O novo ensino médio!

NÚMEROS DO IDEB ASSUSTAM MINISTRO – Marcos das Neves Tucano

            Segundo Aloisio Mercadante, os números do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) estão “estáveis”. Puro eufemismo do Ministro da Educação. Os números estão estagnados, o que em Educação significa claro retrocesso.

            Menos mal, pelo menos já sabemos que está assim e temos números para provar. Mercadante se assustou e quer soluções imediatas, e isso também não existe em Educação. Um bom exemplo é o Enem, anunciado como o “coveiro” dos vestibulares há seis anos até agora não conseguiu sei intento.

            A proposta é positiva, o modelo a ser adotado é o próprio Enem. As atuais 13 disciplinas serão distribuídas em apenas 4 áreas (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagem e Matemática).

            Pela proposta, os alunos de escolas públicas e privadas não terão mais aulas de Biologia, Física e Química, e sim de Ciências da Natureza. Geografia, História, Sociologia e Filosofia serão substituídas por aulas de Ciências Humanas. Inglês, Artes, Espanhol, Língua Portuguesa e até Educação Física darão lugar a Linguagem, Códigos e suas tecnologias. Apenas a Matemática reinará solitária (veja o quadro).

            O grande problema será a implantação. Ainda não temos cursos de licenciatura com este formato. Ou seja, a impressão que dá é que o governo vai começar a casa pelo telhado.

            No entanto, na essência, a proposta é muito positiva. Nenhum aluno termina o ensino médio dominando todos os conteúdos. A grade curricular é por demais extensa e complexa. Conteúdos de biologia, por exemplo, que não são vistos nem em cursos superiores de ciências biológicas, são cobrados no ensino médio. Um total despropósito. “Hoje o aluno sai sabendo nada de tudo”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva da ONG Todos pela Educação, “não há dúvida de que a atual organização do currículo afeta a qualidade do ensino médio”, completa Priscila.

            Outro grande problema serão os professores e seus sindicatos. Mais uma vez Priscila Cruz, que por não ser ligada a nenhum órgão pública, vai direto ao ponto: “o problema é que o currículo fragmentado funciona como uma reserva de mercado para os professores. Vai haver muita resistência contra essa mudança”.

            Para o doutor em educação Celso Ferreti, “é positivo criar uma abordagem interdisciplinar. O aluno deve saber, por exemplo, quais a aplicabilidades do raio laser e que foi uma tecnologia inicialmente desenvolvida para guerra. Ou seja, são conhecimentos de física, de matemática e de história, hoje ministrados separadamente”.

            No entanto, qualquer integração, vai exigir uma profunda reorganização dos colégios. O mesmo não acontece com o material didático. A exemplo do que já acontece com o Enem, é fácil para um editora reorganizar seu material, especialmente se tiver que suprimir e não acrescentar conteúdo. Mas na escola não é assim.

            Em um primeiro momento, antes que as universidades possam formar novos profissionais,  entendo que os professores terão de se organizar em grupos, preparar aulas em conjunto. Não poderão mais ganhar apenas por aula dada.

            Cada vez mais o Enem será o farol e o modelo dessa mudança. O ministro Aloizio Mercadante falou sobre isso à Folha de São Paulo.

            Como melhorar o ensino médio?

            Aloizio Mercadante: a primeira providência é a substituição da Prova Brasil pelo Enem. Hoje o ensino médio é avaliado por uma amostra da Prova Brasil, com 70 mil alunos. O Enem tem 1,5 milhão de inscritos entre os concluintes do ensino médio.

            O exame vai ter ainda mais importância com a política de cotas das universidades federais (deve ser a forma de seleção dos beneficiados). As escolas públicas serão cobradas por quantos alunos aprovaram nessas universidades.

            O aluno vai deixar de ter alguma matéria com a reforma curricular?

            Mercadante: Não. O Enem é estruturado em quatro campos de conhecimento, que concentras as matérias. E será a partir deles que queremos organizar o currículo das escolas. E Enem será o organizador do ensino médio, pois já seleciona para o Prouni, o Fies……..

            Todas essas mudanças visam, exclusivamente, o ensino público, as escolas particulares terão de se adaptar. É uma busca pela qualidade e os eventuais equívocos devem ser considerados como percalços naturais de qualquer processo de mudança.

            Algo semelhante foi sugerido em 2009, o governo mandaria verbas extras para as escolas que alterassem seus currículos. O projeto, porém, era de caráter experimental. Não se tem notícias dos resultados alcançados.

            O grande nó será tornar as aulas multidisciplinares com professores formados em disciplinas específicas.

            As mudanças não são apenas bem vindas, mas necessárias. Mas os resultados exigirão a manutenção dessa política educacional pelos quatro ou cinco governos.          Se com o atual modelo, que funciona há décadas, ainda não temos professores suficientes – nem em quantidade e nem em qualidade – imaginem começando do zero a formação desses profissionais?

            Mas o primeiro passo tem de ser dado. Não temos saída. O pior a ser feito seria continuar investindo em um modal comprovadamente ineficaz.

Fonte: Folha de São Paulo de 16/08/2012

 

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

2 thoughts on “O novo ensino médio!

  1. O melhor que faremos é estudar a estruturação da implantação desta realidade em nossas escolas de maneira que fiquemos mais ainda fortalecidos e reconhecidos na cidade.
    Miguelão – Prof. Geografia

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