Tecnoestresse

Marcos das Neves Tucano

         A palavra é auto-explicativa. Nossos adolescentes estão cada vez mais tecnodependentes (outro neologismo que dispensa explicações). Se antes se trancavam no quarto para mergulhar na internet, agora a levam com eles para onde vão.

         Essa avalanche de informações – e é sempre bom lembrar que informação e conhecimento são duas coisas bem diferentes -, não apenas aumenta os riscos para a segurança – preocupação número 1 dos pais – mas também afetam o desenvolvimento social e psicológico. A lista é grande: pedofilia, ciberbullying, obesidade, “sexting”, “grooming” e o já citado tecnoestresse. Antes dizíamos para os nossos filhos não falarem com estranhos na expectativa que isso os protegeria dos assédios. O que fazer hoje?

         O citado tecnoestresse, causado pelo excesso do uso de computadores, tablets e smartphones, provoca dificuldade de concentração e ansiedade, além da agressividade todas as vezes que for privado do acesso à tecnologia. Mais ou menos como os efeitos da abstinência no caso de drogas e álcool.

         Neurologista e professor da UFRJ, Eduardo Jorge, afirma que problemas neurológicos e psiquiátricos já associados ao uso excessivo de tecnologia. “Estão aumentando os casos de doenças relacionadas ao isolamento. A depressão é a que mais cresce”, diz ele.

         Uma pessoa que tenha uma leve tendência a se tornar depressiva, com o uso excessivo da tecnologia pode potencializar e apressar os sintomas. Sem este fator, talvez apenas desenvolvesse a doença no final da fase adulta ou nem isso. Com a superexposição tecnológica já pode apresenta-la na adolescência. Estes casos são cada vez mais frequentes.

         Além da depressão, o aparecimento ou potencialização do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, tem uma incidência maior em adolescentes “viciados” em computador. Alguns pais geralmente discordam, afirmando que ele não tem dificuldade de concentração pois fica horas concentrado no computador.

         Segundo ainda o Dr. Eduardo Jorge, as novas e espetaculares telas de LED, são importante fator no aumento tanto no número quanto na intensidade dos casos de enxaqueca.

         Isso sem falar nas relações pessoais. No momento da vida em que a socialização é um dos fatores mais importantes, eles estão cada vez mais afastados de uma vida social saudável trocada pelas relações virtuais, muitas vezes perigosas. Isso em um momento em que o adolescente está em fase de crescimento e seu cérebro ainda não atingiu a maturidade, não tendo, portanto, pleno controle de seus impulsos.

         Com o aparecimento dos tablets, ambientes wi-fi e smartphones e com eles a internet móvel, fica praticamente impossível para os pais algum tipo de controle efetivo. A não ser que “comprem briga” com os filhos e não os presentei com esses dispositivos ou restrinjam o uso dos mesmos. Não vai ser fácil, a primeira frase que ouvirão será um clássico de 10 entre 10 adolescentes: “os (as) meus (minhas) amigos (as) todas têm, só eu que não tenho”. O objetivo claro da frase é provocar o remorso por estar “dificultando a vida social” do (a) filho (a) quando todos os “outros pais” fazem o contrário. Não caia nessa, ao contrário, ligue para os pais das colegas e troquem ideias sobre isso. Acho que você terá uma surpresa ao ver que a grande maioria pensa ou gostaria de pensar como você.

         O pediatra americano Michael Rich, da prestigiada Universidade de Harvard, vai mais além. Segundo ele, devido a falta de intimidade com as novas mídias, os pais deixam de preparar as crianças para o mundo virtual e se tornam os principais responsáveis por esse quadro “cibercaótico”.

         “Muitas vezes os pais dão o notebook e pensam que, desde que os filhos estejam no quarto, não vão se meter em confusão, o que é um erro”, afirma Michael Rich. “Os adultos precisam se tornar aprendizes dos jovens na parte técnica para que possam ser seus professores na parte humana”, completa.

 

Fonte: Folha UOL.

        

        

 

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About tucano

Marcos das Neves "Tucano". Professor há 42 anos, biólogo, sanitarista, especialista em administração escolar, gestão de conteúdo e logística da informação. Pai de quatro filhos e apaixonado pela esposa, família, educação e tecnologia educacional. Idealizador do Colégio Integrado Jaó, do Método Nintai de Sistematização de Conteúdo e, atualmente, Superintendente Executivo de Educação do Estado de Goiás.

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