Maior a nota, maior o salário!

Maior a nota, maior o salário!
O Popular – 19 de março de 2014

 

Estudo aponta que alunos que tiveram melhor desempenho conseguem remuneração mais alta.

            O maior domínio do Português e da Matemática podem gerar um acréscimo salarial para o estudante em início de carreira, no Brasil. Pesquisa inédita divulgada ontem pela Fundação Itaú Social revela uma questão sempre defendida por educadores, que é a importância do investimento e da melhor qualidade do ensino básico. O estudo constatou que quanto maior a nota obtida em exames de proficiência, realizados no fim do ensino médio, maior também é o salário da pessoa, quando ela começa a trabalhar. No caso do Português, uma nota 10% maior que a média nacional pode significar um salário de até 4,6% maior.

            A pesquisa foi feita a partir do cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), dos Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Censo Demográfico de 2000 e 2010. Por meio deles, os envolvidos no estudo, comandados pelos economistas Andréa Zaitune Curi e Naércio Aquino de Menezes Filho, acompanharam o desenvolvimento das gerações nascidas em 1977-78 e em 1987-88, levando em consideração os aspectos de todas as fases da vida até iniciar a carreira profissional – na infância (aos 4-5 anos), na fase escolar (17-18 anos) e no mercado de trabalho (23-24 anos).

            O resultado da pesquisa mostra que depois de cinco anos trabalhando, pessoas de uma mesma geração, mas de desempenho escolares destoantes, tendem a ter salários diferentes cujos valores se divergem e tem relação com o desempenho escolar de cada um. Quem estudou mais e teve notas melhores, conseguiu um salário melhor. Em 2005, a nota média do brasileiro obtida no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi 283,8, em Matemática, e 268,3 em Português. Cinco anos depois, em 2010, o salário médio desse estudantes foi de R$ 1.155,80. A pesquisa verificou que quem obteve uma nota 10% maior em Matemática recebia em torno de R$ 53,20 a mais que a média e, no caso de Português, R$ 57,80 a mais.

            Dados e informações de todos os estados foram levados em consideração para se chegar ao resultado da pesquisa. Com o panorama nacional em mãos, Naércio Menezes, que, além de economista é coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e consultor da Fundação Itaú Social, avalia que a desigualdade e as diferenças salariais existentes no Brasil podem ser explicadas pelas notas obtidas pelos jovens no ensino médio. “Do ponto de vista das políticas públicas, trata-se de um sinal claro de que todo o esforço possível é necessário para tentar aumentar o aprendizado das crianças, pois ele resulta em diferenças de produtividade que perduram por todo o ciclo de vida”, expõe.

            A presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás, Ester Carvalho, comemorou a inciativa da pesquisa e , apesar de lamentar os resultados obtidos, ela argumenta que eles serão importantes para expor aos gestores públicos uma obviedade sempre defendida pelos educadores. “Agora temos o respaldo científico. Temos números para mostrar isso”, diz. A mesma opinião é compartilhada pela gerente de Educação da Fundação Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, que acredita que a pesquisa vai adensar o debate sobre a possibilidade de uma educação pública de qualidade ser capaz de reduzir as desigualdades sociais.

            “Esse estudo mostra evidências de que não basta ficar na escola: a qualidade do que se aprende nela faz muita diferença no mercado de trabalho”, avalia Patrícia.

 

Entrevista – Ester Carvalho

“Ela trouxe o óbvio, mas o óbvio com caráter científico”

A presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Ester Carvalho, comemora a iniciativa da pesquisa, por ela ter materializado em dados uma sensação sempre difundida pelos educadores e revela que Goiás precisa de mais investimentos.

A realidade diagnosticada pela pesquisa é uma verdade?

Para nós, educadores, o que a pesquisa revelou é até uma obviedade, porque é o que enfrentamos diariamente, tentando reverter. A capacidade de redigir e de realizar as operações básicas de matemática é considerada o mínimo que uma pessoa pode fazer, mas, no mercado de trabalho e na realidade brasileira, infelizmente, isso é um diferencial. A pesquisa para nós foi fabulosa. Ela trouxe o óbvio, mas o óbvio com caráter científico e com o poder de convencimento de uma pesquisa. Isso vai servir em favor das nossas reinvindicações.

Como está, na sua avaliação, a disposição política em resolver essa questão?

No fundo, a gente percebe esse impacto negativo no mercado de trabalho em virtude da má qualidade do ensino. E isso é o que a política brasileira devia ter se atentado há muito tempo. Eu gostaria de acreditar que para o político, isso também sempre foi óbvio, e temos visto mostras de uma maior preocupação com isso. Talvez, fruto de uma demanda e pressão social que cada vez mais se acentua.

Qual o contexto da Educação Básica no Estado?

Olha, não foge muito do panorama brasileiro. Temos problemas muito sérios na formação de crianças e adolescentes. Algumas escolas são boas, mas em outras percebemos que o básico ainda é dado à duras penas. Eu sei que o governo tem feito muito investimento estrutural, mas, por outro lado, o profissional ainda sobre com questões de valorização, como acontece em todo o País. Goiás ainda carece de investimento, principalmente no ensino infantil, que é o grande sustentáculo da Educação. A sedução do ensino se dá no ensino básico e não no ensino médio.

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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