reforço são a melhor solução para o aluno alcançar o nível os colegas. Outra possibilidade: o aluno diz que vai mal em química porque “detesta” a matéria. Aí, volta-se ao segundo item deste guia, aquele referente ao empenho: não se pode fazer só aquilo de que se gosta, e o emprego do aluno é estudar……

 

O momento para começar

            Em geral, os pais aflitos recorrem às aulas particulares aos 45 minutos do segundo tempo, como uma medida desesperada para salvar o ano letivo. “É um erro grave deixar as aulas de reforço para o último bimestre, pois o conteúdo que o aluno deixou de aprender nos primeiros meses seria justamente a base para o resto do ano. Sem esse conhecimento básico, as dificuldades nos meses seguintes são inevitáveis”, diz o professor Garcia. Os colégios que oferecem aula de reforço e plantões de
dúvidas aos alunos com rendimento insatisfatório procuram resolver o problema
assim que ele surge. No Vértice, em São Paulo, e no pH, no Rio de Janeiro, por
exemplo, o reforço entra em cena assim que aparecem as primeiras notas baixas,
nos primeiros meses do ano letivo. Trocando em miúdos, o primeiro bimestre é o
da avaliação; o segundo, o da ação.

 

Obervação: do Colégio Integrado Jaó: o sistema modular nos permite que iniciemos as aulas de reforço ainda no primeiro bimestre, antecipando problemas e defasagens.

 

Transtorno ou travessura?

Os especialistas alertam para o excesso de
diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TFHA) entre
crianças na fase escolar.

            Com tantos estímulos – celulares, games, computadores -, as crianças multitarefas podem se entediar facilmente ao realizar tarefas que consideram monótonas. Quando obrigadas a permanecer sentadas por várias horas na sala de aula, então, a perda de paciência e concentração é quase inevitável –e, na esteira dela, vêm as notas baixas. Daí para a suspeita de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade é, hoje em dia, um passo. O questionário mais comumente usado para diagnosticar o distúrbio, porém, não é unanimidade entre os especialistas. A psicóloga
Marilene Proença, da Universidade de São Paulo, explica: as perguntas não são
contextualizadas nem sofrem adaptação para diferentes faixas etárias. Ou seja,
questões como “tem dificuldade para esperar sua vez?” e “fala em excesso?”,
além de subjetivas, servem para avaliar crianças de 3 a 12 anos, que têm noção
de tempo muito diversas e estão em estágios de sociabilidade distintos.
Marilene Proença é membro da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e
Educacional e do Fórum sobre Medicalizacão, grupo composto de pediatras,
professores e outros profissionais de saúde e educação que discute o uso de
medicação para tratar comportamentos. “O limite entre as atitudes típicas da
infância e um distúrbio neurobiológico é em parte cultural e nem sempre
objetivo”, diz a psicóloga. O tratamento envolve medicamentos que têm forte impacto
sobre o sistema nervoso central e podem causar efeitos adversos como dor de
cabeça, náusea e taquicardia. “Um diagnóstico impreciso de TDAH implica usar
medicação para resolver um problema que na maior parte das vezes é pedagógico”,
diz Marilene. A recomendação, portanto, é de cautela: se houver suspeita da
TDAH, o ideal é buscar o veredicto de vários profissionais antes de decidir-se
pelo emprego de medicamentos.

 

Estudar por lazer

            Parece sonho, mas alguns alunos gostam, e muito, de estudar. Quando há facilidade em aprender e interesse maior da criança por uma matéria especifica, os pais chegam a um (agradável) impasse: investir no talento do filho com atividades relacionadas à disciplina preferida, ou abordar outras áreas do conhecimento a fim de manter o equilíbrio? Segundo os especialistas, todo incentivo é bem-vindo. Ou seja, se a criança gosta de literatura, de fato vale estimular o escritor potencial que há
nela. Mas não sem antes considerar algumas questões:

1 – É importante garantir que a criança tenha um tempo reservado às brincadeiras,
sem responsabilidades de cumprir horários e tarefas.

2 – Os pais não devem descuidar das outras áreas acadêmicas. Ou seja, as atividades
extras não devem sobrecarregar a criança nem afetar as notas de outras
disciplinas.

 

3 – O ideal é diversificar, mesmo que dentro da área de interesse da criança. Se
ela demonstra fascínio pelas aulas de artes, pode frequentar cursos de desenho,
pintura e música. Para os que têm facilidade em matemática, há cursos de informática,
robótica e até aeromodelismo.

 

4 – Ensino os colegas de escola que precisam de uma mãozinha na matéria é um excelente exercício, já que criar explicações para fazer o outro entender reforça o conhecimento. Também para o amigo-aluno há vantagens: “É mais fácil aprender quando se é ensinado por alguém da mesma idade”, diz a psicopedagoga Neide Noffs, da PUC-SP.

O PROBLEMA DO MUNDO sem BULLYING

                                                                     

O PROBLEMA DO MUNDO sem BULLYING
Revista Superinteressante – Agosto de 2011

SEM BULLYING, crianças não saberão disputar um brinquedo OU UM EMPREGO NO FUTURO. 
                A palavra bullying faz qualquer pai arrepiar de medo. Mas uma linha de especialistas diz que não há o que temer: crianças e adolescentes precisam passar por apuros, e sozinhos. Do contrário, poderão cair numa enrascada ainda maior.
Texto: Bruno Romani 

                ERA COISA DE Criança. Colar chicletes na cadeira dos outros, fazer cuecão no nerd da turma, rir do cabelo cortado do colega. Mas agora brincadeiras como essas ganharam um nome sério: bullying. E passaram a ser resolvidas por adultos,: pais, mestres e até, em alguns casos, polícia.

                O termo bullying significa agredir alguém fisicamente, verbalmente, até por atitudes (como caretas). Mas tem sido usado como um alarme, um chamado para que adultos interfiram no relacionamento de seus filhos e alunos. Uma nova linha de pesquisadores, no entanto, vem defendendo que o bullying não é necessariamente um problema para gente grande. Segundo eles, as picuinhas entre crianças e adolescentes devem ser resolvidas pelos próprios envolvidos. Sem adultos como juízes.

                Esses especialistas não dizem que crianças devem trocar socos na saída da escola. Nem que apanhar faz bem. Afirmam, sim, que disputar é como um rito, pelo qual passamos no inicio da vida para saber enfrentar as encrencas maiores do futuro. Afinal, fazemos isso desde os tempos mais remotos. “Em boa parte da história da humanidade a agressão foi um traço adaptativo”, escrever Monica J. Harris, professora de psicologia da Universidade de Kentucky, em Bullying. Rejection and Peer Victimization (sem tradução para o português). No passado, os homens disputavam comida para garantir a sobrevivência. O conflito definia quem ia perpetuar a espécie e quem ficaria para trás. “Aqueles humanos mais agressivos e, termos de buscar as coisas e proteger seus recursos e parentes tinham mais chances de sobreviver e reproduzir”, afirma Monica. Enquanto os homens teriam aprendido a usar a força física, as mulheres desenvolveram habilidades mais sutis, como agressões verbais – fofocas e rumores.

                Se antes essas táticas garantiam a sobrevivência, hoje nos ajudam no convívio social. Quando as crianças deixam o conforto do lar para freqüentar o colégio, descobrem que nem sempre suas vontades são atendidas. E que precisam negociar o tempo todo, como por um brinquedo ou por um lugar para sentar. Sem passar por isso, será mais difícil lidar com um desafeto no futuro, como um chefe, o síndico do prédio o aquele amigo que empresta dinheiro e nunca paga.

                O resultado da superação desses primeiros embates aparece cedo. Um estudo feito com 2 mil crianças com idade de 11 e 12 anos feito pela Universidade da Califórnia em Los Angeles mostrou que aquelas que tinham algum rival na turma da escola eram vistas como mais maduras pelos professores. As meninas que reagiam a alguma antipatia foram consideradas donas de maior competência social. Os meninos com inimizades foram classificados como alunos com melhor comportamento. Nesses casos – que não envolviam agressões físicas, segundo a pesquisa -, as crianças não só aprenderam a reagir a menosprezo, pressão e sarcasmo como ainda ganharam status no colégio. “Tanto para meninos quanto para meninas, ter uma antipatia mútua com alguém de outro sexo é associado a popularidade”, escreve a pesquisadora e autora do estudo Melissa Witkow, hoje professora de psicologia na Universidade Willamette, nos EUA.
                MEDO – O RIVAL DOS PAIS

                A recente onda de crimes ligado a bullying, no entanto, criou o temos de que as crianças e adolescentes talvez não dêem conta da briga sozinhos. A comprovação disso estaria em casos com o de Wellington Menezes de Oliveira, que guardou por anos o rancor das humilhações que passou em um colégio e, Realengo, no Rio de Janeiro – até voltar lá e disparar contra alunos, deixando 13 mortos. O resultado de historias assim foi uma pressão de pais, mestres e legisladores para que o comportamento das crianças seja mais controlado. E para que até a policia seja chamada para impedir as agressões. Em junho, o Senado Brasileiro aprovou um projeto lei determinando que as escolas inibam atitudes e situações que possam gerar bullying (o projeto segue para a Câmara). Em maio, um americano de 17 anos, que não teve o nome divulgado pela polícia, foi preso por dar notas às colegas de turma – altas para as mais bonitas, baixas para as mais feias – e publicar a avaliação no Facebook.

                Essa reação é chamada de superproteção pelos pesquisadores que defendem a não intervenção dos adultos nas disputas entre crianças e adolescentes. “É como se o mundo inteiro estivesse sofrendo de amnésia. Os adultos se esqueceram de que passaram pelas mesmas disputas no colégio”, diz Helen Guldberg, psicóloga e professora de desenvolvimento infantil na Open University, Inglaterra. Segundo Helen estamos julgando as atitudes das crianças com base nos valores dos adultos.

                “O comportamento das crianças – as palavras que usam, o jeito brusco com que, por exemplo, excluem outros de suas brincadeiras – está sendo julgado com a seriedade com que encararíamos  o relacionamento entre adultos em um escritório”, afirma.

                Essa linha de não intervenção defendida por gente como Helen Guldberg é polêmica. Para os críticos, desavenças simples podem ser o inicio de conflitos mais graves – eventos que poderão deixar marcas físicas e psicológicas. “O Bullying é um problema sério que precisa ser combatido”, diz Aramis Lopes Neto, pediatra e especialista do tema. Mas em um ponto as suas linhas concordam: quando a briga se repete e se prolonga por um tempo, e só um lado sai sempre perdendo, é porque a criança já está derrotada. E é hora de os adultos entrarem em ação.

                Prestar atenção ao comportamento da criança ajuda e descobrir se é o caso de intervir. Mudanças repentinas, como queda no desempenho escolar ou aumento da agressividade, são sinais importantes. Se o problema não for resolvido, alguns efeitos podem se estender. “Muitos adultos trazem da infância dificuldades de relacionamento social e baixa autoestima”, afirma Lopes Neto. Isso atrapalharia a vida pessoal e profissional, como a capacidade de manter relacionamentos estáveis. “Há vítimas que não se desenvolvem profissionalmente por medo de se expor e se tornar alvo de bullying no trabalho”, diz o médico. É como se elas não conseguissem nunca sair da zona de conforto. Exatamente o que pode acontecer com quem passa a infância na sombra dos pais, sem enfrentar uma briga sozinho.

 PARA SABER MAIS
BULLYINGM REJECTIOIN NA PEER VICTIMIZATION
Monica Harris – 2009  – Springer Publishing Company

BULLYING ESCOLAR: PERGUNTAS E RESPOSTAS
Cleo Fante e José Augusto, 2011 – ArtMed Editora

               

 

A solução para o trânsito de Goiânia.

Sempre saio no domingo para almoçar com a família, uma tradição que aprendi com meus pais. Apesar de ser o dia menos movimentado da semana, sempre enfrento algum transtorno pelo caminho. Como moro no Setor Jaó, na região leste da cidade, faz três semanas que tento um trajeto diferente para chegar nos setores Marista ou Oeste onde ficam alguns dos bons restaurantes da cidade. Não tem jeito, sempre pego um trecho de engarrafamento, especialmente depois que, estupidamente, a Prefeitura resolveu fechar a Marginal Botafogo sem nenhuma necessidade (pelo menos até agora).

            Como se sabe pela experiência de outras metrópoles no mundo, não se resolve problemas de trânsito sem proporcionar transporte público de qualidade. A cidade de São Paulo vai implantar agora o seu primeiro monotrilho ligando o Aeroporto de Congonhas ao Estádio do Morumbi. Trata-se de um metrô de superfície que trafega a 15 metros de altura, ideal para cidades planas como a nossa. Fiquei imaginando duas linhas: uma ligando o Jardim Novo Mundo ao trevo de Trindade e outra, cruzando com a primeira, ligando a Avenida Independência a cidade de Aparecida. As linhas de ônibus continuariam fazendo os trajetos capilares.

            A implantação de um sistema deste porte custaria 10 vezes menos que o metrô e quase nenhum transtorno para a população. Não se trata de nova tecnologia – os monotrilhos já rodam e várias cidades do mundo – a novidade é que eles agora estão mais acessíveis. Se faltava uma solução, a experiência paulistana nos mostra que ela existe e é perfeitamente possível.  

            

EUA: Aumento de 66% nos casos de TDAH

Número de crianças diagnosticadas com TDAH aumentou 66% em dez anos nos
EUA

De acordo
com levantamento, 10,4 milhões de jovens até 18 anos receberam o diagnóstico em
2010 no país

 

Um novo estudo sobre o transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade (TDAH) feito nos Estados Unidos mostrou que, no país, o número
de crianças diagnosticadas com o problema aumentou 66% em dez anos. O
levantamento, que foi feito pela Faculdade de Medicina Feiberg, da Universidade
de Northwestern, nos Estados Unidos, também analisou outras mudanças que
ocorreram entre os anos de 2000 e 2010 em relação ao diagnóstico e tratamento
de TDAH. As conclusões da pesquisa foram publicadas na edição deste mês do
periódico American Pediatrics.

Segundo o professor de pediatria e coordenador do estudo, Craig Garfield, o
TDAH vem se tornando um diagnóstico cada vez mais comum entre crianças e
adolescentes. “A magnitude da velocidade dessa mudança em uma década se deve,
provavelmente, a uma maior consciência das pessoas em relação ao transtorno, o
que pode ter levado os médicos a reconhecer mais facilmente os sintomas do
problema”, diz.

No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda não é possível definir como
as várias e importantes mudanças que ocorreram em relação ao TDAH na última
década – em relação a diagnóstico e tratamento – contribuíram para a melhor
condução de soluções ao problema.

Mudanças em relação ao TDAH

Alterações observadas em relação a tratamento e
diagnóstico do transtorno em jovens menores de 18 anos dos Estados Unidos entre
2000 e 2010


  1. • O número aumentou 66% (de 6,2 milhões para
         10,4 milhões)
  2. • Os medicamentos mais utilizado para o
         tratamento de TDAH foram as drogas psicoestimulantes
  3. • O uso de drogas psicoestimulantes diminuiu
         de 96% para 87% em relação a todos os tratamentos recomendados
  4. • Maioria do diagnóstico foi dada por clínicos
         gerais ou médicos de cuidados primários
  5. • Atendimento feito por especialistas, como o
         psiquiatra infantl, aumentou de 24% para 36%

 

A pesquisa — O estudo americano, com base em dados do
Índice de Saúde Nacional de Doença e Tratamento, um grande levantamento feito
com médicos em 2010, buscou quantificar todos os diagnósticos de TDAH e os
padrões de tratamento feitos em jovens menores de 18 anos. Ao todo, 10,4 milhões
de crianças e adolescentes dessa faixa etária foram diagnosticadas com TDAH em
atendimento médico ambulatorial nos Estados Unidos em 2010. Em 2000, esse
número foi de 6,2 milhões.

Os pesquisadores também observaram que as drogas psicoestimulantes foram os
medicamentos mais prescritos para os jovens com TDAH, embora seu uso tenha
diminuído de dez anos para cá. A substância foi utilizada em 96% dos
tratamentos para o transtorno em 2000, e em 87% em 2010. Segundo Garfield, não
está claro o motivo que explique essa redução, já que não houve aumento do uso
de outros medicamentos que podem substituir os psicoestimulantes.

Outra mudança em relação ao TDAH observada pelo estudo foi a de que, embora
a maioria dos jovens nos Estados Unidos seja diagnosticada com o transtorno por
médicos de cuidados primários, ou por clínicos gerais, houve um claro aumento
de diagnósticos feitos por médicos especialistas, como psiquiatras. Em 2000,
esses profissionais atenderam 24% dos pacientes com o transtorno e, em 2010,
esse índice foi de 36%. “Recentemente, diversos avisos de saúde pública têm
alertado sobre os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para
tratar TDAH. Talvez por isso os clínicos gerais estejam deixando de tratar
pacientes com o transtorno e encaminhando-os a especialistas”, afirma Garfield.

 

Integrado Jaó é destaque no caderno de Economia do DM.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA: DE CASA PARA A ESCOLA

Colégios investem em programas que desenvolvem noções de investimentos, leilões e ensinam a criança a poupar.
Viviane Bittencourt – Editora Política & Justiça
Economia – Diário da Manhã – 11 de fevereiro de 2012

             Aprender a economizar pode ser uma tarefa difícil para muitas pessoas, no entanto, isso pode ser facilitado quando se aprende desde criança. Assim pensa o professor e diretor do Colégio Integrado Jaó, Marcos Tucano. “Percebemos que a família é o principal agente no que se refere à educação financeira, promovendo desde pequenos a discussão do tema. A escola funciona como um auxílio nesse processo”, afirma. Tucano ainda cita Içami Tiba, autor de diversos livros, como Quem ama, educa. “A escola não educa, ela qualifica o filho”, lembra o professor.

            De acordo com o diretor do Integrado Jaó, a grande dificuldade é que os pais comecem a ensinar aos filhos o valor do dinheiro. “A escola se preocupa com isso, mas na verdade a grande tarefa é dos pais, eles devem ensiná-los a poupar, mostrar como isso é bom, que o consumismo não é tudo e que fugir do imediatismo, ou seja, adiar a recompensa, é o melhor caminho para o sucesso”, considera.

            Marcos afirma que a escola trabalhando em conjunto com a família, pode ser essencial no processo de conscientização financeira. Para isso, alguns projetos são desenvolvidos na escola, como aulas que possibilitem dar às crianças e jovens noções do que são juros, e como a renda familiar pode ser comprometida por eles, por exemplo. “Os alunos têm aulas que explicam sobre o mercado de ações, bolsa de valores, juros, poupança e no segundo ano do ensino médio montam uma empresa júnior”, afirma o diretor.

            Outro recurso explorado pelo Integrado Jaó são as moduletas. Espécie de moeda própria do colégio, a qual o aluno passa a ter direito se receber uma nota 10 em algum teste. “Chamam-se moduletas, pois nosso ensino é dividido em módulos, ao final de cada módulo o aluno pode ter a oportunidade de tirar um 10 e consequentemente adquirir sua moduleta. A vantagem é poder participar dos leilões organizados pela escola, ou escolher guardá-las e adquirir com desconto na matrícula do próximo ano”, explica Tucano.

            A ideia das moduletas, de acordo com o diretor, surgiu há dois anos com o objetivo de estimular os alunos a estudar, além de ensiná-los a cuidar do dinheiro, e saber que poupar pode ser algo vantajoso. “Cada moduleta vale a cotação do dólar do dia. Se o aluno quer comprar um salgado, por exemplo, ele precisa juntar as moduletas equivalentes para isso. Organizamos também, a cada dois meses, os leilões, nos quais os alunos só podem comprar os objetos leiloados se tiver moduletas, com isso, o estudante pode ir para casa com uma bicicleta novinha, por exemplo, graças às moduletas”, afirma.

            Outra aplicação das moduletas, de acordo com Tucano, é a preferida dos alunos, consiste em guardá-las em busca de descontos na hora de renovar a matrícula. “Como o valor das moduletas é variável, dependendo de onde elas serão aplicadas, por exemplo, nos leilões é definido por quantas moduletas determinado produto será comprado; já para a renovação da matrícula cada moduleta vale R$ 10. Se o aluno tem 10, o desconto já é de R$ 100”, afirma.

            Letícia Antoniosi, 17 anos, conseguiu mais de 20 moduletas em 2011. “Eu e minha irmã, que também estuda no colégio, conseguimos 37 moduletas. Preferimos guardar as nossas e conseguir o desconto na renovação da matrícula. Acho que isso incentiva a gente a estudar mais”, afirma. Letícia, que também foi presidente da empresa júnior montada pelos alunos no ano passado, considera que a experiência auxiliou-a a desenvolver noções de empreendedorismo e saber como um negócio pode dar trabalho.

            “Montamos uma empresa júnior com todas as etapas. Pesquisa de mercado, definição do produto, preço, venda de ações, confecção do bem, venda”, revela Letícia. A empresa júnior era do ramo de confecção de almofadas. “Ao final desse processo, onde os alunos vivenciaram todas as etapas para se montar uma empresa, tiveram a oportunidade de vender os produtos que haviam produzido em uma feira organizada no Shopping Flamboyant”, relata o diretor do colégio.

            De acordo com Letícia, após a experiência empreendedora, sua capacidade de observação de alguns erros cometidos pelas empresas é bem maior. “Olho tudo, o marketing, como é o atendimento ao cliente, e vejo o quanto é difícil montar uma empresa, e principalmente fazê-la dar certo”, revela. O pai de Letícia, Nelson Roberto Antoniosi, acredita que a experiência foi bastante proveitosa para a filha. “A Letícia pode saber o real valor de se ganhar dinheiro, e que investir é importante, principalmente como e onde. É como se fosse o orçamento de uma família, se você gasta mais do que tem terá problemas”, ensina.

            Nelson, que procura incentivar as filhas a cuidarem do próprio dinheiro, acredita que desenvolver a educação financeira, seja na escola ou em casa, é pré-requisito para formar um adulto com consciência. “Costumo dar R$ 50 para as meninas quando estamos de férias, por exemplo, e cada uma delas tem que se virar com o dinheiro ganho. Isso faz com que pensem mais ao comprar determinado produto, e principalmente que o consumo em excesso pode ser uma armadilha”, afima.

            Letícia observa que a ação do pai faz com ela pense bem ao querer gastar o dinheiro ganho. “Não sou muito de gastar, acho que a iniciativa do meu pai faz com que a gente tenha mais controle do dinheiro ganho. Já a minha vó faz o contrário, ela pergunta o que a gente quer e vai dando, acho que é coisa mais de avó mesmo, que mima”, brinca. Letícia garante que o que lhe mais norteia com relação a dinheiro é a necessidade. “Compro quando preciso, é claro que dá vontade de comprar mais, e descontrolar as finanças, mas a educação dada pela minha família e o trabalho desenvolvido na escola faz com que eu tente não me render aos ímpetos consumistas”, considera. 

Acesso universal à escolas particulares de qualidade

UM APARTHEID SILENCIOSO – Folha de São Paulo – 02/02/2012
Fernando Luis Schüler
Doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas da UFRGS – Diretor Acadêmico do Ibmec – Rio de Janeiro

             A última edição do Pisa, avaliação realizada em 65 países com alunos de 15 anos, pela OCDE, apresenta um resultado perturbador.

            Os nossos alunos das escolas provadas tiveram média de 502, semelhante às notas dos estudantes dos EUA. Os nossos alunos das redes estaduais e municipais de ensino alcançaram uma média de 387, semelhante à da Albânia.

            Os dados do ENEM mostram o mesmo quadro. Das mil escolas mais bem posicionadas (conatnto apenas as escolas que tiveram mais de 75% de participação dos estudantes), 92% eram particulares.

            O fato é que estamos alimentando, no Brasil, uma espécie de apartheid educacional entre os jovens de classe média e alta, cujas famílias há muito “privatizaram” a educação de seus filhos, e os estudantes de famílias mais pobres, que são levados a estudar nas redes estaduais e municipais de ensino, com seus problemas crônicos de gestão.

            É uma situação paradoxal: o sistema público de educação, que deveria assegurar uma base de oportunidade igual para todos, é ele mesmo a máquina geradora de profundas desigualdades sociais.

            Alguns dirão que não é possível debitar os resultados pífios da educação pública às deficiências estruturais do sistema.

            Pesaria a condição das famílias em apoiar os filhos em suas atividades fora das salas de aula. É um argumento que pode tranqüilizar o nosso sono, mas é inaceitável. Caberia ao Estado exatamente criar as condições para compensar essas assimetrias sociais. Recursos não faltam para isso.

            Nosso sistema estatal é caro e ineficiente. Escolas estatais são repartições públicas. Não têm autonomia para tomar decisões com a racionalidade e a rapidez que a educação requer no dia a dia – como atualização de laboratórios, bibliotecas e fazer obras de infraestrutura.

            Elas sofrem com a burocracia, com o corporativismo e com a visão antimeritocrática comum no serviço público brasileiro. É fácil constatar esse quadro e dizer que tudo poderia ser diferente. Mas não é o que a experiência demonstra.

            Penso que chegou a hora de apostar em uma mudança de paradigma no Brasil. Uma mudança estrutural de longo prazo: repensar a relação entre o Estado e a sociedade brasileira no que se refere à educação.

             Escolas estatais sofrem com lentidão, corporativismo e falta de meritocracia; o ProUni é um exemplo: poderíamos ter acesso universal às escolas privadas.

             Em vez de continuarmos tentando o que se tentou no século 20 – ou seja, nivelar o acesso à educação pela oferta do ensino estatal -, podemos buscar soluções efetivamente possíveis no século 21: assegurar o acesso de todos ao ensino não estatal – composto por escolas com ou sem fins lucrativos, desde que elas tenham qualidade, uma gestão ética e uma relação positiva entre custo e benefício.

            O Brasil tem apresentado inovações importantes nessa direção. Basta observar o ProUni e o Fies. O Estado financia (via abatimento fiscal para as instituições ou via juros subsidiados para os estudantes) a matrícula dos alunos nas instituições particulares.

            É, grosso modo, o que, há décadas, propunha-se no país sob o conceito de “voucher” para a educação.

            Em vez de criar e administrar repartições públicas de ensino, o Estado utiliza a capacidade disponível das redes privadas, deixa que as famílias escolham onde querem estudar e concentra a sua ação na criação de indicadores e na exigência de qualidade.

            Fica a pergunta: por que esse não se torna um padrão de atuação dos governos na educação também no ensino médio e fundamental?

            Por que continuar abrindo repartições públicas educacionais e continuar (como os indicadores mostram) aumentando o fosso social brasileiro? Não seria melhor apostar em modelos transparentes de parceria entre Estado e sociedade, com o financiamento direto aos estudantes, deixando que eles escolham onde estudar?

            Alguém já comparou a relação entre custo e benefício dessas duas alternativas? O Brasil fez muitas revoluções nas duas últimas décadas. Precisamos agora de mais uma. Uma revolução para que exista igualdade de oportunidades, que vai começar quando tivermos alguma coragem para revisar velhos conceitos.

             

            

Pais e professores, uma relação difícil

São comuns os conflitos acerca da responsabilidade de cada um na formação das crianças. A solução está na aproximação entre as partes

Nathalia Goulart – Veja online

A relação entre pais e professores inclui, já faz algum tempo, boa dose de tensão. O assunto voltou à tona com força no fim do ano passado, quando um professor americano chamado Ron Clark resumiu as reclamações de boa parte dos mestres da seguinte maneira: professores não são babás de alunos, ao contrário do que pensam seus pais. Ele acusa os pais de repassar à escola suas responsabilidades, recusando, contudo, as regras impostas pela instituição educadora. Seu artigo, chamado “O que os professores realmente querem dizer aos país“, tornou-se o segundo mais compartilhado no Facebook em 2011 (o primeiro trata do desastre da usina de Fukushima, no Japão), trocado mais de 630.000 vezes – prova de que a discussão é, no mínimo, pertinente. O texto ecoou em outros países e também no Brasil. “Por aqui, os pais perderam a habilidade de impor limites a seus filhos. Agora, tentam impor limites à escola, interferindo na atividade dos professores”, diz a educadora Tânia Zagury, autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. De acordo com uma pesquisa realizada pela escritora, 44% dos professores apontam a ausência de limites como causa principal da indisciplina em sala de aula: um quinto dos profissionais responsabiliza a família pelo problema.

Leia também:
O que pais e professores devem fazer para evitar conflitos

Ron Clark: ‘Professores são educadores, não babás’

Do outro lado da linha, os pais também reclamam de intromissões da escola em disposições que acreditam justas. É o que vive a empresária Marcela Ulian, de 34 anos, mãe de um garoto de 6 anos – o nome dele, assim como o da instituição, um renomado colégio privado paulistano, serão omitidos a pedido da empresária. Há alguns meses, Marcela contesta uma determinação da escola que proíbe alunos de portar dispositivos eletrônicos, como celular ou tablet, no interior da instituição. “As crianças não podem ficar alheias às novas tecnologias. Acho inclusive que os professores podem ensinar que aqueles aparelhos podem servir como material educativo”, diz Marcela. Não houve acordo. Para a escola, é em casa que as crianças devem aprender a fazer uso dos aparelhos. “Continuo não concordando com a escola e seguirei tentando provar que estou certa.”

Não raro, as queixas de um lado e de outro são mais severas; outras revelam exageros flagrantes. Há, por exemplo, relatos de professores contestados por pais porque atribuíram uma nota baixa a um aluno, ou por tê-lo repreendido por comportamento inadequado. Preocupados com as reclamações de parte a parte, educadores se debruçaram sobre a questão. Descobriram duas razões principais para os desentendimentos. A primeira é uma transformação sofrida pela engrenagem familiar, fruto das mudanças sociais dos últimos 50 anos. Um exemplo disso: nesse período, as mulheres, tradicionalmente encarregadas de acompanhar o crescimento das crianças em casa, ganharam definitivamente o mercado de trabalho, distanciando-se da antiga função. “A consequência disso é que as escolas passaram a ser responsáveis também pela educação moral das crianças. A família moderna demandou isso delas”, diz Maria Alice Nogueira, educadora e especialista em sociologia da educação.

A segunda razão envolve um movimento em sentido oposto: a intromissão dos pais em assuntos sobre os quais as escolas antes mantinham monopólio. À medida que as famílias perceberam que a ascensão nos bancos escolares é sinônimo de ascensão social e econômica, passaram a cobrar mais de instituições e professores, que antes davam as cartas na sala de aula – não por acaso, “mestre” é uma designação que quase não se aplica mais a professores. “O êxito proveniente da educação formal levou a família a interferir nos assuntos escolares”, diz Maria Alice.

Excetuados os exageros, os educadores de olho na questão alertam que a nova realidade exige nova atitude. “O que ouço dos docentes em momentos como esse é aquela velha história de que, antigamente, eles eram mais respeitados”, diz a educadora Elaine Bueno. “Esse é um discurso velho, pois os tempos mudaram: os pais não enxergam mais o professor e a escola como autoridades inquestionáveis. Eles precisam aceitar isso e prestar contas de seu trabalho.”

O caminho da convivência harmoniosa exige trabalho intenso de pais e professores, garantem escolas que já o perseguem. Entre as lições aos professores (confira o quadro abaixo), estão orientações como jamais desqualificar ações dos pais diante dos filhos. É o que prega Sylvia Figueiredo, sócia-fundadora do colégio Castanho Lourenço, de São Paulo. Certa vez, ela descobriu que uma mãe fazia o dever de casa do filho. “Em nenhum momento, desmereci a atitude da mãe diante do menino, apesar de estar certa de que a conduta dela interferia negativamente no desempenho dele”, conta. O assunto foi tratado em uma conversa a portas fechadas, cara a cara, entre a educadora e a mãe. “É preciso muito treinamento para lidar com os pais. A relação é uma bomba-relógio e pode explodir a qualquer momento se você puxa o fio errado na hora de desarmá-la.” Aos pais, em situações como essa, cabe a lição de ao menos ouvir atentamente a posição do educador.

O esforço vale a pena. A harmonia entre as partes é valiosa para a educação – é o que apontam estudos na área. Uma pesquisa encabeçada pela Fundação Getulio Vargas, por exemplo, mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar se fazem notar por toda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família está associada a notas até 20% mais altas e riscos de evasão até 64% inferiores. “Gostamos de deixar claro aos pais que a interferência deles no processo educativo é saudável. Mas ambas as partes precisam estar abertas ao diálogo”, diz Celina Cattini, diretora geral do Colégio Visconde de Porto Seguro. “Muitos professores sentem saudade do tempo em que os pais respeitavam a autoridade da escola. Mas é preciso lembrar que aqueles eram tempos em que havia respeito, mas não havia interação entre escola e família: isso não é bom para as crianças.” Celina tem razão.

Com reportagem de Renata Honorato – Veja online

 

 

“Temos hoje a geração com a maior falta de pais que já houve na história”

Entrevista

O inglês Steve Biddulph é psicólogo há 25 anos. Ele acredita que terapia não basta para fazer alguém mudar de vida porque só alcança gente rica. Resolveu então escrever livros simples para socializar o conhecimento. Conversou com 100 mil pais e reuniu suas idéias em best-sellers como “O segredo das crianças felizes” e “Criando meninos” (Ed. Campus), com mais de três milhões de exemplares vendidos em vários países, inclusive no Brasil. Steve tem um filho adulto, uma filha adolescente e um ferret de estimação.
 
Diário: Qual o maior problema educacional hoje?
 
STEVE BIDDULPH: Visitei escolas e conversei com muitos pais aqui no Brasil para aprender sobre a situação específica do país. Descobri que, em todo o mundo desenvolvido, por causa do consumismo, as famílias foram assassinadas pelo estresse e pela pressa. A pressa é inimiga do amor e a pressão para ganhar e gastar dinheiro é o maior problema do mundo de hoje. Temos que reconquistar tempo para relaxar e aproveitar mais as pessoas e menos as coisas. A ganância do mundo desenvolvido rouba os pobres do mundo em desenvolvimento. Peço aos pais de qualquer lugar para serem menos consumistas.
 
O que um pai pode fazer pelos filhos?
 
Eu me preocupo com os pais que foram afastados da família e da vida em comunidade pelo papel de provedor. Temos hoje a geração com a maior falta de pais que já houve na história. Minha missão é trazer os homens de volta à vida das crianças. Há pais que não dão atenção, não brincam, não beijam, não tem afeto pelos filhos. Simplesmente criam. Essa relação é desastrosa, porque os filhos crescem sem ânimo, motivação e afeto pelo outro. Esses filhos tem dificuldades na escola, não tem interesse por cursos superiores e qualquer emprego é acomodador. Se um pai lê uma história para o filho na hora de dormir ou pega as crianças na escola e brinca com elas, as pesquisas demonstram que isso vai melhorar as chances de vida dos filhos. Eles vão ser melhores na escola, arrumar menos encrenca com a lei, ter empregos melhores. Ter pai e mãe que se importam com você é o máximo. Os filhos se sentem especiais e aprendem a amar a escola, se os pais lêem livros para eles.
 
O que uma criança precisa para ser feliz?
 
Uma criança é feliz se tem três ou quatro pessoas que a amam e pode estar com essas pessoas quando são pequenas. Uma mãe, um pai, um avô ou tio ou irmão maior ou irmã. Você não precisa de muitas coisas materiais. Pessoas pobres costumam ser mais amáveis e pacientes com os filhos. Mas é preciso mais atenção aos meninos. Escrevi “Criando meninos” porque há uma tremenda crise com os garotos. Eles morrem três vezes mais que as meninas, de acidentes, suicídios, drogas e violência.
 
Qual a diferença na educação de meninos e meninas?
 
A maior diferença dos garotos é o tempo de crescimento: eles são mais lentos que as meninas no desenvolvimento mental. Muitos meninos não estão prontos para a escola antes dos 5 anos e deveriam esperar mais um ano, se necessário, ficando no jardim da infância. Se esperassem um ano, ficariam prontos para sentar quietos, ter maior capacidade de linguagem.
 
Os meninos não sabem se comunicar?
 
Os meninos precisam de ajuda para serem bons em comunicar seus sentimentos. Os pais deveriam ler e contar histórias, conversar mais com eles. Os pais brasileiros são ótimos em calor humano e afeição. Mas é preciso premiar o bom comportamento. Os pais devem fazer os meninos ajudarem nos trabalhos de casa tanto quanto as meninas.
 
Meninos devem cozinhar?
 
Todo menino deveria aprender a cozinhar lá pelos 9 anos e preparar uma refeição para a família uma vez por semana. O mundo não precisa mais de homens capazes de lutar com búfalos. Queremos homens capazes de dividir e comunicar. Precisamos de homens como Nelson Mandela, não como George W. Bush.
 
Quem educa melhor, o homem ou a mulher?
 
Homens e mulheres podem, ambos, educar bem. Mas há algumas coisas únicas que cada um faz. As mães deixam as crianças mais calmas. Os pais puxam os meninos para cima, mas, fazendo isso, podem estressá-los. Crianças com pais que brincam com elas são muito mais relaxadas e confiantes. Os pais ensinam os meninos a controlar sua excitação, a ficar excitados sabendo quando parar para não ferir ninguém. As mães ensinam os meninos o que as mulheres gostam nos homens: conversa, gentileza, humor. Os pais dão às filhas confiança e valorizam sua inteligência. A menina que não tem pai presente confunde atração com amor paterno e é facilmente explorada por meninos.
 
O que os pais podem ensinar aos filhos?
 
Pais que trabalham por muitas horas se submetem demais aos seus filhos porque não querem ser “maus” no tempo curto que têm com eles. Mas o certo é esperar que os filhos façam os deveres da escola e ajudem nas tarefas de casa. Os pais devem mostrar como o verdadeiro orgulho vem daquilo que você faz e não de como você se parece ou do que você tem. É ótimo passar o tempo livre com amigos, com outras famílias, de modo que haja um vilarejo no imaginário cotidiano do filho, ainda que a família viva em cidade grande. Minha mensagem é essa: construam uma comunidade. Dediquem tempo à escola, aos grupos de esportes e aos amigos. Não fiquem só vendo TV e indo ao shopping. As pessoas, e não as coisas, são o verdadeiro sentido da vida.

 

Entrevista concedida ao Diário de São Paulo.

UMA MENTE BRILHANTE

UMA MENTE BRILHANTE

Destaque mundial na pesquisa sobre o uso de tecnologias na educação, o paulistano Paulo Blisktein diz que o incentivo à inovação no ensino pode mudar os rumos de um país.

Há 12 anos, cartazes espalhados em murais no centro de ciências de São Paulo (USP) anunciavam um filme inédito: O Homem da Caixa Preta. O documentário, sobre o funcionamento de microchips, seria exibido gratuitamente no auditório da faculdade. Produzido em um laboratório de engenharia, o vídeo chamava a atenção pelo uso de uma linguagem pouco convencional para disciplinas de exatas. A fabricação de um chip seria como a preparação de um pastel. Seu funcionamento, semelhante a uma banda de forró. De cara, os matemáticos presentes sentiram-se frustrados. Naquele momento, a professora Roseli de Deus Lopes, orientadora do documentário, diz ter tido certeza de duas coisas. A primeira era de que o lado humano da engenharia não era exatamente popular entre estudantes da área. A segunda, de que o diretor e roteirista do vídeo, o paulistano Paulo Blikstein, era realmente um aluno fora da curva.

            Quem ouve o ritmo tranqüilo da fala não imagina como é acelerado o raciocínio de Blikstein. Aos 39 anos, ele vive com a mulher na California – embora não exatamente em Hollywood, como poderia sugerir uma trajetória de sucesso no cinema. Desde 2006, depois de passar em primeiro lugar em concursos de cindo das maiores universidades americanas, ele trabalha como professor assistente da Universidade Stanford, uma das mais prestigiadas do mundo. Formado em Engenharia metalúrgica pela USP, Blikstein é hoje reconhecido como um dos maiores especialistas nos estudos da tecnologia aplicada à educação. A ascensão na carreira foi tão rápida que lembra a velocidade com que uma criança aprende a fazer travessura. Desde o fim da graduação, em 1999, fez dois mestrados no intervalo de quatro anos – um na USP e outro no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Em seguida, veio o doutorado na Northwestern University, em Chicago.

             Blikstein ganhou em 2011 um Early Career Award, espécie de Oscar da pesquisa do governo americano.

             NO fim de 2011, Blikstein ganhou um Early Career Award, espécie de Oscar concedido pelo governo americano a jovens cientistas. Durante cinco anos , o prêmio de 600.000 dólares vai financiar uma de suas frentes de pesquisa, que tem como objetivo despertar nos alunos o prazer de aprender ciências. “Muitos acham que os estudantes de hoje são ruins”, diz ele. “Mas são as escolas que estão atrasadas para acompanhá-los”.

            Parte do trabalho de Blikstein consiste em transformar campos complexos do conhecimento, como a robótica e o modelamento por computador, em tecnologias simples e acessíveis às crianças. Com placas de robótica fáceis de usar, por exemplo, jovens de 12 anos podem criar soluções para o mundo moderno sem precisar conhecer equações complexas de eletromagnetismo. “O segredo está no desenho dessas tecnologias, com interfaces simples e a física que são adequadas ao desenvolvimento de crianças” diz. O resultado são projetos como o desenvolvimento por um grupo de alunos da Rússia, que criou um equipamento para solucionar problemas de pessoas que perdem as chaves com freqüência. Um sonar é instalado no chaveiro, formando um campo magnético. Quando seu dono se afasta demais, um alarme é emitido. “Os jovens não têm os mesmos bloqueios criativos que os adultos”, diz Blikstein. “Se forem corretamente estimulados, podem fazer a diferença no futuro de um país, criando produtos e projetos para ser vendidos”.

            Uma das prerrogativas em seus projetos com crianças e adolescentes é o contato com equipamentos de última geração, como impressoras 3D. De início, a idéia parecia fazer pouco sentido. Como uma escola poderia manter uma máquina tão cara para ser manuseada por jovens? Mas, aos poucos, diz Blikstein, gestores das escolas, pais e até mesmo governos estão entendendo que não se faz inovações apenas com papel e caneta. “Hoje temos filas de escolas pedindo para instalar laboratórios semelhantes aos que criamos”, afirma.

            Blikstein levou tempo para descobrir sua vocação. Quando prestou vestibular, manteve a ficha de inscrição em branco até os últimos minutos. Os cursos de cinema, engenharia e economia pareciam igualmente atraentes. Depois de ingressar em engenharia na Universidade de São Paulo, fez também alguns semestres no curso de cinema. Ao ver tantos colegas talentosos perdendo o interesse pelos estudos na Escola Politécnica e pelas aulas de cinema, começou a se dedicar à educação. Após se formar em engenharia, trancou a faculdade de cinema, vendeu uma empresa de educação à distância que havia fundado e partiu para fazer carreira acadêmica internacional. “Esse perfil raro, que combina habilidade empresarial e acadêmica nas áreas de exatas e humanas, é o que o coloca na elite dos cientistas mundiais”, diz seu orientador de mestrado na USP, Marcelo Zuffo.

            Quando retornar ao Brasil, algo que deve ocorrer em breve, Blikstein pretende transformar seus projetos em políticas públicas. Enquanto isso não acontece, ele busca outros meios de incentivas o avanço da educação no país. No fim de 2011, fechou um acordo com a Fundação Lemann, criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann. A fundação financiou a criação de um laboratório onde Blikstein e sua equipe criam tecnologias que serão utilizadas no ensino público e oferece bolsas de estudo para brasileiros que queiram se dedicar a esse assunto.

             No retorno ao Brasil, Blikstein quer transformar seus projetos com crianças e adolescentes em políticas públicas.

             O Brasil, diz Blikstein, fez avanços importantes em educação nos últimos anos ao levar muitas crianças às escolas. Agora, é preciso fazer com que a experiência de cada uma delas se torne interessante o suficiente. É para essa prova que ele continua estudando.   

Austrália x Brasil

Brasil x Austrália 
Marcos das Neves Tucano – 19/01/2012

                 Ouvi Gilberto Dimenstein na CBN nesta quinta pela manhã falando a respeito de um estudo australiano sobre QI (quociente de inteligência). Um pool de universidades daquele país fez uma pesquisa extremamente abrangente e séria no sentido de identificar os fatores que levariam uma pessoa a ser mais ou menos inteligente na vida adulta.

                Foram 60 anos ininterruptos de pesquisas.  O primeiro grupo era formado por crianças de 10 anos de idade que foram observados, medidos e testados até os 70. O estudo continua com novos grupos sendo finalizados a cada ano. Sabidamente dois fatores influenciam na capacidade cognitiva e, por consequência, na inteligência da
pessoa. Entenda-se por inteligência a capacidade de resolver problemas, na
qualidade de suas escolhas que proporcionam equilíbrio na vida familiar, social
e em vários outros aspectos. Que um desses fatores é a genética não é novidade.
Nossos genes influenciam tanto na cognição quanto na facilidade de perder peso
ou ter ou não determinadas doenças. O outro é o ambiente, o que também é mais
do que sabido. Neste, a importância maior vai para a criação, depois vem a
escola e as as relações sociais. Entre os fatores mais decisivos está o fato
dos pais terem curso superior e/ou o hábito da leitura.

A grande novidade estava no peso de cada um desses fatores. Segundo a pesquisa, a genética influencia apenas em 40% enquanto o ambiente é responsável por 60%. Famílias que valorizam o conhecimento e boas escolas não apenas preparam os novos cidadãos, mas influenciam decididamente no desenvolvimento de suas inteligências.

Um pequeno exemplo disso é Isadora Bittar e Pedro Mendonça. Este mês, ela ficou em 1ª lugar em Engenharia e ele em 2º em Medicina na UFG nas vagas oferecidas pelo Sisu que utiliza a nota do Enem. Uma característica comum a ambos é o hábito da leitura. Pessoalmente, emprestei três livros para Isadora o ano passado e sei que ela leu outros tantos, uma média de dois por mês.

Nossos filhos lêem muito pouco. Não adianta culpar a televisão ou a internet, dá para ler, acessar o facebook e ver seus programas prediletos. Se existe um grande culpado é a falta de disciplina do brasileiro em geral. Um dos aspectos mais evidentes é o pouco apreço pela pontualidade e pelo trabalho. Instituímos, como se isso fosse algo normal, os  famigerados minutos de tolerância e os seguidos feriados prolongados. Isso não admissível. Chegar fora do horário é atraso e não trabalhar em dia que não é feriado é preguiça. Ponto final. São por esses “inocentes” hábitos que patinamos desde 1500 enquanto a Austrália, com seus pouco mais de 200 anos de história, é um dos mais avançados países do mundo em todos os sentidos.

A LOTERIA ENEM

A LOTERIA DO ENEM – Folha de São Paulo – 17/01/2012

Nilson José Machado

Professor titular da Faculdade de Educação da USP.

 

            O governo federal acaba de receber cerca de 3,4 milhões de inscrições para as pouco mais de 100 mil vagas no ensino superior pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Foram 1,7 milhão de candidatos (os alunos podem ser inscrever em mais de um curso). Em média, mais de 30 candidatos por vaga.

            Trata-se do maior vestibular do país, e a sua forma de organização poderia sugerir um grande avanço ao poupar os alunos das gincanas dos múltiplos vestibulares. Mas tal processo seletivo constitui, de fato, um enorme monstrengo educacional, uma espécie de loteria.

            O primeiro sintoma de anomalia é o fato de o Enem ser o instrumento de avaliação utilizado.

            Mesmo quando realizado de modo absolutamente consistente, sem os desvios logísticos e conceituais que têm acompanhado o exame nas últimas realizações, o Enem não foi projetado para ser um processo seletivo. Ele não é adequado para classificações finas, como as que ocorrem nos vestibulares. A prova poderia até ser utilizada como um indicador, entre outros instrumentos, mas nunca como o elemento decisivo para a aprovação.

            A prova tem falhas logísticas e há incertezas sobre os critérios de correção; as questões têm textos longos demais e apresentam filtros ideológicos.

            Os maiores desvios ocorrem, no entanto, do modo atabalhoado como o Enem tem sido realizado.

            Os problemas logísticos como roubo de provas, quebras de sigilo, inadequações na pré-testagem e nas dimensões dos bancos de itens têm se sucedido, ano a ano, minando a credibilidade da prova. Além disso, há questões estruturais referentes às provas.

            Com a transformação de uma única prova de 63 questões em quatro provas, uma para cada área em que se organiza o ensino médio, com 45 questões cada uma, o teste ficou excessivamente longo para o conteúdo que examina.

            Ocorreu então um desbalanceamento, com uma supervalorização da prova de redação. Tal problema tem sido amplificado pelo fato de as incertezas no critério de correção da prova terem sido levadas aos tribunais competentes e estarem, hoje, no centro das discussões.

            Há outras questões conceituais que eivam o processo de elaboração do Enem: a premissa de que as questões das provas devem ser “contextualizadas” é uma delas.

            Em muitos itens da prova, a palavra “contexto” é tratada como se significasse uma abreviatura de “com muito texto”. Os enunciados tornam-se desnecessariamente longos, levando alguns professores a dar um conselho excêntrico: sugerem que os alunos não leiam os enunciados logo de início, indo diretamente à pergunta feita. Eles garantem que, na maioria das vezes, a resposta correta pode ser indicada, sem perda de tempo.

            Outro desvio conceitual mais sutil é a interpretação da contextualização como filtro ideológico primário. De modo defensivo, quase cínico, os alunos “aprendem” e divulgam regrinhas do “politicamente correto”, referentes, sobretudo, a questões ambientais ou aos direitos humanos, tais como definidos em catecismos partidários.

            O mais grave dos desvios, no entanto, é a pretensão de utilização de uma sofisticada Teoria da Resposta ao Item (TRI) na correção das provas. As limitações na qualidade e na quantidade dos itens dos bancos de questões minam qualquer possibilidade de sucesso no recurso a tal parafernália matemática.

            Objetivamente, o que se conseguiu foi a transformação da correção da prova em uma verdadeira loteria. Ninguém sabe, ao certo, quantos pontos vai obter. Aos alunos, cabe fazer o exame e torcer ou rezar por uma boa sorte.

            O ponto mais notável em todos esses desacertos é a recepção passiva dos resultados do Enem como um tipo legítimo de credenciamento pela maior parte das escolas.

            Já passou da hora de as boas escolas privadas manifestarem seu desapreço pela grande loteria que a prova se tornou, após serem depositadas tantas e tão justas expectativas sobre ela. 

O perigo mora na geladeira!

Refrigerante aumenta acúmulo de gordura em torno dos órgãos

Esse tipo de bebida não só aumenta gordura no organismo, mas também a concentra em lugares como o fígado, elevando risco de diversos problemas

Os efeitos negativos do consumo de refrigerantes comuns, com açúcar, vão além do ganho de peso e de gordura. Um estudo feito no Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, concluiu que quem consome pelo menos um litro desse tipo de bebida todos os dias acumula maior quantidade de gordura em lugares perigosos, como no fígado, nos músculos e em órgãos localizados no abdome. E, consequentemente, corre maior risco de desenvolver diabetes e doenças cardíacas. A pesquisa foi publicada no periódico American Journal of Clinical Nutrition.

 Os pesquisadores acompanharam 47 pessoas que beberam todos os dias, durante seis meses, um litro da bebida de sua escolha: água, leite, refrigerante normal ou refrigerante diet. Todos os participantes escolhidos eram obesos ou tinham sobrepeso, já que, segundo os pesquisadores, pessoas com esse perfil são mais sensíveis a mudanças de dieta do que aquelas que têm peso normal.

Após os seis meses, os participantes que consumiram refrigerante normal foram os que mais acumularam gordura. Ao final do estudo, eles tinham 25% a mais de gordura em torno dos órgãos e cerca de duas vezes mais gordura acumulada no fígado e nos músculos do que quando a pesquisa começou.

A gordura acumulada em regiões onde não deveriam, como no fígado, por exemplo, é chamada de gordura ectópica. Segundo um dos autores do estudo, Bjorn Richelsen, essa gordura é mais perigosa para a saúde de uma pessoa do que a gordura subcutânea, que é aquela que fica sob a pele. A gordura ectópica induz a uma disfunção dos órgãos e pode representar um fator de risco para problemas como diabetes, doenças cardíacas, derrames e problemas no fígado.

De acordo com os pesquisadores, esse estudo fornece informações importantes que podem apoiar recomendações para redução do consumo de bebidas açucaradas.

CONHEÇA A PESQUISA

Título: Sucrose-sweetened beverages increase fat storage in the liver, muscle, and visceral fat depot: a 6-mo randomized intervention study

Onde foi divulgada: periódico American Journal of Clinical Nutrition

Quem fez: Maria Maersk, Anita Belza, Hans Stødkilde-Jørgensen, Steffen Ringgaard, Elizaveta Chabanova, Henrik Thomsen, Steen B Pedersen, Arne Astrup, and Bjørn Richelsen

Instituição: Hospital Universitário de Aarhus, Dinamarca

Dados de amostragem: 47 pessos obesas ou com sobrepeso

Resultado: Pessoas que consumiram diariamente, por seis meses, um litro de refrigerante açucarado aumentaram em 25% a gordura em torno dos órgãos e dobraram a gordura acumulada no fígado e nos músculos.

Os pesquisadores acompanharam 47 pessoas que beberam todos os dias, durante seis meses, um litro da bebida de sua escolha: água, leite, refrigerante normal ou refrigerante diet. Todos os participantes escolhidos eram obesos ou tinham sobrepeso, já que, segundo os pesquisadores, pessoas com esse perfil são mais sensíveis a mudanças de dieta do que aquelas que têm peso normal.

Após os seis meses, os participantes que consumiram refrigerante normal foram os que mais acumularam gordura. Ao final do estudo, eles tinham 25% a mais de gordura em torno dos órgãos e cerca de duas vezes mais gordura acumulada no fígado e nos músculos do que quando a pesquisa começou.

 E TEM MAIS, MUITO MAIS. 

Coca-Cola e afins… (é de arrepiar )
Leia até a orientação do nutricionista no final…vale a pena! 
Sem julgamento de valor, acho que vale a pena a leitura…

‘Aula sobre refrigerantes’ 

Na verdade, a fórmula ‘secreta’ da Coca-Cola se desvenda em 18 segundos em qualquer espectrômetro-ótico, e basicamente até os cachorros a conhecem. Só que não dá para fabricar igual, a não ser que você tenha uns 10 bilhões de dólares para brigar com a Coca-Cola na justiça, porque eles vão cair matando. 

A fórmula da Pepsi tem uma diferença básica da Coca-Cola e é proposital exatamente para evitar processo judicial. Não é diferente porque não conseguiram fazer igual não, é de propósito, mas próximo o suficiente para atrair o consumidor da Coca-Cola que quer um gostinho diferente com menos sal e açúcar. 

Entre outras coisas, fui eu quem teve que aprender tudo sobre refrigerante gaseificado para produzir o guaraná Dolly aqui (nos EUA), que usa o concentrado Brahma. Está no mercado até hoje, mas falhou terrivelmente em estratégia promocional e vende só para o mercado local, tudo isso devido à cabeça dura de alguns diretores. 

Tive que aprender química, entender tudo sobre componentes de refrigerantes, conservantes, sais, ácidos, cafeína, enlatamento, produção de label de lata, permissões, aprovações e muito etc. e tal. Montei um mini-laboratório de análise de produto, equipamento até para analisar quantidade de sólidos, etc. Até desenvolvi programas para PC para cálculo da fórmula com base nos volumes e tipo de envasamento (plástico ou alumínio), pois isso muda os valores e o sabor. Tivemos até equipe de competição em stock-car. 

Tire a imensa quantidade de sal que a Coca-Cola usa (50mg de sódio na lata) e você verá que a Coca-Cola fica igualzinha a qualquer outro refrigerante sem-vergonha e porcaria, adocicado e enjoado. É exatamente o Cloreto de Sódio em exagero (que eles dizem ser       ‘very low sodium’) que refresca e ao mesmo tempo dá sede em dobro, pedindo outro refrigerante, e não enjoa porque o tal sal mata literalmente a sensibilidade ao doce, que também tem de montão: 39 gramas de ‘açúcar’ (sacarose). 

É ridículo, dos 350 gramas de produto líquido, mais de 10% é açúcar. Imagine numa lata de Coca-Cola, mais de 1 centímetro e meio da lata é açúcar puro… Isso dá aproximadamente umas 3 colheres de sopa CHEIAS DE AÇÚCAR POR LATA !… 

– Fórmula da Coca-Cola?… 

Simples: Concentrado de Açúcar queimado – Caramelo – para dar cor escura e gosto; ácido ortofosfórico (azedinho); sacarose – açúcar (HFCS – High Fructose Corn Syrup – açúcar líquido da frutose do milho); extrato da folha da planta COCA (África e Índia) e poucos outros aromatizantes naturais de outras plantas, cafeína, e conservante que pode ser Benzoato de Sódio ou Benzoato de Potássio, Dióxido de carbono de montão para fritar a língua quando você a toma e junto com o sal dar a sensação de refrigeração. 

O uso de ácido ortofosfórico e não o ácido cítrico como todos os outros usam, é para dar a sensação de dentes e boca limpa ao beber, o fosfórico literalmente frita tudo e em quantidade pode até causar decapamento do esmalte dos dentes, coisa que o cítrico ataca com muito menor violência, pois o artofosfórico ‘chupa’ todo o cálcio do organismo, podendo causar até osteoporose, sem contar o comprometimento na formação dos ossos e dentes das crianças em idade de formação óssea, dos 2 aos 14 anos. Tente comprar ácido fosfórico para ver as mil recomendações de segurança e manuseio (queima o cristalino do olho, queima a pele, etc.). 

Só como informação geral, é proibido usar ácido fosfórico em qualquer outro refrigerante, só a Coca-Cola tem permissão… (claro, se tirar, a Coca-Cola ficará com gosto de sabão). 

O extrato da coca e outras folhas quase não mudam nada no sabor, é mais efeito cosmético e mercadológico, assim como o guaraná, você não sente o gosto dele, nem cheiro, (o verdadeiro guaraná tem gosto amargo) ele está lá até porque legalmente tem que estar (questão de registro comercial), mas se tirar você nem nota diferença no gosto. 

O gosto é dado basicamente pelas quantidades diferentes de açúcar, açúcar queimado, sais, ácidos e conservantes. Tem uma empresa química aqui em Bartow, sul de Orlando. Já visitei os caras inúmeras vezes e eles basicamente produzem aromatizantes e essências para sucos. Sais concentrados e essências o dia inteiro, caminhão atrás de caminhão! Eles produzem isso para fábricas de sorvete, refrigerantes, sucos, enlatados, até comida colorida e aromatizada. 

Visitando a fábrica, pedi para ver o depósito de concentrados das frutas, que deveria ser imenso, cheio de reservatórios imensos de laranja, abacaxi, morango, e tantos outros (comentei). O sujeito olhou para mim, deu uma risadinha e me levou para visitar os depósitos imensos de corantes e mais de 50 tipos de componentes químicos. O refrigerante de laranja, o que menos tem é laranja; morango, até os gominhos que ficam em suspensão são feitos de goma (uma liga química que envolve um semipolímero). Abacaxi é um festival de ácidos e mais goma. Essência para sorvete de Abacate? Usam até peróxido de hidrogênio (água oxigenada) para dar aquela sensação de arrasto espumoso no céu da boca ao comer, típico do abacate. 

O segundo refrigerante mais vendido aqui nos Estados Unidos é o Dr. Pepper, o mais antigo de todos, mais antigo que a própria Coca-Cola. Esse refrigerante era vendido obviamente sem refrigeração e sem gaseificação em mil oitocentos e pedrada, em garrafinhas com rolha como medicamento, nas carroças ambulantes que você vê em filmes do velho oeste americano. Além de tirar dor de barriga e unha encravada, também tirava mancha de ferrugem de cortina, além de ajudar a renovar a graxa dos eixos das carroças. Para quem não sabe, Dr. Pepper tem um sabor horrível, e é muito fácil de experimentar em casa: pegue GELOL spray, aquele que você usa quando leva um chute na canela, e dê um bom spray na boca! Esse é o gosto do tal famoso Dr.Pepper que vende muito por aqui.

– Refrigerante DIET

Quer saber a quantidade de lixo que tem em refrigerante diet? Não uso nem para desentupir a pia, porque tenho pena da tubulação de pvc… Olha, só para abrir os olhos dos cegos: os produtos adocicantes diet têm vida muito curta. O aspartame, por exemplo, após 3 semanas de molhado passa a ter gosto de pano velho sujo. 

Para evitar isso, soma-se uma infinidade de outros químicos, um para esticar a vida do aspartame, outro para dar buffer (arredondar) o gosto do segundo químico, outro para neutralizar a cor dos dois químicos juntos que deixam o líquido turvo, outro para manter o terceiro químico em suspensão, senão o fundo do refrigerante fica escuro, outro para evitar cristalização do aspartame, outro para realçar, dar ‘edge’ no ácido cítrico ou fosfórico que acaba sofrendo pela influência dos 4 produtos químicos iniciais, e assim vai… A lista é enorme.

Depois de toda essa minha experiência com produção e estudo de refrigerantes, posso afirmar: Sabe qual é o melhor refrigerante? Água filtrada, de preferência duplamente filtrada, laranja ou limão espremido e gelo… Mais nada !!! Nem açúcar, nem sal. 

(AUTOR: ANÔNIMO – por motivos óbvios) 

INTERESSANTE! 
Quando você  acaba de beber um refrigerante


Prof. Dr. Carlos Alexandre Fett

Faculdade de Educação Física da UFMT Mestrado da Nutrição da UFMT 
Laboratório de Aptidão Física e Metabolismo – 3615 8836 
Consultoria em Performance Humana e Estética 

**O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ACABA DE BEBER UMA LATA DE REFRIGERANTE**

Primeiros 10 minutos:
10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. 
Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.
20 minutos:
O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina. 
O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura (É muito para este momento em particular).
40 minutos:
A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.
45 minutos:
O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona como com a heroína..)
50 minutos:
O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. 
As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina, ou seja, está urinando seus ossos, uma das causas das OSTEOPOROSE.

60 minutos:
As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. 
Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam..
Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. 
Ficará irritadiço. 
Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo

.
*Pense nisso antes de beber refrigerantes. 
Se não puder evitá-los, modere sua ingestão! 
Prefira sucos naturais. 
Seu corpo agradece!*
 

Se achar interessante, repasse. 
Certamente estará fazendo bem a alguém.

 

A lição do mérito

A Lição do Mérito

Revista
Veja – 3 de Março de 2010 – Cláudio de Moura Castro

As primeiras experiências brasileiras de premiar os melhores
professores em sala de aula começam a dar resultado – e sinalizam um bom
caminho para tirar nossos alunos das últimas colocações nos rankings mundiais.

                Com 98% das crianças na escola, o Brasil já ombreia com os países mais
desenvolvidos no indicador de quantidade – mas figura até hoje entre os piores
do mundo em qualidade do ensino. Nesse cenário de flagrante atraso, é bem-vinda
a notícia de que um conjunto relevante de colégios públicos brasileiros começa
a implantar sistemas baseados na meritocracia, princípio que ajudou, décadas
atrás, a empurrar países como Coréia do Sul e Finlândia rumo à excelência
acadêmica. O conceito se espelha em prática comum no mundo das empresas
privadas: nas redes de ensino , a ideia é distinguir com base em avaliações, as
boas e más escolas, provendo incentivos financeiros e perspectiva à carreira
para aqueles professores e diretores à frente dos melhores resultados. A adoção
de mecanismos simples para premiar os mais eficientes e talentosos
profissionais em escolas merece atenção por sinalizar, antes de tudo, uma
mudança numa velha mentalidade ainda arraigada na educação brasileira: a de que
todos os professores devem ganhar o mesmo e sempre mais – à revelia do mau
desempenho em sala de aula e também do que mostram as pesquisas científicas.
Uma das mais detalhadas, conduzida pelo economista Eric Hanusshek, da
Universidade Stanford, nos Estados Unidos, conclui: „Sem meritocracia, não há
como atrair as melhores cabeças de um país para a docência”.

                Na educação, os avanços sempre se dão por um conjunto de inovações e políticas – e não por um único fator. Os especialistas concordam, porém, que a implantação da meritocracia numa centena de municípios brasileiros e em estados como SãoPaulo, Minas Gerais e Pernambuco começa a reverter em favor do ensino. Avalia o economista Cláudio Ferraz, à frente de um estudo sobre o assunto no Banco
Mundial: „A adoção desse princípio significa uma mudança de cultura tão radical
na condução de uma escola que, apesar de recente, não é exagero afirmar que já
está beneficiando a sala de aula”. Os números mais novos apontam nessa direção,
obtidos por VEJA com exclusividade, vêm de São Paulo, um dos primeiros no país
a adotar o bônus nas escolas, em 2008. Segundo o Sistema de Avaliação do
Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), baseado numa prova aplicada
aos estudantes, só no último ano 18% dos alunos da Quarta Série do ensino fundamental foram alçados, em português, do nível insuficiente para o adequado. Aos 9, eles não conseguiam escrever um bilhete, tampouco compreender o sentido de um texto curto (caso ainda de 22% do total). Em matemática, o grupo dos piores – aquele
em que os alunos se paralisam ao tentar resolver um problema envolvendo
operações de soma e subtração – encolheu de 39% para 31%. Os últimos dados em
Minas Gerais apontam para progresso semelhante na sala de aula.

                Bons, porém modestos perto da dimensão do problema a equacionar, os resultados de São Paulo e Minas ajudam a aferir a eficácia de um pacote de boas práticas de gestão que, só agora, passam a ser implantadas em escolas brasileiras. Diz o economista Fernando Veloso, especialista em educação: „Os estados e municípios avançam são justamente aqueles que conseguiram se livrar da velha cultura corporativista e, pouco a pouco, modernizaram a gestão de suas redes de
ensino”. No conjunto das 180.000 escolas públicas brasileiras, estima-se que
20% delas começam a se organizar de acordo com metas acadêmicas, estabelecidas
com base em avaliações, e já são cobradas e premiadas pelo seu bom cumprimento.
É um modelo cuja eficácia foi exaustivamente aferida em outros países e, no
Brasil, já se faz notar no dia a dia de colégios como o estadual Lemon Renault,
de Belo Horizonte. „Sinto pela primeira vez como se estivesse chefiando uma
equipe de uma grande empresa privada, tal é a obsessão na escola em relação aos
resultados”, resume a diretora Maria de Lourdes Fassy, de 50 anos, na função há
quatro.

                A lição das escolas brasileiras que se modernizam lança luz ainda para a eficácia em ater-se ao básico – e não sair em busca de soluções mirabolantes. Nesse
sentido, a experiência reforça a ideia de que poucas medidas têm tanto impacto
na qualidade do ensino quanto a formulação de um bom currículo. Um levantamento
com base em dados da Prova Brasil, aplicada em escolas públicas pelo Ministério
da Educação (MEC), constata que, quando o professor se ancora em roteiros
detalhados sobre o que e como ensinar, as notas sempre sobem. Num país como o
Brasil, onde o nível geral dos professores é baixo, um currículo se torna
imperativo – mas é ainda coisa rara. Apenas seis dos 27 estados contam com um,
e isso é recente. Os efeitos já se fazem sentir, ainda que modestamente. Será
preciso esperar mais para colher frutos de outra frente de iniciativas
promissoras, estas voltadas para melhorar o nível dos professores – o principal
obstáculo ao avanço brasileiro.

                Na rede estadual paulista, criou-se uma escola com o propósito de dar reforço a professores recém-aprovados nos concursos. Antes de assumir o posto, eles serão treinados a lidar com situações reais da sala de aula, o que não aprendem na
faculdade. Os efeitos podem ser imensos. Ao longo de sua vida útil, um único
professor atende cerca de 1.000 alunos. A primeira turma dessa escola de
professores em São Paulo contará com 10.000 profissionais, com chances,
portanto, de ajudar 10 milhões de crianças.

                Desde que o nível de ensino começou a ser medido no Brasil, na década de 90, não houve nenhum avanço relevante. Em certos casos, a qualidade chegou a cair. É verdade que os números pioraram na medida em que mais gente ingressou na
escola, mas esse processo de massificação na sala de aula encerrou-se uma
década atrás, e nem por isso o Brasil deixou a rabeira dos rankings
internacionais de ensino.

                Enquanto os americanos fazem hoje conversões de unidades e se saem bem em problemas matemáticos de razoável complexidade, os brasileiros se atrapalham ao ler as horas num relógio e penam com a multiplicação – um atraso gritante. O que pode
ajudar a mudar isso é o fato de que, pela primeira vez, se vê um razoável
consenso quanto à direção do caminho a percorrer, independente do matiz
ideológico. Na semana passada, a meritocracia na educação, que já foi vista com
imensa resistência no governo Lula, foi defendida pelo ministro Fernando
Haddad: „Ela não desmerece, mas só valoriza os profissionais”. Reconhecer isso
é, no mínimo, um bom começo.

Sites e aplicativos no Facebook oferecem testes vocacionais

Quando o assunto é indecisão profissional, muitos estudantes compartilham a dúvida que permeia o futuro da vida adulta. Com a vasta opção de cursos e carreiras oferecidas pelas universidades hoje, o processo de escolha se torna ainda mais complicado. Por isso, análise de mercado, visitas a instituições de ensino e conversas com profissionais da área se tornaram usuais entre os futuros universitários. Porém, mais comum que isso é a possibilidade de testar suas habilidades e interesses sem sair de casa por meio de testes profissionais online.

Os principais sites voltados para vestibulandos oferecem este tipo de atividade. Exemplo disso são os endereços Vestibular Seriado, Mundo Vestibular e O Portal dos Estudantes. Em todos, o exercício consta em identificar quais os programas de lazer que mais interessam ao jovem. Então, assinalando coisas como leitura, teatro e cinema, por exemplo, a área de humanas aparece como a ideal para sua futura vida no mercado de trabalho.

“O internauta brasileiro já está inserido na era web 2.0 e tem, na internet, um instrumento de busca por novidades, entretenimento, informação, interação e decisão”, aponta Adilson de Oliveira, diretor do curso de Sistemas para Internet da Universidade de Guarulhos (Ung). A escolha da futura profissão parece não ficar fora disso. Hoje, com apenas alguns cliques, a resposta para a dúvida que tira o sono de muitos vestibulandos pode aparecer na telinha.

Contudo, segundo a psicóloga Mara Poltronieri, os testes online servem somente para fazer com que o estudante reflita sobre as possibilidades, e não pode ser considerado um exercício definitivo: “Os questionários virtuais não são testes vocacionais, e sim testes profissionais, que tem o objetivo de auxiliar a pessoa a refletir sobre áreas de interesse, de pensar sobre as profissões que estão contidas nestas áreas, de sensibilizá-la sobre a importância de investigar a profissão e a realidade do mercado”, explica.

De acordo com Mara, a orientação vocacional é o meio mais eficaz para a escolha da profissão, pois, como ela explica, tudo é feito com acompanhamento de terapeutas que levam o aluno ao autoconhecimento. “Ele começa a pensar em coisas como quem sou eu, qual é o meu projeto de vida, minhas expectativas pessoais, expectativas da família, interesses, aptidões, valores etc. Tudo isso o leva a decidir qual carreira vai atender seus objetivos”, argumenta a psicóloga.

Universidade de Guarulhos une teste no Facebook com acompanhamento de psicólogos
Com vontade de se aproximar dos estudantes via redes sociais e com a consciência de que uma decisão importante como a escolha da profissão não pode ser decidida apenas virtualmente, a Universidade de Guarulhos (Ung) – com campi em São Paulo, Guarulhos e Itaquaquecetuba – uniu o útil ao agradável, e o online com o off-line.

Percebendo o sucesso que os aplicativos do Facebook fazem com os estudantes, a área de marketing da instituição criou um teste profissional online, no qual o internauta responde perguntas e descobre qual a área do mercado de trabalho combina mais com ele. “Depois, a pessoa pode compartilhar o resultado com seus amigos no mural do Facebook e também pelo Twitter”, conta o gerente de marketing da universidade, Marcus Aquenaton.

Segundo Aquenaton, a ideia surgiu depois de muita pesquisa e análise do público alvo. “Não queríamos somente criar um perfil que provavelmente nem teria acesso. Então, estudamos para criar um aplicativo no Facebook que interessasse e fosse útil para os jovens, mas que também mantivesse o caráter educacional da instituição. Foi aí que a ideia do teste profissional surgiu”, explica.

Além disso, de acordo com Aquenaton, se o internauta ainda tiver dúvidas depois do teste online, um link fica disponível para que ele acesse o site da universidade. Lá, existe a opção de entrar em contato com psicólogos da instituição e marcar um teste vocacional presencial. “É só ligar ou mandar a solicitação por e-mail que nós marcamos um dia com a pessoa. O teste vocacional é gratuito”, afirma o gerente de marketing.

A psicóloga Mara explica que a orientação profissional dura em torno de dez encontros e que pode ser feita em grupo ou individualmente.”São aplicados testes psicológicos, dinâmicas, bateria de habilidades, teste de valores, entre outras ações”, diz. Na Ung, o procedimento é feito por alunos do curso de Psicologia orientados por professores da universidade.

 

Outro mundo é possível!

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:

– Você acredita na vida após o nascimento?

– Certamente que sim. Algo tem de haver após o nascimento! Talvez estejamos aqui, principalmente, porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

– Bobagem, não há vida após o nascimento. E como verdadeiramente seria essa vida, se ela existisse?

– Eu não sei exatamente, mas por certo haverá mais luz lá do que aqui… Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comamos com a boca.

– Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: a vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto!

– Na verdade, certamente, há algo depois do nascimento. Talvez seja apenas um pouco diferente do que  estamos habituados a ter aqui…

– Mas ninguém nunca voltou de lá para falar sobre isso. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

– Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

– Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?

– Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e, através dela, nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria!

– Eu não acredito. Eu nunca vi nenhuma mamãe. Por isso  que não existe mamãe nenhuma, é claro!

– Bem, mas às vezes, quando estamos em silêncio, podemos ouvi-la cantando; ou sentimos como ela afaga nosso mundo… Saiba: eu penso que só depois de nascidos nossa vida será mais “real”, pois ela tomará nova dimensão. Porque aqui, onde estamos agora, apenas estamos nos preparando para essa outra  vida…