Integrado Jaó é destaque no caderno de Economia do DM.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA: DE CASA PARA A ESCOLA

Colégios investem em programas que desenvolvem noções de investimentos, leilões e ensinam a criança a poupar.
Viviane Bittencourt – Editora Política & Justiça
Economia – Diário da Manhã – 11 de fevereiro de 2012

             Aprender a economizar pode ser uma tarefa difícil para muitas pessoas, no entanto, isso pode ser facilitado quando se aprende desde criança. Assim pensa o professor e diretor do Colégio Integrado Jaó, Marcos Tucano. “Percebemos que a família é o principal agente no que se refere à educação financeira, promovendo desde pequenos a discussão do tema. A escola funciona como um auxílio nesse processo”, afirma. Tucano ainda cita Içami Tiba, autor de diversos livros, como Quem ama, educa. “A escola não educa, ela qualifica o filho”, lembra o professor.

            De acordo com o diretor do Integrado Jaó, a grande dificuldade é que os pais comecem a ensinar aos filhos o valor do dinheiro. “A escola se preocupa com isso, mas na verdade a grande tarefa é dos pais, eles devem ensiná-los a poupar, mostrar como isso é bom, que o consumismo não é tudo e que fugir do imediatismo, ou seja, adiar a recompensa, é o melhor caminho para o sucesso”, considera.

            Marcos afirma que a escola trabalhando em conjunto com a família, pode ser essencial no processo de conscientização financeira. Para isso, alguns projetos são desenvolvidos na escola, como aulas que possibilitem dar às crianças e jovens noções do que são juros, e como a renda familiar pode ser comprometida por eles, por exemplo. “Os alunos têm aulas que explicam sobre o mercado de ações, bolsa de valores, juros, poupança e no segundo ano do ensino médio montam uma empresa júnior”, afirma o diretor.

            Outro recurso explorado pelo Integrado Jaó são as moduletas. Espécie de moeda própria do colégio, a qual o aluno passa a ter direito se receber uma nota 10 em algum teste. “Chamam-se moduletas, pois nosso ensino é dividido em módulos, ao final de cada módulo o aluno pode ter a oportunidade de tirar um 10 e consequentemente adquirir sua moduleta. A vantagem é poder participar dos leilões organizados pela escola, ou escolher guardá-las e adquirir com desconto na matrícula do próximo ano”, explica Tucano.

            A ideia das moduletas, de acordo com o diretor, surgiu há dois anos com o objetivo de estimular os alunos a estudar, além de ensiná-los a cuidar do dinheiro, e saber que poupar pode ser algo vantajoso. “Cada moduleta vale a cotação do dólar do dia. Se o aluno quer comprar um salgado, por exemplo, ele precisa juntar as moduletas equivalentes para isso. Organizamos também, a cada dois meses, os leilões, nos quais os alunos só podem comprar os objetos leiloados se tiver moduletas, com isso, o estudante pode ir para casa com uma bicicleta novinha, por exemplo, graças às moduletas”, afirma.

            Outra aplicação das moduletas, de acordo com Tucano, é a preferida dos alunos, consiste em guardá-las em busca de descontos na hora de renovar a matrícula. “Como o valor das moduletas é variável, dependendo de onde elas serão aplicadas, por exemplo, nos leilões é definido por quantas moduletas determinado produto será comprado; já para a renovação da matrícula cada moduleta vale R$ 10. Se o aluno tem 10, o desconto já é de R$ 100”, afirma.

            Letícia Antoniosi, 17 anos, conseguiu mais de 20 moduletas em 2011. “Eu e minha irmã, que também estuda no colégio, conseguimos 37 moduletas. Preferimos guardar as nossas e conseguir o desconto na renovação da matrícula. Acho que isso incentiva a gente a estudar mais”, afirma. Letícia, que também foi presidente da empresa júnior montada pelos alunos no ano passado, considera que a experiência auxiliou-a a desenvolver noções de empreendedorismo e saber como um negócio pode dar trabalho.

            “Montamos uma empresa júnior com todas as etapas. Pesquisa de mercado, definição do produto, preço, venda de ações, confecção do bem, venda”, revela Letícia. A empresa júnior era do ramo de confecção de almofadas. “Ao final desse processo, onde os alunos vivenciaram todas as etapas para se montar uma empresa, tiveram a oportunidade de vender os produtos que haviam produzido em uma feira organizada no Shopping Flamboyant”, relata o diretor do colégio.

            De acordo com Letícia, após a experiência empreendedora, sua capacidade de observação de alguns erros cometidos pelas empresas é bem maior. “Olho tudo, o marketing, como é o atendimento ao cliente, e vejo o quanto é difícil montar uma empresa, e principalmente fazê-la dar certo”, revela. O pai de Letícia, Nelson Roberto Antoniosi, acredita que a experiência foi bastante proveitosa para a filha. “A Letícia pode saber o real valor de se ganhar dinheiro, e que investir é importante, principalmente como e onde. É como se fosse o orçamento de uma família, se você gasta mais do que tem terá problemas”, ensina.

            Nelson, que procura incentivar as filhas a cuidarem do próprio dinheiro, acredita que desenvolver a educação financeira, seja na escola ou em casa, é pré-requisito para formar um adulto com consciência. “Costumo dar R$ 50 para as meninas quando estamos de férias, por exemplo, e cada uma delas tem que se virar com o dinheiro ganho. Isso faz com que pensem mais ao comprar determinado produto, e principalmente que o consumo em excesso pode ser uma armadilha”, afima.

            Letícia observa que a ação do pai faz com ela pense bem ao querer gastar o dinheiro ganho. “Não sou muito de gastar, acho que a iniciativa do meu pai faz com que a gente tenha mais controle do dinheiro ganho. Já a minha vó faz o contrário, ela pergunta o que a gente quer e vai dando, acho que é coisa mais de avó mesmo, que mima”, brinca. Letícia garante que o que lhe mais norteia com relação a dinheiro é a necessidade. “Compro quando preciso, é claro que dá vontade de comprar mais, e descontrolar as finanças, mas a educação dada pela minha família e o trabalho desenvolvido na escola faz com que eu tente não me render aos ímpetos consumistas”, considera. 

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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