GERAÇÃO N

GERAÇÃO N

Com excessiva autoestima e falta de limites, crianças formam a “Geração N”.

Jussara Soares – Diário de São Paulo

            Vem aí a “Geração N”. provavelmente, você ainda não ouviu falar a respeito, mas pode estar convivendo com ela. Uma pesquisa realizada pelas universidades de San Diego e do Sul do Alabama aponta que o narcisismo (daí o nome de geração N) cresceu entre os jovens americanos nos últimos 15 anos. A autoestima elevada e que pode trazer problemas sociais, no entanto, também é percebida no Brasil, afirmam os especialistas.

            O estudo, liderado pelo psicólogo Jean Twenge, da Universidade de San Diego, analisou os traços da personalidade narcisista entre dezenas de milhares de universitários americanos. As características mais presentes nos entrevistados são um “infundado senso de merecimento” e “uma excessiva autoestima”.

            A pesquisa conclui que o aumento de narcisistas pode trazer problemas para a sociedade no futuro. E sugere que a última crise econômica mundial já foi resultado de decisões de alto risco, baseadas no narcisismo.

            A psicoterapeuta e consultora de imagem do núcleo de adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Mara Pusch, diz que o comportamento da “geração N” é estimulado pelos próprios pais. “Para sanarem a ausência deles, os pais começam a construir uma autoestima elevada nos filhos, baseada em muitos elogios e poucas críticas”, analisa.

            A principal consequência, segundo a psicoterapeuta da Unifesp, é a arrogância e a dificuldade de convívio social da “geração N”. “A criança e o adolescente se acha um ser superior. Só entra em uma disputa para ganhar, ou nem entra”, observa.

            Para a professora de psicologia social da PUC-SP, Ana Bock, a “geração N” é um reflexo da mudança da sociedade e dos seus valores. “O mundo está mais individualista. Hoje, todo mundo tem o seu celular, a sua televisão. As famílias têm pouca convivência”, diz.

            A “geração N”, observa a professora, são filhos de casais que mantém uma relação mais individualista e que superprotegem os filhos. “As crianças não aprendem a ceder, a conviver com frustrações. Quando adultos, quando passam por uma frustração pessoal ou afetiva, entram em depressão”, observa Ana Bock, reiterando o prejuízo para a sociedade. “São pessoas que não aprendem a olhar pela perspectiva do outro. Só sabe cuidar da própria vida”, diz.

            Pais incentivam o consumo

            O consumismo é outra característica predominante dos narcisistas. De acordo com a psicoterapeuta da Unifesp, os pais não permitem que os filhos tenham frustrações. “É como se, ao não poderem dar afeto, compram tudo para atender aos desejos dos filhos”, pontua.

            A dica para crianças e futuros adultos menos preocupados com os próprios umbigos é o equilíbrio. “Só o elogio não constrói. Só a crítica também não. Qualquer exagero é um equívoco. É preciso dosar para ensinar os filhos a lidarem com as frustrações e as realizações que vão enfrentar”, conclui.  

            

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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