Quando o esporte não é saúde

            Marcos das Neves Tucano

           As olimpíadas tomam conta de todos os noticiários. Apesar de ser uma disputa mais entre atletas e federações, a imprensa gosta de fazer parecer uma disputa entre nações. E alguns governos se aproveitam disso e investem pesado nos atletas como forma de propaganda política. Geralmente regimes autoritários.
          Felizmente, nações comprometidas com a qualidade de vida de seus cidadãoes, investem alto e com seriedade no esporte escolar e universitário. Esses países, é claro, possuem atletas de alto nível em todos os esportes, mas as Olimpíadas e as medalhas são uma consequência. Os investimentos no esporte são, antes de tudo, uma política do sistema educacional.

            Mas qual o impacto de medalhas olímpicas no dia a dia do cidadão comum? Uma boa comparação é confrontar o quadro de medalhas com lista que tem como base o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) – que é o que interessa – . O IDH leva em consideração, dentre outros fatores, a riqueza, expectativa de vida, mortalidade infantil, educação e alfabetização.

            Vejamos os 15 primeiros colocados até agora  (Quinta – 09 de agosto às 23:10) nas Olimpíadas de Londres. Pela ordem: Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Rússia, Coréia do Sul, Alemanha, França, Hungria, Itália, Austrália, Cazaquistão, Japão, Holanda, Irã e Coréia do Norte. Ficamos nos 15 primeiros.

            Vejamso agora os 15 primeiros colocados na lista do IDH divulgada pela ONU no final de 2011: Noruega, Austrália, Países Baixos (Holanda e Bélgica), Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá, Irlanda, Liechtenstein, Alemanha, Suécia, Suíça, Japão, Hong Kong, Islândia e Coréia do Sul.

            Dos 15 melhores IDH’s do mundo, 6 estão entre os 15 melhores também nas Olimpíadas: Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Holanda e Coréia do Sul.

            Agora vejamos á classificação dos outros países olímpicos na lista do IDH: China (101º), Grã-Bretanha (28º), Rússia (66º), França (20º), Hungria (38º), Itália (24º), Cazaquistão (68º), Irã (88º) e Coréia do Norte (não avaliado mas estimado entre 120º e 140º).

            Como podemos ver, uma verdadeira discrepância em países onde não há democracia estabelecida (China, Rússia, Cazaquistão e Coréia do Norte). Conclusão: ser uma potência esportiva, para esses países, tem muito pouco a ver com a qualidade de vida de seu povo – que é o que realmente interessa – e muito mais com propaganda política para consumo interno e externo. A China, por exemplo, submete seus futuros atletas, crianças ainda, a verdadeiras sessões de torturas (foto).

            E o Brasil, como está? No quadro de medalhas estamos na 26º posição, já na lista de IDH………84º, logo atrás do Peru, República Dominicana, Santa Lúcia e Equador. Uma lógica perversa já que na economia, na extensão territorial e população, estamos entre os sete maiores do mundo. É vergonhoso ocupar apenas o 84º  no IDH. Vexame maior só mesmo da China, já citado, e da Índia, que aparece em 48º em Londres e 134º no Índice de Desenvolvimento Humano. Esses dois países, junto com a Rússia, coincidentemente, são nossos companheiros no grupo denominado BRIC. Triste. 

Para ver toda a lista do IDH:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_Índice_de_Desenvolvimento_Humano

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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